If she is your only then why you lonedy?
1 Prólogo
Notas iniciais
E cá estou eu, mais uma vez na diretoria.
É a sexta vez em duas semanas venho parar aqui. Mas não é como se alguém ligasse.
Pra começar meu nome é Alice Nightray, uma garota normal, com cabelos e olhos castanhos, uso óculos, sou um pouco baixa e normal, em questões de peso. Faço 18 anos amanha, mas também não é como se alguém ligasse.
Meus pais estão em um processo terrível de separação, meu avô com câncer e minha vó faleceu há dois meses. Eu posso dizer, sou uma estudante normal... Ou melhor, era. Quando meus pais começaram a brigar e meus avós ficaram doentes perdi um pouco da minha estabilidade emocional. Que só não foi totalmente perdida porque tinha Gilbert comigo.
Continuei tirando boas notas, mas não faço os deveres, então me mandão aquelas ocorrências ridículas como se alguém fosse assinar. O único problema é que agora querem que assine. .
Os idiotas dos inspetores começaram a cobrar os bilhetes não assinados e quando tentam falar com meus pais tem o mesmo resultado que eu, são ignorados.
Hoje o coordenador, Reo, um cara estranho, que tem uns 30 anos, mas seus cabelos são totalmente brancos, pediu para me chamarem. Ele é bonito, alto e serio. A maior parte das garotas morreria pra ficar com aquele cara, ou pelo menos estar sentada na cadeira dele agora, como eu estou.
Estava sentada em frente a ele na sua sala. Eu já havia estado tantas vezes lá que sabia o caminho com os olhos fechados. A coordenação uma sala pequena e sem janelas, ficava dentro de outra sala maior onde os inspetores ficavam, mas quando passei por lá estava completamente vazia.
Ele olhava entretido para a tela de seu computador, checando e-mails ou coisas do tipo, e nem parecia ter percebido que eu cheguei. Resolvi que teria que me ocupar com outra coisa, pois esperar ele acabar de olhar o seu computador, sem fazer nada, seria inviável. .
Olhei para seu bloco de anotações, ele tinha uma letra estranha, rápida e descuidada, e percebi que meu nome estava nela. Olhei com surpresa, “estou mais ferrada do que imaginava” pensei. Tentei ler o que havia mais embaixo, mas uma mão fechou abruptamente o bloco.
Olhei para o coordenador novamente e ele tinha um pequeno sorriso em sua boca.
–Consegui, finalmente, falar com seu pai...
–Serio! Que incrível! Diga-me como conseguiu, preciso dessa mágica. – disse sarcástica, mas era verdade não falava com meu pai há três semanas e ele ainda morava na minha casa.
–Bom no telefone- ele disse ignorando meu sarcasmo- Ele me disse que teria que falar com sua mãe por que você não era mais responsabilidade dele. .
Abaixei os olhos. Meus pais viviam fazendo isso, me usavam para atingir um ao outro.
Fiquei sem falar nada por longos segundos, permanecia com os olhos abaixados, não queria que ele visse a raiva que estava sentido.
–Você não precisa ficar assim... Não precisa fazer isso. Se quiser pode me contar o que está acontecendo. Juro que pode confiar em mim – ele dizia com calma.
Nunca tinha visto Reo falar daquele jeito, com ninguém, era um cara até engraçado, mas tinha uma coisa em sua voz, que não ouvia dês de a morte de minha avó, carinho.
Minha raiva se suavizou, não estava esperando por isso, resolvi então que iria contar a ele uma parte da historia.
Não sei porque, mas ele me inspirava confiança. Minha mãe dizia que dividir as coisas era bom para suavizar os sentimentos e naquela hora constatei isso.
Ele ouviu tudo pacientemente e com muita atenção. Enquanto ouvia parecia me analisar com o olhar, o que me deixou levemente envergonhada.
Eu estava com o uniforme da escola, que era obrigada a usar e não deixava o meu corpo exatamente bonito, e meus cabelos castanhos soltos e embaraçados. Quando terminei a história ajeitei meus óculos que estavam caindo do rosto e olhei para ele rapidamente. Tinha uma expressão calma e compreensiva.
Ficamos mais alguns minutos em silencio, até que ele resolveu se pronunciar:
–E você já tentou falar com eles?
–Desculpa coordenador, mas as ultimas seis vezes que tentei falar com a minha mãe ou com meu pai eles começaram a discutir e colocar a culpa um no outro, ou seja, eu tentei.
–Olha, Alice — Ele disse no meio de um suspiro — eu posso ver o que você está sentindo. Deve estar péssima com tudo que está acontecendo, mas quero que saiba que se precisar de algo ou até mesmo de alguém, pode contar comigo. — Olhei para ele um pouco espantada. Podia esperar isso de qualquer um, mas de Reo nunca. Não sabia que ele falava assim com os alunos. Ele sorriu ao ver o meu espanto – Não sou o monstro que você pensava, não é?
Sorri levemente.
– Não
– Então espero que você não volte mais aqui! – Ele disse se levantando e vindo em minha direção.
– Deu pra perceber o quando gostou da minha companhia. – Disse fazendo o mesmo.
– Eu gosto da sua companhia, mas as pessoas só vêm para a minha sala quando é algo muito bom ou muito ruim.
– Vejo o quanto acha que eu possa fazer algo bom, mas tudo bem então...
Ele abriu a porta de sua sala e olhou para a sala dos inspetores, aparentemente ainda estava vazia, voltou-se novamente e me abraçou. Um abraço reconfortante, ele passou os braços pela minha cintura e eu estremeci. Não sabia o que estava sentindo, queria abraça-lo mais forte e unir totalmente nossos corpos, mas afastei os pensamentos rapidamente, não tinha tanta intimidade para abraça-lo de tal forma.. Ficamos abraçados até ele me afastar rapidamente e dar um passo para trás. Eu estava corada e percebi que suas bochechas estavam vermelhas.
–Você tem que ir!
–Reo, eu...
–Vai pra sala você tem que estudar.
Eu me virei e sai.
Ele fechou a porta quando passei pela porta dos inspetores, já quase no corredor para a minha sala. Estava muito confusa. O que raios havia sido aquilo?
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