—O que você faria se fosse seu último dia de vida?

Essa pergunta martelou na cabeça de Cooper durante longos anos, e mesmo agora, dez anos depois ainda ainda não sabia a resposta.

Seu melhor amigo havia lhe feito de uma maneira casual e desinteressada enquanto jogavam vídeo-game e comiam besteiras. Quando questionou sobre a pergunta, ele apenas falou que havia ouvido uma música que falava sobre o assunto e ficou curioso sobre qual seria sua resposta.

—Não sei.-deu de ombros.-O que você faria?

O garoto deu de ombros também, enquanto olhava para a televisão.

—Sentaria e me lembraria de todos os melhores momentos de minha vida.

—Sozinho?-questionou.-Não contaria para ninguém?

—Não, se alguém soubesse que eu iria morrer choraria e sentiria pena. Odeio pena.

Naquela época, em seus catorze anos, Cooper apenas decidiu esquecer o assunto. Só não imagina que dois anos depois se sentiria tão culpado por tal ato.

—Me diga que ele está bem.-implorou, vendo a senhora de meia idade virar o rosto soluçando.-Entendo.-largou-a em choque.-Posso vê-lo?-a mulher assentiu contendo um soluço alto.

Correu o mais rápido que pode até o quarto do seu melhor amigo, amigo que podia morrer a qualquer momento. Abriu a porta bruscamente sentindo-se ofegando. Caminhou até a cama localizada no meio do quarto, onde um corpo pálido e magro repousava.

—Eu te odeio, seu idiota.-rosnou, puxando seus próprios cabelos pelo nervosismo.-Você é realmente um babaca.-sentiu sua respiração falhar e seus olhos marejarem. Engoliu em seco.-Aquilo, há dois anos, era uma pista certo?-segurou com força seus fios castanhos entre seus dedos.-Você já sabia.

Nos próximos minutos a única coisa que Cooper pode fazer foi chorar e assistir médicos invadirem o quarto. Seu melhor amigo havia tido uma parada cardíaca e não havia resistido.

Chorou até que seu peito doesse, que sua garganta estivesse arranhado pelos violentos soluços, que seu corpo implorasse por descanso.

—Há dez anos atrás um idiota me perguntou o que eu faria se fosse meu último dia de vida.-suspirou sentindo o vento bater contra seu rosto e bagunçar seus cabelos.-Eu iria pedir apenas mais um dia com meu melhor amigo idiota.

Deixou um buquê de flores sobre o túmulo e saiu a passos leves do cemitério. Enfim havia encontrado a resposta.

“Se hoje fosse seu último dia

Lembraria-se de velhas memórias?”

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