Igual
4 Casa
Notas iniciais
Desceu correndo as escadas com pressa. Simplesmente tinha a sensação que quando não estava parado os espectros se mantinham afastados, mas ainda os ouvia sussurrar no pé de seu ouvido. P sabia que há muito não se encontrava são, e isso estava piorando.
Chegou a cozinha onde sabia que encontraria sua mãe usando o rotineiro avental, em frente à pia. Não se enganou. Lá estava ela. Chegou ainda correndo, deu um beijo rápido em sua bochecha e dizendo um rápido “te amo”, seguido de “entrega para o Jorge por mim”. E depositou um pequeno papel no pequeno bolso do avental. Saiu correndo em direção a porta. Sua mãe um pouco preocupada perguntou alto o suficiente para o mais novo ouvir:
– Aonde vais menino?
– Ver o sol. – Respondeu com pressa e logo correndo porta a fora.
Sua casa era à umas duas horas da cidade, e ficava no meio de um tipo de clima semiárido. Adorava andar por ali e principalmente ficar em frente à um precipício, a vista dali, na opinião do Percy, era a melhor de todas. Podia ver a cidade inteira. Mas admitia que era perigoso, afinal, era uma queda livre de mais de 50 metros. Superou o seu medo de altura apenas para se aventurar por ali.
Olhou o majestoso céu laranja a sua frente e suspirou. Aquilo ajudava a se acalmar, a esperar paciente pelo Jorge.
O vento forte dava uma sensação de que empurrava os espectros para longe de si, depois dos braços do Jorge, esse era sua segunda escapatória, mas ela não estava mais funcionando. Eles estavam ali agora.
– Deixe-nos entrar. – Sussurrou um deles ao seu ouvido, pela milésima vez no dia.
– Não. – Respondeu simplório. – Não quero ser infeliz.
– Mas não trazemos infelicidade. Veja todas aquelas pessoas, elas são felizes. O Jorge é feliz. Você também pode ser.
– Não! – Alterou um pouco a voz. – Aquilo não é felicidade de fato, não em sua maioria. Agora cale a boca, você não vai entrar.
– Per-
– CALA-SE! – O menor virou-se irritado e empurrou o espectro, mas surpreendeu-se porque suas mãos o atravessaram, fazendo o menino desequilibrar-se e cair nos metros abaixo. É claro que suas mãos atravessariam. Os espectros não existem, pelo menos não fisicamente.
Percy soltou uma exclamação de surpresa e fechou os olhos, sentindo o vento forte cortando sua pele. E parou de sentir apenas pensando não sua impotência.
“Porra!”
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