Ilha do Desespero
2 Capítulo dois
Notas iniciais
Acordei olhando em volta. Parecia que eu estava em uma espécie de avião de carga. Estava sozinho lá com alguns homens armados com sub-metralhadoras me vigiando. Quando estava completamente acordado, uma grande TV na minha frente se liga sozinha com a imagem de um homem sentado numa espécie de trono. Ele usava uma máscara Tengu e possuía uma postura séria.
– Olá, Sawada Lawliet. — Começou a falar comigo sem se mexer. Me perguntei se era ao vivo, então decidi responder.
– Olá, senhor misterioso. — Observei atentamente sua reação e vi que o mesmo se moveu um pouco como se tivesse sorrido, então realmente era ao vivo.
– Creio que já deve saber que você possue uma carta. Essas cartas representam poderes especiais que algumas pessoas possuem. Você por exemplo, possuí o poder da inteligência. — Falou calmamente. Quando percebeu que eu não ia falar nada e que estava prestando bastante atenção, continuou. — Você está sendo transportado pra uma ilha onde todos os habitantes dela possuem esse poder. Lá você provavelmente será caçado por outros "usuários". Esse é o nome que damos as pessoas com poderes. Essa carta que você possuí, ela é ligada ao seu corpo e alma. Então é impossível ser roubada. Exceto se você morrer. A pessoa que lhe matar, será o dono legítimo de sua carta. Então tome cuidado. Ah... Existe uma forma de voltar pra sua cidade natal e pra sua família. Consiga 8 cartas em branco. Bom, antes que pergunte, as cartas em branco são possíveis de adquirir quando você mata alguém, mas abdica a posse da carta. Ela vira uma carta em branco, sem dono. Se você conseguir 8 cartas, você pode voltar pra casa, com os seus poderes, desde que você não chame atenção, é claro. Todos os dias, ao meio dia, são lançadas algumas maletas com alimentos e algumas armas pra sobrevivência. Basicamente é só isso. Alguma pergunta?
Quando ele terminou a explicação, que eu ouvi atentamente, fiquei pensando por um tempo.
– Quantas pessoas estão na ilha? — Perguntei encarando a tela.
– Algumas dezenas. — Falou vagamente.
– Certo... Eu vou pegar algumas dezenas de poderes e voltar pra casa. — Falei com um sorriso presunçoso.
– Gosto da sua atitude, garoto. Pegue uma mala ao seu lado e coloque o paraquedas. Você vai saltar em 5 minutos.
Olhei em volta e pude ver que haviam algumas maletas enfileiradas ao lado de uma mesinha, que possuía alguns paraquedas. Peguei um deles e coloquei nas costas. Analisei rapidamente o peso de cada mala e escolhi uma com um peso ligeiramente mais leve, o que significava que possuía mais alimentos que armas, ou possuía armas brancas e leves. De qualquer forma, uma arma pesada não seria muito boa pra mim. Vi a parte traseira do avião abrir e os caras armados mandarem eu pular. Olhei pra baixo, onde podia ver a ilha, ela não era pequena, mas também não era muito grande. Soltei um suspiro e mexi nos meus cabelos negros.
A queda seria levemente demorada, e seria um saco segurar a maleta até chegar lá embaixo. Olhei em volta, e ao meu lado tinha um guarda esperando eu pular. "Perfeito." Num movimento rápido, eu puxei as algemas que ele tinha na cintura e pulei. Em queda livre, consegui prender a maleta ao meu pulso direito. E quando alcancei uma determinada altitude, o paraquedas se abriu sozinho.
Aproveitei a sensação gostosa que a queda me proporcionava. Acabei caindo perto de uma praia, e não havia ninguém por perto. Mas mesmo assim era melhor não arriscar ficar aqui, eu cai do céu, e todos na ilha devem ter notado isso. Então é melhor eu me afastar o máximo possível do local que cheguei. Deixei o paraquedas de lado e corri dali.
Corri por uns 20 minutos, até eu achar que já estava longe o suficiente. Agora eu estava numa floresta com árvores bem grandes, podia ver uma pequena queda d'água. Mas mesmo assim possuía uns 3 metros. Me sentei na beira do riacho pra recuperar o fôlego e abri a maleta. Pude ver algumas marmitas e alguns cup noodles, junto com algumas garrafas de água e alguns pares de hashis. Como diabos eu ia fazer cup noodles aqui? Mas enfim, separado deles, também tinha uma faca de caça e uma pistola com alguns cartuchos de munição. Sorri aliviado, peguei a pistola e guardei na minha cintura. Peguei a faca, e com cuidado, me soltei das algemas com ela. Peguei uma das marmitas, que possuía uma refeição até que decente, e comi. Tomei um pouco de água da garrafa e guardei tudo de volta, ficando apenas com a faca e a pistola.
