Ilha do Medo
2 Capítulo um- Depois da Queda
Notas iniciais
Rose abre os olhos. Ainda estava no avião, ou melhor, no que tinha sobrado dele. Ainda estava presa na cadeira. Ela olha para o lado, mas Mary não estava ali.
Somente um par de sua sapatilha.
A garota ouvia gritos e lamentos, além de um barulho que vinha do compartimento do avião em que ela estava, indicando que o lugar iria ceder logo. Ela olha para o teto. Uma enorme rachadura se formava. Rose tenta soltar-se do cinto, mas parecia estar emperrado. Ela não havia sofrido nenhum ferimento grave, apenas alguns arranhões, e um corte na testa. O sangue da testa escorria quase que para seus olhos. A garota limpa, depois passa a mão na blusa, que fica manchada de sangue. Ela tenta se soltar novamente, enquanto olhava ao redor.
Tudo estava um caos. Para onde olhasse veria pessoas feridas ou mortas, destroços e fogo na beira da praia.
— Droga! — Ela xinga, não conseguindo se soltar. O teto faz outro barulho. Ela tenta desesperadamente se soltar.
— Precisa de ajuda? — Um homem aparece. Ele usava um terno, que estava todo rasgado. O homem parecia ter um corte feio no braço.
— Esta emperrado. — Rose fala. O homem se aproxima, analisando o cinto. Tenta solta-la, mas vê que não estava dando certo. Então ele se abaixa e tira algo do sapato, era uma faca. Ele rapidamente corta o cinto e arrasta a garota para longe, segundos depois o que restou do avião se parte.
— Obrigada. — Rose agradece. — Meu nome é Rose.
— Derek. — O homem sorri. — Vejo que não se machucou muito, como eu. Estou tentando ajudar ao máximo os que posso, se quiser pode se juntar a mim.
Rose olha em volta.
— Meu Deus, isso parece o inferno.
— Realmente parece. — Derek concorda. — Pode ajudar?
— Preciso achar minha irmãzinha. — Ela responde, segurando a vontade de chorar. — Ela estava do meu lado… Ela sumiu.
— Sinto muito. — Derek fala.
— Ela não pode estar morta. Eu consegui sobreviver, Mary estava do meu lado. Eu apertei o cinto dela…
— Mas estava aberto quando me aproximei de você. — O homem se lembra. — Ela pode ter se soltado.
— Ela não sairia de perto de mim. — Rose se abraça, sentindo as lágrimas escorrerem por seu rosto.
— Sinto muito por sua irmã. — Derek fala. — Vou voltar a ajudar os que precisam. Tem muita gente ferida.
— Obrigada por me ajudar. — Ela agradece.
— Não foi nada. — Ele responde.
— Por que você tinha uma faca no seu sapato? — Rose pergunta curiosa.
— Sou um agente. — Derek responde. Em seguida da de ombros. — Nos vemos por ai.
Rose suspira, vendo o homem misterioso se aproximar de uma senhora que estava histérica. Ela desvia o olhar de toda aquela cena catastrófica para o mar. Pareciam estar no meio do nada.
Ela se vira para trás.
Uma ilha no meio do nada…
Rose fita a ilha, imaginando o que teria atrás de todo aquele mato. É quando ela avista o que parecia ser uma pessoa, parada próximo a uma árvore. O que era estranho é que aquela pessoa era muito magra e alta, dava quase três dela.
— Não posso ficar aqui! — Rose se distrai com uma voz feminina que se lamentava. — Preciso ir para a Áustralia!
Rose vê uma garota de cabelos pretos e olhos claros, ela também não parecia muito ferida, sua roupa estava meio queimada. A garota desvia o olhar e volta a fitar o lugar onde viu a pessoa estranha, mas já não havia nada mais lá.
— Nós dois precisamos, não é? Ou você se esqueceu que terá que dividir comigo? — Um rapaz se aproxima da garota. Eram parecidos, Rose diria até que irmãos.
Rose anda até os dois.
— Vocês estão bem? — Ela pergunta.
— Você acha que eu to bem?! — A garota retruca. — Olha pra mim! Estou presa em uma ilha deserta com um bando de gente que não conheço! Enquanto deveria estar recebendo meu dinheiro!
