Notas iniciais
Olá pessoas, só queria passar pra deixar esse conto pra voces. Estava ovindo essa musica outro dia, fui ler sua tradução e a ideia apenas me veio sem querer.É também uma experiencia nova pra mim, já que nunca escrevi um personagem principal masculino, ou descrevi na terceira pessoa, mas espero ter me saido bem.Qualquer possivel erro de gramatica , ou falta de coerencia no texto, sintam-se a vontade pra comunicar.Boa leitura ^_^

─ Professor, tem que ter algo que possamos fazer! ─ Christopher se levanta, sentindo a frustração tencionar seus ombros. O homem caucasiano de meia idade à sua frente se vira devagar, baixando os óculos de lentes grossas e suspirando pesadamente. O pequeno laboratório, que quase havia se tornado seu lar nos últimos dias, parecia ainda menor diante da situação aparentemente irremediável.

─ Eu gostaria que sim meu garoto.

Apesar de todos em sua universidade dizerem o contrario, Christopher achava Eliel Bucler um homem genial, e sua excentricidade era apenas uma pequena consequência de sua mente brilhante. Um astrônomo extremamente experiente e astuto, durante toda vida foi pouco reconhecido pela comunidade cientifica por suas teorias não comprovadas. Ainda sim, o jovem calouro sempre o tivera como seu herói pessoal.

─Não podemos ficar de braços cruzados! ─ o garoto andava de um lado para o outro, o que era um feito considerável, devido ao perímetro disponível. ─ Vamos de novo para a internet, deve existir alguma rede social que ainda não tentamos...

─ Chris, ─ o professor nunca o chamava assim ─ nós tentamos.

─ Não foi o suficiente! ─ o rapaz se agarra ao encosto, os nós dos dedos embranquecidos pela força e raiva depositada no movimento ─ Não é algo insignificante que pode ser esquecido, estamos falando do destino da humanidade! Se for preciso sairei gritando pelas ruas, mas vou avisar a essas pessoas o que está para acontecer!

─ Avisamos às autoridades, contamos para as pessoas mais influentes e poderosas possíveis, e eles retribuíram com ameaças e nos chamaram de terroristas. Acha mesmo que causar o pânico em uma cidade pequena vai mudar alguma coisa? A notícia demoraria pelo menos alguns dias para se espalhar o suficiente, e mesmo assim seriamos alvos de piadas. E se os cálculos estiverem corretos...

─ Eles estão corretos. ─ Chris afirma convicto

─ Não teremos certeza até que aconteça ─ Bucler se volta para a tela do velho computador novamente, com um olhar perdido no rosto.

— Os cálculos estão corretos!— o rapaz reafirma, irritado — O senhor não se dá a credibilidade devida. Ficamos falando sobre o meteoro por meses, o observamos por semanas, e calculamos sua rota por dias! Não estamos errados, embora fosse melhor que sim.

— Infelizmente, descobrimos o problema tarde demais. — Bucler tira os óculos e limpa as lentes no jaleco antigo e manchado.

Christopher sente a garganta fechando-se em um nó, e por um momento pensa que vai desmoronar em lágrimas, como uma garotinha. Se algum cientista famoso tivesse se dado ao trabalho de estudar um pouco o astro que apareceria ao longe dos céus, e descobrisse que seu trajeto envolvia se chocar contra a Terra, alguém teria escutado?! Todos os amigos do professor ainda estavam verificando a teoria, para decidirem se tomavam posição ou não, mas Chris sabia que não ia dar tempo. Era o fim.

E a pior parte, era ver que o seu herói, o seu exemplo da vida toda, estava ali, desistindo. O professor aparentemente estava plenamente conformado, e Christopher não pôde deixar de pensar que ele estava saboreando uma espécie de vingança pessoal, vendo todos que o subestimaram e desprezaram morrendo. O que ele não parecia perceber, é que suas próprias vidas também seriam perdidas no processo.

— A humanidade não pode acabar assim. — Chris suspira, sentindo a cabeça latejar, e as mãos tremularem.

“Meu melhor amigo me deu o melhor conselho;

Ele disse: cada dia é um presente, não um direito”

— A questão é, meu caro aprendiz e amigo, a humanidade sequer merece sobreviver? — Eliel não parecia estar brincando. Ele tinha as mãos cruzadas em frente de si, e encarava o aluno com olhar inquisidor. — Depois de todas as guerras, ganancia e maldade?! Veja bem, os humanos se acham tão superiores, a ponto de não se preocupar com um alerta que outro ser humano dá sobre a própria sobrevivência desses outros humanos todos.