Aproveitando a oportunidade, segurei a pistola com cuidado, observando-a, cada parte dela, entendendo como ela funcionava aos poucos. Em cerca de 5 minutos, tinha aprendido a desmontá-la e montá-la novamente. Esse meu poder é realmente útil, de certa forma. Mas eu me pergunto qual será o poder dos outros... Pode ser que em combate eu fique em desvantagem. Decidi sair pra explorar um pouco.
Andei pela floresta calmamente até que ouvi um barulho suspeito, parecia o farfalhar de folhas. Parece que me acharam. Continuei andando calmamente, fingindo não ter percebido, pra ver qual era a intenção da pessoa. Prestando mais atenção, pude perceber que o barulho vinha da minha esquerda. Continuei caminhando até que cansei de ser seguido.
– Ok, ok. Eu sei que você está aí. Apareça, por favor. — Pude ver um cara mais ou menos da minha altura sair do meio dos arbustos. Tinha cerca de 1,70m e não era muito forte. — Seu poder é? — Perguntei, queria saber se ele era estúpido o suficiente pra revelar, ele parou de frente a mim, cerca de 3 metros de distância, uma boa distância pra mim.
– Como se eu fosse dizer assim. Meu poder é o mais forte de todos, hahaha! — Ele disse, mas ele parecia nervoso, provavelmente não deve ser nada demais, pelo nervosismo, deu pra notar que era um poder não relacionado a combate, pela forma que ele saiu do arbusto, também pude notar que ele era idiota, e que provavelmente não tinha muito tempo que ele chegou na ilha, o que significa que ele só tem uma carta.
– Certo... Vamos fazer o seguinte então... — Comecei a falar vendo-o prestar atenção nas minhas palavras. Mas parei e fiz a melhor cara de surpresa que consegui, virando o rosto pro lado direito. Quando ele começou a virar o rosto também pra ver o que eu estava olhando, puxei a pistola da minha cintura e apontei pra ele, e sem esperar, dei um tiro. O recuo foi maior do que eu imaginava, e eu acabei dando um passo pra trás, mas consegui acertar o ombro dele.
– ISSO FOI SUJO, VIADINHO! TRAPACEIRO FILHO DA PUTA! — Gritou ele com raiva e com uma expressão de dor, apertando o ombro com a mão esquerda. Suspirei e cheguei mais perto dele, que tinha caído sentado no chão, antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, dei um chute no queixo dele, e quando ele caiu, pisei na sua cabeça, ele lutava se debatendo, tentando tirar meu pé com a mão esquerda, já que a direita ele não conseguia mexer direito, mas foi inútil, me abaixei de leve e encostei o cano da pistola na testa dele. — PARE, NÃO, POR FAVOR! EU VOU EMBORA, EU PROMETO NÃO FAZER NADA CONTRA VOCÊ! — Ouvia ele implorar pela própria vida de forma patética, fechei os olhos, suspirei e apertei o gatilho.
Então veio o silêncio. Uma luz branca brilhou, me fazendo abrir os olhos, e uma carta apareceu flutuando na minha frente. Peguei ela na minha mão, e vi a carta, anteriormente branca, começar a ganhar cores, notei que a cor desta era diferente da minha, essa tinha a cor de bronze, a minha era dourada. Li a carta cuidadosamente e suspirei.
– Poder mais forte de todos o caralho. É um pouco útil, pelo menos... — Disse em voz baixa olhando a carta de pulo duplo. Com ela posso me desviar no ar. Vai ser útil. Ainda bem que tem instruções de como usar os poderes na carta. Coloquei a carta no meu bolso junto com a minha outra, carreguei a pistola e coloquei ela na minha cintura de novo. Voltei andando pra pequena cachoeira e sentei encostado na parede de cabeça baixa.
O céu já estava ficando escuro, meu cérebro deixava claro que eu precisaria encontrar um lugar mais escondido pra dormir, mas no momento eu ainda sentia o peso da vida daquele cara nas minhas mãos, que tremiam levemente. Eu acabei de matar alguém. A ficha só tinha caído agora, mesmo com minha inteligência. Eu tirei uma vida. Eu sei que aqui nessa ilha é matar ou morrer, eu entendo isso. É meio patético eu estar aqui lamentando a morte de alguém que eventualmente ia tentar me matar, mas eu não consigo evitar. Eu senti meu rosto molhado e só então percebi que eu estava chorando. Limpei as lágrimas e soltei um suspiro. Não importa quantos eu tenha que matar, eu vou sair daqui e voltar vivo, e ainda vou levar uns poderes comigo. Tem gente esperando por mim lá em casa. Não posso perder tempo. Muito menos minha vida.
Com esses pensamento em mente e determinado a sobreviver, eu me levantei, peguei a maleta escondida, e fui procurar um lugar pra passar a noite.
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