— Poderia ser pior. — Rose fala. — Você podia estar morta.
A garota arregala os olhos.
— E não tenho certeza quanto a ilha ser deserta. — Rose continua. — Posso ter visto alguém nos observando.
— E quem ficaria parado nos observando invés de ajudar? — O garoto pergunta encarando Rose, depois lhe lança um sorriso. — A propósito, sou Brian Passione.
— Rose Stonem. — Ela responde. — Eu não sei. Mas vi alguém… E em seguida desapareceu.
— Você deve ter batido com a cabeça. — A garota fala.
Rose suspira.
— Fala sério? — Derek pergunta se aproximando. — Viu alguém?
— Acho que sim. Foi muito rápido… Me distrai. Quando olhei de novo já tinha sumido.
— Acho que deveríamos nos organizar. — Derek fala. — Juntar algumas pessoas para ver o que tem nessa ilha, enquanto outras ficam e veem o que podem encontrar de útil no meio de toda essa bagunça.
— Acho uma boa ideia. — Rose responde. — Também posso aproveitar e procurar minha irmã.
— Vou falar com eles. — Derek sorri, em seguida da de ombros e anda para onde as pessoas haviam se reunido.
— Quem é esse? — A garota morena que Rose ainda não sabia o nome pergunta.
— É o Derek. Ele me salvou.
— Acho que vou lá ver se o Derek precisa de ajuda. — A garota sorri.
Brian revira os olhos.
— Serio, Camille? Você vai atrás de homem em uma situação dessas? — Ele pergunta para a irmã.
Camille apenas sorri e depois sai andando.
— Você perdeu sua irmã? — Brian se vira para Rose.
— Sim. Não sei o que aconteceu a ela… Antes de cairmos estava do meu lado. — Ela responde.
— Eu sinto muito. — Brian fala. — Não se preocupe, te ajudo a procurar.
Rose sorri.
— Obrigada.
O sol sumiria dali algumas horas, por isso Derek não queria perder tempo. Ele fez o que pôde, ajudando os feridos, acalmando e reunindo os sobreviventes. Usou bastante o treinamento que fez antes de se tornar um agente. Agora ele havia separado as pessoas em dois grupos, um ficaria ali na beira da praia, juntando as coisas que poderiam ser uteis, e o outro, um grupo menor de pessoas, entraria na ilha para ver o que encontravam. Ele se junta ao segundo grupo, se aproximando de Rose, dos dois irmãos e algumas outras pessoas.
— Estão prontos? — Derek pergunta. — Não sabemos o que podemos encontrar nessa ilha.
— Nasci pronta. — Camille responde com um sorriso. Brian revira os olhos.
— Eu vi alguém ali. — Rose aponta na direção onde havia visto uma pessoa.
— Então deveríamos começar por lá. — Um homem fala. Era um homem negro e forte, que havia se oferecido para ir junto. Sua mulher estava ao seu lado, os dois seguravam forte a mão um do outro.
— Obrigada por terem vindo. Como vocês se chamam? — Derek pergunta.
— Pode me chamar de Morgan. — O homem responde. — Essa é minha esposa Dalila.
— É um prazer. Eu sou Derek, esses são Brian, sua irmã Camille e essa é a Rose.
Todos trocam olhares amigaveis, mas também assustados.
— Então vamos. — Rose diz respirando fundo.
Todos concordam, e logo começam a andar para dentro da ilha. Não viam nada além de árvores, mato e pássaros.
— Talvez aqui seja mesmo uma ilha deserta. — Camille comenta.
— Estão ouvindo isso? — Rose pergunta. — É água!
Rose anda apressadamente na direção do som que ouvia, barulho de água caindo. Os outros a seguem. Quando param, se deparam com um rio e uma cachoerinha.
— Parabéns. — Derek sorri. — Você encontrou nossa fonte de água.
— Pelo menos não vamos morrer de sede. — Rose concorda.
— O que é aquilo? — Brian pergunta, olhando para cima. A cima da cachoeira havia um morro, com uma espécie de construção.