O rapaz ponderou. Talvez realmente não houvesse nada a se fazer. O sentimento de impotência ainda estava forte dentro de si, mas começava a aceitar que aquilo estava além de seu controle.

— E o que fazemos agora? — pergunta, se sentando em sua cadeira enferrujada novamente, tamborilando com os dedos pela mesa de escritório repleta de pesquisas em andamento que jamais seriam concluídas.

“Não deixe pedra sem virar.

Deixe seus medos pra trás,

E tente ir pelo caminho menos viajado;

O primeiro passo que você dá é o mais longo deles.”

— Vá para casa — o professor põe a mão gentilmente em seus ombros — Fale com sua família, mas não os assuste. Se despeça de quem ama, e se houver algo que deseja fazer, faça. Não terá segunda chance.

— E... — o jovem hesita. O professor já era um homem avançado em dias, e uma pessoa sozinha. Viúvo já por vinte anos, nunca foi próximo de ninguém por muito tempo, até Christopher pedir para estagiar a seu lado. — E o senhor?

— Não se preocupe comigo. — o velho ri fraco —Enquanto tiver acompanhado por um bom CD de Folk Neo-Tradicional , e uma garrafa cheia de Cerveja apimentada, ficarei bem. E tenho os dois em abundancia. Vá Christopher, não perca o precioso tempo que resta com um velho amargo.

Chris queria ter argumentos. Mas de fato, o tempo se esgotava, e ele sentia que tinha mil coisas para fazer, embora não conseguisse pensar em uma sequer.

Ele encara o professor por um momento, com a boca aberta, pronta pra dizer alguma coisa, mas nada parece ser bom o suficiente, ou confortante o bastante.

— Nos falaremos antes do dia acabar. — é o que termina saltando de seus lábios.

Bucler apenas dá um aceno leve com a cabeça, e Christopher põe-se a correr.

“Se hoje fosse seu último dia,

E amanhã fosse tarde demais,

Você poderia dizer adeus para o ontem?

Você viveria cada momento como se fosse o seu último?”

Saindo do pequeno laboratório nos fundos da velha propriedade particular do professor, Christopher achou que encontraria a cidade numa espécie de caos apocalíptico, mas para o resto do mundo era apenas como um dia comum, exceto talvez pelo calor fora de época, ou pelo corpo celeste que agora era visto a olho nu. Ele não conseguiu evitar o pensamento de quanto tempo demoraria até que o meteoro se chocasse contra a Terra. Não mais que algumas horas, com certeza.

Sua cabeça martelava todo tipo de pensamento, então a solução foi ligar a música em seu celular, e aumentar o volume em seus fones de ouvido o máximo possível. Acabou por decidir que ir pra casa era o primeiro destino, senão o único, que deveria visitar.

Em seus ouvidos, uma de suas musicas favoritas começa a tocar. Ela fala sobre lutar pelo que acredita, mesmo que seja só o direito de farrear. Então Chris se pega cantando em voz alta enquanto caminha pelo calçamento da rua, até chegar a seu minúsculo apartamento, algo que nunca faria em circunstancias normais.

Arriscando dois ou três passos de dança, destranca a porta e encara o ambiente antes de entrar. Um pequeno bem adquirido com a herança da mãe, de trinta e cinco metros quadrados, mobiliado precariamente com coisas antigas de sua família, sem muitos quadros nas paredes, sem nenhuma cor chamativa que distraia a atenção.

Chris finalmente para de cantar, e desliga o som do celular. Largando as chaves em cima do pequeno balcão da cozinha, abre a geladeira, e não encontra nada que possa satisfazer sua fome pré-fim do mundo.

─ Não acredito que levei uma vida tão medíocre esperando pela droga de futuro que não vai vir! ─ começa a gritar, sem se importar com quem possivelmente está ouvindo ─ E eu nem sequer tenho uma porcaria de casa decente! E tudo isso pra quê?!

Quase gritou “Pra o mundo acabar!”, mas se refreou no último segundo. Chutando a porta da geladeira pra descarregar um pouco da pressão, se encaminha para o outro lado do apartamento, onde ficam sua cama e suas roupas. Pegou alguns trocados que tinha guardado para casos de emergência, e buscou todos seus cartões de banco e de crédito. Teria uma última refeição de rei.

