Notas iniciais
Olá, ó mais um cap lindo aqui :3

– Eu não vou ir! – bradei batendo a porta do quarto e trancando-a.

– Você não se manda mocinha! – gritava meu pai batendo a porta – abre logo a porta ou eu arrombo.

– Arromba então, eu vou chamar a polícia. – falei já pegando o telefone.

– Cécile, abra a porta, vamos conversar como adultos. – disse a nona pelo viva-voz do celular atrás da porta.

Contrariada abri a porta e meus pais entraram, minha vó estava na tela me olhando, mesmo pelo Skype ela parecia olhar dentro da minha alma.

– Ciao nona. – falei sem olhar para os meus pais.

– Ciao cara mia, vamos conversar sobre tudo isso. Seus pais podem não estar agindo certo...

– Mamma! – interrompeu minha mãe.

– Calada Genevive, estou falando com a minha neta.

Graças a Deus minha mãe ainda respeitava minha avó, ela se calou mesmo sem gostar daquilo e deixou a nona prosseguir.

– Contudo querida, do jeito que as coisas estão, não é bom você ficar aí. No meio desse fogo cruzado, você só vai se magoar. Venha respirar novos ares, ficar um pouco com a sua nona. – ela usou todo seu charme italiano em mim.

– Nona, minha melhor amiga mora aqui, e o menino que eu gosto se declarou para mim! – joguei as mãos no ar como uma verdadeira italiana – eu amo ele, não quero ir embora porque meus pais são uns babacas egocêntricos que esqueceram que tem uma filha e querem despachá-la para a senhora cuidar!

– Como é? Acha que queremos despachar você? Cece, como você está errada! – pela primeira vez em muitos anos, minha mãe deixou suas muretas caírem e encheu os olhos d’água – querida, olhe para o seu pai e eu. Não funciona mais, não está dando certo, e não temos tempo para te dar a atenção que você precisa, nem um almoço decente temos mais em família! Achamos que com a sua nona você pode ficar mais feliz, até estabilizarmos as coisas, e ter a atenção que merece.

Eu definitivamente não esperava por aquilo. Eles queriam cuidar de mim e não me despachar? Eles percebiam então como eu estava me sentindo? E estavam infelizes. Como não vi isso antes? Me concentrei tanto em mim mesma que não vi a miséria emocional que meus pais estavam, e mesmo assim estavam pensando em mim, em me dar um futuro e uma vida mais feliz.

– Mamma, me perdoa, mas não acredito que vou ser feliz longe do Nick e da Mel. Ele se declarou, como posso ir embora?

– Cara mia, se ele te ama mesmo, ele vai esperar você resolver essa fase da vida, em Roma, ou na China, se é amor, espera. – falou a nona do outro lado.

– Sua avó está certa. – falou meu pai pela primeira vez, agora eu, a mamãe a nona arregalamos nossos olhos, ele nunca concordava com nada que a nona dizia – Queremos sua felicidade, e se aquele marginalzinho... Aquele rapaz te ama, ele vai te esperar.

Então ele olhou tão terno para a minha mãe, que eu podia jurar que via uma fagulha de esperança naquele relacionamento, depois de alguns segundos pigarreei, afinal, eu ainda era o foco ali certo? Os dois se arrumaram na cama e fingiram que nada tinha acontecido. Mas algo tinha acontecido ali sim.

– Arrume suas malas e venite a Roma, cara nipote!

***

De fato a arquitetura vitoriana me encantava, fosse pelas férias que passava na casa (mansão) da nona, ou fosse pela paixão que desenvolvi por essa época através dos livros que leio, mas chegar à frente da casa da vovó – minha casa, ainda era de tirar o fôlego. Tão grande e charmosa, parecia me hipnotizar para entrar e explorar suas peças e respirar seu ar, afinal dizemos mesmo isso sobre essa cidade, de “respirar história”, quem sabe passando essa temporada aqui eu consiga realmente entender e viver Roma, e suas histórias tão cativantes. Enquanto eu ficava em frente a mansão totalmente imersa em meus pensamentos, o taxista me cutucava nas costas para lhe pagar, eu ri com vergonha e o paguei, em seguida vi o rosto rosado na janela exclamar um “oh!”. A nona me viu.

