If You Say So
14 O Que Não Te Mata, Te Faz Mais Forte
Notas iniciais
Enquanto Kurt aguardava a chegada de Blaine, Rachel arrumava suas malas no outro quarto. Ela andava de um lado para outro, juntando peças de roupas espalhadas pelas gavetas no armário.
— Já vai tão cedo? – Kurt estava parado na porta, olhando a amiga organizar suas caixas.
Ela lançou um olhar surpreendido para a figura que continuava observando-a.
— Sinto muito, mas tenho que voltar a ensaiar. – Rachel pegou uma roupa e jogou na caixa. – Se pudesse ficaria por mais tempo.
Kurt adentrou o recinto, ele mostrava um semblante preocupado, mas queria manter segredo sobre o recado ouvido mais cedo. Não queria que ela se tornasse a mais nova vítima, e ainda precisava encontrar Puck, mesmo podendo já ser tarde.
— A estréia da peça continuará sendo daqui a três semanas? – Ele perguntou, desviando de seus pensamentos.
— Sim – Ela respondeu aflita – Ensaiamos por bastante tempo, e queremos mostrar para o público o quanto somos capazes.
Ela sorriu orgulhosa, mas no fundo, sabia que aquele sorriso era para enganar todo o desconforto que sentia naqueles últimos dias.
— Estou ansioso para vê-la brilhar naqueles palcos – Kurt colocou a última peça dentro da caixa – Você merece Rachel Berry. – Ele mostrou meio sorriso, sentindo-se um pouco tristonho.
A mulher se aproximou, pegou na mão do amigo e o fez sentar na cama.
— Kurt. NYADA foi estúpida ao te expulsar. Ainda mais em um momento sensível como esse que está passando. No entanto, você sabe que merece tudo que eu conquistei. Você é tão talentoso quanto, e vai vencer esse covarde, ser muito famoso em Nova Iorque e no mundo todo.
Uma lágrima escorreu pelo rosto dele, estava sentindo um misto de tristeza e de medo, que parecia não conseguir superar.
— Obrigado. Você sempre sabe o que dizer. – Ele a abraçou forte, e depois se levantou. – Bom Blaine deve chegar a instantes, nós vamos dar uma volta e aproveitar o tempo. – Ele mentiu, desviando o olhar para fora do quarto.
Ela também levantou, pegou algumas caixas com a ajuda dele e os dois foram em direção às escadas.
— Te vejo daqui algumas semanas.
Rachel piscou e desceram. Ele, porém não respondeu, pois sabia o que aconteceria a noite de hoje.
Ao voltar rapidamente para o próprio quarto, ele encontrou Tina lá dentro sentada na cama com um sorriso diabólico no rosto.
— O que você está fazendo aqui? – Ele perguntou assustado.
Ela levantou rapidamente e respondeu:
— Estávamos esperando você acabar sua conversa com a Miss Berry. – Ela falou em tom desgostoso.
— Onde Blaine está? – Ele olhou em volta, e começou a dar passos para trás, quando foi surpreendido por duas mãos que o agarraram e o fizeram gritar ao mesmo instante.
— Calma Kurt, sou eu!
Blaine o segurava com força até o momento que o namorado parou de gritar. Tina soltou um riso abafado, após presenciar toda a cena.
— Me desculpe. Estou sob muito estresse – Kurt disse ao se recompor. – Mas o que importa é que vocês estão aqui e precisamos encontrar Puck.
Tina franziu o cenho, enquanto Blaine arregalou seus olhos.
— O que aconteceu com ele? – Os dois perguntaram em uníssono.
Kurt correu para a cama e retirou o celular de baixo do travesseiro para mostrar a gravação. Logo após todos ouvirem, ele disse:
— Nós temos que nos apressar antes que seja tarde.
Tina assentiu e complementou:
— Eu acho que sei onde ele deve estar.
Todos saíram apressados de casa. O coração de Kurt estava acelerado, mas sabia que aquela noite seria como nenhuma outra.
Santana acordou com um leve aperto no peito. Ela olhou para o lado e viu Quinn dormindo. Sua expressão era tranqüila, parecia um anjo com suas madeixas louras e brilhantes.
“Meu anjo”. Pensou.
A latina não encontrou seu celular, então resolveu verificar as horas no da namorada. O que a assustou não foi o quão tarde já era, e sim, um recado deixado por Puck.
“O que ele quer agora”. Pensou irritada.
De início pensou em não ouvir, mas ficaria arrependida em não saber quais seriam as suplicações direcionadas para Quinn. Ela apertou o botão e aproximou ao ouvido:
“Quinn se você estiver ouvindo isso é porque não ignorou meu recado. Enfim, não sei quanto tempo tenho, mas você pode ser a última a ouvir minha voz...”
A latina revirou os olhos ao pensar em todo o drama que viria a seguir. Nesse momento Quinn acordou;
“Tina é o agressor que tentou matar Blaine. Assim que eu descobri, ela me sequestrou...”
— Por que estou ouvindo a voz do...
