If she is your only then why you lonedy?

29 Capitulo 22 - Um dia em nossa vida.


Notas iniciais
Gente ultimo cap, antes do epilogo, espero que gostem e estejam acompanhando! Vou deixar as declarações pro próximo cap, por que posso ficar repetitiva... Boa leitura!

(Pov Alice)

Uma luz fraca entrava pela janela acima da cama. Reo estava com os olhos semicerrados e os braços envolviam minha cintura.

Me virei, ainda sendo envolvida por ele e o beijei.

– Bom dia... – eu disse ao me distanciar.

– Bom dia. – ele diminuiu mais o espaço entre nós.

Ficamos ali, olhando um para o outro, sem dizer nada, até os dois conseguirem acordar direito.

– Está com fome? – ele perguntou e eu neguei.

– Vamos lá por que eu sei que você quer comer.

Ele sorriu e me soltou. Levantei da cama e ele me seguiu, fomos para a cozinha e eu comecei a preparar café. Reo pegou as xícaras no armário, o pão e a manteiga, frutas e outras coisas mais.

Enchi sua xícara e a minha coloquei pela metade. Ele se sentou na mesa e começou a fazer um pão. Eu peguei uma manga, começando a descasca-la e corta-la.

– O que vamos fazer hoje? – ele perguntou, na metade de seu café da manha.

– Vou ajeitar minhas coisas, por que não posso deixar aquilo ali pra sempre. Depois a gente pode sair....

– Ótima ideia! – ele comeu mais um pedaço de seu pão

Acabamos o café e eu fui para o quarto/escritório para pegar minhas malas.

Reo me ajudou e colocamos elas na frente do armário.

Comecei a colocar coisas no cabide e nas gavetas e, mais rápido do que imaginava, terminamos de organizar as minhas roupas.

– Agora os livros... – disse sorrindo, meio sem jeito.

– Não quer os livros para outro dia? – ele me perguntou.

– Mas... – ele me ergueu do chão.

– Tenho ideias melhores e mais construtivas...

– Tipo?

– Tipo... Que tal ir ver um filme? Pode ser o que você quiser.

– Quero ver “Questão de Tempo”...

– Ta eu vou ver aqui na Netflix,- ele pegou seu notebook em sua parte do armário.

Ele sentou na cabeceira da cama e começou a mexer em seu computador. Eu me deitei ao se lado e ele começou a procurar pelo filme que eu havia falado.

– É meio água com açúcar, não sei se você vai gostar...

– Vou sim, se eu não gostar eu finjo pelo menos.

– Vai ser falso agora?

– Não, só não vou ofender seu filme...

– Se você não gostar pode trocar.

– Não vou fazer isso... – ele clicou no filme e exclamou: — Achei!

Ele se deitou e colocou o notebook no colo, preparando o para vermos o filme.

Eu estava amando rever o filme e Reo também parecia gostar. Na metade do filme um sono incontrolável me atingiu e eu não resisti aquela oportunidade. Acabei adormecendo em seus braços e quando acordei tive uma surpresa.

Reo tentava conter uma lagrima, na parte , que para mim, era a mais triste do filme. Sorri ao ver sua expressão e comecei a acompanhar o filme novamente.

Quando os creditos invadiram a tela, não pude conter a brincadeira.

– Eu acho que alguém gostou do filme....

– Alice! – ele me repreendeu – É legal, mas

– Tudo bem, senhor orgulhoso. Não vou insistir, sei que estou certa.- Ele me olhou indignado e me deu um leve beijo.

Ele se afastou e colocou o computador pro lado.

– O que vamos fazer agora? – eu perguntei.

Ele me beijou singelamente e se colocou por cima de mim, apoiando o peso de seu corpo nos braços, que estavam ao lado do meu corpo.

Ele me beijava, com mais intensidade a cada minuto, e então ouvi um celular tocar.

Me distanciei de Reo e ele tinha os olhos cerrados, provavelmente amaldiçoando que quer que tenha ligado.

Peguei meu celular e olhei a tela, Vick me ligava.

~ Ligação on ~

– Oi! – disse ao atender.

