Notas iniciais
Então, o que será que aconteceu com eles no acampamento? Pra quem já tava acompanhando a fic, eu revisei os caps anteriores e esse é o mais novo em muito tempo, perdão pela demora, mas agora pretendo finalizar tudo, ja estou revisando a historia. Enjoy Ah tem um leve lime aqui

Chegaram ao acampamento dos mercenários só no dia seguinte, passando a noite atravessando o deserto. Era um acampamento pequeno e que não parecia ser dos mercenários. Havia beduínos por todo lugar, mulheres e crianças principalmente e pareciam muito assustadas. Aiolos e seus amigos foram jogados no centro junto à fogueira em uma tenda ampla, estavam todos amarrados agora e amordaçados. Shura estranhou que o líder havia mandado separar Camus e Afrodite deles, além de Kanon ao qual foi tirada a mordaça pelo próprio líder.

— Você é rico grego, estava gritando aos quatro ventos que tem dinheiro para comprar sua liberdade. Quanto vale sua vida grego? – disse o líder em árabe.

— Faça seu preço e eu pago. – retrucou Kanon confiante. Era acostumado a negociar e barganhar com homens frios e calculistas, não seria diferente com aquele mercenário e faria de tudo para salvar sua vida – Me liberte e eu lhe darei uma fortuna.

O homem andou na frente dos reféns olhando para cada rosto com atenção, todos se mantinham altivos e não desviavam o olhar. Parou na frente de Camus e puxou seu rosto bruscamente, fitando-o intensamente.

— Ele é meu! Eu o dou a você, tenho ouro e escravos sou um homem importante. Liberte-me e ele será seu junto com todo o dinheiro que pedir.

Os membros da expedição ficaram estarrecidos com a declaração de Kanon, Camus estava petrificado por se ver trocado tão facilmente como uma mercadoria. Os arqueólogos entenderam o que Kanon quis fazer, em algumas culturas era significado de status demonstrar ter poder sobre alguém. Ter um escravo demonstrava um alto grau de posses. Aqueles homens podiam estar armados, mas viviam no deserto e seus valores talvez fossem moldados pelas antigas tradições.

Da expressão do líder nada se via além do olhar que brilhava de prazer sádico. A um sinal dele outros soldados levaram Camus que se debateu enquanto era arrastado dali, mais dois soldados pegaram Afrodite. O mercenário já tinha planos para o sueco e o ruivo, a promessa de Kanon não influenciaria em nada. Aquele europeu achava que estava no comando, o que era um ledo engano. Viu os prisioneiros se inquietarem mesmo amarrados, indignados pelo que viam, mas não se abalou. Pegou Kanon pelas cordas que o amarravam nos pulsos e saiu de lá deixando guardas para vigiarem os restantes, ordenando que dessem água e comida a eles. Não podia deixar que morressem ou perderia seu lucro.


***

— Meu deus ele... Não acredito que Kanon... – Aiolos disse assim que

conseguiu se ver livre da mordaça.

— Eles levaram o Camus e o Dite! Nós temos que fazer alguma coisa. – Aiolia colocou a cabeça entre os braços – Aquele escroto! Como ele pôde?!

Milo tentava se levantar. Acordara do desmaio para se descobrir amarrado sobre um camelo, agora estava ali no meio daquele deserto preste a parar na mão de terroristas enquanto via Camus que horas atrás não medira esforços para salvá-lo, ser vendido para mercenários. Estava tão difícil respirar quanto dentro daquele espaço de parede. Ettore e Shura seguraram-no no lugar para impedi-lo de fazer uma besteira, não adiantaria que eles lutassem sozinhos com homens armados. Seria pior se eles se revoltassem e os enfrentassem, provavelmente seriam mortos. Tinham que pensar com cautela.

Shura começou a esboçar um plano enquanto ouvia os companheiros falando baixinho e tentando consolar Milo, eles não seriam trocados mais aquele dia, mas não ia esperar muito para isso acontecer. Estavam muito isolados e provavelmente já era quase madrugada, passara o caminho todo olhando em volta para se localizar. Tinha confiança que conseguiria voltar.

— Escutem! – chamou os outros se arrastando para junto deles, os mercenários deixaram todos sem as mordaças e ainda estavam perto da fogueira. Falou em grego para que só eles entendessem – Eu tenho um plano para fugir daqui, mas preciso saber se estão dispostos a arriscar. Kanon pode ser levado à cidade amanhã, já que o líder parece que engoliu aquela história de pagamento. De qualquer forma se ele for pode dar o alarme e alguém pode vir nos procurar.

— Mas não podemos esperar aqui!

— Não aqui Milo, mas no deserto. Lá estaremos seguros.

— Ficou louco?! Milhares de quilômetros de areia e mais nada. Como estaremos seguros espanhol?

— Confie em mim Aiolos. Ettore eu preciso de uma faca.

— Na minha bota tem um canivete. – Ettore começou a se contorcer para puxar o canivete e cortar as cordas – Fiquem juntos, vamos começar a cortar as cordas assim que a madrugada cair. Eles não vão nos deixar aqui fora para morrer de frio, somos a possibilidade de muitos milhões e eles não serão tolos.

