If You Say So
12 Alguém Como Você
Notas iniciais
O grito de Santana ecoou pelo apartamento da judia. A mesma deu um pulo da cadeira e quis ir ver o que estaria acontecendo, mas foi contida por Mercedes, que decidiu que as duas deveriam ficar só ouvindo.
No quarto, Brittany estava chocada com o berro que ouviu. Tentou acalmar a namorada, mas falhou. Santana transbordava raiva, sua vontade era de arrastar a loira pelo apartamento todo.
— Eu pedi por respostas! – A latina gritou ainda mais alto.
— Calma amor, não é nada importante. Apenas uma oferta de cartão de crédito que deve ter se misturado com o convite, sabe como são esses carteiros de Nova Iorque. – Brittany tentou enganar Santana e sorriu falsamente.
— Nossa como você consegue ser tão cínica? – Santana se aproximou da loira com um olhar furioso – Isso tem o perfume da Quinn, eu senti!
— Como você sabe que o perfume é dela? – Perguntou em tom de ciúme
Santana lançou um olhar provocativo e respondeu:
— Por que foi o perfume que ela usou na nossa primeira noite de amor.
Brittany seu coração seu coração se comprimir ao ouvir a resposta, seus olhos foram dando espaço para lágrimas começarem a escorrer pelo rosto. Ela se aproximou de Santana lentamente, levantou a mão e arremessou um tapa que fez a latina abaixar a cabeça. O estampido foi ouvido da cozinha e as meninas começaram a se preocupar.
Santana um pouco abalada levantou a cabeça e viu a mão da loira voltar perto de seu rosto, mas instintivamente a segurou e empurrou para longe.
— Nunca mais você vai ter a ousadia de me tocar. – Santana disse com calma, já se recompondo — Agora saia daqui, eu não quero mais te ver! – Ela berrou tão alto que fez a loira estremecer e sair apressadamente.
Rachel levantou-se da cadeira assim que viu Brittany passar apressada. Pensou em ir ver se estava tudo bem, mas foi até o quarto, pois se preocupava mais com Santana.
— Está tudo bem com você? – Ela perguntou, olhando para a carta rasgada no chão.
— Sim Berry, agora está. – Ela respondeu calma
A latina juntava os pedaços de papeis espalhados e, de alguma maneira, tentava uni-los para ler o que Quinn havia escrito. Rachel sentiu compaixão e se ajoelhou para ajudar a juntar aqueles pedaços de papeis que valiam tanto para a amiga. As duas trocaram olhares agradecidos e começaram a montar a carta novamente, porém foram impedidas com a entrada de Mercedes que parecia um tanto perdida.
— Brittany acabou de sair com 3 malas e uma bolsa sem avisar para onde ia – Ela falou assustada
— Ela está voltando para Rússia, vai começar a trabalhar — Santana tentou explicar sem mencionar a briga
— E por que ela não se despediu? – Mercedes indagou
— Porque quanto mais ela ficasse aqui, mais sua vida atrasaria.
Ela respondeu com um tom de voz cansado, como se não quisesse mais falar a respeito. E de fato não queria, o quanto menos Brittany fizesse parte de sua vida agora seria melhor. Rachel também notou o tom e assentiu para Mercedes sair do quarto, o que foi recebido de imediato e fez a mesma voltar para a cozinha.
— Acho que você deve ir ao casamento e mostrar o enorme erro que Quinn está cometendo.
Santana olhou para responde-la, mas a judia já se encontrava na porta. No entanto, ela deixou uma pedaço da carta que dizia “Bom, eu vou casar para te esquecer.”
— Te vejo lá – Rachel disse e saiu, deixando Santana com aquele pedaço de papel que continha a frase que, tanto demonstrava um amor reprimido, quanto uma solução para enfim acabar com todo aquele drama.
Para Kurt, o sol em Ohio parecia muito mais brilhante naquele dia, tudo porque seria seu primeiro dia como professor na sala do coral. Ele decidiu aceitar a proposta de Emma em substitui-lo e foi ao mesmo dia fala com Sue, que mesmo com relutância, aceitou o garoto com professor.
Assim com Finn, ele não precisou de um diploma para orientar os garotos novatos, mas mesmo assim Sue achou que o “porcelana” seria a chave para destruir a chances do clube de ganhar as nacionais, e finalmente acabar.