Ela saiu correndo pelo pátio com as mãos nas bochechas, com um sorriso até as orelhas imersa em um cachecol e um casaco de lã, fazia frio e o tempo estava bem fechado, ela abriu o portão e me abraçou forte, ainda não era momento, mas meus olhos já estavam querendo ceder as lágrimas, seu abraço quente e terno me lembrava da mamãe, quando ela ainda me abraçava e tinha tempo para mim, mas... Mais carinhoso, do tipo “vou te proteger”. Pegamos as malas falando sobre a viagem e entramos, na hora que passamos pelas portas começou a cair uma chuva fortíssima, nona me deu uma olhada e eu já sabia o que ela queria dizer, contudo falamos juntas: Bolinho de chuva e chocolate quente!

Enquanto eu me acomodava no meu quarto, na cozinha a Celina, e eu não vou chama-la de empregada já que ela está há tanto tempo conosco, mas amiga e acompanhante da nona, fazia os bolinhos mais deliciosos e o chocolate quente mais gostoso do mundo todo, ela tinha mãos incríveis para comida, eu sempre tendia a engordar um pouco quando vinha para cá, pois nunca deixava uma migalha que fosse do que a Celina cozinhava. Pus uma roupa quentinha e desci para inspecionar o cheiro inebriante de chocolate quente, que na escada já dava para sentir, babando, entrei na cozinha vendo Celina pondo o chocolate quente nos copos e chantili por cima, a nona estava esfregando as mãos olhando para o nosso lanche em cima da mesa.

– Ah Celina, como senti falta das suas mãos! – falei rindo e abraçando-a.

– Também senti sua falta, ficou muito tempo longe de nós, ainda bem que veio agora para compensar. – ela disse sorrindo.

Celina tinha cabelos longos e negros, mas já com alguns fios brancos por causa da idade, seu rosto era branco e ela tinha olhos negros com algumas olheiras, parecia cansada, mas linda. Sua filha, a Laura, contudo nunca nos demos bem, ela tinha muito ciúmes do relacionamento que eu e sua mãe tínhamos, o que era triste, pois ela seria uma boa amiga aqui.

Provei o chocolate quente e parecia que todo o mundo se tornara doce e delicioso, suspirei e fiquei com os olhos fechados apreciando aquilo, lambi o bigode que ficou e o saboreei vendo estrelas, não podia haver nada melhor, definitivamente. A nona e a Celina começaram a rir, eu também ri e peguei um bolinho, quando eu estava prestes a morder meu telefone tocou, havia chegado uma mensagem, quando olhei minhas mãos tremeram e o meu coração disparou.

NickElodeon

Como está a... minha Cece?

Nick me chamou de sua, senti minhas bochechas corarem muito, e falei para a nona e a Celi “É ele”, então a nona explicou quem era “ele” para a Celina. Soltei mais uma risada adicional ao perceber o trocadilho em seu nome com o canal pago.

Cécile

Bem, aceitando. E você caturrita?

NickElodeon

Aceitando também, sinto saudades suas. Principalmente de quando você ficava vermelha.

Cécile

Também estou com saudades, eu estou vermelha agora, se te conforta. Kkkkkk (foto)

NickElodeon

Kkkkk Queria apertar suas bochechas agora Cece pimenta. E te beijar.

Meu coração estava completamente descompassado, e ele nem estava perto de mim, mas suas palavras me causavam arrepios.

Cécile

Queria te beijar, caturrita. Queria não estar em Roma. Sou a primeira pessoa no mundo a dizer isso sinceramente. kkkkk

NickElodeon

Também acho kkkk tenho que ir ao mercado com a minha mãe, falo contigo depois Cece pimenta. Beijo.

Mandei um emoticon de beijo para ele e um coração, mordi o lábio inferior e bloqueei a tela, olhei para a nona e a Celina e elas estavam com uma cara de estranha, algo entre divertimento e paixão adolescente dos anos 50, comecei a rir e elas me acompanharam, pus as mãos no rosto tentando reprimir um gritinho de alegria e euforia, apenas aquela troca de palavras mexera tanto com o meu coração, foi o que mais alegrou o meu dia, e depois o lanche também.