Todos assentiram e aguardaram. Logo os mercenários os arrastaram para a tenda maior onde guardavam os cavalos deixando-os juntos e amarrados perto de uma pequena fogueira. Assim aguardavam os guardas ficarem quietos e o acampamento aquietar enquanto cortavam as cordas que os amarravam.

Kanon estava na tenda do líder num canto observando ele comer com outros mercenários, que agora murmuravam em um dialeto que ele não conhecia. Afrodite e Camus estavam junto dele, os três amarrados.

— Para que ele nos quer? – murmurou o sueco torcendo as mãos amarradas, sua vontade era voar em Kanon e socá-lo e já tentara inclusive, mas um dos sequestradores o puxara pelos cabelos e mandara-o ficar quieto.

— Ele pensa que você é uma mulher, vai usá-lo como uma. – respondeu Kanon a pergunta do outro – Está apenas ganhando tempo.

— Mas e porque o Camus? Ele vai escravizá-lo?

— Quem pode saber? Ele ficou interessado nele, é o efeito que vocês causam nas pessoas. – Kanon olhou para Camus que continuava em silêncio e impassível olhando o fogo sem encarar Afrodite ou o grego. Kanon olhava o ruivo ali ao seu lado tão frio e indiferente e tentava ler sua expressão. Negociara Camus para conseguir sair do acampamento e não se arrependia. Um sacrifício pela vida de sete pessoas. Sabia o que o líder bárbaro pretendia, não era difícil ler o desejo naquele olhar cruel. Era o poder que aquela beleza fria do francês tinha sobre um homem.

Perderia um pequeno investimento e bons momentos de prazer, mas sobreviveria e era o que importava.

***

A madrugada avançava quando na cabana em que deveriam estar amarrados, Aiolos e seus amigos se arrastavam sorrateiramente para próximo das paredes de tecido, esperariam um bom momento para sair. Há muito o acampamento sossegara e apenas os barulhos de alguns passos dos mercenários lá fora e do vento cortante era ouvido. Quando Ettore depois de olhar e ver que estavam com o caminho livre aceno, todos se prepararam para correr deserto afora antes que os mercenários se dessem conta.

De repente saíram da tenda direto para a confusão de gritos e tiros no acampamento. Era como se uma bomba tivesse explodido, mas ninguém entendia direito o que ocorrera.

— Precisamos encontrar Afrodite e o Camus! – disse Aiolos olhando em volta à procura dos amigos.

— Aconteceu alguma coisa na tenda do líder. Foi para lá que eles foram levados! – Shura tentava se localizar, pelo desenho do acampamento via a tenda maior no centro e deduziu que seria a do líder. Contudo havia uma confusão dos diabos em volta e antes que puxasse os companheiros para saírem dali, foram cercados por homens a cavalo. O tiroteio havia cessado e só se ouvia os resmungos dos homens e os cascos dos cavalos na areia fofa, os cavaleiros os cercaram e alguns seguravam tochas enquanto o resto tinha armas apontadas para eles. Os rostos todos cobertos por panos pretos e apenas os olhos eram vistos na pouca luminosidade. O círculo se abriu para outro cavaleiro entrar com seu corcel negro imponente, era o único que não tinha o rosto coberto.

— Filho da puta! – exclamaram Shura e Ettore ao mesmo tempo começando a gargalhar e ninguém entendeu nada. O cavaleiro desceu do seu corcel rindo também.

— Só vocês dois para estar no meio dessa encrenca! – o homem veio para perto deles recebendo abraços calorosos. – Seiya ache o Shaka e avise quem encontramos! Seus malucos peguem seu bando e tragam para perto do fogo, está tudo bem agora. Eles são amigos! – o cavaleiro gritou a última frase em árabe para os seus comandados, um deles saiu da formação e foi fazer o que ele havia mandado.

Todos foram para o centro do acampamento onde uma enorme fogueira ardia e havia homens de negro por todos os lados, mas diferentes dos mercenários eles usavam roupas de estilos diferentes e muitas tinham desenhos dourados nelas.

— Aí espanhol vai falando, quem é esse cara? – cutucou Aiolia. O espanhol vinha mais atrás ao lado de Aiolos e os outros enquanto Ettore conversava animadamente com o cavaleiro misterioso.

— Esse é o Fênix. Ele é comandante da defesa do Mojav, uma comunidade composta de vários povos, maioria Tauregues embora existam outros. Eles criaram quase uma cidade no meio do deserto e têm suas próprias leis e crenças, vivem por aqui há milênios! Ultimamente tiveram que se militarizar por causa das guerras civis – Shura explicou aos outros – A comunidade é guardada a sete chaves e talvez por isso eles apareceram aqui, devemos estar perto e por isso invadiram e tomaram o acampamento mercenário. Eles não permitem que estranhos descubram a localização do Mojav.

— Como conhece o líder deles então? – indagou Aiolos olhando Fênix de soslaio.