– Você pensou em ligar para as amigas e dizer como foi o seu encontro com o novo papai do ano?

– Sim... – menti. — Muitas coisas aconteceram, mas tudo acabou bem.

– E Cesar? Acabou o amor?

– Acabou o amor...

– Temos que nos ver... Encontro de casais?

– Tudo bem. Hoje?

– Tipo, agora, vou ligar para as meninas e nós vamos na pizzaria...

– Ok, vou me arrumar e carregar meu noivo.

– Noivo, como assim noivo? Alice!

– Até daqui a pouco...

~Ligação off~

Voltei para os braços de Reo e o beijei.

– As meninas querem ir até a pizzaria...

– Ok... Tínhamos mesmo que comer algo! – ele disse, mas parecia desapontado.

– Temos a vida toda pra ficar juntos, não me diga que esta triste por uma tarde?

– Precisamos nos arrumar.

Ele se levantou e me deu a mão para que eu levantasse também. Comecei a procurar uma roupa confortável para vestir.

Peguei uma sai longa verde e uma camiseta branca. Reo escolheu uma calça jeans e uma blusa cinza.

Ele pegou a carteira e as chaves do carro, enquanto eu pegava minha bolsa e enviava uma mensagem para minhas amigas, avisando que já estávamos descendo.

Fechamos o apartamento e fomos para o elevador.

– Tem certeza que vai ser uma boa ideia?

– E por que não seria?

– Tenho a impressão de que suas amigas podem me matar... Sabe, elas me olham tipo “Olhem! Nosso antigo coordenador, ele é tão chato... Vamos mata-lo” – ele imitou o olhar, me fazendo sorrir.

– Elas não vão te matar... Você é chato, mas não para tanto!

– Eu sou chato? – ele perguntou, fingindo não entender – Eu nunca sou chato...

– Não uma vez só!

– Isso é o que acontece quando se da liberdade para essas alunas...

Eu envolvi meus braços em seu pescoço e ele segurou minha cintura.

– Eu sinceramente não acho que você tenha se arrependido, princesa Isabel, mas se você diz...

Ele sorriu e uniu nossos lábios.

O elevador abriu e nos distanciamos, vendo o porteiro sorrir maliciosamente para nós dois.

Corei e vi que as bochechas de Reo também estavam levemente vermelhas.

– Boa tarde... – meu noivo disse envergonhado.

– Boa tarde! – o porteiro abriu a portaria para nós – Bom passeio...

– Obrigada! – dissemos juntos.

Demos alguns passos de distancia e então eu me virei para Reo.

– Eu tenho medo desse homem...

– Ele também me assusta.

Rimos e, de mãos dadas, fomos para o local em que eu finalmente apresentaria Reo como meu noivo.

–--------------

(Pov Reo)

Ficar ali esperando estava me deixando cada vez mais nervoso.

Eu nem queria estar ali, pra inicio de conversa, mas Alice queria encontrar as amigas. E se era importante para ela também tinha que ser para mim.

Estávamos em um canto, da entrada, do restaurante. Alice estava de costas para mim e se apoiava em meu tronco.

Ela parecia perdida em seu mundo particular e não dizia nada. Eu queria logo sair dali, voltar para casa e ficar com minha noiva, mas não parecia haver sinal de suas amigas.

Meu estomago roncava pelo cheiro da comida ao meu lado, mas tínhamos que esperar.

– Elas vão demorar? – perguntei

– Acho que não...

– Estou com fome...

– Agora fale a novidade.

– É assim agora não é... – eu a puxei para mais perto do meu corpo e mordi de leve seu pescoço.

Ela se arqueou e sorriu, sentindo cócegas.

– Para... – ela murmurou, tentando conter um acesso de risos.

– Olha a agarração ai! – Vick gritou, saindo da van de Leo.

Alice se distanciou de mim, corando muito, assim como havia feito quando saímos do prédio. Parecia que ela não havia se acostumado com nós dois juntos, sendo um casal, e sem precisarmos nos esconder.

Eu sorri e a soltei por completo, para que pudesse cumprimentar suas amigas.

