If You Love Me...
1 Let Me Know!
Notas iniciais
Quarta-feira! Para muitos um dia comum, mas para Lizzie um dos mais detestáveis da semana. O dia que ela teria aula de História. Embora até gostasse de estudar a matéria anos atrás, ultimamente havia se tornado o terror. A professora, Sra. Roberts, havia encontrado nela uma vítima para as suas explosões. Costumava fazer isso sempre que encontrava uma turma nova. E como Lizzie era a sua aluna há dois anos, era sempre a premiada da sala. Suas notas, se muito tentava, não passava de 7, a menor ficando em torno de 3. Ela estava praticamente reprovada e não sabia como fazer para fugir daquilo.
― Elizabeth Bennet! ― a voz irritante preencheu a sala fazendo Lizzie pular da sua cadeira, onde se concentrava em ler o capítulo que estava sendo estudado naquela aula.
― Sim, Sra. Roberts. ― respondeu já sabendo que boa coisa não iria sair dali.
― Se aproxime.
O coração de Lizzie parou, ela estava entregando as notas! Mais uma! Respirando fundo, Lizzie olhou para Will, seu melhor amigo, e se levantou. Era preciso coragem, afinal não havia outra coisa que a fizesse enfrentar o tormento que estava sendo aqueles últimos anos escolares. Assim que chegou em frente à docente, o olhar gélido da senhora que mal passava dos seus 30 anos foi o que bastou para seu sangue gelar.
― Como se eu precisasse dizer... você precisa estudar mais ou reprovará. ― apontou a mulher, jogando o boletim com as notas sobre a mesa e voltando à sua caderneta de anotações. Lizzie olhou perplexa para seus movimentos, mas, querendo evitar bater de frente com a mulher, pegou o papel de qualquer jeito e voltou-se para se sentar novamente ao lado do seu melhor amigo, largando-se sobre a cadeira e suspirando para prolongar ao máximo o tempo antes de precisar olhar para as notas que estavam ali.
― É assim tão mal? ― perguntou Will estranhando o comportamento da melhor amiga.
― Não sei, não olhei. ― respondeu sem olhar para ele. ― Mas já sei que deve chegar perto, essa mulher me detesta. ― suspirou Lizzie.
― Não entendo o motivo.
― Não entende? Sério mesmo? ― perguntou perplexa, voltando-se para o melhor amigo. ― Todo mundo sabe que a mulher é doida por você. Ela provavelmente pensa que temos algo, por isso fica pegando no meu pé! ― finalizou revirando os olhos.
― Sem chance! ― William respondeu dando de ombros.
― Pois pode acreditar que esse é o caso, Will.
Como ele deu de ombros, Elizabeth deixou o assunto morrer, mas como não poderia evitar mais, decidiu que estava na hora de verificar quais notas havia recebido até então.
― Droga, é pior do que eu pensei! ― suspirou Lizzie desanimada. ― E o seu, Will?
William já havia recebido o seu boletim e tinha evitado mostrar a Lizzie.
― Como?
― O seu boletim... me mostre.
― Não tem nada demais nele... ― Will tentou evitar mostrar, mas Lizzie não desistiu, encarando-o séria até que ele lhe entregou o boletim para que ela visse. Assim que viu ela admirou-se, embora já esperasse notas altas. A Sra. Roberts não escondia sua preferência, mas notas perfeitas eram demais.
― Agora que todos estão com seus boletins, gostaria de dar os parabéns a Fitzwilliam Darcy, pelas notas perfeitas. Foi o único aluno que conseguiu esse feito, embora eu ainda tenha outras cinco turmas. ― O sorriso que a mulher deu para Darcy era óbvio demais, o que fez Lizzie ranger os dentes de raiva da forma como a mulher olhava para o seu melhor amigo. ― E para os alunos que não conseguiram ficar na média ― continuou a mulher olhando para Lizzie, o que a fez suspeitar que era a única aluna naquela situação ―, passarei um trabalho que deverá ser deixado no meu escaninho até amanhã, às 8h. Tenha uma boa tarde!
Diante de mais aquele fato, Lizzie precisou fechar os olhos para conter a raiva que estava sentindo. Primeiro aquela mulher desejava Darcy, agora vinha colocando ela em uma posição que poderia prejudicar sua ida à universidade. O que ela estava pensando?
