I'll Be By Your Side

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Apenas uma coisinha que me veio à cabeça quando vi essa fanart da capa...

Nico mal acordou e correu para a enfermaria. Ele tinha deixado o lugar de madrugada porque Will insistira muito que ele fosse dormir um pouco. Tinha pretendido agora tomar o lugar de Will para que o filho de Apolo descansasse o dia todo, mas já ouvira o que tinha acontecido.

A semideusa que acabava de morrer se chamava Rose e tinha chegado na manhã do dia anterior. A garota devia ter uns treze anos e chegou ao acampamento com as roupas esfarrapadas e vários ferimentos espalhados pelo corpo, um particularmente preocupante na cabeça. Carregava um ferrão de mantícore que, supunham, ela tinha conseguido matar de algum jeito, apesar de não carregar qualquer arma.

Tão logo seus pés cambaleantes pisaram no acampamento, ela foi reclamada. Assim que bateu os olhos nela, Nico sentiu que havia poucas esperanças para a filha de Ares, mas ele correu junto com Will para acudir a garota, que tinha desabado no chão a poucos metros do pinheiro de Thalia.

Nico não era como Will, que lia livros de medicina por hobby, mas sabia que ela tinha sofrido uma grave concussão. Sua fala estava embolada, seus movimentos lentos e incertos. Era certo que se conseguisse sobreviver, não escaparia às sequelas, mas seria um milagre ela sobreviver.

Will, no entanto, não se importava com nada disso. Ele dedicou todos os seus esforços àquela vida que Nico sentia estar condenada. Cantava hinos a Apolo enquanto limpava o ferimento com néctar e tentava fazer a garota engolir pedacinhos de ambrosia.

O que mais o impressionava na dedicação de Will era que o garoto também devia saber que estava lutando uma luta perdida, mas não desistiu até o último momento.

Nico encontrou Will ocupado com a arrumação do leito que tinha sido de Rose.

— Will – Nico disse, aproximando-se devagar.

Will olhou para ele por um breve segundo, mas não interrompeu sua tarefa.

Nico não sabia muito bem o que dizer. Ele não era muito bom em oferecer consolo, mas sabia que precisava dizer alguma coisa, porque Will estava sofrendo.

— Will – ele repetiu, – você fez tudo que pôde.

Foi tudo em que ele conseguiu pensar. Nico esticou a mão para tocar o braço dele, mas antes que alcançasse, Will tinha se sentado na cama com um suspiro cansado. Ele permaneceu de cabeça baixa em silêncio. Nico chegou mais perto e repousou a mão em seu ombro.

— Sério, se houvesse alguma chance de salvar Rose, você teria conseguido. Eu cheguei mesmo a achar que mesmo não tendo, você ia conseguir. Infelizmente, as parcas não permitiram...

Will finalmente levantou os olhos e eles estavam vermelhos, lágrimas escorriam por sua bochecha. Nico sentiu que seu coração estava sendo espremido. Antes de conseguir pensar, deu um passo e envolveu Will com os braços, Will se agarrou a ele como a um bote salva-vidas, enterrando o rosto em seu peito. Quanto mais ele chorava, mais Nico procurava apertar o abraço, a ponto de começar a desconfiar que podia estar machucando-o e tentar se afastar, mas isso Will não permitiu. Quando Nico tirou os braços, Will continuou a segurá-lo pela cintura virando o rosto de lado, apoiado na altura de seu ombro, ainda soluçando.

Nico passou a afagar os cabelos dele levemente, e o contato com os fios dourados e macios era tão irresistível que ele teve que se inclinar um pouco para encostar os lábios no alto da cabeça de Will num beijo rápido que fez suas bochechas corarem. Will se mexeu, parecendo ficar mais confortável, como se tivesse decidido ficar ali abraçando Nico para sempre.

— Ela vai ficar bem, não é? – Will perguntou, por fim, a voz não muito firme.

— Eu vou falar com os criados do meu pai e reservar para ela a Suíte Presidencial Diamante no Elísio. Falam maravilhas do serviço de quarto...

Will deixou escapar um som de riso misturado com uma fungada.

Ele se afastou de Nico e procurou enxugar o rosto com as costas das mãos, dizendo:

— Obrigado.

O pequeno sorriso sincero que ele conseguiu produzir fez Nico se sentir a mais especial das pessoas.

Nico foi até a mesa e pegou um lenço de papel, que ele estendeu a Will e perguntou:

— Me ajuda a preparar as coisas para a homenagem dela?

Parte da melancolia continuava no rosto de Will, mas sua serenidade habitual estava de volta, ele respondeu com firmeza, levantando-se:

— Claro.

Will alcançou a mão de Nico, e os dois saíram da enfermaria de mãos dadas.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!