– Ele é tão fofo, sabe. Chama-me de Cece pimenta, porque eu fico muito vermelha. Adoro vocês, mas queria muito estar com ele, entendem?

– Claro que entendemos querida, já tivemos nossa cota de amores também, e não existe nada como estar junto de quem faz nossos olhos brilharem, assim como os seus estão brilhando agora.

– Ah nona, quero tanto que ele me espere. Quero tanto chama-lo de ”amor” um dia.

– Se esse amor é verdadeiro, vai com certeza durar pela eternidade cara mia. – nona segurou minha mão e beijou-a.

Comemos e conversamos sobre tudo, garotos, a vida, Roma! Devorei os bolinhos e bebi mais umas duas xícaras do chocolate, eu já estava ficando sonolenta de barriga cheia, mas ainda era cedo e eu não queria dormir.

– Nona, vamos sair? Fazer alguma coisa no meu primeiro dia vivendo em Roma. Per favore.

Ela estreitou os olhos e sorriu de canto, Celina deu risada da minha investida e piscou para a nona, que eu sabia que ia ceder, ela sempre fazia o que eu pedia, ela sempre dizia...

– O que você quiser cara mia, afinal, estamos tão longe na maior parte do tempo que tenho que recompensar. Quais as minhas opções?

– Bem nona, eu pensei em cinema, restaurante, parque, ópera ou confeitaria.

Eu estava por dentro torcendo ou ópera ou confeitaria, e os dois também seria bem legal, sentia falta de ouvir música clássica de qualidade ao vivo, mas nada se comparava aos doces italianos, e uma verdadeira formiga como eu não dispensava uma boa rodada de cupcakes ou então pizzas doces quando vinha para cá. A nona ponderou por alguns momentos, e quase pude ver sua boca sentindo o sabor das guloseimas da confeitaria.

– Porque não deixamos a ópera para amanhã, vamos ao cinema hoje e na saída vamos a confeitaria? – sugeriu ela animada.

– Super apoiada! – falei rindo.

Enquanto a nona ia pegar seu casaco, eu fui trocar de roupas, afinal havia vestido praticamente um pijama para ficar em casa, e sair com a nona em Roma, significava sair com estilo, então eu precisava usar algo bem italiano, ou seja, algo como “estiloso” e “casual” ao mesmo tempo. Vasculhei minhas roupas e fiquei um pouco frustrada, fazia tempo que eu não saia por aqui, era difícil ver nas minhas roupas algo que se use em Roma, no entanto quando abri o guarda roupas para ver se havia algo que eu deixara para trás na minha última estadia aqui, fiquei boquiaberta, haviam roupas novinhas que provavelmente a nona comprou para me fazer sentir melhor aqui. Era uma mais linda que a outra, eu olhava cada uma com atenção e o sorriso não saia dos meus lábios, talvez não fosse tão difícil sobreviver aqui afinal.

Escolhi algo entre o que eu trouxe e o que havia ali, uma calça jeans clara dobrada em baixo que eu trouxe comigo, ela ficava bem no meu corpo e o modelava, meus habituais all-stars práticos para caminhar, e em cima o que a nona comprou, uma básica preta com uma jaqueta de couro – couro de verdade! – e peguei minha manta vermelha listrada. Fiz um coque com o meu cabelo e como ainda havia sol lá fora pus meus óculos de sol, eles eram charmosos e eu me sentia bem em usá-los hoje. Depois de chorar tanto no avião e estar com os olhos inchados. Eu não precisava que os romanos vissem isso.

Desci para a sala esperar a nona, mas ela já estava lá, e estava deslumbrante, como uma mulher italiana é. Melhor dizendo, uma romana. Algumas senhoras italianas se jogavam nas cordas, foi aí que entendi o dos bigodes, elas achavam que só porque já estavam com certa idade não precisavam mais se arrumar, mas minha avó era a prova de que isso era bobagem, mesmo meu vô sendo falecido, ela sempre gostou de mostrar uma boa aparência, e ensinou isso para a minha mãe. A nona estava com outra roupa invés de apenas um casaco. Ela usava uma calça branca de sarja, o que eu achei muito bonito, uma básica branca e um sobretudo preto de lã caximira, ótima escolha é tão quentinho! Fora seu lindo óculos de sol e o chapéu, pois sua pele é muito sensível, seu cabelo grisalho caía em pequenas ondas nos seus ombros.

