Notas iniciais
Este é um capítulo introdutório, assim como os próximos dois, servem para ir apresentando os personagens.

Uma sensação áspera no rosto e um gosto de areia na boca, não que ele soubesse como era o gosto de areia, descobriu naquele instante, mas ele não lembrava o porquê de estar com o rosto enterrado na areia. Sentia a cabeça latejando e nenhuma vontade de se mexer.

Ficou parado ali quanto tempo? Uma hora? Duas? Sentiu o peso no corpo e a dor de cabeça diminuir. Durante esse tempo, dormiu, e se sonhou alguma coisa, não se lembrava. Com a mente um pouco mais clara, começou a se questionar em que tipo de lugar ele estava deitado. Forçou-se a se levantar, e assim que conseguiu ficar pelo menos sentado, sentiu o mundo girando. Sentido horário, anti-horário, em todos os sentidos possíveis.

Quando o mundo parou de girar, ele pôde dar uma olhada no lugar onde se encontrava. Era uma praia, viu ondas baixas quebrarem, areia para todos os lados, mas tomou um susto com a floresta densa que estava na borda da praia.

— Puta merda. — Disse Daniel Bart ainda grogue de sono.

Havia uma luz pálida no oeste. Bart deduziu que estava amanhecendo. Tentou se lembrar do que havia acontecido. Lembrou-se da festa do Lorics BR, estava tendo uma festa em cada capital de cada estado pelo lançamento do último livro. O fandom havia crescido muito no último ano com o anúncio da série de Legados de Lorien, o que gerou mais visibilidade para a saga, visibilidade essa que permitiu que houvesse essas festas pelo Brasil inteiro. Bart só se lembrava de ir ao banheiro antes de estar com a cara enterrada na areia.

— ALGUÉM?!

Ninguém respondeu. O céu já estava mais claro com uma ponta do sol surgindo no horizonte. Bart parou de andar, sentou na areia e ficou olhando o sol nascer.

...

Era madrugada, e ele estava em cima de uma pedra. “Por que estou em cima de uma pedra?” pensou Jadson. Não estava escuro, as estrelas forneciam uma iluminação razoável e ele conseguia ver o mar, com as ondas arrebentando, o barulho das ondas arrebentando. “Que chatice”.

Viu o corpo de Bart jogado na areia, achou que ele estivesse morto, mas ao chegar perto viu que ele estava respirando. Bart roncava alto demais. Jadson balançou o corpo de Bart, tentando acordá-lo, mas a única coisa que conseguiu foi um:

— Eu tô de férias pai... me deixa dormir até as duas.

“Se é isso o que ele quer...”

Passou a madrugada inteira sentado na pedra. Quem quer que o tenha levado àquela ilha, não lhe tirou o celular. Jogou até descarregar a bateria, pois não havia sinal para fazer ligações. Alguns minutos depois ouviu Bart gritando, mas decidiu não falar nada para sacaneá-lo. O sol havia começado a nascer, mas o céu estava ficando rapidamente coberto de nuvens. Viu Bart se sentar na areia e se perguntou o que ele estaria fazendo.

Estava ventando, mas não era um vento muito forte, era um vento litorâneo. Olhando para a extensão da praia, deduziu que a ilha era grande, ou poderia até ser mesmo uma parte deserta do continente, mas sua intuição não dizia isso. Olhou para Bart de novo, e se perguntou se só ele e Bart estavam naquela ilha. Decidiu parar de sacaneá-lo e foi falar com ele.

— Mas hein? — Disse Bart ao ver Jadson.

— Eu estava ali na pedra, mas acho que você não conseguiu me ver.

— Como é que tu faz um negócio desses comigo? Chamei por ajuda e tu nem veio.

— Calma, calma, eu só queria te trollar.

— Trollagem numa situação dessas? Você é doente?

— Espera um pouco, não vamos partir pra xingamentos.

— Mas e aí, como é que tu veio parar aqui? Achou alguém?

— Sei lá como eu vim parar aqui, não lembro direito, eu estava na festa do Lorics do Rio e do nada acordei aqui. E não, não achei ninguém, pois também não procurei.

— O que tu ficou fazendo esse tempo em que você ficou acordado?

— Jogando no celular até descarregar.

— Porra, tu não serve pra nada hein! Peraí.

— Ei! — Jadson se sentiu ignorado por Bart, que tateava o bolso à procura do celular. — Não adianta, não tem sinal de celular aqui.

— Puta merda! Como é que a gente sai dessa agora?

— Fogo? Sinal de fumaça?

— Você só pode estar brincando comigo.

— Não, eu estou falando sério, mas enquanto a gente não faz isso, vamos procurar algum sinal de civilização nesse lugar...

...

— Que porra é essa? — Disse Pablo ao acordar. Não era de seu gosto estar na natureza, mas mesmo assim, acordou rodeado de mato.

Também não se lembrava de como havia parado naquele lugar. Já estava claro e ele estava com a roupa úmida do orvalho. Tateou o bolso e ficou feliz ao sentir o celular, mas ficou feliz em vão, o celular estava sem sinal. Sentou-se e viu a praia por um buraco na vegetação. Quando tentou ficar de pé, sua visão escureceu e uma dor de cabeça o fez voltar para o chão.

— Bosta! A pancada foi feia.

Apoiou os braços para trás e esperou a visão melhorar. Começou a se lembrar da festa em Goiânia. Havia experimentado uma bebida nova, não lembrava de que era feita, mas lembrava que tinha um gosto ótimo. Tomou dez copos, e depois disso, só se lembrava de acordar no mato.

Ele se levantou e foi andando na direção da praia. Pensou no quão clichê eram aqueles coqueiros onde a areia começava. Ao sair no sol, estreitou os olhos, a dor de cabeça ainda lhe incomodava.

...

— Caraio, aquele ali não é o Pablo? — Perguntou Bart.

— Sim, é o Pagordo. — respondeu Jadson — Pagordo!

Pablo olhou na direção do grito e viu Bart e Jadson andando na direção dele.

— Qual de vocês dois me colocaram nessa ilha? — Disse Pablo para os dois.

— Eu ia perguntar se isso era coisa sua, mas pela sua reação... — Falou Jadson.

— Encontrou alguma pessoa aí no meio do mato? — Perguntou Bart.

— Eu acordei agora a pouco. Isso responde sua pergunta?

— Se não foi você, — disse Jadson olhando para Bart — e nem você, — olhando dessa vez para Pablo — quem foi que nos colocou nesse lugar?

Os três ouviram uma voz ao longe gritando por algum ser humano.

— Espera um pouco. Eu conheço essa voz. — Disse Bart.

— Também tenho o desprazer de conhecer essa voz. — Disse Jadson.

—Dá pra vocês dois pararem com o mistério e dizer logo quem é o dono da voz?

— É o Well. — Disseram Bart e Jadson ao mesmo tempo.