Ela abraçou Vick, Olivia e Ene e depois cumprimentou os garotos. Eu acenei e sorri para todos, mas sem me aproximar muito.

Alice pegou minha mão e sorriu ansiosa. Entramos na pizzaria e nos sentamos em uma das mesas vagas.

A mesa tinha uma daquelas cadeiras únicas, longas que cabem umas 8 pessoas. A mesa

Vick e Ene se sentaram na curva da mesa. Lion e Leo se sentaram ao lado delas. Valentim e Olivia completaram o lado de Vick e Leo e eu e Alice nos sentamos ao lado de Ene e Lion.

Elas fizeram o pedido enquanto conversavam e riam entre si. Os garotos também conversavam, mas nada tão animadamente quanto as meninas.

Me senti levemente deslocados, afinal não tínhamos o mesmo assunto. Os meninos conversavam sobre jogos e quadrinhos, como se tivessem 12 anos, e eu não entendia quase nada daquele assunto.

Comecei a me distrair organizando os saches de ketchup e estava totalmente perdido em meus pensamentos.

– Mas então Reo! – Vick exclamou, me fazendo sorrir e tentar me interar da conversa. Alice sorriu e apertou minha mão embaixo da mesa, com um pedido silencioso de “Seja legal!” – Você passou de pai do ano, pra noivo de nossa pequena Alice, o que aconteceu?

– Bom... – tentei ser o mais simpático o possível, disfarçando o quanto aquela conversa era estranha para mim. — Eu cometi o erro de me separar de Alice, pelo meu filho, mas Ada acabou resolvendo o problema, de uma maneira não muito boa...

– E o que aconteceu? – Ene perguntou inocentemente.

– Ela se suicidou, levando meu filho junto...

Elas se entreolharam, boquiabertas, e Alice pareceu levemente envergonhada.

– Sinto muito – Olivia disse.

– Tudo bem... – repirei fundo – pelo menos agora estou com Alice e ela me faz feliz, como jamais seria com Ada.

Alice sorriu e corou mais um pouco.

– Obrigada... – ela sussurrou, fazendo com que somente eu ouvisse.

Suas amigas me olharam, com um misto de pena e estranheza, com o fato, mas já haviam esquecido de mim, e agora falavam sobre outro assunto totalmente relativo.

O pedido chegou e nós começamos a comer.

– Reo! – Leo disse depois de comer um pedaço da pizza de queijo – Você já jogou LoL?

Olhei para Alice, perguntando o que seria aquilo, e ela sorriu.

– Ele nunca jogou não... – ela respondeu por mim.

– Como não? – Lion exclamou, como se aquilo fosse o maior absurdo.

– Lion, ele tem 27 anos, não 18... – ela parecia querer mostrar o obvio.

– Ta mas ele não sabe o que é? – Valentim não parecia acreditar.

– Acho que meu irmão joga isso... – eu disse.

– Ele tem coisas melhores pra fazer, do que trocar a namorada dele por um jogo online... – ela parecia ter pedido a paciência.

Eles pareciam ter sido atingidos por um tiro, assim que ela disse.

– Alice! Você acabou de dizer o que eu sempre quis jogar na cara! – Olivia parecia emocionada.

– Exatamente... – Ene e Vick concordaram

– Desculpa então, garotas! – Leo disse – A gente só estava fazendo o que gostamos...

– E é por isso que estou com Reo, ele me incluiu em sua lista de gostos, e passa o tempo conversando sobre coisas construtivas e não sobre como matar o monstrinho.

– É um jogo legal! – Lion disse

– E é legal ficar com sua namorada ou noiva... Vocês não tem noção o quanto é chato ficar olhando vocês jogarem, ou vocês falando sobre coisas que a gente não ta afim... – Alice terminou.

– Exatamente Lice... – Olivia concordou, novamente. — Valentim você é legal, eu te amo, mas não quero saber do novo Fifa...

– Lion, tem dias que eu não quero saber que esta vencendo o campeonato de LoL...

– Leo, tem vezes é melhor ver um filme do que observar você com sua revista do Batman...

Eles pareciam não acreditavam no que ouviam.