Jogando algumas coisas na mochila que sempre carregava, parou por um instante e deu uma última olhada no lugar. Não era tão ruim assim, sempre se sentiu confortável em sua cama, e sempre teve bons vizinhos que o cumprimentavam quando se cruzavam pelo corredor. Na mesinha junto à cama, viu um retrato seu com a mãe. Tinha apenas alguns meses na fotografia, e sua mãe estava no auge da beleza e juventude.

“Deixaria velhas fotos no passado?”

Tomou o retrato nas mãos e o tirou da moldura. Os efeitos do tempo se faziam visíveis no papel, mas ele sempre tivera afeição por aquela em especial. Quando via o sorriso da mãe lhe dirigindo o olhar enquanto era bebê, se lembrava de como ela era gentil, e como ele se sentia amado. Gostava também de imaginar quais traços tinha herdado dela. Sempre achou seus olhos parecidos, mas as semelhanças pareciam acabar por ali. Resolveu que iria carregar a foto consigo até o fim do dia.

Voltando ás ruas, Christopher se dirige até o melhor restaurante da cidade. Não era o melhor, segundo grande revistas, nem o mais caro, mas era o lugar que servia todos os pratos favoritos dele, e serviria mais que bem à suas necessidades.

Sentando em sua mesa de costume, uma moça jovem e sorridente, de cabelos loiros bem puxados acima da cabeça, usando o ridículo uniforme do estabelecimento, lhe pergunta o que vai querer, então ele pede tudo que gosta, e também resolve experimentar alguns sabores novos. A garçonete parece ficar intrigada, mas o atende com cordialidade e logo Chris está saboreando sua gigante refeição.

Depois de uma hora passada, enquanto a moça sorridente está limpando tudo, Ele pega o celular, e corre os dedos pelos contatos. Parando por um momento em especial, resolve continuar a procurar, e liga para sua tia Dora.

─ Querido, que bom ter noticias suas! ─ Dora exclama assim que atende.

─ Oi tia, como vão as coisas? ─ ele pergunta, sem saber muito bem como conduzir a conversa.

Dora fala sem parar durante vários minutos, tentando o colocar a par de tudo que ele havia perdido nos últimos meses. Christopher tenta ouvir pacientemente, e quando questionado sobre como estava, limita-se a dizer que está tudo bem.

─ Tem alguma noticia do Richard? ─ toma coragem e pergunta por fim.

─ Sim, ele está fazendo um cruzeiro maravilhoso pelo Mar Mediterrâneo com a Crystal!─ ela responde animada, até perceber o tom desconfortável que o rapaz usou ─ Ah querido, devia ligar pra ele. Ele sempre pergunta por você, diz que você não atende suas ligações...

─ Ando bem ocupado, muito ocupado ultimamente Dora ─ responde, impaciente com o falatório interminável da tia. Ao perceber o quão rude soou, resolve se desculpar ─ Sinto muito sumir desse jeito. Preciso ir agora, mas, por favor, dê um beijo nas crianças, e mande um abraço pra todo mundo.

─ Tudo bem Chris. ─ ela suspira ─ Ligue mais vezes, sentimos sua falta.

─ Prometo tentar. ─ o rapaz mente.

─Talvez possa aparecer no próximo feriado.

─ Sim, talvez ─ ele encerra a ligação e se sente culpado, em parte por ter se distanciado tanto dos parentes desde que havia ido para a faculdade, e em parte por ter ligado e ficado com saudades dos tios e de todos os primos que jamais veria outra vez.

“Doaria cada centavo que você tivesse?”

Saindo do restaurante, evitou com todas as forças olhar para cima. Acabou por ficar encarando um morador de rua que sempre rondava esses lados do pequeno centro da cidade. O homem estava sentado no meio fio do outro lado da rua, com a mão estendida miseravelmente pra cima, enquanto dezenas de pessoas desviavam dele. Christopher verifica rapidamente os bolsos, e pega todo dinheiro em espécie que tinha trazido consigo. Se aproximando, estende a quantia ao homem, que o encara desconfiado.

─ É seu, se quiser. ─ ele o tranquiliza ─ Não preciso mais dele de qualquer forma.

─ Sem truques? ─ o homem pergunta, com a voz profunda e rouca.

─ Sem truques. ─ Chris afirma. ─ Devia comer alguma coisa.

O homem pega o dinheiro devagar, ainda hesitando ao coloca-lo no bolso. Christopher apenas se vira e começa a caminhar, pensando no que deve fazer a seguir.