Ok, desejar Darcy não era algo realmente difícil. Embora fossem melhores amigos desde que tinham 8 anos, Lizzie sempre gostara dele. No começo, quando se conheceram, era um sentimento puro, mas ela não conseguia ficar longe dele um minuto sequer. Nessa altura eles eram vizinhos de bairro e frequentavam o mesmo playground comunitário. Embora a família Darcy já fosse conhecida entre as famílias mais ricas do país, a Sra. Darcy queria que seu filho tivesse uma criação mais familiar, envolvido com outras crianças. A medida que cresciam, o sentimento de Lizzie começou a mudar. De um sentimento puro, ela se viu desejando Darcy cada vez mais para si. Ele, por outro lado, só a via como amiga e parecia até que fazia questão de dizer essa palavra de cinco em cinco minutos. Lizzie tinha ódio dela! Tentando esquecer seu melhor amigo, ela tentou arrumar alguns namorados, mas nunca ia muito longe na relação. E Darcy parecia fazer a mesma coisa. Sendo o cara mais popular da escola, seja por seu dinheiro, inteligência ou beleza, ele sempre tinha uma namorada nova para apresentar. Mas Lizzie sempre encontrava algum defeito e ele terminava com elas, voltando novamente para a sua melhor amiga. Lizzie não poderia gostar mais. Mas atualmente, diante dos últimos acontecimentos, estando eles no último ano, era bem provável que não conseguissem ir para a mesma faculdade, como haviam prometido quando eram crianças. Ela não poderia deixar que algo assim acontecesse, seria uma tragédia!
― Você precisa de ajuda com esse trabalho? ― sussurrou Will perto do seu ouvido, deixando-a arrepiada. Ela precisou respirar fundo para lhe responder.
― Você iria perder o resto do seu dia e da sua noite.
― Não me importo, Lizzie. Faço qualquer coisa por você... ― respondeu olhando-a nos olhos. Quando Lizzie se pegou deliciando-se com aquelas palavras, ele completou sorrindo: ― Afinal somos melhores amigos, não?
― Sim, claro, melhores amigos. ― Lizzie respondeu despertando para arrumar seus pertences. ― Então certo, aceito sua ajuda.
― Perfeito! Agora precisará ser lá em casa, meus pais estão viajando e precisarei ficar de olho na Gê. Tem algum problema se você dormir lá?
― Claro, sem problema.
E realmente não tinha. Os pais de ambos há muito tempo haviam se tornado amigos por causa dos filhos e a casa de Will era tão grande que Lizzie era sempre bem vinda.
Como Will havia se mudado há alguns anos atrás, não morando mais perto de Lizzie, foi preciso que o motorista dele a levasse até em casa e que Will esperasse até que ela pedisse permissão aos pais e arrumasse uma mochila com suas roupas e uniforme do dia seguinte. Ela também aproveitou para tomar um banho e eles comeram algum lanche antes de sair. Na volta, Will e Lizzie pegaram Georgiana, sua irmã de 10 anos, na escola e foram para casa. Como Georgie já era bastante crescida e totalmente independente, Will pôde dar atenção a Lizzie com o seu trabalho e foram para o quarto dele onde teriam todo o silêncio necessário para fazer o que precisavam. Primeiro passaram algumas horas assistindo ao filme O Patriota e depois se concentraram em fazer a análise pedida pela professora, análise essa que levou quase a noite inteira. Já passava das 22 horas quando eles haviam terminado.
― Isso foi horrível! ― suspirou Lizzie, cansada.
― Sim, mas seu trabalho está perfeito. Ela não poderá encontrar defeitos aqui. E, caso ela encontre, no seu lugar eu pediria para outro professor revisar a correção de todos os seus trabalhos, Lizzie. É um direito que todo aluno tem, ela anda sendo injusta.
― Injusta, hein? Imagino o que ela pensaria se te ouvisse falando isso...
― Em que me importa isso? ― Will deu de ombros, colocando o trabalho de Lizzie para imprimir. ― Aquela mulher não me atrai em nada.
― E quem atrai? Caroline, Katy, Mary, Bianca, Luna... esqueci de mais alguma? ― ela respondeu, arqueando uma sobrancelha para seu melhor amigo.
― Você esqueceu da Rachel, Judie, Jennifer... ― o amigo entrou no jogo, sacudindo as sobrancelhas. Lizzie, um pouco irritada, mas fingindo estar brincando, lançou uma bola de papel na direção dele, mas Will pegou no ar.