Mas não era só isso que fazia o sol brilhar mais naquele dia para o garoto. O fato de ficar todo tempo ao lado de Blaine seria um alivio. Apesar de os dois não terem sido mais incomodados pelo agressor, Kurt ainda não se sentia seguro. No entanto, teria pouco tempo ali, pois o prazo de NYADA estava acabando e precisava voltar a realizar suas tarefas na faculdade.
Ao abrir seu guarda roupa, ele escolheu seu terno para o casamento de Quinn, que aconteceria mais tarde, ainda naquele dia. Foi espalhando roupas até achar uma camisa lilás e um lenço que combinasse. Deu um beijo em Burt e Carole. Estava confiante e feliz por estar tudo dando certo.
No entanto, o telefone tocou antes dele abrir a porta, seu coração ficou acelerado e resolveu atender:
“Sr Kurt Hummel você tem até 48 horas para voltar para NYADA! Caso não esteja aqui, sua matricula será trancada e você não fará mais parte do corpo de alunos.”
A voz robótica apagou o sorriso de outrora do garoto, depois de tudo que passou, ainda perderia sua vaga na faculdade.
Ele decidiu não pensar nisso e saiu.
O sinal tocou assim que seu pé direito cruzou a entrada, lembrou da época que ele e Rachel andavam por aqueles corredores e conversavam sobre o futuro na Broadway e NYADA. Sentia muita falta disso, estava com saudades de Rachel, mas sabia que seu foco sempre seria Blaine e o mesmo precisava mais no momento.
Ele suspirou. Já estava na porta da sala do coral e pode ver cada rosto apreensivo. Sentiu vontade de vomitar, mas com o último suspiro, ele adentrou aquela sala e foi seguido por olhares de cada aluno.
— Bom dia, meu nome é Kurt Hummel e creio que todos aqui já me conhecem – Ele evitava engolir as palavras diante de todo o nervosismo – Vou substituir o senhor Schuester por algumas semanas.
Os alunos continuavam a olha-lo, sem dizer nenhuma palavra. Tina o encarava de forma agressiva, parecendo querer pular daquela cadeira e arrancar os olhos de Kurt com as unhas.
— Bom, a primeira tarefa da semana é....
Ele se direcionou até o piano para pegar uma caneta e escrever na lousa, mas ao retirar uma do pacote, acabou deixando a mesma cair. Se nervosismo impedia que ele fizesse algo certo e o silêncio dos alunos era sufocante.
Kurt olhou para todos que o encaravam perplexos, mas Blaine fez um sinal para o mesmo prosseguir e deixou a situação mais confortante. Ele se abaixou até o chão e pegou a caneta, foi até o quadro e começou a escrever. As palavras iam se formando até ao final da escrita, o quadro mostrava: “Sentimentos através de música”
Tina soltou um riso debochado e fez Kurt ficar irritado, porém o mesmo começou um discurso:
— Todos aqui estão abalados pela saída do Sr Schue, e essa tarefa é para cada um de vocês cantar aquela música que faça lembrar dos momentos bons aqui nesta sala.
Todos ficaram radiantes com o que o novo professor havia dito e Blaine sorriu diante da posição dele ao começar a falar.
— Você quer que todos cantemos músicas alegres e emocionantes para alguém que nem se importa conosco? Ainda mais semanas antes das Nacionais? Devemos estar nos preparando para ganhar! – Tina deu um berro de insatisfação e todos a olharam perplexos.
Kurt estava ficando tão irritado, que suas orelhas já estavam ficando em tom avermelhado. Ele tolerava Tina fazia um tempo longo, e mesmo depois de descobrir que ela beijou seu namorado, que sofria de amnésia, não fez nada, porém sua paciência estava se esgotando.
— O que você sugere? Você nunca se satisfaz com nada, a não ser quando está beijando meu namorado, não é mesmo! — Ele tapou as boca com as mãos incrédulo, mesmo querendo falar, não queria revelar na frente de todos.
Tina recebeu olhares mau encarados e não soube o que falar. Kitty deu a ideia de expulsá-la do clube e todos, menos Blaine, aceitaram.
“Não, precisamos dela para as Nacionais” ele disse e fez Kurt se chatear, por ele ter escolhido Tina.
O mesmo se posicionou a frente e começou a falar, calando todo os outros.
— Não expulsem Tina, vocês notoriamente precisam dela – Ao falar isso ele olhou irritado para o namorado – Espero que ganhem, mas eu estarei voltando para NYADA para continuar minhas aulas. Até breve.