Me senti envergonhado por não ter levado uma bronca também, por não fazer parte da turma. Eles voltaram a comer em silencio e as meninas também.

Eu não havia percebido o quanto Alice tinha amadurecido. Ela estava diferente da Alice que conhecerá nos corredores da HGM. Ela agora era mais madura, mais confiante E eu a amava ela a cada minuto.

Terminamos de comer a pizza e o clima não era nada bom entre as garotas e seus namorados. Alice, parecia imparcial, mas sabia que ela também estava brigada com os namorados de suas amigas.

–Eu quero sorvete!-Vick exclamou me fazendo sorrir e pensar o quão louca era aquela garota, que eu tivera contato muitas vezes, mas nunca me chamará atenção especial.

Chamamos o garçom e cada um pediu um sabor diferente.

Vick pediu napolitano. Leo chocomenta. Ene Maracujá. Lion Manga. Olívia creme. Valentim morango. Alice chocolate. Eu flocos.

O garçom anotou tudo e saiu.

Alice recostou na cadeira e eu passei o braço pelo seu ombro, fazendo-a relaxar.

– Não foi tão ruim... Foi? – ela perguntou

– Você dando bronca foi a melhor parte!

– E se reclamar te dou uma bronca também... – ela beijou minha bochecha.

Alice se recostava em meu ombro e conversava com suas amigas sendo envolvida pelos meus braços.

–Já estão prontas pra volta as aulas? – disse.

–Não...-Alice resmungou.

–nem eu — Vick e Ene concordaram.

–Eu estou louca pra começar! -Olívia exclamou.-Sempre quis fazer jornalismo...

–Eu quero muito fazer Arqueologia, mas passou rápido demais. — Alice disse.

–Reo você podia me dar umas dicas sobre nosso curso.- Vick disse e me lembrei que ela iria fazer Historia assim como eu.

–Quando quiser- respondi

–Computação é demais, mas não estou tão animada assim. – Ene disse.

–Eu vou fazer medicina- Leo exclamou- Sempre quis fazer.

–Eu vou cursar publicidade- disse Valentim.

–Eu vou fazer computação, igual a Ene.- Lion pegou a mão dela.

O sorvete chegou e nos começamos a comer. O clima entre todos estava mais ameno. Eu comecei a ser cercado por perguntas sobre a faculdade.

“Como é?” “É difícil?” “Como são os professores, eles agem diferente dos da escola?” “E a sua monografia?”

Vi naqueles garotos a minha insegurança a anos atrás, quando entrava na faculdade.

Após perguntas respondidas e sorvetes comidos, nos despedimos de Vick, Leo, Ene e Lion.

Olívia e Valentim nos acompanharam até em casa, pois agora o nosso apartamento era de frente um para o outro.

Nos despedimos dos amigos de Alice e fomos para nossa casa.

Passamos pela portaria calados, sentindo o olhar do porteiro sobre nos dois e vi Alice corar, lembrando do acontecimento de mais cedo. Pressionei o botão do elevador e encarei Alice. Ela me olhou e sorriu de leve.

Eu olhei para trás e o maldito porteiro ainda nos olhava e eu perdi o controle.

Me virei para Alice e uni nossos lábios, trazendo-a para perto de mim.

Minha noiva se surpreendeu mas correspondeu o beijo com avidez.

–Já que você não pode, observe...-disse ao vento e adentrei o elevador, com Alice segurando a risada.

–Por que fez isso?- ela disse rindo, assim que o elevador fechou e nos começamos a subir.

–Estava com vontade de te beijar...

Ela me abraçou ainda rindo e sussurrou em meu ouvido.

–Sabe que sempre pode...

Chegamos ao nosso apartamento e Alice foi direto para o quarto onde estava a caixas com seus livros.

– Vai fazer isso agora? – perguntei, um pouco lamentoso.

– Sim! – ela disse, muito animada, e aquilo já me deixava cansado – Quero que tudo fique organizado e perfeito.

– Não sabia que você tinha toc...

– Talvez tenha... – ela sorriu e pegou a caixa no chão, com um esforço enorme.