– Uau nona, a senhora ta linda demais! – falei erguendo as sobrancelhas.

– Seu tom de surpresa me ofende, cara nipote, mas eu vou relevar, você também está linda. Vejo que está usando algumas das peças que lhe comprei, gostou?

– Ahhh mil vezes sim! – corri abraça-la – são lindas demais!

Ela riu e me abraçou de volta, acenou para a Celina mostrando que estávamos saindo, mas quando abriu a porta já havia alguém nela. Não esperava vê-la tão cedo, e percebi que ela pensou o mesmo por sua expressão de surpresa seguida de desgosto. Laura me avaliou e com um suspiro tentou ser agradável, seu sorriso foi forçado, mas ela estava tentando então lhe dei algum crédito, no entanto quando o comprimento foi para a minha avó, o sorriso foi genuíno, ela apertou a minha mão e abraçou minha nona, que ficou desconfortável com a situação.

– Olá Laura, como vai? – tentei ser diplomática.

– Bem. – ela nem se deu ao trabalho de perguntar o mesmo.

– Okay... – falei arregalando os olhos e olhando para baixo – Vamos nona?

– Claro Cece. – a voz da nona era seca, mas a repreensão não era para mim.

Laura suspirou e nos deu espaço para passar, tentei ao máximo nem encostar nela, a sua atitude me incomodava, eu não podia entender tamanha antipatia! Caminhei com a nona lentamente até o cinema, estava passando o quinto filme da série “Missão: Impossível – Nação Secreta” e eu preferia ver ação que um romance, mas a nona escolheu a comédia Vacation que era a sequencia do filme “Férias Frustradas”, eu fiquei um pouco surpresa por ela escolher esse filme, já que eu sabia que ele era meio pesado no sentido obsceno, mas se a nona decidia, estava decidido, e eu acredito que ela já saiba que sou crescida o suficiente para não me deixar impressionar por esse tipo de coisa.

Compramos nossos ingressos e nos posicionamos nas poltronas do meio, era uma boa visão da tela inteira, e o áudio não era tão estridente quanto perto dos bancos superiores ou inferiores, logo o filme começou e nos prendemos a ele, a comédia tinha a estrutura básica da anterior, uma viagem cheia de encrencas e situações constrangedoras. Nós rimos muito que até senti dor de barriga, mas logo fiquei com fome – de novo – e fui pegar algo para comer, caminhei um pouco e logo avistei as pipocas pulando em minha frente, quase hipnotizada sentindo o sabor fui em sua direção, pedi o pote maior com muita manteiga em cima, enquanto esperava cruzei meus braços e fiquei batendo o pé no chão, ansiosa, então alguém tocou meu braço. Virei-me assustada e puxei meu braço, logo o rosto familiar sorriu de canto e ergueu os braços, logo sua expressão se tornou um pouco mais séria, devia ser pelos vários olhares que nos encaravam depois da minha reação exagerada, afinal, eu sabia quem ele era. Piero Fazanaro estava ao meu lado, me olhando como “fala algo antes que me cacem com tochas e espingardas” e eu adoraria que fizessem aquilo, no entanto suspirei longamente.

– Ciao Piero. – falei aborrecidamente.

– Ciao Cece, achei que ia deixar que pensassem que sou um marginal ou algo do tipo. – brincou.

– Bem que eu queria, mas não seria tão divertido perder o filme com a nona por sua causa. – falei friamente.

