If You Never Try Youll Never Know
11 Capítulo 11
''- Por que não ? Você está bem, aconteceu alguma coisa?''
— Não se preocupe, eu estou ótimo... Acontece que de alguma forma descobriram que eu iria ir no Lodon Eye e uma aglomeração enorme de fãs se formou lá... Eu adoraria ir mais acontece que não é seguro...
— Poxa ...
— Infelizmente não é tão fácil assim para mim sair na rua como era a um ano atrás ...
— Bom, tudo bem ... se não tem jeito mesmo.
— Mais olha ainda podemos nos encontrar, em outro lugar se você quiser... Seilá você pode vir até minha casa ou eu vou na sua.
— Bom, depois conversamos ... Eu estou prestes a atravessar a rua e preciso prestar atenção.
Nos despedimos e então eu desliguei. Confesso que fiquei um pouco triste por não conseguir encontra-lo no London Eye, mas era a vida dele e eu não podia fazer nada para mudar aquela situação. Como eu já estava bem perto do London Eye resolvi ficar por lá mesmo e aproveitar, já que eu nunca havia ido até lá – Sim eu moro em Londres a um ano e nunca havia encontrado tempo para conhecer todos os pontos turísticos .
Andei um pouco no lugar e comprei sorvete com um vendedor ambulante. Avistei de longe alguns rapazes jogando futebol e revolvi ir até lá.
Uma curiosidade sobre mim, eu sou apaixonada por futebol . Isso soa estranho as vezes mais eu cresci vendo jogos de futebol todo domingo com o meu pai. Quando eu era bem pequena ele criou o habito de toda quarta-feira ou domingo que houvesse jogo do Corinthians (nosso time do coração) nós assistíamos juntos, e eu não sei mais acabei pegando gosto. Me lembro como se fosse ontem a primeira vez que eu havia me levado ao estádio, foi em 1999 eu tinha apenas 8 anos, o jogo era Corinthians x São Paulo, se eu não me engano era a Semi final do Brasileiro, foi um jogo incrível, a torcida era contagiante e me lembro muito bem da festa que foi depois do final do jogo. O Corinthians tinha ganhado de 3x2 e meu pai e eu voltamos para casa completamente satisfeitos. Desde então os domingos se tornaram sagrados para meu pai e eu, era um dia só nosso de pai e filha.
Enfim o simples fato de ver um jogo de futebol me fazia lembrar dele, me fazia sentir que ele estava ali do meu lado xingando os jogadores de burro por fazer alguma jogada errada ou algo do tipo.
Me sentei na grama a uns 8 metros de onde o jogo estava acontecendo e durante acho que uns 15 minutos fiquei prestando atenção na partida. O jogo não estava lá essas coisas, parecia que os jogadores estavam lá pela primeira vez e por alguns instantes eu tive vontade de gritar algum palavrão e pedir para eles jogarem como homem . Mas civilizada como sou fiquei quieta e voltei toda minha atenção para meu celular. Como o encontro com Harry não rolaria de qualquer forma mandei um sms para Jennifer perguntando-a se poderíamos ir para o cinema naquela mesma tarde. Depois de mandar o sms me levantei e me virei de costas para o jogo, dei uma olhada a minha volta e lambi o sorvete que ainda estava em minhas mãos. De longe ouvi alguém gritar, mas, antes de dar o próximo passo, perdi o equilíbrio.
Foi tudo tão rápido que só consegui ver um dos jogadores correndo em minha direção. Não deu para fugir da bolada. O rapaz tentou me segurar a tempo de não me deixar cair, mais foi inútil. Cai com tudo no chão em cima do sorvete que estava em minhas mãos.
O rapaz de aproximou com os olhos arregalados pelo choque.
— Você está bem ? – Disse, ofegante.
Sentia fortes pontadas na minha cabeça e minha blusa estava completamente suja de sorvete. Por que eu não estaria bem ? .
— Estou bem ! – Disse tentando levantar.
— Espera eu te ajudo.
Antes que eu pudesse negar a oferta de ajuda o rapaz me levantou e disse:
— Me perdoe, eu não tinha a intenção de te machucar.
Aqueles caras podiam não saber jogar bola, mas chutavam com uma força ... Minha cabeça ainda doía muito.
— Vamos ali na lanchonete do meu tio, você toma um pouco de agua e limpa essa sua blusa.
Então apoiada no rapaz, fui até uma lanchonete que para minha sorte ficava do lado do central park . Me sentei na frente do balcão. O rapaz entrou na cozinha e voltou com uma bolsa de gelo.
— Tome, coloque isso na sua cabeça, acho que pode ajudar.
Peguei a bolsa de gelo e encostei da cabeça, bem baixo gemi de dor.
— Você está bem ? Não acha que precisa ir ao médico ?
— Não, eu estou bem...
— Me desculpe novamente, como eu disse não tinha intenção. Pra falar a verdade nem tinha te visto lá
— Não precisa de desculpar novamente, eu já entendi.
