Iguais mas Diferentes
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POV Isabela
Na segunda acordei tarde com a Marina me chamando, ela tinha levado meu café. Não fiquei muito feliz por ela ter me acordado, mas como estava de bom humor nem xinguei ela.
Fiquei ouvindo música e escolhendo a roupa que eu iria usar hoje à tarde na gravadora, o Martín veio me buscar e nós fomos juntos.
O treino foi como todos os outros, eu cantei super bem, a Priscila ficou com inveja e nós discutimos.
Depois o Martín me levou de volta, nos despedimos com um selinho.
Quando entrei em casa minha mãe estava sentada na sala com meu pai. Era estranho ver os dois juntos em um cômodo sem brigar.
— O que está acontecendo? – Eu disse quando entrei na sala.
— Precisamos conversar. – A Regina me disse e eu franzi os olhos e já cruzei meus braços pronta para o que vier.
— Calma Regina, deixa que eu falo. – O meu pai disse se virando para mim. – Você pode se sentar do meu lado por favor, Isabela? – Ele disse apalpando o assento do lado dele no sofá.
— Então, eu vou precisar viajar por uns dias à trabalho. – Ele me disse calmamente.
— Quando? – Eu perguntei estranhando.
— Daqui a algumas semanas, mas não se preocupe, é pouco tempo. Tudo bem por você?
— Eu posso ir junto?
— Infelizmente dessa vez não, eu vou ir a trabalho não vou poder passar nenhum tempo com você. – Ele disse parecendo triste.
Eu me levantei irritada.
— Você vai viajar e me deixar sozinha?! – Eu disse quase gritando.
— Você não vai estar sozinha, você tem sua mãe e as outras pessoas da casa.
— AH, minha mãe! Preferia ficar sozinha!
— Olha como você fala Isabela! – A Regina disse irritada.
— Filha, por favor entenda, não tem como eu não fazer essa viagem.
— Não entendo. – Eu disse irritada e fui para o meu quarto brava.
Entrei no meu quarto e bati a porta, não queria que ele fosse, já bastava o tempo que eu ficava sem ele. Deitei na minha cama e fiquei pensando como ia ser horrível e escutei uma batida na porta, eu não respondi.
— Isabela, vamos conversar, por favor! – Meu pai disse batendo de novo na porta.
— Não temos nada para conversar, vai embora!
— Por favor filha! – Ele disse e eu acabei cedendo.
— Tudo bem, pode entrar. – Ele abriu a porta e eu me sentei na cama cruzando meus braços esperando ele falar.
— Isabela querida. – Ele disse se sentando do meu lado. – Por favor me entenda, essa viagem é muito importante para os meus negócios.
— Eu sei, mas eu não quero ficar sozinha com a Regina nessa casa.
— Eu sei que sua mãe não é muito fácil de conviver, mas você tem que pelo menos tentar, vocês duas brigam uma com a outra e nunca dá em nada.
— Ela não tenta nada, porque eu tenho que tentar?
— Eu entendo que não é fácil, mas talvez esse tempo que eu esteja fora seja bom para vocês.
Eu percebi que nada ia mudar a cabeça dessa viagem dele e eu ia continuar tratando minha mãe do jeito que ela me trata, então eu ia ter que tentar ficar afastada dela quando ele estivesse viajando, por fim falei:
— Se seus negócios são mais importantes que eu, não tem nada que eu posso fazer. – Eu disse triste.
— Não diga isso filha, você é a pessoa mais importante para mim no mundo, mas infelizmente dessa vez não posso ficar. – Ele me abraçou. – Eu te amo muito, não se esqueça disso.
— Eu também te amo pai.
Depois da conversa meu pai saiu do quarto, como ainda não era tão tarde eu aproveitei para treinar meu canto, era o único jeito de ficar mais calma e esquecer um pouco sobre essa viagem do meu pai.
Assim como fiz no outro dia, liguei meu celular na caixa de som e aumentei.
Comecei a cantar e me desliguei do mundo, era sempre assim quando estava cantando, tentava ficar o máximo focada no tom da minha voz que nem ouvia o resto, era só eu e a melodia, fiquei muito tempo cantando.