— Fomos capturados por eles da última vez, mas acabou tudo bem e agora somos amigos.

— Ah que legal, quer dizer que só trocamos de sequestradores! – Milo retorquiu sarcástico.

— Não. Veja – Shura fez um gesto amplo em volta para que os amigos vissem como os soldados de Fênix libertavam os reféns e ajudavam as mulheres e crianças beduínas daquele pequeno acampamento, a diferença era significativa – esse acampamento foi tomado pelos mercenários, não é deles de fato. Talvez sejam beduínos andarilhos ou algo do gênero, Fênix está devolvendo o acampamento a eles para que partam livres e continuem seu caminho. Tivemos muita sorte, vamos conseguir ajuda para voltar ao Cairo em segurança.

— Ei parece que o líder dos mercenários foi morto! – Ettore se virou para os amigos – Kanon saiu com alguns mercenários, devem estar chegando à cidade ou chegarão pela manhã. Por isso a confusão do acampamento.

— Nós já encontramos o caos quando invadimos o acampamento. – Fênix disse em sua voz grave com um forte sotaque, mas o inglês correto. Era um homem alto e musculoso com traços marcados e a pele morena, os olhos de um azul índigo e havia uma cicatriz entre as sobrancelhas – Nós encontramos um estrangeiro na tenda, ele diz que outro o matou. Mas espere, Shaka deve saber de algo.

— Fênix havia dois dos nossos com o líder, precisamos saber se estão bem. – Shura pediu, mas a um sinal do líder se calou porque nesse momento chegava outro cavaleiro para junto deles.

— Ainda na busca do rio dos mortos espanhol dos infernos?! – Shaka desmontou do seu cavalo para cumprimentar os amigos – E esse caranguejo louco ao lado como não podia deixar de ser, como são obstinados!

— Ossos do ofício Shaka! – se abraçaram ele e Shura rindo – Pessoal esse é Shaka Evrad e como já disse esse aqui é o Fênix! São amigos e vão nos ajudar, são de confiança.

— Acharam quem matou o líder? – indagou Fênix ao companheiro.

— Encontramos pegadas fora da tenda, o loiro não mentiu ao dizer que havia um terceiro homem com eles. Há sinais de luta e marcas de cascos de cavalo fora da tenda, sinal de que quem degolou o mercenário fugiu pelo deserto depois e está sendo perseguido. Vou agora com Shiryu e os outros procurá-lo. – Shaka informou em voz serena. Evrad era um homem jovem e incrivelmente bonito, longos cabelos loiros e olhos azuis em um rosto de traços delicados. Era alto e delgado como uma faca longa, vestia uma roupa clara ao invés do negro do resto do bando – O sueco disse que havia um ruivo francês com eles e que foi este homem quem matou o líder mercenário. Matou-o para impedir que o mercenário violasse o sueco.

— Pelos deuses! – Aiolos estava assombrado, reação essa que parecia ser a dos outros quatro.

— Meu orgulho! – Fênix segurou o outro pela cintura derramando sobre ele um olhar quente e sedutor, Shaka riu de lado arqueando a sobrancelha para aquele atrevimento – Ache o ruivo. Ele degolou um homem que dava dois deles, quero conhecê-lo.

— Shaka onde está Afrodite, ele é o sueco que estava na tenda. É nosso amigo também – Shura perguntou ao cavaleiro.

— Está sendo cuidado por Mu, Fênix leve-os até ele que eu preciso ir agora.

— Está certo, venham. Shaka achará o outro amigo de vocês! – Fênix assegurou, mas absteve-se de dizer que não tinha muitas esperanças de encontrá-lo com vida.

***

Shaka voltou com o dia amanhecendo, ele mesmo trazia Camus desacordado e ensopado sobre o seu cavalo. Fênix saiu de uma das tendas e ordenou a um rapazote ali perto que fosse chamar Shura na tenda que disponibilizara aos estrangeiros.

— Está vivo? – perguntou o moreno vendo Shaka descer com Camus no colo e entrar na tenda de onde Fênix saíra.

— Por Ekhat está! – o loiro colocou o francês sob uma esteira onde repousavam almofadas, em seguida virando para um rapaz que lhe acompanhava – Tenma vá achar Mu e diga que preciso dele aqui agora! – Shaka começou a rasgar as roupas encharcadas de Camus com sua adaga – O achamos na outra margem do rio. Há sinais de espancamento, hipotermia e eu acho que ele foi atingindo de raspão.

— Não imaginei que ele chegaria tão longe e que estivesse vivo!

— Nem eu. Os mercenários o perseguiram por quilômetros ainda, ele fugiu no cavalo do líder! Shiryu matou os mercenários que o perseguiam quando estávamos seguindo os rastros, algo os fez desistir de ir atrás do ruivo, agora o quê? Cadê o Mu?!

— Estou aqui. Pelo deus dos mortos um filho do rio! – o jovem que entrou meio sonolento arregalou os olhos violetas ao ver o homem que Shaka tratava os ferimentos – Foi esse que matou o líder?! Ele é um amaldiçoado!