— Ah, meu nome é Steve
— Oi Steve ... Onde fica o banheiro ? Preciso limpar minha blusa...
Ele me indicou o banheiro e então eu fui na tentativa de tirar a sujeira da minha blusa. Foi uma pena eu ter caído em cima do sorvete, ele estava tão bom...
Depois de tirar uma boa parte da sujeira, arrumei minha coisas dentro da bolsa e voltei para o balcão.
— Acho que já vou indo, muito obrigado Steve.
— Ei espera, você não pode sair assim... Você mora muito longe daqui ?
— Hmm... Um pouco, mais eu vou de metro e rapidinho chego
— Não ! Eu te levo, quer dizer me sinto na obrigação de te levar já que eu causei tudo isso... Você não quis ir ao médico? Beleza. Mais vai que acontece alguma coisa com você durante o caminho ? Quer me fazer sentir culpa pro resto da vida é isso ?
— Ta, tudo bem – Bufei.
Quando estávamos saindo da lanchonete de longe avistei os dois caras que estavam ‘’me seguindo’’ mais cedo.
— Que droga ! – Eu disse.
— Está tudo bem ?
— Hã ? ... Esta sim, vamos logo por favor !
Entramos no carro e seguimos o percurso até a minha casa sem trocar sequer uma palavra. Algumas vezes ele tentou puxar assunto, mais percebeu que eu estava com dor de cabeça e que aquela conversa só me faria sentir mais dor.
Paramos em frente a minha casa e eu lhe agradeci por ter me levado até lá.
— Bom, então eu acho que você tem que me dar seu numero de telefone... Seilá, vai que você sinta muita dor na cabeça durante a noite e precise de alguém para te levar ao médico ... a responsabilidade é toda minha...- Disse Steve.
— Sério que você flerta desse jeito com as garotas ? Primeiro da uma bolada na cabeça dela para depois ter uma desculpa para falar com ela ? – Disse me segurando para não rir – Eu vou te dar meu numero sim, mas como amigo viu senhor Steve.
Trocamos nossos telefones e então nos despedimos.
Entrei em casa passando pela sala e notando que a tv estava ligada. Provavelmente Jennifer estaria se arrumando para sair. Fui direto para meu quarto e relutando tomei um banho para tirar o grudento do sorvete do meu corpo, coloquei um pijama bem solto e me deitei.
— Laura ? O que está fazendo aqui ? Você não estava no London Eye ?
— Sim, eu estava lá...
Ao me ver com uma bolsa de gelo a fisionomia contente de Jennifer se transformou. Com um tom de preocupação ela me questionou.
— O que houve, você esta bem ?
— Calma, esta tudo bem... Eu só levei uma bolada na cabeça, mais já estou melhor...
— Só uma bolada na cabeça ? Você que ir ao médico, quer tomar algum remédio, tem certeza de que está mesmo bem ? Já sei vou ficar em casa tomando conta de você...
— Não ! Você tem que sair poxa... Você nunca tem folga e quando consegue vai ficar em casa tomando conta da sua colega ... não pode ! Vai sair com o Scott, vão ver aquele filme que nós íamos ver, pode ir eu vou ficar bem.
— Tem certeza, se você quiser eu posso ficar.
— Vai se divertir um pouco e não volte antes da 00h00 viu !
Ela sorriu e saiu.
Eu estava cansada e com dor de cabeça então fiquei ali deitada debaixo do cobertor com uma bolsa de gelo na cabeça. Meu telefone tocou uma, duas, três vezes eu não estava afim de atender e nem de saber quem era, mas a pessoa que estava me ligando era tão insistente que não parava de ligar. Peguei o celular e resolvi desliga-lo e quando estava prestes a desligar aparece no visor ‘’ Harry ligando’’ . Fechei os olhos e respirei fundo.
— Alô ?
— Laura ? É o Harry, você está bem ?
— Não, nem um pouco...
— Olha me desculpe a culpa não foi minha, eu tenho que conviver com isso agora ... Sim, está sendo difícil mas eu não posso fazer nada. Te prometo que da próxima vez eu não vou furar com você, prometo !
— Por que todo mundo tirou o dia para me pedir desculpa ? Enfim não estou mal por sua causa, quer dizer retoricamente a culpa foi sua sim...
— Hã ? O que houve ?
- Eu estava indo para o London Eye quando você ligou avisando que não poderia ir mais me encontrar então eu resolvi parar em um central park que tinha lá perto então acabei levando uma bolada na cabeça que me fez cair em cima do meu sorvete.
— Você foi ao hospital ? Está bem ?
— Não, e sim . Eu não fui ao hospital e sim estou bem, minha cabeça dói um pouco mais eu já estou cuidando disso.
— Eu posso ir ai te ver ?
— Ta louco ? Não quis me encontrar no London Eye porque suas fãs iriam ameaçar sua segurança, imagine se viesse aqui...