— Shiu! – Santana interrompeu e as duas continuaram a ouvir.
“Estou em uma fábrica abandonada e esse é meu último telefonema. Chame ajuda!”
O recado foi finalizado e as duas se olharam assustadas
— Isso pode ser verdade? – Quinn perguntou, um tanto desconfiada.
— Não vou esperar para descobrir – Santana levantou apressada e foi procurar uma roupa no armário para vestir.
Quinn também levantou, mas sentiu seu estômago revirar. Um aperto forte no mesmo, fez ela se contrair e cair no chão.
De joelhos, ela engatinhou rapidamente até o banheiro do quarto, logo depois se apoiou no vaso sanitário e vomitou.
— Quinn o que você tem? – Santana perguntou preocupada.
— Nada! – Ela tossiu um pouco e levantou se apoiando na pia – Me espere, pois vou com você.
A latina soltou um riso debochado ao olhar para a situação da namorada.
— Você acabou de pôr seus órgãos dentro daquele vaso sanitário. Vai ficar e chamar sua mãe.
A loira ficou furiosa ao ser tratada com uma criança inválida e disse:
— Você escolhe, ou nós vamos juntas, ou ninguém vai. Eu vomitei, pois comi mais do que deveria na noite passada, você sabe. –Ela desvencilhou o olhar. – Além do mais, eu conheço o caminho da fábrica e você não tem licença para dirigir.
Ela mostrou um sorriso vitorioso, e de fato havia vencido a discussão.
— Ok se apresse! – Foi tudo que ela pôde dizer naquele momento.
— Como vamos entrar nesse negócio?
Kurt, Blaine e Tina estavam em frente da fábrica velha. A aparência daquele lugar era perfeita para filmar um clássico de terror, seus vidros estavam quebrados, as paredes externas seu ferro enferrujado, e a grama que cobria o perímetro havia crescido demais.
— Essas fábricas estão sempre abertas.
Tina respondeu como se fosse algo óbvio, e com isso, puxou uma das portas para seu lado e a abriu. Ela olhou para os dois como se quisesse dizer “eu não disse? ” E acenou para ambos passarem na frente.
Se por fora o cenário era assustador, por dentro a situação era muito pior. Se não fosse pela iluminação da tarde, Kurt não poderia ver nem seus sapatos que eram cobertos de brilho. As paredes internas da fábrica estavam cobertas de musgos e escritas, que no início não eram de fácil compreensão, mas ao passar os olhos em uma palavra conhecida por ele, tudo fazia sentido. Em uma das paredes estava pichado “Courage”, com um X marcado por cima da mesma.
— Blaine precisamos sair daqui, é uma armadilha!
Ele pegou a mão do namorado e se virou parar correr, mas os dois foram surpreendidos por Tina, que observava o medo nos olhos dos dois.
— Por que a pressa meus amigos? – Ela sorria assustadoramente – Acho que temos que conversar um pouco.
Blaine apertou firme a mão de Kurt e fechou o punho com a outra. Estava sendo corroído pela raiva.
— Você tentou me matar? Como eu sou idiota! Você me disse que eu não tinha namorado, que era hetero, me beijou e disse que me amava...
Tina riu e olhou para Kurt com satisfação.
— Sim Blaine, você é idiota, mas porque não ficou comigo. No entanto, eu não causei seu acidente. Há outra pessoa que eu paguei para fazer o trabalho sujo, e Kurt o conhece bem.
Kurt se mostrou bastante confuso, enquanto Blaine o encarava com certa desconfiança.
— Ora, não seja tolo, Adam não veio para Ohio por uma competição estúpida, ele veio para te matar.
As palavras atingiram o peito dele como se fossem facas afiadas.
— Sebastian tinha razão, o acidente de Blaine foi um propósito para te trazer para cá, e assim jogar o meu jogo, e quando estivesse na hora, eu te mataria na frente de sua alma gêmea. Tudo porque ele nunca vai me amar, nem tocar em meu corpo e me dar prazeres.
Blaine ficou enojado e riu debochadamente.
— Você é insana! Investiu seu tempo nisso porque um gay te rejeitou.
— Agora Blaine, seu ego falou por você. Depois de um tempo, eu era a única no glee club que não tinha um namorado, e solos, mas a última eu já havia superado. Eu senti raiva, pois eu não era feliz, então eu decidi que meus companheiros também não seriam. Iria me vingar de todos que me fizeram sentir-se inferior. Mas depois de pensar bem, eu percebi que os únicos que valiam a pena sofrer, eram o senhor Hummel e a Senhorita Berry.
Kurt soltou a mão de Blaine e avançou lentamente para frente. Seus olhos azuis estavam cheios de fúria naquele momento.
— Então você pagou para Adam causar o acidente Blaine para me afetar, e a morte de Finn foi para machucar Rachel?
Tina bateu palmas ironicamente para a resolução do garoto.
— Finn foi encontrado morto em uma esquina – Todos o acusaram de ter se matado com drogas, mas eu envenenei a agua que ele tomara naquele dia. Ele estava começando a perceber minha mudança de comportamento, e eu não podia deixar que me impedissem.