— Ele atravessou o rio dos mortos Mu.

Mu e Shaka fizeram uma prece na língua antiga que aprenderam com seu mestre, Fênix fez um sinal de proteção sobre eles. Aquele ruivo não era qualquer homem. Havia atravessado o rio dos mortos, matado um homem e tinha aqueles estranhos fios vermelhos das lendas dos antigos demônios.

Fora da tenda Shura já estava de pé com Milo e Aiolia querendo saber de Camus.

— Shaka e Mu estão cuidando dele agora, o amigo de vocês está em boas mãos. – Fênix saiu da tenda ao ouvir a aproximação do espanhol e seu amigo grego – É necessária uma conversa agora Shura para acertar como voltarão ao Cairo, posso destacar um grupo para escoltá-lo.

— Quero ver o Camus!

— Melhor que nos deixe ver o ruivo, Fênix. – Aiolia exigiu, desconfiado como era o leonino não gostara de como o cavaleiro do deserto os olhava, parecia esconder algo.

— Melhor que um de nós volte agora mesmo e solicite apoio, um helicóptero pode chegar aqui em minutos. – Milo falou nervoso.

— Não. Vocês podem ir, mas não devem contar sobre nós. – uma movimentação na entrada do acampamento roubou a atenção do capitão e assim do rosto das pessoas, um galope e salves se fizeram ouvir até que outros homens a cavalo chegaram escoltando alguém que vinha em um camelo. Os membros do Mojav em volta fizeram uma reverência para o homem que descia dele.

— Deixe-me ver o ruivo. – o homem de olhos fechados desceu ajudado por uma garota e ele era muito parecido com Shaka, mais velho é verdade, mas possuía os mesmos cabelos longos e loiros e o porte alongado.

Fênix indicou a tenda atrás de si e o homem foi para lá, sem falar com ninguém.

— Quem é ele Fênix?

— É Asmitha, nosso guia. Ele veio ajudar seu amigo Shura, venha comigo que eu preciso lhe explicar algo importante.

— Fale logo! O Camus pode estar correndo perigo de vida e rezas e unguentos não vai ajudá-lo droga! – Milo explodiu e ia entrar na tenda, mas foi interceptado por dois homens a um sinal de Fênix.

— Chame o resto do seu bando e me encontre onde estão os cavalos. – disse o moreno e saiu andando.

Na tenda o guia se aproximava de Shaka e Mu.

— Asmitha. – os dois reverenciaram o guia que os abençoou antes de se aproximar da esteira onde Camus agora dormia. Shaka e Mu cuidaram dos ferimentos do ruivo que permanecia desacordado, mas sua pele estava menos pálida e respirava normalmente.

— A Visão me trouxe a imagem desse homem vencendo as águas tortuosas do rio dos mortos, o deus Ekhat o esperava na outra margem. – falou o guia sentando ao lado do francês tocando-lhe a testa, Evrad e Asmitha estavam com os olhos fechados. Isolavam-se do mundo para ver com os verdadeiros olhos, os olhos da alma – Tem um espírito muito forte esse homem, o rio dos mortos o acolheu e salvou fazendo-o renascer sob a proteção de Ekhat. Quando se recuperar terá um caminho luminoso pela frente.

— Ele vai se recuperar mestre? – indagou Mu – Ele conseguiu entrar no rio e sair com vida!

— Vai, ele ainda tem sua missão na terra seu espirito é forte.

***

— Esse é o tão buscado rio dos mortos. Estige para os gregos, rio de Caronte, estrada para Hamunaptra ou apenas rio dos mortos. – Ikki estendeu a mão para o rio de águas revoltas e escuras que corria à frente deles. Aiolos e Shura estavam quase em lágrimas, Ettore se deixou cair de joelhos maravilhado com a visão do sol escaldante refletido nas águas, só Aiolia, Milo e Afrodite pareciam atentos à expressão carregada do guerreiro Fênix – Esse é o rio sagrado do deus da morte Anúbis para os egípcios, Ekhat para nós e assim como o deus que o protege ele é amaldiçoado e abençoado. Nós os Rijás somos seus cavaleiros e nossa responsabilidade guardar seu segredo porque seria uma catástrofe se todos pudessem chegar aqui.

Era muito longe do que imaginavam Aiolos e Shura. Acreditavam que achariam apenas indícios porque o rio era algo mitológico, que ninguém sabia certo ter de fato existido. Era inconcebível que um rio atravessasse tantos lugares e ainda ir ao subterrâneo existisse, Aiolos concordava com isso. Aquela busca era principalmente dos dois arqueólogos, os amigos eram apenas grandes incentivadores.

— Por que ninguém pode saber? – Milo indagou enfim.

— Nada cresce nas margens porque suas águas são nocivas, nada vive dentro dele também. Nós vivemos à sua margem, mas temos que andar quilômetros para achar água porque no rio só encontramos morte. É a maldição, ele é o caminho da morte!

— Porque está contando isso a nós Fênix, por que só agora? Estou há anos procurando pelo rio e você sabe! – Shura acordou do seu torpor emocionado.