Me aprecei em pegar a caixa dela e percebi o quanto Alice era mais frágil do que parecia.

Ela sorriu e tentava retomar a respiração ofegante.

– Tudo bem? – perguntei rapidamente.

– Sim... – ela ainda ofegava – Ótimo!

Ela foi para a sala e eu a segui.

Ela se sentava na cadeira, que eu havia comprado pensando nela.

– Alice, o que aconteceu? – deixei a caixa no chão e peguei suas mãos.

– Nada, acho que foi pressão, mas to bem! – ela se levantou, aproveitando o meu auxilio e me encarou sorrindo, tentando me fazer acreditar.

– Tem certeza?

Ela assentiu e soltou minhas mãos, indo ate a estante e começando a organizar os livros.

Ela começou a organizar os livros por autor e colocava tudo com maestria, não deixando nada dobrar, ou ficar com orelhas.

Após alguns minutos ela havia organizado tudo e colocado a foto de nós dois naquela prateleira.

– Ficou perfeito! – ela disse se virando para mim de novo e eu a abracei, fazendo ela sair do chão.

Não, eu não tinha mania de fazer isso. Eu só sempre abraçava Alice, com o intuito de beija-la e, por ela ser mais baixa que eu, eu a tirava do chão, para nossos lábios poderem se tocar.

Ela não pesava quase nada, entao aquilo era tão fácil, que não me preocupava em fazê-lo.

Uni nossos lábios e Alice envolveu suas pernas em minha cintura.

– O que vamos fazer? – perguntei a ela, assim que paramos de nos beijar.

– Vou tomar banho... – ela se segurou em meu pescoço e desprendeu seus pés.

Sorri, fingindo não estar decepcionado com sua escolha e ela me olhou pedindo desculpas.

– Tudo bem, vou... – não sabia o que fazer – vou ler um livro!

– Eu te amo! – ela gritou, indo para o quarto

– Eu também.

Peguei um exemplar da biografia de Karl Marx e comecei a lê-lo.

Duas horas depois me ocorreu que Alice não havia aparecido perto de mim ainda, então fui procurá-la pela casa.

Não estava no banheiro,nem na cozinha, ou no nosso quarto. Fui até o 2º quarto e a vi olhando um álbum de fotos, bem antigas.

– A minha mãe tava procurando isso e eu disse que não estava comigo... – disse me sentando ao seu lado, no chão, e ela me encarou.

– Era você? – ela perguntou apontando para um garoto, de mais ou menos 8 anos, de cabelos tão claros que pareciam brancos.

– Sim. – disse pegando um pouco do álbum e dividindo o peso. – Esse é Percy – apontei para o garota, mal humorado, com cabelos totalmente ao contrario do irmão. – E meus pais... Minha mãe está claramente grávida aqui, mas tudo bem.

Alice sorriu e apoiou o rosto em meu ombro.

– Quero que meu filho seja bonitinho igual a você...

– Eu era muito estranho, pare de desejar isso! – ela riu ainda apoiada no meu ombro e beijou minha clavícula.

– Se ele for parecido com o que você é hoje eu já fico feliz.

Continuamos olhando as fotos, pareciam que todos os aniversários e coisas da escola estavam ali.

– Estou em desvantagem, eu só vi uma vez a pequena Alice, não pera você ainda é pequena...

Sorri ao vê-la me olhar indignada.

– Eu sou de um tamanho normal, ok? Talvez uns 3 centímetros abaixo do normal, mas ainda sim é normal!

– E eu te amo, mesmo sendo baixinha...

Ela mostrou a língua e pegou o celular.

Após alguns segundos ela achou o que procurava.

– Aqui...

Ela me entregou o celular e eu pude ver uma foto muito parecida com a que ela tinha no armário.

Ela, bem miudinha tentando se esconder nas pernas de seu avô, um homem com os cabelos um pouco grisalhos e olhos azuis, que lembrei ter visto na formatura de Alice. A avó coversava com ela, uma senhora com cabelos castanhos e ondulados, assim como os da neta, parecia tentar convencer Alice a sorrir para a câmera. O pai dela estava em um canto, mas não sorria. A mãe dela estava ao lado do pai e parecia muito feliz.

