Igual

1 Precipício


Notas iniciais
Próximo Capítulo semana que vem :3

A única coisa que nos separava era uma mesa típica escritório anos 80, a mesma onde fizemos sexo, puro e gritante pela primeira vez. Encaravam-se frivolamente, chegava a mudar a textura do ar.

- Você não entende! Você é apenas um menino pobre, gordo e feio. Eles nunca vão aceitar!

Quando Percy ouviu aquelas palavras saírem da boca do seu namorado por um segundo não quis acreditar que as tinha ouvido de fato. Sequer notou o olhar de culpa que assolou o moreno à sua frente. Virou as costas, deu um passo em direção a porta. Seria ali o fim, e o começo, de tudo? Assim tão paradoxalmente?

- Percy, eu não — Jorge teve suas palavras cortadas. O mais jovem queria ouvir as desculpas, de fato, mas tudo estava tão entalado. Ah! Aquelas palavras.

- Sabe o que me dói mais? – Virou-se para encarar novamente o homem. Queria gritar, correr, rir, e chorar. Sem motivos aparentes para rir, não estava feliz. Lágrimas se formavam na base de seus olhos, ameaçavam cair, mas não tão cedo. Não por vergonha de chorar, nunca. — É a sua hipocrisia. É notar em uma única frase que tudo foi uma ilusão. – Jorge deu um passo a frente, e mesmo com a mesa, e mais algum espaço entre eles, o Percy deu um passo para trás. – Você deveria ter visto o nojo nas suas palavras, nos seus olhos. – Algumas lágrimas caíram dos seus olhos, escorreram na verdade. Não estava chorando, fazendo drama, as lágrimas apenas caiam acompanhadas de um olhar descrente, e uma face tão inexpressiva que aparentava quase indiferença, mas não estava nem um pouco indiferente. Virou-se e andou “elegante” até a porta majestosa de madeira talhada, abriu e a fechou de forma mais silenciosa possível.

Bom, “elegante” não era uma coisa que Percy era, não que ele não gostasse de pessoas elegantes, ele gostava de todos os tipos de gente, todos. Desde os mais falante até os que não falam nada, desde psicopatas, gente rica, gente pobre, gente esnobe, gente humilde, gostava de pessoas com passados conturbados, e de pessoas com passados pacíficos. Percy era uma pessoa que tinha atingido um nível espiritual diferente de todos os seres que já habitaram a terra, inclusive os animais. Percy não via diferença entre as pessoas, nunca chegou a preferir uma pessoa à outra, nunca chegou a ter um “melhor amigo”, gostar mais da mãe do que da velhinha, “igualdade” era a palavra do P.

Confiava em todos, e todos confiavam nele. Não era do tipo de gente “amigo de todos / amigo de ninguém”, era apenas amigo de todos, e todos queriam essa igualdade singela dele. Para alguns confiar em todos poderia vir a se tornar um problema, mas para ele não.

Nunca fora e nunca seria, porque ele não sentia vergonha do era, só que pensava, nunca, e mesmo que ele o contasse o seu único segredo (o qual não existe), ninguém na terra teria coragem de dizê-lo, ninguém teria coragem de mexer com aquela mente tão pura, e perturbada. P era a coisa mais bela que o mundo poderia ter.

Mas P fez algo muito grandioso para seu cérebro, ele alterou sua visão em relação à uma pessoa. Ao Jorge. Ele gostou, se apaixonou, e amou esse homem com mais autenticidade que você pudesse imaginar, e Jorge, sem saber, corrompeu a mente do jovem Percival.

O que fazer? O amou também, mas era rico, vinha de uma família de regras e leis, não via igualdade como o jovem, na verdade via muitas diferenças. A magnitude de tal amor levou a perturbação do jovem a um nível insuportável, e aquele fim o atormentou por tanto tempo, que o foi levando à loucura, e essa loucura era um abismo, e desse precipício ele se jogou.

Notas finais
Eaí? Aprovado?