— Seu amigo foi encontrado na outra margem, desacordado e ferido, mas vivo. Milagre? Não sabemos!

— Espera! O Camus veio até aqui? Como ele conseguiu chegar tão longe? – Aiolia franziu o cenho e olhou o rio revolto novamente – Como ele conseguiu chegar à outra margem? E como vocês conseguiram salvá-lo?!

Fênix mordeu o lábio odiando aquele grego insistente que gostava de prestar atenção aos detalhes, talvez devesse ter deixado todos na ignorância.

— Porque está contando essa história maluca sobre o rio ser amaldiçoado a nós? Quer que deixemos Camus aqui para morrer ou algo assim? – Milo partiu para cima de Fênix que o empurrou, indo em seguida até um cavalo e trazendo-o a margem do rio.

O cavalo veio dócil e se precipitou em beber a água do rio com avidez sendo observado pelos homens em volta. Num minuto o cavalo estava bebendo a água, para no outro arfar e soltar sons angustiados antes de cair por terra em um baque surdo.

Ninguém falou todos apavorados demais para balbuciar o que fosse. Até Milo havia contido seu rompante de fúria.

— Vamos voltar porque já que Asmitha está aqui, ele pode contar o resto da história. Também acredito que agora vocês podem ver o amigo de vocês. Nosso guia pode dizer por que o amigo de vocês pode não sobreviver.

Voltaram ao acampamento com Aiolia tendo que voltar junto com Fênix, porque fora o cavalo que o trouxera que agora estava morto à beira do rio. Um silêncio incomodo se fazia entre os rapazes europeus cheios de dúvidas agora em suas mentes, Afrodite sentia-se terrivelmente culpado por Camus estar passando por tudo aquilo. O francês os livrara sozinho do estupro eminente, fora perseguido e quase morrera afogado e agora o sueco ficava sabendo daquela história louca sobre o rio amaldiçoado. E logo Camus! Que havia sido vendido e humilhado naquela viagem à qual nem pretendera fazer parte.

Do seu lado Milo também se sentia de alguma forma culpado. Talvez se tivesse feito à mesma proposta que Kanon fez à Camus, talvez agora o prostituto estivesse bem. Ou talvez não, eles foram sequestrados e o líder queria Camus desde o começo. Talvez o destino do ruivo fosse inevitável!

Ao chegarem Aiolos e Aiolia foram à tenda em que Camus estava, Afrodite foi com eles enquanto o resto de dispersou no acampamento. Shura e Ettore ficaram à parte para respeitar o momento, também porque Milo preferiu se isolar e não ver o ruivo, então os dois foram consolar o amigo. Os Argenkland e Afrodite acharam por bem ir ver o francês já que Kanon se escafedera.

— Ele vai ficar bem? – perguntou o sueco sentando perto da esteira, Asmitha era o único que permanecia ali e mesmo com os olhos fechados, distinguia a presença dos estrangeiros muito bem.

— Seu amigo é especial, detentor de um espírito forte que atravessou turbulências. ! – Asmitha disse em inglês surpreendendo os outros porque o guia não parecia alguém que viajassem além do deserto – Vai superar isso também.

— Ele foi praticamente vendido para o mercenário, ele teve de ceder primeiro... Foi horrível! – Afrodite sentiu o bolo na garganta crescer e os olhos arderem pelas lágrimas – E mesmo assim Camus impediu que aquele cretino tocasse em mim! Ele não pode morrer aqui, não pode!

— Afrodite, não se culpe assim. – Aiolos afagou os ombros do amigo – Camus teve um gesto maravilhoso para ajudá-lo, não se sinta culpado. Nós estamos aqui e vamos cuidar dele agora.

— Vocês devem deixar o ruivo descansar agora e devem se alimentar para estarem preparados para voltar junto dos seus.

— Fênix nos disse que você nos contaria a história sobre o rio dos mortos. – interveio Aiolia olhando para o guia.

— Eu contarei depois que estiverem preparados para ouvir, no momento certo. – Asmitha se ergueu e saiu da tenda deixando os outros para trás.

— Não é melhor que fique alguém aqui para cuidar do Camus? – o sueco falou para os outros dois – E se ele acordar? Se piorar e precisar de algo?!

— Eu vou... – começou a dizer Aiolia, mas um jovem de cabelos claríssimos entrou na tenda com uma bacia e panos.

— Podem ir eu cuido dele. É meu dever, nosso mestre me encarregou de zelar pelo homem ruivo.

— Você fala inglês? Como se chama? – Aiolos se surpreendeu ao ouvir a voz aveludada do oriental.

— Me chamo Mu, sou irmão de Shaka e aprendiz de curandeiro e guia, Shaka me ensinou sua língua. Seu amigo será bem cuidado, não se preocupem. – concedeu um sorriso doce para os outros – Logo o ruivo estará forte o bastante para despertar.

— Não é uma graça?! Que adorável esse garoto. – Afrodite piscou os longos cílios para o mais jovem – Vou ficar aqui, podem ir. Como consegue manter essa pele tão alva e macia no deserto?