Ele saiu de cabeça baixa, mas teve seu braço segurado pelo namorado.
— Não vá, eu realmente preciso de você – suplicou
— Você fez sua escolha diante de tudo, te espero em Nova Iorque, se ainda quiser.
Dito isso, ele se desprendeu o braço e saiu pelos corredores sem olhar para trás, tinha muita coisa a fazer. Blaine olhou com seus olhos marejados para Tina que mostrava um sorriso vitorioso.
Mais tarde naquele dia, Kurt já havia feito as malas e se despedido dos pais. Ainda sentia-se receoso de deixar Blaine, mas pediu para Puck e Sam ficarem de olho em tudo. Estava prestes a entrar no trem, quando seu celular vibrou intensamente. Era uma mensagem de um número desconhecido e na mesma continham palavras que assustaram Kurt:
“NYADA ou Blaine
Eis a questão?
Fique tranquilo, pois quando chegar lá, eu lhe entrego os pedaços de Blaine como forma de lembrança”
Seu coração palpitava intensamente, queria vomitar, desmaiar. Sentou no banco na plataforma e viu seu trem partir, junto com sua estadia em NYADA. Ligou para seu pai desesperado, pedindo para o mesmo o buscar de volta.
A Lua deu o ar da graça naquela noite gélida em Ohio, seu brilho era mais intenso que de todas as noites do ano. A mãe de Quinn afirmou isso mais de uma vez naquele espaço curto de tempo, volta e meia ela chegava ao lado de Rachel e confessava seu fascínio pelo brilho intenso e também dizia que isso só acontecia quando uma noiva realmente ficava linda em seu vestido. A tia da loira discordava, ela afirmava que o brilho da lua era devido a inveja do vestido, e por isso a noiva não seria destaque.
Blaine sentou-se ao lado de Rachel e deu um abraço apertado na mesma, sorriu ao ver as mulheres debatendo o assunto e iniciou um diálogo com a amiga:
— Rach você conversou com o Kurt? – Ele perguntou preocupado. – Será que ele já chegou em Nova Iorque?
Ela mostrou um semblante de desentendimento.
— Do que você está falando Blaine?
— Do Kurt, ele ficou chateado após eu defender Tina e disse que voltaria para Nova Iorque – Respondeu apreensivo. – Você não falou com ele? – Pediu
— Não, ele não me disse que estava voltando, e Burt disse- me ao telefone que Kurt não viria ao casamento por estar sentindo mal estar. Mas agora você me deixou preocupada!
Os dois se olharam duvidosos e desconfiaram que algo estava muito errado, então combinaram de ir até a casa de Burt e Carole, por mais que fosse difícil para Rachel, e descobrir tudo que estava acontecendo.
O pensamento de Blaine foi interrompido por Santana que chegou e já estava sentando-se ao lado dele, ele ouviu alguns resmungos de como tudo estava horrível e como Quinn estava arruinando sua vida, mas preferiu ignorar e voltar a pensar em Kurt.
Aos fundos da Igreja Quinn estava retocando a maquiagem quando Puck entrou rapidamente. A loira deu um salto e se virou.
— Puck! Não pode entrar e me ver, dá azar! – Repreendeu ele, mas o mesmo deu de ombros.
— Quinn, nós precisamos conversar... – ele a fitou apreensivo.
— Ok... – Ela sentou em uma cadeira próxima e o encarou.
— Eu preciso ser sincero com você, pelo menos desta vez. – Ele suspirou e continuou a falar – Você me perguntou do porquê não ter falado no memorial e eu apenas disse que estava satisfeito com a homenagem, porém foi mentira. Eu não quis falar, pois não estaria sendo sincero. O fato é que eu sempre amei Finn, não como irmão, mas como ele amou Rachel. Eu o amei e o perdi sem nem poder dar um beijo que tanto sonhei, e agora todos os dias eu penso que nada vale a pena
Quinn arregalou os olhos assustada e se beliscou para saber se não estava sonhando. Ficou incrédula com tudo que ouviu e levantou da cadeira instintivamente.
— E porque estamos prestes a casar? – Perguntou
— Por que é um jeito de acabar com a minha dor – Respondeu – Me desculpe, eu sei que não é justo, mas você também não está sendo sincera e nosso casamento estará aliviando os dois lados.