― Você é um idiota, Fitzwilliam! ― disse Lizzie, já se levantando para pegar o seu trabalho e ir dormir.
― Ei, você sabe que não pode me chamar de idiota... e nem de Fitzwilliam! ― falou o amigo lhe apontando um dedo na direção dela. Ela sabia daquilo, havia sido um trato antigo dos dois. Will odiava que o chamassem de Fitzwilliam.
― Problema seu, Fitzwilliam! Se entenda com a sua mãe. ― replicou Lizzie pegando seu trabalho e lhe mostrando a língua, aproveitando para correr em direção à porta. Mas William foi mais rápido e lhe alcançou antes de chegar à porta, segurando o seu punho e fazendo com que o trabalho dela voasse longe. ― Will! ― gritou Lizzie, assustada com o movimento. ― O que você está fazendo?
― O que está fazendo você! Pensou mesmo que iria sair daqui depois de me chamar de idiota uma vez e de Fitzwilliam duas vezes? Agora você vai pagar! ― respondeu William, puxando-a e jogando-a sobre a cama dele que até então era utilizada para fazer o trabalho. A cama estava repleta de papéis com anotações, que foram logo amassados pelo corpo delgado de Lizzie.
― O que você vai fazer, Will? ― perguntou Lizzie quase sem voz devido o movimento, mas não mais assustada pois sabia muito bem o que o amigo pretendia.
― Irei utilizar a arma mais macabra de todas para me vingar. Você, Elizabeth Bennet, só sairá daqui depois que pedir perdão e prometer nunca fazer novamente!
― Nunca! ― gritou Lizzie, rindo da cara do amigo e lhe mostrando a língua mais uma vez. Esse gesto foi o suficiente para Will prender as mãos de Lizzie sobre a cabeça dela com uma mão e utilizar a outra para desferir cócegas nos pontos que ele sabia que a amiga não aguentava. Lizzie, que tinha a pele sensível para cócegas, não aguentou e começou a rir, contorcendo-se embaixo do amigo e pedindo para que ele parasse, até que um movimento impensado dela fez Will parar de repente. Sua perna esquerda, que antes estava estrategicamente colocada de lado, infiltrou-se entre as pernas de Will e se encostou em partes que seria melhor para os dois amigos que tivessem evitado. Will prendeu a respiração, ainda sem soltar Lizzie. ― O que foi, desistiu? ― perguntou, rindo do amigo. Mas William não respondeu, seus olhos fechados e seu maxilar trincado. ― Will?
E foi então que Lizzie viu... Os olhos do amigo se abriram de repente, encarando-a de uma forma que ela nunca havia visto antes. Do olhar brincalhão de sempre, Will estava sério, seus olhos negros fixados nos dela. Seu corpo arrepiou-se quando ela reconheceu o teor daquele olhar, muito comum em seu ex-namorado George, e ela mordeu o lábio diante da excitação que era Will estar olhando assim para ela! Assim que os dentes alcançaram o lábio, os olhos de William desviaram dos dela e se moveram para os lábios, seu rosto se aproximando e alcançando o lábio que ela mordia e prendendo-o entre seus dentes. Sentindo a leve pressão que os dentes dele fazia no lábio dela, Lizzie suspirou, levantando o rosto para que ele entendesse o convite. E ele entendeu, os lábios dele encostando totalmente nos dela em um primeiro selinho, até que ele se afastou e começou a depositar vários outros selinhos pelo maxilar dela.
― Isso é bom... ― sussurrou ele entre um selinho e outro.
― Sim, é muito bom. ― replicou ela, tentando libertar-se da mão que prendia os pulsos dela. Ele entendeu o recado e a soltou, deixando as mãos dela livres para que fossem depositadas sobre os ombros dele. ― Me pergunto por que não fizemos isso antes.
― Eu também.
Diante daquele momento, Will deixou que o seu corpo cedesse e encostasse finalmente no de Lizzie. E quando seus lábios se encostaram novamente, ele não afastou, pedindo passagem com a sua língua até que ela permitiu que ele invadisse a boca dela. E ele o fez, usando a sua língua para conhecer melhor sua melhor amiga. O beijo, que crescia em intensidade pouco a pouco, tornou-se algo que Lizzie nunca havia experimentado antes quando Will passou a devorar sua boca com sofreguidão e uma promessa de algo mais, o desejo inflamando no corpo dele e despertando o dela para o amor sexual. Enquanto a beijava, Will utilizou sua mão livre para separar as pernas de Lizzie, se acomodando entre elas. E quando seus sexos se tocaram, mesmo com as peças de roupas separando, os corpos de ambos vibraram em êxtase.