Aiolia puxou o irmão para saírem dali e deixar Afrodite com o Mu e o desacordado, teriam de esperar de qualquer forma então que fossem comer e descansar. Uma última olhada para trás Aiolia fitou o ruivo desacordado, pensando no que Camus fizera por Afrodite e toda a gana de tentar sobreviver. Não havia dúvidas que havia um espírito forte ali, mas o que aconteceria a ele depois de acordar e ver tudo que havia lhe acontecido?

***

Só ao anoitecer que Asmitha continuou a contar sobre o rio dos mortos. O resto do dia foi gasto em apaziguar o acampamento e se livrar dos mercenários, só quando as fogueiras foram acessas e eles sentaram-se em volta delas é que Asmitha tomou a palavra.

— O primeiro guerreiro Rijá foi forjado do sangue e carne do deus Ekhat, às margens do rio dos mortos que vem do submundo para a superfície para lembrar aos homens que a morte é a transformação da vida. Uma etapa que alguns abençoados podem passar e vencer. O amigo de vocês foi salvo pelo rio e agora está perdido entre o vale das sombras, não tenho certeza se conseguirá voltar sozinho.

— Como? Isso é inacreditável. Ele pode estar com uma concussão, tínhamos que levá-lo para especialistas... – Milo começou a falar nervoso – Pode ser tarde demais.

— Nada da sua medicina vai ajudar o ruivo, seu amigo vai sozinho lutar essa batalha. – Asmitha voltou seu rosto para o fogo e havia compaixão no semblante do curandeiro – Esse homem que já participou de tantas batalhas e que a vida subjugou, talvez ele prefira ficar no vale das sombras.

— Não é justo. – Afrodite estava quase choroso e ver Milo naquela angustia não melhorava nada, os amigos não estavam muito diferentes e havia um clima pesado em volta.

— Vocês não podem contar sobre o rio. – Fênix disse em meio ao silencio pesado – As coisas que podem vir ocorrer à descoberta desse segredo podem começar uma guerra entre os povos de vocês, podem invadir nossa terra sagrada e o rio pode fazer muitas vitimas. É muito perigoso, já basta o seu amigo.

— Sim, nós não podemos contar. – Aiolos falou com cuidado olhando para Shura e Ettore e ambos assentiram como se concordassem – Isso você tem a nossa palavra que nunca vamos contar. Quanto a Camus... Afrodite, você e Milo o conhecem mais do que nós, duvido que vamos conseguir algo de Kanon.

— Ele não tem nenhum parente vivo, pelo que eu sei e talvez seja verdade porque Henri quase faz questão que seus garotos sejam meninos sozinhos. – Afrodite falou pensativo – Camus me disse uma vez que vive sozinho desde os quinze, mas a França é enorme para se descobrir alguma coisa e se esse não for o verdadeiro nome dele?

— Deve ser Afrodite ou ele não teria nos documentos dele! – Aiolia interveio olhando para Mu que estava servindo o curandeiro Asmitha, ele o olhava atentamente e o jovem corava adoravelmente desviando o olhar – Podemos investigar e enquanto isso cuidar dele, ele salvou o Afrodite e nem queria vir o coitado! Se ele tivesse ficado no hotel, estaria a salvo.

— Oh meu deus me sinto tão culpado! Eu insisti tanto para que ele viesse junto. – Afrodite chorou um pouco mais – Aiolia deixe o menino em paz!

— É bonitinho.

— Bonita vai ficar a sua cara quando o Rijá de branco cortar ela, não é porque está de olhos fechados que não esteja vendo. – Ettore comentou com Aiolia e o leonino olhou mesmo para Shaka que apesar de estar com olhos fechados e nos braços fortes de Fênix, o rosto estava em uma carranca de desaprovação em sua direção.

— De qualquer forma vamos leva-lo e cuidar dele quando. – Afrodite disse.

— Se quiserem, podem deixar o homem ruivo conosco e o levamos para o Mojav – Shaka ofereceu – Vocês podem voltar, quando estiver seguro e bem eu posso levá-lo.

— Vocês devem ir assim que o sol subir há um homem de olhos esmeraldas como as joias em seus corpos procurando-os. – o curandeiro apontou para Aiolos e Shura – Logo ele se aproximará de nós, não podemos permitir. O homem ruivo pode ir conosco.

— Não podemos deixá-lo. – Milo disse aflito, deixar Camus para trás lhe matava.

— Você vai cuidar dele, Savalas? – Afrodite perguntou fitando o amigo e primo com severidade – Vai terminar seu casamento, enfrentará sua família para cuidar de um homem que pode ficar em coma para o resto da vida? – Milo baixou os olhos e não ousou encarar Afrodite – Foi o que pensei. Não é melhor que Kanon ou os mercenários deixar que Camus se vá com os Rijás.

— Eu voto por levá-lo conosco, nós cuidaremos dele até que se recupere, é o mínimo que podemos fazer depois de tudo que passou. – Aiolos disse resoluto.