Alguém colocou as mãos no meu ombro e eu me virei assustada, era o Omar.
— Omar! Assim você me mata do coração! – Eu gritei e fui pausar a música.
— Calma Bela. – Ele disse tranquilo.
— Você sempre faz isso, você não pode entrar pela porta como pessoas normais? Tem que vir pela minha varanda? – Eu disse irritada.
— Eu gosto de aventuras. E eu só vim pela janela, o porteiro me deixou entrar, não precisei pular o muro.
— Nossa, então tudo bem, não pulou o muro... Só pular a janela é tranquilo! – Eu disse sarcasticamente. – E se eu estivesse trocando de roupa?
— Aí ia ser melhor ainda! – Ele disse rindo e deitando na minha cama de barriga para cima.
— Você está se divertindo com isso, não é? – Eu cruzei os meus braços.
— Eu sempre me divirto com você Bela. – Ele sorriu.
Eu sentei na beirada da cama e esperei ele continuar a falar.
— Você tem que tomar cuidado com essa cantoria toda. Você está obcecada com essa premiação.
Eu deitei do lado dele e ficamos olhando para o teto.
— Eu só quero que tudo seja perfeito.
— Eu sei disso, mas você vai acabar enlouquecendo. Tem que ficar mais tranquila.
— Não consigo ser tranquila igual a você.
— É fácil, é só não ligar para nada nem para ninguém. – Ele disse e percebi um ressentimento na voz dele.
Ficamos calados por um tempo e ele pareceu se lembrar de algo e se sentou e olhando para mim.
— Nossa, já estava me esquecendo do que vim fazer aqui. – Ele parecia estranho e eu me sentei também.
— O que é? – Eu disse curiosa.
— Lembra que eu tinha te falado que meu pai comprou uma fazenda em um vilarejo aqui perto?
Eu assenti.
— Então, fui lá hoje conhecer e estava andando por lá quando vi uma menina muito parecida com você! — Ele disse animado.
— Tenho certeza que não é tão igual, você deve ter se confundido.
— Não, eu não cheguei a ver ela de perto, mas mesmo de longe ela era igualzinha a você. – Ele parecia estar falando sério e eu franzi minhas sobrancelhas.
— Que estranho. – Eu disse.
— É. Descobri com um dos moradores que ela também tem uma banda. Mas é uma banda pequena da cidade mesmo. Eu também descobri que eles vão tocar nessa semana, então pensei em ir assistir. Vamos? – Ele ficou me olhando esperando a resposta.
— Bom, se tem alguém por aí que toda essa minha beleza eu quero comprovar, vamos lá! – Eu me animei.
— Combinado. – Ele sorriu.
Ficamos mais um tempo conversando, contei para ele sobre a viagem e ele disse que se eu precisasse ficar mais tempo fora de casa, era só chamar ele para me acompanhar que podemos fazer coisas diferentes.
— E como foi seu encontro ontem? – Eu perguntei.
— Foi ótimo, a menina era muito bonita.
— Você só olha a aparência? – Eu disse com desprezo.
— Claro que não. Ela tinha outras qualidades. – Ele disse piscando para mim, e eu demorei um tempo a entender.
— Credo Omar! – Eu disse criticando e dando uma tapinha nele e ele só ficou rindo.
— Tô brincando. – Ele disse ainda rindo.
— Você não tem jeito mesmo. – Eu disse e sorri para ele.
— Não posso privar o mundo de uma beleza igual a minha. – Eu revirei os olhos. — Bom minha Bela Isabela, está na minha hora de partir. – Ele disse dramaticamente.
— Já está indo tarde. – Eu disse brincando e empurrando ele para a porta.
— Não, vou sair por onde entrei. – Ele disse indo em direção da janela.
— Nem pensar! Se te verem escalando minha parede podem pensar errado! – Eu disse apontando para a porta.
— Tudo bem. – Ele disse e saiu pela porta do quarto.
Eu nem precisava levar ele até a porta principal, ele já conhecia o caminho.
A semana passou rápido, eu estava treinando meu canto todos os dias, mas gostaria que o pessoal da banda levasse mais sério, principalmente o Omar.
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