― Isso é muito, muito bom. ― suspirou Will, movendo seu sexo sobre o da melhor amiga em movimentos inicialmente lentos, mas que pouco a pouco começavam a acelerar.
― Oh, sim... Não pare, Will. Eu posso não aguentar se você parar!
― Não, Lizzie. Eu não pararia mesmo se minha vida dependesse disso!
Enquanto continuava se movimentando contra o corpo de Lizzie, William infiltrou uma mão por baixo da blusa dela, tocando pela primeira vez a pele macia que o fazia sonhar por tanto tempo. Seus dedos deslizaram delicadamente fazendo-a suspirar, até que alcançou o sutiã. Como ela não colocou nenhuma resistência nem o parou, ele se apressou em abrir o fecho, aproveitando para deslizar a mão novamente e colocá-la sobre o mamilo esquerdo de Lizzie, que estava turgido diante da excitação que ele estava provocando nela. Ela gemeu quando os dedos dedo pressionaram o mamilo, depois fechou os olhos e mordeu o lábio, o levando a loucura.
― Você está me deixando louco, Lizzie. ― a voz desesperada deixou os lábios dele. ― Me deixe ser o seu primeiro, não aguento mais.
Essas palavras a fizeram arder em necessidade, mas ela logo parou, voltando à razão. Quando olhou novamente para os olhos ferozes do homem que a mantinha na cama, uma resolução foi feita: ela seria dele, mesmo que apenas naquele instante.
― Me faça sua, Fitzwilliam. ― sussurrou permitindo e ele gemeu, inclinando-se novamente para tomar aqueles lábios róseos nos seus, sentindo o sabor doce que pertencia a ela.
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Depois que estavam saciados do corpo um do outro, Lizzie percebeu o que tinham feito. Sexo! Eles haviam feito sexo! Ela não poderia ter sido tão fraca. E agora, como as coisas iriam ficar? Ela não poderia perder seu melhor amigo. Will estava há dez anos na sua vida, ela não poderia abrir mão da amizade dele assim. Mas depois dessa noite, seria impossível que ele quisesse continuar como amigo dela. Pior! Ela não poderia vê-lo com outra mulher sem lembrar que ele havia sido seu naquele momento. Meu Deus, o que ela iria fazer? Ela não poderia ser mais amiga dele, eles precisariam se separar!
― Antes que enlouqueça, seria bom que parasse de pensar tanto.
― Como vo-
― Eu te conheço, Lizzie, sei quando está começando a ficar paranoica. É o mínimo que um melhor amigo precisa saber.
― Melhor amigo... É isso o que nós somos, não é?
― Claro, e seremos para sempre. ― ele respondeu calmamente.
― Isso... ― ela começou, mas se afastou dele para se sentar, deixando que o lençol caísse e deixasse a mostra os seus seios. Will precisou de algum esforço para se concentrar no rosto dela. ― Eu não posso mais, Will. Eu tenho sido sua melhor amiga por anos, mas você sabe o que isso custa para mim? Antes disso acontecer não era assim tão impossível, mas era difícil. Mas como não conseguia ficar longe de você, eu acabei aceitando e se tornando a melhor amiga que você precisava. Só que eu já estava ficando cansada de procurar em outros caras o que eu queria de você... ― ela suspirou, uma lágrima descendo pelo seu rosto pálido. ― Mas agora, depois disso, se tornou impossível. Eu não vejo mais a gente sendo melhores amigos, isso é impossível para mim. Eu quero você como nunca quis homem algum e não me vejo deixando de querer por muito tempo, talvez para sempre. Não dá mais, acho que o melhor é a gente se afastar.
Quando Lizzie criou coragem para olhar para Darcy viu que ele estava sorrindo. Depois de tudo o que ela havia dito ele estava sorrindo, não chorando feito ela! Será que a amizade deles era tão frágil assim? Quando fez menção de se mover para ir se vestir, Darcy segurou seu pulso direito fazendo com que ela permanecesse na cama, não parando de sorrir em nenhum momento.
― Então você sempre me desejou? ― indagou e ela assentiu em meio às lágrimas que teimavam em cair. ― Desde quando exatamente?
― Desde sempre. ― ela sussurrou. Ele sorriu mais abertamente.