— Aiolos tem razão, não conseguimos salvá-lo desse destino horrível. Também somos responsáveis – Shura inseriu, sentia-se infeliz com todo aquele desfecho – Não sei como faremos isso, mas mesmo não tendo muitos recursos, eu e Ettore não o deixaremos desamparado.

— Não se preocupe, eu vou ajuda-los com tudo, faço essa minha responsabilidade. – Afrodite penteou os cabelos com os dedos e se aproximou de Asmitha com cuidado – Nós cuidaremos dele e caso ele acorde e queira vir de novo aqui, nós o traremos. Sim?

— Tudo bem, eu sei que cuidaram do seu amigo.

— O Kanon vai ajudar também! Que ele esteja vivo porque eu mesmo quero quebrar a cara dele, nem o seu deus dos mortos vai fazer um trabalho tão bom quanto o que eu vou fazer. – Afrodite cerrou os punhos, Kanon Onassis que lhe aguardasse.

Todos começaram a conversar sobre o amanhã e mais sobre o rio dos mortos, Shura e Aiolos ficaram entretidos com Asmitha até que o curandeiro se recolheu com Mu. Os europeus se recolheram as tendas disponibilizadas para eles, todos foram tratar de dormir e descansar do dia surpreendente e cansativo que tiveram. Acontece que Shura não estava conseguindo dormir e depois de revirar muito na cama de palha, resolveu pegar um cobertor e sair para a fogueira que permanecia acessa lá fora.

Fitando o fogo e bem coberto pelos cobertores, Shura começou a pensar em todas as coisas que vinham acontecendo e em Saga, ficaria ali até que o sono o vencesse ou o frio piorasse. No deserto o frio a noite era tão implacável quanto o calor durante o dia, mas havia tempo ainda. Estava um pouco deprimido porque agora além do relacionamento, sua tese também fora um fracasso. Asmitha e Fênix estavam certos ao dizer que falar sobre o rio seria o estopim e uma guerra. Mesmo que aquilo significasse a paz do mundo, ele ainda se sentia mal por esconder.

— Não consegue dormir também?

Aiolos sentou ao seu lado também enrolado em uma pesada manta, o espanhol esperou o outro se acomodar para responder.

— Pensando em tudo. Acha que fracassamos?

— Não, nós o achamos afinal, de maneira inesperada confesso, mas achamos. Fico feliz por estar certo pelo menos, mesmo que não possa dizer ao mundo.

— E o que fará quando voltar? – Shura olhou para o céu estrelado, lembrou que aconselhou o outro a reconsiderar Saga e isso lhe fez engolir um bolo na garganta.

— Vou arrumar a minha vida, cuidar do Camus e ajeitar o Aiolia no escritório dele de advocacia. Agora que não há motivos para sair em expedição, pelo menos por enquanto, nós vamos estacionar em algum lugar por um tempo e cuidar da vida pessoal de cada um. E você Shura?

— Não sei. Confesso que é a primeira vez que não sei o que fazer! De fato, trabalhar será algo que farei, o convite da universidade de Atenas veio bem a calhar e eu não estava esperando aceitar, mas agora... É, talvez eu vá dar aulas e quanto a resto não sei o que fazer.

— E a sua família? Não pensa em voltar para Barcelona?

— Não posso, não me encaixo mais lá. – Shura viu Aiolos se remexer e apertar a manta um pouco mais em volta de si – E o Saga? Ele está procurando por você.

— Por nós, você ouviu o curandeiro. Shura a verdade é que eu acredito que nenhum dos dois merece voltar para o Saga, mesmo que essa história dele amar os dois seja verdade. Isso pode funcionar para os outros, mas eu não gosto de dividir. – Aiolos fez uma careta que fez Shura rir – Mesmo se fosse você.

— Eu penso que Saga não vai conseguir deixá-lo Aiolos, você é um homem maravilhoso e deus permitisse que eu tivesse conhecido primeiro você à ele.

— Você se interessaria por mim? – Aiolos inclinou a cabeça e ficou mais próximo.

— Porque não? Bonito, inteligente e ama arqueologia como eu! – Shura sorriu com charme e Aiolos espelhou o seu sorriso.

— Saga tinha razão – Aiolos se impacientou com a manta porque ela era pequena demais para si, Shura percebeu primeiro então abriu a sua para acomodar o grego. Ambos os arqueólogos tiveram que ficar bem juntos para caber na manta e Aiolos acrescentou a sua no aquecimento – você consegue convencer qualquer um com essa sua conversa.

— Não disse nada demais. Você deve ter um espelho em casa, eu quando o conheci estava disposto a te chamar para sair, mas aí você falou sobre seu namorado enrolado que não queria casar... – estavam tão próximos que Aiolos se perdeu por um momento naquele fulgor negro que eram os olhos de Shura.

“Saga tem razão em outra coisa também.” Pensou Aiolos sentindo Shura o olhar mais detidamente, sentia o olhar do espanhol em sua boca “É muito fácil se interessar por você.”.