“Ajudar os outros deveria ser um modo de vida;

O que vale o preço sempre se vale brigar”

Atravessando o parque , ele repara na quantidade de pessoas paradas ali. Muitas frequentam sua universidade, e estão sentadas preguiçosamente em toalhas de piquenique , ou esticadas sobre a grama pura. O céu começa a assumir tons alaranjados incomuns para o horário.

Alguns conhecidos acenam para Christopher, e ele começa a diminuir o passo, se aproximando de seus colegas mais próximos.

─ O que está acontecendo aqui? ─ o jovem pergunta, pra ninguém em particular, ao perceber que estão todos olhando pra cima, enquanto bebem distraidamente cerveja e outras coisas que saem de uma caixa térmica encaixada na beira do pequeno lago artificial.

─ Você deveria saber, quem estuda olhando pras estrelas aqui é você, meu caro amigo! ─ Rick, um garoto sardento com quem dividiu o apertado quarto dos dormitórios da universidade antes de ter o próprio apartamento responde, o envolvendo num abraço desajeitado, enquanto bebida respinga nas costas de Christopher.

─ Quis dizer, o que estão todos fazendo aqui parados olhando pra cima, reunidos desse jeito, no meio da cidade?! ─ o garoto esclarece.

─ Achei que de todas as pessoas, você nos entenderia! ─ uma voz feminina soa atrás dele. Ele se vira, e sente o estômago esfriar numa velocidade absurda.

─ Suri ─ ele balbucia ─ Você...

─ Oi Chris. ─ a garota se aproxima e o beija rapidamente no rosto, fazendo a respiração dele acelerar ─ Você não parece muito bem, tem algo errado?

Christopher fica parado, meditando na pergunta, enquanto se delicia com a beleza dos traços dela.

Os dois se conheceram numa das poucas festas que o garoto frequentava na universidade, e desde então, Chris tinha de admitir que tinha uma queda enorme por ela.

Suri tinha grandes e lindos olhos castanhos, uma pele azeitonada, impecável lábios abundantes e sobrancelhas bem desenhadas, além de um incontrolável cabelo cacheado escuro que insistia em lhe cair pelo rosto, e curvas generosas apesar de sua pouca altura.

E não era apenas fisicamente que Christopher se sentia atraído por ela, a garota era gentil com todos à sua volta. E tinha uma paciência adorável com a dificuldade dele de se enturmar com estranhos. Já fazia dois anos que se conheciam, e Christopher nunca conseguiu reunir coragem suficiente para lhe chamar pra sair, sempre colocando os estudos, ou o trabalho na frente. Agora nada mais importava.

“Cada segundo conta, porque

Não há segunda tentativa.

Então viva, porque você nunca viverá duas vezes.

Não pegue o caminho fácil por toda a sua vida”

─ Ei, ─ ela o puxa pelo braço lentamente, o afastando da maioria das pessoas ─ o que está acontecendo?

─ Tem algo errado Suri ,─ ele responde, pegando o copo nas mãos da garota e tragando um bom gole, ficando frustrado ao perceber que é só refrigerante ─ com o meteoro. Ele está perto demais da Terra.

─ Tudo bem ­... ─ a garota toma algumas respirações pesadas ─ Como sabe disso?! Quero dizer, o que exatamente isso quer dizer?

─ Não sei exatamente. ­─ mente ─ Mas ele não devia ser visível a olho nu, muito menos à luz do dia.

Chris observa as sobrancelhas da garota se unirem, e seus lábios se comprimirem numa carranca de preocupação. Ele se arrepende por estragar o bom humor dela , mas sabe que se importa o suficiente com Suri para querer que ela tenha alguma noção do que está acontecendo.

─ E o que vai acontecer? ─ ela pergunta hesitante.

─ Os governos estão tomando providências. ─ ele responde, sabendo que a essa altura, deve ser a verdade ─ Vamos ficar bem.

─ Acho que você não acredita nisso. ─ ela se aproxima, se esticando um pouco para ficar na altura de seus olhos.

─ Por favor Suri, vá para casa. ─ ele desconversa ─ Ligue para seus pais, fique com eles até tudo acabar, de preferência no porão de casa.

Ela balança a cabeça levemente em concordância.

─ Vou avisar aos outros. ─ ela se afasta alguns passos ─ Venha, me ajude a convence-los.