– Você era tão pequena, tão linda... – disse envolvendo-a em meus braços, percebendo seus olhos levemente marejados.

– Não exagere, eu era pequena e magra demais, os médicos achavam que eu poderia desenvolver anemia... – ela disse, em um tom duro, para esconder as lagrimas.

– Sabe que pode chorar se quiser...

– Passei muito tempo chorando Reo, chega! Amava muito minha avó, mas pra mim já deu...

– Você nunca me contou por que ela morreu...

– Contei sim, ela teve um infarto.

– Alice...

– O que? – ela estava escondendo algo, algo doloroso demais.

Eu precisava ajuda-la, foi o que eu tinha prometido quando começamos a nos falar, prometi ajudar.

– Tem mais alguma coisa.

– Reo...

Ela se levantou e começou a sair do quarto, então a segui e a envolvi em meus braços, deixando a chorar.

– Foi minha culpa... – ela disse em meio de soluços.

Me afastei um pouco dela, para pode-la encara-la, mas ela se jogou novamente em meus braços.

– Alice, como assim foi sua culpa?

Ela chorava cada vez mais, e eu a peguei no colo e a levei para nosso quarto, sentando com ela na cama. Ela estava sentada sobre minhas pernas e escondia o rosto em meu pescoço, eu não a abraçava, mas também não rejeitava o toque.

“Como assim culpa dela?” – pensei – “Não é possível que Alice tenha matado a própria avó”.

– Eu podia tê-la salvado... – ela disse, ainda apoiada em mim, mas agora me encarando. – Eu a vi caindo no chão da cozinha e entrei em pânico, tentei tira-la do chão, socorrê-la, mas eu devia ter pedido ajuda.

– Não foi sua culpa!

– Ela precisava de um medico Reo, não uma garota idiota entrando em pânico. – mais uma lagrima escorreu de seu rosto e ela a limpou, com raiva.

Uma onda de alivio percorreu o meu corpo e eu abracei Alice, o mais forte que conseguia.

– Não é sua culpa, meu amor – disse a ela, me sentindo mais culpado do que nunca, por ter pensando que ela poderia ter matado a avó.

Alice ficava tentando fugir do aperto, mas não conseguia, afinal ela é muito fraca em comparação a mim. Ela parecia muito incomodada, mas tinha perdido toda a raiva anterior.

– Está me machucando... – ela disse e a soltei, deixando-a um pouco mais livre.- Por que fez isso?

– Por nada, só precisa te abraçar.

– Que horas são? – ela pareceu me ignorar.

Peguei meu celular.

– 18:35

Ela assentiu

– Vou fazer algo para nós comermos...

– Você está com fome? – perguntei.

– Não, mas você deve estar.

– Isso é só uma desculpa pra você sair daqui. Não precisa se isolar quando está triste.

Ela se virou e foi para a cozinha, eu deitei na cama e liguei a TV.

Alice veio alguns minutos depois, com um prato de lasanha, daquelas que se compram prontas, e dois garfos.

Ela se sentou ao meu lado, em seu lugar na cama, e deixou o prato no meio de nós dois.

– Se não quiser comer o problema é seu... – ela deu a primeira garfada no nosso jantar e comeu.

– Como você disse mais cedo, minha pequena Alice, sempre estou com fome.

Dei uma garfada a lasanha e a coloquei na boca, de um jeito engraçado, fazendo Alice rir.

– Você parece ter 12 anos... – ela disse pegando mais um pedaço.

– E você 30, por isso estamos juntos.

– Deslealdade, isso! – ela sorria, me fazendo esquecer de que havia se debulhado em lagrimas anteriormente.

– E se reclamar eu como o lasanha inteira sem você! – tentei roubar a lasanha dela, mas Alice foi mais rápida e a pegou de volta.

– Eu te amo, meu bobo!

– Eu também te amo, minha velinha!

Notas finais
Então pessoas? Comentem ai o que acharam desse final da fic, e o que esperam pra próxima temporada! Beijos e fui -Avia