― Pelo jeito temos desejado um ao outro pelo mesmo período de tempo sem fazer qualquer movimento nessa direção.
― O q-que v-voc-cê...
― Isso mesmo. Eu amei você desde a primeira vez que a vi no playground. Eu lembro de chegar com a minha babá quando você estava no balanço. Você parecia um anjo. Eu tentei ir brincar com você, mas a minha babá não deixou porque minha mãe não estava presente e ela tinha medo que algo acontecesse comigo. Eu chorei bastante, mas aceitei por um momento, até que usei o celular que meus pais haviam me dado para emergência e liguei para a mamãe pedindo para poder ir falar com o meu anjo. Ela não entendeu muito bem, mas depois de um tempo eu consegui explicar e ela mandou a Sra. Shacklebolt me deixar brincar com a menininha do balanço. Eu fui no mesmo instante até você e me apresentei.
― Eu lembro desse momento... ― a voz de Lizzie não passava de um sussurro.
― Sim, você deveria lembrar. ― ele sorriu lançando uma piscadela para ela. ― Depois desse dia eu nunca mais me afastei de você, ninguém era mais importante. Perguntei ao meu pai uma vez, quando tinha 9 anos, o que eu poderia fazer para conquistar uma garota. Ele disse que eu deveria ir devagar, me aproximando, dando presentes... e, depois, me declarar. Eu fiz tudo isso, me aproximei pouco a pouco e me tornei um ótimo amigo. Quando eu estava prestes a me declarar, escutei quando você estava conversando com Charlotte e ela perguntou se eu era seu namorado... você disse que meninos eram nojentos e que nunca iria namorar, principalmente se fosse comigo. Depois desse dia eu decidi que queria ficar ao seu lado, mesmo como amigo. Se era apenas isso que eu poderia ter, então teria. Eu não poderia te perder, Lizzie, mesmo depois do que você havia dito para Charlotte.
― Isso não é justo, Will. Você não deveria usar o que eu disse quando tinha 9 anos para não se declarar. Naquele dia a Char tinha lido o meu diário e viu que eu gostava de você. Eu não queria que ninguém soubesse, então falei a primeira coisa que veio na minha mente. Eu não teria dito aquilo se soubesse que você estava me escutando.
― Enfim, isso não importa.
― Importa sim! Eu queria ter o seu primeiro beijo, ter sido sua primeira namorada, sua primeira amante... você sabe o que isso significa? Mas você vivia namorando! Eu tive que arrumar namorados também, já que vivia sendo trocada por essas outras que você arrumava.
Ele riu, constrangido.
― Lizzie, Lizzie... O que eu vou dizer vai ser meio constrangedor e acabará totalmente com a minha fama de mulherengo que levei tantos anos para construir, mas você foi a minha primeira. Não a primeira a beijar, mas definitivamente nunca tive uma mulher em meus braços como eu te tive. ― ele falou sem graça, suas bochechas ficando vermelhas.
― Você... você... nunca... ― ela tentou falar, as palavras fugindo da sua mente.
― Sim, eu nunca. ― disse Will, o sorriso de menino tomando sua face.
― Então quer dizer que conseguimos ser o primeiro um do outro?
― Sim. Mas ser o primeiro não importa tanto para mim, eu prefiro ser o último. ― ele falou em tamanho sussurro que se Lizzie não estivesse tão perto ela não teria escutado. Por sorte, ela havia se aproximado no decorrer da conversa e seus rostos estavam a cerca de dez centímetros de distância. ― Você aceita ser minha melhor amiga, namorada e futura esposa?
Lizzie gargalhou com a pergunta dele, seus olhos se enchendo de lágrimas novamente.
― Deixarei a última pergunta para que seja respondida no futuro, assim você terá todo o trabalho de preparar algo quando chegar o momento, mas para as duas primeiras a resposta é sim. Eu aceito ser sua namorada e melhor amiga, por tanto tempo quanto você me quiser ao seu lado.
Diante das palavras de Lizzie, Will ergueu a mão direita e tocou o rosto de sua amada, aproximando para finalmente acabar com a distância que os separavam do beijo que selaria definitivamente aquela união.
― Então, meu amor, temo que você não sairá de perto de mim por umas milhões de vidas. ― o murmúrio em meio ao beijo causou o sorriso de ambos, que não pararam de se beijar até que estavam novamente conectados para vivenciar os momentos que antes compartilharam.