Piero percebeu minha hostilidade, o que não o impediu de encher de perguntas como “O que você faz aqui?” ou “Nossa seu cabelo cresceu, anda pintando?” Qualquer coisa para puxar assunto, ele melhor do que ninguém sabia o porque de eu não querer sua companhia ou sequer conversar com ele. Bem, talvez Laura soubesse. Mas esse não era o real motivo por seu ódio por mim, ela negou até a morte sentir algo por ele, quando ele tentou fazer ciúmes a ela comigo no verão passado, o que não deu muito certo, afinal eu queria ele como amigo, e ele sempre tentava algo mais. Não que suas investidas não tivessem me balançado. Não que eu admita isso.

Peguei a pipoca e pedi um milkshake de chocolate na fila ao lado, Piero me seguia e me observava, eu não gostava de sentir rancor, era um sentimento severo que não levava a nada, e eu estou completamente segura dos meus sentimentos por Nick para deixar esse italiano com sotaque estupidamente charmosos e romântico me abalar. Parecia que eu estava tentando convencer a mim mesma desse fato, e isso me irritava profundamente. Seria um erro dar uma chance de amizade a Piero?

– Vamos lá, não seja rancorosa, já pedi perdão. – ele disse, e parecia honesto.

Mais um longo suspiro.

– Okay, de qualquer forma a nona vai gostar de te ver.

Piero era neto de um antigo e muito amigo de minha nona, o senhor Giuseppe Fazanaro, ele era dono de uma vinícola muito conhecida em Roma, e em uma de suas visitas para a casa da nona – que eu insistia que era para paquera-la – ele levou Piero junto, possivelmente para me distrair e deixar eles a sós, o que eu não sabia era que nas outras vezes que ele estivera lá, havia ficado muito amigo de Laura, e quando estávamos no jardim e ela nos viu, simplesmente deu as costas, o rosto vermelho sangue de raiva. Pensei que ela era apaixonada por ele, mas logo explicou que não teria amigos em comum comigo, e assim, ela cortou relações com ele. E o idiota achou divertido fazer ciúmes para ela, mas ele não sabia o quão sentimental ela era, e estava a magoando, então a nona pediu para ele ser menos “atencioso” comigo desnecessariamente. Micão.

Ele comprou um bilhete e entramos juntos de volta, a nona ria, mas logo seu semblante mudou, ela arregalou os olhos e em seguida bateu palmas, sabia que ela ficaria feliz em vê-lo. Sentamos e ela o abraçou e beijou suas bochechas, ela o conhecia desde pequeno então era como um neto para ela também, mesmo não tendo visto o filme desde o começo, ele deu risada das trapalhadas e não ficou fazendo perguntas chatas, ainda bem. Quando o filme terminou a nona o convidou para ir tomar gelato conosco, claro que não foi a melhor ideia do mundo, mas não protestei, era meu primeiro dia em Roma como moradora, e não queria que isso se tornasse uma lembrança ruim de algum modo.

Enquanto caminhávamos me perdi em devaneios, pensei na Sra Brown que meus pais prometeram mandar daqui uns dias, depois que eu me ajustasse, queria tanto minha gata comigo, queria ela me confortando esta noite quando eu com certeza iria deitar na cama e chorar até pegar no sono, e mesmo que não houvesse sol no outro dia, usaria óculos escuros para não mostrar meus olhos inchados. Também pensei em Nick e na nossa diferença de cinco horas, o que era bastante, agora eram 18:05, então lá era 13:05, ele devia ter terminado de almoçar, e logo eu estaria dormindo para o meu primeiro dia de aula em Roma. Me perdi no azul de seus olhos e nas suas covinhas, no seu cabelo cor de areia que fazia meu coração disparar...

– Cece, chocolate e menta, certo? – perguntava a nona.

– O que? Ah, sorvete, sim claro.

– Nossa, onde anda sua cabeça Cécile? – pergunta rindo Piero.

Uma mensagem chega no whatsapp e responde tudo:

NickElodeon

Qual é mesmo a nossa diferença de horário? E se te acordei desculpa!

Soltei um riso frouxo, aquele que só ele me traz.

Cécile

Oi para você também! São cinco horas, são seis aqui, não vou dormir tão cedo!

