Eu estava encostado na janela da viatura, observando cada detalhe do lado nobre de Atlanta. O que diabos eu estava fazendo no lado pobre daquele lugar? Agora vejo o que eu perdi. Poderia estar aproveitando a vida, sem roubo. Será que não vou ter uma segunda chance para consertar tudo de errado que já fiz?

Estava à caminho da delegacia, mais uma vez. O guarda que estava dirigindo tinha um jeito meio rabugento mas puxou assunto comigo:

— O que você fez dessa vez? -disse.

— Roubo, senhor. -falei em um tom meio baixo.

— Eu sinto pena da sua família.

— Eu também sinto, senhor.

— Já sabe o que dizer para o delegado?

— Não, senhor.

— Garoto, quantos anos você tem?

— Quase 19, senhor.

— Você é tão novo, pelo jeito vai perder boa parte da vida preso, sozinho.

— Você deveria prestar a atenção na estrada, senhor.

— Pare de me chamar de senhor.

— Me sinto mais seguro te chamando de senhor, senhor.

Voltei a encostar a cabeça na janela da viatura e fechei meus olhos, pensar seria a única coisa a se fazer naquele momento.

De repente, ouço o guarda dando uma grande freada e abro os meus olhos assustado, já era tarde demais. Uma senhora de idade tinha passado pelo asfalto causando um acidente, a viatura estava caindo de um pequeno penhasco. Era disso que eu me lembrava, só disso.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.