No dia seguinte, os dois amigos foram pegos em flagrante pelo Sr. e Sra. Darcy, que não ficaram nem um pouco surpresos por encontrá-los daquela forma. A Sra. Darcy torcia internamente para que o filho criasse coragem e se declarasse para Lizzie, ela conhecia Will o suficiente para saber que ele amava verdadeiramente a melhor amiga. O Sr. Darcy, por outro lado, embora não fosse tão bom observador, sempre achou estranho a proximidade dos dois, sempre comentando com a esposa que não demoraria muito até que os dois se apaixonassem. Havia sido assim com ele e a esposa, por que não com o filho e a amiga? A vida tinha dessas coisas. Depois de conversarem um pouco sobre o que tinha acontecido, eles deram os parabéns ao filho e à nova namorada dele, que era considerada por eles também como uma filha.
Na escola, Lizzie e William chegaram de mãos dadas causando muitos murmúrios entre os outros alunos. Uma parte já esperava que aquilo acontecesse, já a outra lamentava porque um pedaço como aquele não se encontrava em todo lugar. Mas todos tinham que admitir: eles eram perfeitos juntos. Bem, não todos, porque a Sra. Roberts não gostou muito do que viu. A mulher, embora já estivesse acima dos trinta, costumava se envolver com homens muito mais novos, muitas vezes com alunos. Sendo William o aluno mais bonito do momento, a mulher fixou nele, mas, como Will recusou seus avanços (algo que ele não havia contado para Lizzie, uma vez que a amiga iria obrigar ele a denunciar a mulher), ela acreditou que o motivo era Lizzie, lançado toda raiva na direção dela. Will não se amedrontou, indo ele mesmo entregar o trabalho de Lizzie e falando que se Lizzie não tivesse as notas que ela merecia, ele iria até a diretoria denunciar a mulher por dar em cima de um aluno. Ela ficou com mais raiva ainda, mas avaliou melhor todos os trabalhos que Lizzie havia feito e lhe deu notas quase tão perfeitas quanto as de William.
E, sendo assim, Lizzie pôde finalmente ir para a mesma faculdade que Will. Apesar desse ser o plano original, a família de Lizzie desistiu de deixar a filha dividir apartamento com Will, apesar deles dormirem juntos desde o primeiro dia de namoro e todos saberem muito bem disso. Eles alegaram que eles precisariam de espaço no começo do relacionamento para não desgastar a relação. Isso foi apenas mais um dinheiro jogado fora... pois, apesar de Lizzie dividir apartamento com Charlotte, não dormiu um dia longe dos braços de Will, eles viviam reversando entre o apartamento de um ou de outro até que Char não aguentou mais e mandou todos os pertences dela para o apartamento dele sem ela saber com um bilhete que dizia que não aguentava os gritos dos dois durante a madrugada. Isso era apenas mais uma desculpa, Char só queria ver a felicidade da amiga, visto que os gritos eram mesmo dela e de Collins, seu atual namorado.
Apesar de tentar evitar, Lizzie acabou engravidando quando ainda faltava um ano para terminar a faculdade. E esse sim foi um momento de crise no relacionamento, uma vez que Will queria sair da faculdade para arrumar um emprego e ela não queria deixar, dizendo que se ele saísse o relacionamento deles chegaria ao fim. E ele finalmente ficou, mas passou a trabalhar meio período na empresa do pai, algo que ele só fazia nas férias. Lizzie, por outro lado, teve que adiar um pouco sua formatura, ficando em casa por um ano até que o bebê estava grande o suficiente para não precisar mais do leite materno. Quando Charles estava com seis meses Will pediu Lizzie em casamento, ajoelhando-se no playground em uma noite estrelada e lhe fazendo a pergunta que muitas mulheres almejam escutar da pessoa amada. Ela disse sim e eles tiveram que deixar o local antes que fossem presos por atentado ao pudor.
Will e Lizzie se casaram uma semana depois dela se formar e a Lua de Mel foi no Caribe, deixando o pequeno Charles com a Sra. Darcy, embora o casal tenha desejado levar o bebê com eles... ninguém poderia ir contra a matriarca da família, ela não deixava espaço.
Agora, treze anos depois daquela noite fatídica, William e Elizabeth se preparavam para esperar o terceiro herdeiro da família. Ou melhor, herdeira. Depois de dois meninos eles estavam esperando finalmente uma menina, a pequena Lily que viria para encher aquela família com ainda mais amor.
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