— Puck, você e eu tivemos uma filha, você sempre teve orgulho em dizer que era Hetero, importunou Kurt por anos por ele ser gay e agora me conta que amou Finn? Isso não faz sentido! – Ela falou com um tom de revolta na voz
— Eu te engravidei para separar você do Finn. De algum modo eu sabia que ele te culparia, mas isso só piorou tudo. Eu quase o perdi!
Ela o encarou enojada. Queria soca-lo com toda a força que possuía.
— Você é gay! Eu sou lésbica, Meu Deus alguém me acorda deste pesadelo! – Ela gritou desesperada – Ele soube disso? – Indagou
Puck desviou o olhar e respondeu:
— Sim... Eu contei a verdade após Beth nascer. Mas ele disse que amava Rachel e que realmente nunca ficaria com um cara, mas que me respeitava e torcia para eu achar alguém que correspondesse. No entanto, depois disso que ficava com garotas para esquecê-lo.
— E agora vai casar! Não vou deixar isso acontecer, antes eu achava que casar me faria esquecer Santana, mas vou estar cometendo o mesmo erro que você. – Ela foi sincera – Vamos ser completamente infelizes.
— Não! – Ele gritou desesperado – O casamento é uma forma de estancar essa dor, por favor não desista! – ele jogou- se aos pés dela e começou a chorar
Ela o olhou com pena e pediu para ele se levantar. Assim que o fez, deu um abraço apertado e disse:
— Tudo bem. Vá para o altar, que eu entro em dois minutos.
O mesmo assentiu com a cabeça e saiu sem ser visto. Ela virou-se para o espelho e encarou seu reflexo tristonho.
— Santana nunca te quis. Agora é a hora de esquecê-la – Uma lágrima caiu de seu rosto e ela saiu do recinto.
A marcha nupcial começou a tocar e Puck se ajeitou no altar. Os Primeiros passos da noiva foram ouvidos e todos se viraram para a entrada da igreja.
Quinn tentava manter um sorriso falso no rosto, enquanto encarava cada um que estava sentado, Olhou algumas vezes para Puck que fazia o mesmo. Seu coração ficou acelerado ao ver Santana encarando-a de forma agressiva e ela sorriu instintivamente.
Chegando no altar, seu único desejo era de agarrar aquela mulher e fugir, mas ao olhar para o futuro marido, o sentimento de pena invadiu sua alma e focou-se no casamento novamente.
— Bem vindos, hoje estamos aqui para celebrar a união deste belo casal... – O padre começou seu discurso E tomou a atenção de todos.
Passados trinta minutos de palavras do padre, Santana já se sentia incomodada com tudo aquilo e ao ouvir a famosa frase “Se alguém tem algo contra esta cerimônia, fale agora ou cale-se para sempre” sentiu vontade de levantar e gritar pra todo mundo que amava aquela mulher, e de fato, ela levantou, mas para ir embora.
Quinn estava suplicando para alguém interferir e quando viu Santana levantar ficou esperançosa da latina fazer algo, mas ao invés disso ela começou a se direcionar para a saída. O padre viu a atitude da moça e tratou a finalizar a cerimônia. No entanto foi impedido por um berro de Quinn.
— Santana pare ai! – Ela desceu do altar e gritou o mais alto possível
A latina parou, mas não se virou. Todos as encaravam perplexos e Rachel sentiu que algo de ruim ia acontecer.
— Q volta aqui – Puck pediu aflito.
— Não Puck, não posso casar com você, não quero ser infeliz e também não quero te fazer ainda mais infeliz. Eu tenho algo contra esse casamento, pois não o amo. Eu amo Santana Lopez!
Todos gritaram incrédulos e depois um silêncio sufocante tomou conta do lugar, esperando pelo que ia acontecer.
Santana finalmente se virou e estava com os olhos marejados. Quinn finalmente se libertou, e apesar de alguns maus olhares, ela só se importava com o de sua mãe, que sorriu ao primeiro momento. Um sorriso desconfortável, mas um sorriso.
Puck saiu correndo e passou por Santana que desviou e foi correndo para receber um abraço da amada, seguido de um beijo apaixonado. Um beijo que transmitia todo sentimento bom, que antes era reprimido.
Ao se olharem as duas sussurram ao mesmo tempo “Eu Te Amo” e sorriram. Aquele sorriso gostoso de finalmente ver que tudo começaria a dar certo.
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