— Vamos ver. — Morgan fala, já subindo, curioso.
Todos sobem o morro, e se espantam com o que veem lá: construções antigas. A maioria já havia desabado, mas ainda estava lá.
Rose passa a mão por alguns símbolos que estavam nas construções.
— Isso é muito antigo. — Ela fala.
— Jura Einstein? — Camille pergunta irônica.
— Nunca vi esses símbolos antes. Não se parece com nada que eu já tenha visto. — Dalila comenta.
— Você conhece símbolos antigos? — Derek indaga.
— Sou arqueóloga. — Dalila conta. — E isso é muito estranho. Uma civilização que nunca ouvi falar.
— Será que eles ainda vivem aqui? — Morgan indaga.
Rose olha em volta, quando algo chama sua atenção. Pendurado em uma das ruinas havia um colar. Ela se aproxima e o pega. Era um colar com o pingente em forma de estrela. A garota arregala os olhos e passa a mão pelo pescoço, tirando sua própria correntinha. Ela compara as duas.
Eram iguais.
— Mary… — A garota murmura.
— Encontrou algo? — Derek pergunta se aproximando. Assim que fita o rosto da garota entende que a algo de errado. Rose levanta o colar.
— Isso é da minha irmã. Ela esteve aqui.
— Tem certeza? — Ele pergunta.
— Temos o mesmo pingente. — Rose mostra o colar dela. — Meu pai nos deu as estrelas… Ele falava que nós éramos as estrelas dele.
Rose respira fundo, tentando segurar o choro.
Derek pega em sua mão.
— Nós vamos encontra-la. — Ele sorri. — Isso mostra que ela ainda pode estar viva.
— Eu não entendo. O que aconteceu? Ela deveria estar na praia como todos. Mas Mary sumiu… — Rose se lamenta. — Tem algo estranho acontecendo.
— Onde você achou o colar? — Morgan pergunta se aproximando. Rose aponta para o lugar. O homem se aproxima e examina.
— O que esta pensando? — Derek indaga.
— Talvez foi colocado aqui por alguma razão. — Morgan responde. Rose se aproxima para olhar também. Mas tudo parecia normal, eram apenas ruinas que já foram um lugar um dia. A garota encara seus pés. Por que tudo aquilo tinha que acontecer? Ela só queria estar com a irmã e com o pai na Austrália.
Então a garota repara no chão. Havia um contorno estranho ali, um risco. Ela se abaixa e o toca.
Morgan se abaixa também, olha, se levanta e depois bate o pé em cima do local.
— Tem algo aqui. — Ele diz com convicção. Derek se agacha e passa os dedos por ali, depois agarra algo com força e puxa para o lado.
Uma passagem se revela, era escura.
— O que será que tem ai? — Brian pergunta.
— Eu que não vou entrar nesse lugar. — Camille fala.
— Não adiantaria. Nessa escuridão poderíamos acabar nos perdendo lá embaixo. — Morgan explica.
— Teremos que voltar depois. — Derek diz.
Rose encara a passagem. A garota estava seriamente pensando em entrar ali naquele momento. E se Mary estivesse lá? O colar dela estava.
Queria apenas saber se a pequena estava bem…
— Rose? — Derek a chama. A garota sai do transe, e olha para trás. Os outros a esperavam para ir embora.
Ela encara novamente a passagem. Derek se aproxima.
— Não vai valer de nada entrar ai agora. — Ele diz serio. Rose o encara. Queria muito confiar nele, parecia ser a pessoa mais apta para tirar todos dali. Mas aquele homem era misterioso. Que ossos ele escondia no ármario?
— E se ela estiver lá? — Rose pergunta.
— Do que adianta se você não puder enxergar? — Derek retruca.
Rose suspira e olha uma ultima vez para a passagem.
— Vamos voltar. — Ela fala. — Já vai escurecer.
Todos concordam em voltar e seguem pelo mesmo caminho, sem verem algo se mexendo dentro da passagem aberta. O que Derek havia puxado para o lado, a "porta" da passagem, agora tinha símbolos que brilhavam.
Uma risada se é ouvida.
Agora todos estavam livres.
Fale com o autor