Já o imagino conferindo o horário e sorrindo calorosamente. Enquanto espero ele responder vejo Piero unir as sobrancelhas em confusão, então a nona me entrega o sorvete e fala para ele com um sorriso malicioso ”Ragazzo” e faz um coração com as mãos, seu olhar é um pouco sério e incrédulo, mas logo ele o alivia e olha para baixo, parecia que a novidade não havia o agradado, e mais uma vez eu estava com raiva por não querer que ele soubesse.

NickElodeon

Verdade, Cece pimenta. E aí, o que está fazendo de bom em Roma?

Cécile

Estou tomando gelato, o melhor sorvete do mundo. #BjoNoOmbro

NickElodeon

Nunca achei que você mencionaria esse projétil de som na vida, mas tudo bem kkkkk Está sozinha? Que perigo para os cidadãos de Roma!

Cécile

Quanto desaforo! Humph, não estou sozinha, estou com a minha avó e um amigo. Ele é conhecido nosso de muitos anos. Sabe.

Não entendia porque seria errado eu omitir, ou porque me sentia no dever de explicar, eu não sabia dizer se estávamos namorando ou se ele ia sentir ciúmes, ou se era errado eu estar com Piero, mas... Aquilo era confuso.

NickElodeon

Humm... Que idade tem esse amigo? Não que eu queria bancar o chato ciumento. É só porque você é linda. Sabe.

Droga, ele até imitou meu modo de falar.

Cécile

Ele é um ano mais velho, mas você sabe... Deixei meu coração e meus pensamentos no Brasil. Com um certo alguém que estou conversando.

– Querida, — nona chamou minha atenção – seria mais educado você falar conosco agora, e mais tarde conversar o quanto queira com o seu namorado.

Aquele rótulo me fez estremecer. Eu queria ser chamada de namorada dele. Eu acenei a cabeça para ela e mordi meu sorvete, fechei os olhos por alguns segundos absorvendo o sabor maravilhoso do sorvete italiano, era uma mania que eu tinha com o que gostava demais de comer: fechar os olhos e apreciar. Assim que aquele momento delicioso passou, fui ver o que Nick respondeu.

NickElodeon

E você levou os meus, não consigo parar de pensar em você. Cece pimenta.

Cécile

Também penso em você o tempo todo. Minha avó disse que você é meu namorado, ruborizei é claro. Mas queria que fosse real. Ela pediu para eu dar atenção a ela e a Piero, podemos falar mais tarde?

NickElodeon

É real, mesmo longe, eu sinto o mesmo. Piero, hum. Estou ok, só com um pouco de ciúmes e inveja por ele estar com você e eu aqui. É só me chamar, beijos namorada. É estranho, é bom.

Cécile

Beijos namorado kkkkk É estranho, é bom.

Repeti suas palavras e suspirei, parecia finalmente oficial para mim. Guardei o telefone na bolsa e olhei para Piero e a nona, que comentavam a roupa de um cara que parecia estar usando duas cuecas e nem tentava esconder, deixando as calças super baixas e uma camiseta curta. Ew. Agora livre do celular e apenas algumas borboletas ainda perduravam no meu estomago, comecei a comer o meu sorvete com mais vontade, sentindo cada pedacinho delicioso daquilo, a comida da Itália é imbatível!

– Namorado ein? – perguntou Piero.

– Pois é, sinto falta dele. – falei olhando para o céu.

– Então porque está aqui? – não entendi nada, mas de repente havia um pouco de fúria em sua voz, e até mesmo a nona se alarmou.

– Não é da sua conta. – cuspi de volta.

– Claro que não, não importa o que aconteceu entre nós afinal. – ele fica de pé com as mãos em punho. Respira fundo.

– Chega Piero. Esta indo longe demais, de novo. – nona fala séria.

Então ele sai e some na multidão.

– O que aconteceu entre vocês, afinal? – pergunta a nona muito, muito brava.

Glup.

Notas finais
Entãão? Gente, pf, se gostarem deixem um review ok? Baci :* As roupas usadas pelas personagens: Cécile em casa: https://br.pinterest.com/pin/381539399660022067/ Cécile para sair: https://br.pinterest.com/pin/381539399659936766/ Nona para sair: https://br.pinterest.com/pin/381539399660011631/ Sra Brown: https://br.pinterest.com/pin/381539399659884668/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.