Kurt arremessou a mão contra o rosto de Tina, mas foi bloqueado pela mesma, que rapidamente chutou seu abdômen e o jogou contra Blaine, que se esforçou para segurá-lo, evitando a queda.
— Você é tolo! Eu luto desde meus onze anos, nada pode me derrubar! – Tina gritou e riu após ver as expressões assustadas de ambos.
— Isso porque você nunca me desafiou Chang.
Tina se virou e recebeu um soco de Santana, que a fez rodopiar no ar e cair, causando um estrondo no chão. Ela levantou rapidamente e sacou uma faca que guardava no bolso.
— Santana, cuidado! — Quinn, que estava mais atrás, gritou aflita.
A asiática avançou rapidamente e lançou a faca contra Santana, que desviou. O objeto pontiagudo cortou o ar por várias vezes, até que Tina cortou a própria mão acidentalmente. Aproveitando o descuido, a latina arremessou um chute, mas foi segurado pelo braço de Tina, que empurrou a mulher para o chão. A faca, então cortou a perna da latina e fez a mesma urrar de dor. O sorriso de Tina se intensificou com cada lágrima que escorria no rosto da mulher.
Quinn gritou e correu para ajudar a amada. Sem se importar, Tina voltou sua atenção para os dois garotos que assistiam a luta perplexos.
— Agora vamos ao que interessa. – Tina sacou uma arma da bolsa e apontou para Kurt – Quais são suas últimas palavras? – Ela engatilhou e sorriu
Kurt abaixou a cabeça por um segundo, seu corpo todo tremia, mas não iria demonstrar medo. Ele ergueu a cabeça e disse:
— Blaine sempre me amará, mesmo que eu morra, mas você? Não serve nem para rapidinhas.
Ela suspirou e apertou o gatilho. Um urro foi ouvido, mas a voz não era de Kurt.
Blaine estava caído no chão e Kurt observava sem se movimentar.
— Blaine não! – Ele gritou desesperado – Porque você fez isso meu amor, aquela bala não era para você...
O corpo de Blaine estava imóvel, mas sua respiração, por mais fraca que estivesse, ainda podia ser escutada.
— Eu te amo Kurt, e não vou te esquecer nunca mais
A bala atingiu o quadril dele, e para salvá-lo, alguém deveria leva-lo com emergência para o hospital. Kurt se afastou do corpo com cuidado e se levantou furioso.
— Não se preocupe Hummel, eu tenho mais uma bala – Tina disse friamente, enquanto observava a cena.
— Onde está Puck? – Quinn perguntou com os olhos marejados.
Tina se virou e respondeu:
— Ele não está nesta fábrica, mas em breve o pai de seu filho estará morto. Oh, sim Santana, Quinn está grávida do traste novamente. Mas veja pelo lado bom, eu matarei todos vocês e não precisará olhar para a face dela novamente. A não ser que se encontrem no inferno!
Santana olhou decepcionada para Quinn, mas sua dor a fez urrar novamente. “Era por isso que ela vomitou mais cedo” pensou.
Kurt odiava toda aquela situação, não acreditava que ela tinha chegado a esse ponto.
— Chega! Seu problema é comigo e eu estou disposto a acabar com você – Ele levantou a manga do casaco, serrou os punhos e pulou freneticamente em cima dela.
Com uma mão, ele deu três socos rápidos no nariz dela, mas foi empurrado para o lado com uma joelhada no estômago. A arma saltou há dois metros, então tina resolveu mata-lo com as próprias mãos.
Quinn percebeu que a faca estava jogada ao seu lado, desde que tinha acertado Santana pela última vez, e lançou para Kurt, que segurou com firmeza e atravessou a barriga de Tina no momento em que ela avançou para ataca-lo. Sangue escorreu da boca e seus olhos reviraram de dor.
Neste momento, a polícia adentrou a fábrica e atrás vinha Will preocupado. Os para médicos pegaram Tina, Santana e Blaine e os levaram para ambulâncias que chegaram com a polícia.
— A fábrica está limpa – Gritou um dos policiais.
Kurt entrou na ambulância, quando percebeu que Puck não estava ali mesmo, e percebeu que Blaine lutava pela vida. O mesmo via luzes se apagarem constantemente e viu um borrão, que antes era o rosto de Kurt, e em seguida fechou completamente os olhos. Seu corpo sentiu diversos choques e o namorado começou a chorar descontrolado...
1 semana depois...
— Tina você precisa me contar onde Puck está. – Will olhava fixamente para o rosto machucado da garota.
Ela estava sentada em uma cama, vestindo uma camisola e olhando para o vácuo. A mesma havia sido internada em um hospital psiquiátrico após o ocorrido e estava sendo dopada com variados tipos de remédios.
— Vocês estão se preocupando com a pessoa errada; Rachel ainda está no jogo, e ele só acaba, quando ela estiver morta no palco.
Ela sorriu e voltou ao seu estado de paralisação anterior.
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