─ Desculpe, mas não posso ─ ele baixa o olhar─ Tenho que chegar à praia logo, estou meio atrasado.

─ Praia?─ a garota pergunta confusa.

─ Tenho um compromisso, é meio complicado.

─ Tudo bem então. ─ ela se vira e começa a caminhar lentamente até os demais na praça ─ Até mais Christopher.

Ele encara suas costas. É sua última oportunidade, e sabe disso. Então Chris corre em sua direção, e a chama. A garota para, e eles ficam frente a frente. Christopher não hesita e se aproxima, unindo seus lábios, esperando momentaneamente por um tapa, ou algo do tipo, mas Suri retribui. A garota segura seu rosto entre as mãos e aprofunda o beijo.

Após alguns ótimos e longos segundos, começam a ouvir gritos, e sons de comemoração, vindos de onde seus colegas estão. Envergonhados, os dois se separam lentamente, e Christopher repara o sorriso tímido e encantador que se forma nos lábios da garota.

─ Por favor, prometa que vai pra casa. ─ o garoto implora.

─ Eu prometo. ─ ela responde. Os dois se abraçam rapidamente, e Suri volta para seus amigos, enquanto Christopher corre até seu próximo destino.

“Se hoje fosse seu último dia,

Se amanhã fosse tarde demais [...]

Ligaria pra todos os seus velhos amigos que você nunca vê?

Lembraria-se de velhas memórias?

Perdoaria seus inimigos?”

Assim que conseguiu, após muito esforço e burocracia desnecessária, alugar um carro, Chris dirige á toda velocidade em direção ao litoral. Seria uma pequena viajem de uma hora, e do jeito que o céu começava a fica nebuloso, o rapaz já não tinha certeza se chagaria a seu destino.

O sorriso de Suri ainda brilhava em sua mente, e quando recebeu sua mensagem garantindo que estava em casa com a família, de certa forma o fez sentir aliviado, mesmo sabendo que ela não estava segura. Ninguém estava seguro.

A estrada estadual estava estranhamente pouco movimentada, por isso pôde manter a alta velocidade sem problemas. Finalmente tomou o celular, e fez a ligação que tanto temia.

─ Christopher! ─ a mulher do outro lado parecia tão surpresa, que por um momento ele apenas quis encerrar a ligação e jogar o aparelho pela janela.

─ Olá Crystal. ─ ele responde sem graça ─ Como vão as coisas? Se divertindo no cruzeiro?

─ Ah... ─ ela parecia receosa em responder ─ Sim, está tudo bem por aqui. Estamos nos divertindo bastante.

─ Bom. ─ o rapaz hesita em suas próximas palavras ─ Onde está Richard?

─ Ele está tomando banho, mas posso chama-lo se quiser ─ a mulher responde.

─ Sim, por favor. ─ ele pede ─ Ah, e Crystal?! Foi bom falar com você.

─ Sim querido, muito bom falar com você também. Devia ligar mais vezes.

Do outro lado da linha ele pode perceber sons de movimentação, e escuta o momento que a mulher entrega o telefone a Richard.

─ Christopher?! ─ o homem parece tão surpreso quanto Crystal.

─ Rich... Quero dizer... Oi pai. ─ o rapaz gagueja.

─ Esta tudo bem filho? ─ seu pai soa preocupado.

─ É, está. ─ já estava ficando farto de responder essa pergunta tantas vezes, e de ter que mentir em todas elas ─ Apenas ligando para parabenizar o aniversario de casamento. Soube que estão numa viajem bem legal.

─ Sim, obrigado ─ Richard parece sorrir do outro lado da linha ─ Aqui tem absolutamente de tudo. Estamos no meio do Mediterrâneo e ainda tem sinal pra celular e internet, não é incrível?!

─ Incrível. ─ ele afirma ─ Preciso ir, mas é bom saber que está feliz Richard.

─ Claro meu garoto. Mas antes que desligue, Chris saiba que eu te amo. Por favor, mantenha contato conosco, sim? Seria muito bom te ver no feriado.

─ Vou fazer o possível. ─ ele responde, sentindo a garganta fechando-se num nó.

A ligação é encerrada, e Christopher larga o telefone no banco do carona. Finalmente começa a chorar como uma garotinha, algo que esteve se contendo para não fazer o dia todo. Tem de desacelerar a velocidade do carro, mas não tem problema, visto que já atingira seu objetivo e chegava à praia.