Shura o beijou e Aiolos nem pensou em evitar, porque se negaria o contato macio daqueles lábios macios que agora se abriam para a passagem da língua avida. Deixou que Shura tomasse as rédeas de tudo, como todo aquele dia confuso e perigoso em que sentiu medo de morrer e perder os amigos, mas Shura estava lá e tudo acabou bem. Duvidava que estivesse mais seguro se fosse Saga ali, o grego se vangloriava de tudo, mas Aiolos o conhecia, sabia que tudo que ele tinha era empáfia e mais nada. Shura com cuidado trouxe Aiolos para o colo, o corpo grande e musculoso do grego se acomodou sobre seus quadris sem parar o beijo e Aiolos gemeu quando as mãos de Shura começavam a vasculhar a carne sobre as roupas.

“Por Atena, está um forno aqui!” pensou Aiolos os livrando das cobertas e segurando Shura pela nuca varreu com a língua a boca do espanhol, Shura gemeu em meio ao beijo e Aiolos achou aquele som maravilhoso. Queria mais, queria pele clara em suas mãos, as mãos de Shura na sua carne então sem pensar em mais nada começou a se despir e o espanhol não precisou de uma palavra para entender.

— Você é um perigo Argenkland. – murmurou Shura se deitando sob as mantas e Aiolos se acomodava sobre si, as mãos espalmando o peito largo com pelos de Aiolos, que se acomodava sobre o quadril de Shura sentindo a excitação fremente dele sob si. As peles estavam arrepiadas de excitação e da brisa fria que batia, mas estava uma fornalha ali, mas do que na fogueira.

— Você é tentador demais Aguille. Diga que não é por vingança, que não vamos fazer isso por Saga e sim porque você, assim como eu, não consegue pensar em outra coisa desde que me viu a primeira vez. – Aiolos já arfava, os olhos apenas uma fresta para a íris verde mar que brilhava de excitação. Enquanto ele se balançava sobre o espanhol, deixando a excitação à níveis insuportáveis.

— Eu quero você! – Shura quase cuspiu as palavras, segurando Aiolos e se erguendo, virando o grego para que ele ficasse deitado. Acomodou-se entre as pernas poderosas de Aiolos roçando ambas as ereções e os dois gemeram ao contato – Quero você de uma forma que... Porra! Você parece o pedaço do céu e do inferno juntos Aiolos, não vale se arrepender amanhã.

Shura o beijou de novo tragando os gemidos de Aiolos enquanto uniam os corpos, se esfregando, sentido pele contra pele naquele frenesi. O espanhol levou os dedos a boca carnuda do grego que os sugou primeiro e depois de forma lasciva os lambeu os deixando molhados o melhor que podia, embora soubesse que não ia adiantar muito. Shura então levou os dedos à entrada de Aiolos e os inseriu devagar, sentindo o grego se retesar embaixo de si, seria problemático e não queria que Aiolos se machucasse.

— Vamos ter que deixar para quando estivermos no hotel e um lubrificante. – beijou Aiolos um pouco mais, retirando os dedos e levando a boca até um mamilo intumescido no peito largo do outro – Mas porque parar agora? Existem muitas formas...

Para provar seu ponto, Shura fez um caminho quente com os lábios e a língua até o membro teso de Aiolos que levou a boca, primeiro chupando a cabeça e depois o deixando escorregar pela boca até a garganta fazendo o grego revirar os olhos. Aiolos pensou que com aquele talento, não era de se admirar que Saga fosse doido por aquele espanhol.

Shura não tinha piedade, a boca e a língua estavam levando a sanidade de Aiolos para o limbo e o grego se segurava para não gritar a muito custo, ele era muito vocal, Saga sempre lhe dizia que...

— Porra! Chega!

A exclamação do grego parou Shura, que se ergueu devagar e olhou para Aiolos de forma receosa. O arqueólogo espanhol pensou se não estava apressando as coisas, se não teria ido longe demais e agora o grego estava se arrependendo.

— Desculpe, estava sendo desonesto com você. – Aiolos se ergueu, segurando o rosto de Shura com uma das mãos, o polegar acariciando a linha forte da mandíbula do espanhol – Não quero que Saga esteja entre nós, mas ele está aqui na minha cabeça e eu não consigo parar de pensar nele e em você, em como era entre eu e ele e entre ele e você.

— Eu entendo não se preocupe. Acho que me deixei levar pela adrenalina, a coisa toda “mística” em volta – Shura fez um gesto amplo com a mão – Estamos precipitando as coisas?

— Algumas sim. – Aiolos trouxe o rosto de Shura para perto do seu e o beijou, chupando o lábio carnudo do outro – Eu quero pelos deuses como eu quero! Mas precisamos nos resolver com Saga, definitivamente. Como acha que ele vai reagir se falarmos que estamos juntos?

— Ele vai morrer. E eu mal posso esperar. – o sorriso do capricorniano tinha garras, Aiolos amou isso. Podia ser loucura e talvez nem durasse, mas ele nunca se arrependeria de tentar ter aquele espanhol quente e louco para si.