— Você ainda continua morando no mesmo lugar ?
— Sim, mais isso não vem ao caso, você não pode vir aqui e eu tenho que desligar, tenho que tomar remédio ... tchau
Antes de esperar sua resposta encerrei a ligação e desta vez desliguei o celular também.
Eu não estava chateada com ele e nem nada do tipo, eu só queria descansar um pouco. Fechei os olhos e fiquei pensando sobre a vida, como o sono não apareceu resolvi ler um pouco. Tinha acabado de começar a ler ‘’Percy Jackson O ladrão de raios’’ – Sim era um livro voltado para adolescentes mais eu era fascinada por livros daquele tipo. Comecei a ler e não queria parar mais, em todo momento a história apresentava alguma coisa que me fazia querer saber o que ia acontecer depois. Passou-se meia hora e eu já tinha perdido o sono, minha cabeça já havia melhorado um pouco mais eu ainda sentia leves pontadas. Foi então que minha barriga começou a reclamar de fome, eu estava com uma preguiça tão grande que tentei ignora-la e voltar a ler. Sem sucesso coloquei o livro na cabeceira e desci as escadas, olhei a geladeira e nada, olhei os armários e nada, a única coisa que tinha eram frutas então tive a ideia de fazer uma sala de fruta. Quando estava cortando as maças para colocar na tigela a campainha toca. Deduzi que Jennifer tinha esquecido a chave de casa e para a sorte dela eu estava acordada.
— Já vai ! – Gritei.
Quando abri a porta surpreendentemente vejo Harry com um sobretudo preto e um segurança grandalhão atrás dele. Minha cara de espanto ficou evidente . Eu não sabia o que dizer nem o que fazer.
— O que você faz aqui ? — Perguntei
— Vai me deixar entrar ou quer que alguém me veja aqui ?
Abri a porta e ele e o grandalhão entraram .
— Ah não se preocupe este é Paul, ele teve que vir comigo se não eu não poderia vir...
— Ah, oi Paul... O que você faz aqui ? Eu te disse para não vir...
— Eu precisava saber como você estava...
— Puxa, se alguma fã te ver aqui as coisas poderiam ficar feia para você – Disse tentando ser sarcástica – E eu estou ótima, agora você já pode ir embora !
— Porque tanta pressa ? Eu já estou aqui mesmo... Hmmm o que você está fazendo para comer ? – Disse Harry levantando o pé para tentar ver o que estava em cima do balcão.
Revirei os olhos e bufei. Não é que eu não estava gostando do fato dele ter ido me ver mas eu não estava afim de receber ninguém.
— Bom eu estou fazendo salada de fruta... Você tá afim ?
— sim, e acho que Paul também quer ... hahahaha
Terminei de fazer a salada de fruta e nos sentamos no sofá, Harry me contou sobre algumas curiosidades que tinha aprendido sobre o Brasil e sobre como sua vida estava diferente. Me disse que desde quando nos conhecemos ele viajou para vários países, conheceu varias culturas, varias mulheres além disso ele também não parou quieto, fez varias turnês, gravou o primeiro cd da banda que estourou no mundo todo – E onde eu estava quando isso aconteceu ? As vezes consigo ser tão tapada ... – Muitas fãs passaram a aparecer e sua vida ficou muito complicada, uma simples amiga que era convidada para ir a alguma festa com ele virava motivo de rumor. Era complicado, ele ainda estava tentando lidar da melhor forma possível com tudo isso mais apesar de tudo isso ele adora o carinho que recebe das fãs.
Lhe contei sobre minha ’’mudança’’ de profissão e ele achou aquilo tudo muito louco. Foi divertido, conversamos muitos e em pouco tempo. Logo Paul começou a nos importunar dizendo que estava ficando tarde e que Harry precisava ir embora. E se foram mais 10 minutos só para nós nos despedirmos.
Assim que Harry foi embora, voltei para meu quarto e rapidamente o sono aparecer – Para minha sorte.
— Laura, está acordada ?
Lentamente abri meus olhos e me espreguicei. Jennifer estava me olhando pela fresta da porta.
— Bom dia – Disse me espreguiçando novamente
— Está melhor ?
— Acho que sim.
— Bem, tenho duas coisas pra te falar, você quer a boa ou a ruim ?
— Hm... diz a boa.
— Bom ligaram lá da agencia e parece que fecharam um ensaio fotográfico para hoje e amanhã você vai ter dois eventos.
— Que ótimo, mas e a ruim ?
— Bom, olhe você mesma ! – Disse ela me dando o tablet que estava em sua mão.
‘’ Modelo Laura Garcia foi fotografada assistindo um jogo comum de futebol no central Park perto do London Eye. Até a principio tudo normal, quando distraída ela levou uma bolada na cabeça que a fez cair no chão em cima de seu sorvete e ficar completamente suja. Para a sorte da garota o garanhão que jogou a bola ajudou-a e depois levou-a para casa... Será que dá romance ?’’
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