O jovem sai correndo do carro, deixando as portas abertas, e corre pela areia, até afundar os pés na água agitada do mar, encharcando os sapatos. As lágrimas borram sua visão, e tudo que ele mais quer é poder gritar.

Olhando rapidamente ao redor, percebe que está completamente sozinho, então grita a todos os pulmões. Grita de frustração, raiva, e medo. Seu medo é tão grande que aperta o coração de forma esmagadora, e seus membros estão completamente rígidos de pavor. A única certeza que ele tem agora é de que não quer morrer. Não assim, não ainda.

Após gritar por vários minutos, sentindo a garganta acabada e os olhos inchados e provavelmente vermelhos, Chris volta devagar para o automóvel, pega o celular quase sem bateria, e senta desajeitadamente no capô.

Lembra-se da promessa que fez ao professor Bucler, e liga para a casa do velho. Ele atende após quatro toques, e sua voz soa bêbada e miserável. Ao fundo é possível escutar uma de suas músicas estranhas.

─ Christopher! ─ o velho balbucia ao atender ─ Como está? Se divertindo, espero.

─ Oi professor, ─ ele tenta desesperadamente não começar a chorar outra vez ─ eu... Eu liguei... Eu liguei apenas... Apenas...

─ Meu bom jovem, se estivesse aqui lhe daria um tapa nas costas! ─ Bucler grita do outro lado da linha ─ Desembuche!

─ Não quero morrer. ─ Christopher soluça por fim ─ Nos esforçamos tanto, é injusto que acabemos assim!

─ Ah meu rapaz! ─ por um momento, o professor parece voltar ao normal ─ Ninguém disse que a vida era justa. Mas podemos partir sabendo que fizemos o nosso melhor.

─ Fizemos?! ─ o rapaz volta a caminhar pela areia, chutando os sapatos pra longe ─ Porque não me sinto assim. Sinto que havia algo a ser feito.

─ Christopher, você tornou um homem velho, solitário e triste, menos solitário e menos triste. Sua existência é maravilhosa, e todos ao seu redor reconhecem isso. Deixe os erros do passado no passado. Use seus últimos momentos fazendo algo que goste. E boa sorte rapaz.

Eliel encerra a ligação, e Christopher volta a se sentir sozinho, sentindo que no mundo inteiro só existe ele, as ondas do mar, e os fragmentos do meteoro, que ele pode ver agora se chocando com a superfície terrestre ao longe. A qualquer minuto um tsunami ou terremoto o atingirá.

Pegou a foto da mãe do bolso, que agora estava amassada e suada. O cenário era parecido ─ os dois juntos, sentados numa praia num dia de verão. Não era a mesma praia, e sua mãe não estava consigo, mas sentia uma conexão com aquele lugar de qualquer forma.

Pensou em seus últimos dias no ensino médio, e em sua formatura, a mãe já fragilizada pela doença. Pensou em seu sorriso, e em seu carinho. Lembrou-se do primeiro dia na universidade, na festa em que conheceu Suri, no seu primeiro dia como estagiário do professor Bucler.

Viu o mar recuar, e a maior onda que já vira se formar. Olhou uma última vez para a fotografia, e deixou ser levada pelo vento. A onda se aproximava cada vez mais, então Christopher se permitiu sorrir e pensou: “Foi uma boa vida”.

Fechou os olhos e jamais voltou a abri-los.

“Se hoje fosse seu último dia

Você deixaria sua marca finalizando um coração partido

Você sabe que nunca é tarde demais

Para pedir para as estrelas

Esquecendo quem você é

Fazer o que for preciso

Porque você não pode rebobinar

Um momento nessa vida

Não deixe nada atrapalhar o seu caminho

Pois as mãos do tempo nunca estão do seu lado”

Notas finais
Ê pessoinhas, eis o fim .Entao, apesar de se tratar de uma "ficção cientifica" não entrei muito em detalhes sobre o meteoro, porque o meu objetivo com essa fic é mais reflexivo.Se amanhã fosse eu último dia na Terra, o que voce faria? Eu não tenho certeza, mas acho que ia comer um monte de porcaria e chorar pra caramba kkkkkkkkk.Também não fiz uma descrição fisica do Christopher, deixei isso a cargo da imaginação de vcs.Espero mesmo que tenham gostado, e vou aceitar crítiicas (construtivas ) de bom grado.E gostaria mesmo de saber - Se amanhã fosse seu ultimo dia, e amanhã fosse tarde demais, o que fariam?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!