Notas iniciais
Olá pessoal! Segundo capítulo ON dessa fic, já tendo barraco e confusão porque essa fic é toda uma confusão rsesrs Queria agradecer os comentários lindos, vocês são ótimas

Saga passou pela biblioteca para dar um beijo em Aiolos antes de sair, passaram a noite juntos matando a saudades do longo tempo em que ficaram separados por conta da viagem do empresário. O arqueólogo observou como o namorado estava bem vestido para sair àquela tarde.

— Tenho uma reunião em meia hora e depois irei para Creta ver meus pais, mas amanhã estarei de volta para acertarmos a viagem tudo bem? – disse abraçando o namorado e lhe dando um beijo delicado.

— Não se preocupe Aiolia já está providenciando tudo e você sabe como ele é ciumento com seus planos. Preocupe-se apenas em ficar livre para viajar por pelo menos três meses, quero voltar do Egito com minha tese provada e nosso casamento marcado.

— Nós já conversamos sobre isso.

— Está me enrolando Saga! Essa situação já se estendeu demais não acha? São sete anos! – Aiolos soltou para as suas anotações encerrando a conversa antes que Saga começasse a se justificar.

Aiolos levantou os olhos para ver Saga batendo a porta ao sair e deu de ombros, não ia mais se abalar com os rompantes do namorado. Estavam naquele namoro há anos sem que Saga os assumisse publicamente com medo dos pais e Aiolos estava cansado daquilo, queria enfim construir sua família com o homem que amava. Era hora de estabilidade.

— Colocando o rei das pedras preciosas contra a parede irmãozinho? – Aiolia apareceu na biblioteca depois de ver a saída nada amigável de Saga.

— Não acha que já adiamos demais o próximo passo? Estou muito animado com essa expedição, quando finalmente conseguir provar minha tese nada mais será impedimento para concretizar tudo que sempre quis.

—Você ia adorar o Shura Aiolos, ele é tão apaixonado pelo rio dos mortos quanto você, precisa o ouvir falar das descobertas dele... – Aiolos se recostou na poltrona para olhar o irmão com atenção. Aparentemente despreocupado e sem interesse, mas Aiolos conhecia a cria, fora ele que moldara e vira crescer aquele jovem advogado que tinha como irmão e maior fã. Admitia que alimentasse aquela quase idolatria que o mais novo tinha por ele, Aiolos fora pai e irmão para Aiolia desde a mais tenra infância. Por isso conhecia bem aquele leonino.

Não era de hoje que Aiolia não aprovava Saga, julgou ser ciúme de irmão e o medo de ficar sozinho já que Tio Agamenon era só alguém que aparecia para jantar nos dias festivos. Contudo, a aversão (aversão sim porque Aiolia nem disfarçava mais) que o irmão mais novo nutria por Saga chegara a níveis alarmantes. Agora vinha acrescida desse entusiasmo com o senhor Viegas, quem era aquele espanhol que Aiolia vivia falando?

— Acho melhor começar a se acostumar com o fato de que Saga é definitivo na minha vida.

— Não sei se é tão definitivo assim. – Aiolia deu de ombros e foi embora.

***

— Você comprou uma cobertura de dois milhões de euros para colocar um puto! O que você tem na cabeça Kanon? Ele não deve ser tão bom assim.

— Ah é sim, estou até pensando em apresentá-lo para os nossos pais. – Kanon deu seu costumeiro sorriso de lado achando a indignação do irmão engraçada – Preocupe-se com os seus problemas Saga, não em como eu gasto o meu dinheiro.

— Mas já está resolvido! Eu vou à expedição com Aiolos e ele vai dispensar Shura, um contratempo de algumas semanas, mas inevitável. – Saga começou a guardar os papéis que precisaria e o notebook – Mas eu preciso que você vá comigo, esteja pronto para viajar em alguns dias.

— Saga eu tenho muita coisa pra fazer! E a Gemine porra? Eu tenho mais o que fazer do que servir de álibi para você fugir do Egito em duas semanas. – Kanon revidou sarcástico, conhecia o gêmeo muito bem para saber qual era a intenção de Saga ao chamá-lo para ir à expedição também.

— Kanon é uma semana, dez dias no máximo! A Gemine está muito bem com o Aspros então não temos que nos preocupar, deixe de ser dramático.

— Posso levar o ruivo? Quem vai? – Saga revirou os olhos só com a ideia de que teria que aturar o prostituto particular do irmão apenas para ter uma possível rota de fuga, caso tudo se tornasse enfadonho no Egito.

—Talvez Aiolos não aprove que ele vá você sabe que é uma expedição e além dos Argenkland só irão os pesquisadores da universidade.

—Sem ruivo, sem chance de eu ir. Pense bem se não quer passar meses fritando no deserto.

Kanon levantou-se e deixou a sala do irmão já pensando que teria uma noite maravilhosa com seu novo amante e muitos planos para o dia seguinte, teriam um dia cheio entre agências de viagem e compras. Adorava o Egito, tinha certo misticismo que lhe encantava.

Saga por sua vez seguiu para o hotel para encontrar Shura, aquele estratagema estava começando a ficar incomodo e seria necessário mudar. Seus planos foram arruinados pelo irmão gêmeo que decidiu dar o apartamento que tinham no centro para o prostituto por quem ele estava interessado, Kanon não media dinheiro e empenho quando se entusiasmava com algo. Arrumaria um jeito de ter de volta o apartamento da família, seus pais teriam uma sincope quando descobrissem que Kanon havia dado o apartamento para um completo estranho.

Já no quarto e depois de um banho demorado Saga retirou da bolsa os dois estojos de veludo que trouxera da Gemine. Era um presente para amansar seu espanhol que estava bem irritado com ele, prova disso era seus inúmeros telefonemas não atendidos, as mensagens lidas e não visualizadas. Haviam marcado de passar aqueles dias juntos, mas depois de saber que Aiolos estava sondando Shura para a parceria na expedição, precisou sair praticamente correndo para o sagitariano e tentar convencê-lo a desistir. Por mais que seu ego instigasse, seria muita loucura permitir que eles se conhecessem.

Abriu os estojos revelando duas joias idênticas em cada um, faziam parte da linha exclusiva da nova coleção de joias masculinas da Gemine e ele as tirou da coleção para que apenas os dois homens que atualmente eram toda a sua vida as tivessem.

Dois pingentes em ouro branco e ouro, entrelaçados para formar um aro em volta de duas esmeraldas polidas e brilhantes, o cordão era de couro trabalhado de forma a se tornar macio e sedoso. Olhou as joias juntas para em seguida guardar um dos estojos na bolsa.

— Agora é esperar Shura chegar! Vou pedir o jantar e preparar o quarto.

Saga teve que esperar mais do que acreditou que esperaria por Shura, tudo por conta de um encontro de ocasião que teve a mão do destino. Aiolia mesmo admitiu que nunca teria uma ideia tão boa.

Aiolos fizera questão de sair com ele para verificarem os últimos preparativos para a viagem, estava irritado com o irmão mais novo porque descobriu que ele não tinha dispensado Shura, muito pelo contrário. Então saíram do banco discutindo, ambos irritados e falando impropérios um contra o outro até que Aiolos deu um encontrão com outra pessoa que vinha em direção oposta.

— Hijo de puta!

— Olha por onde anda idiota!

Xingamentos mútuos e então um olhar confuso do espanhol para o grego que lhe parecia estranhamente familiar.

— Shura! – e então teve a confirmação da familiaridade quando viu Aiolia Argenkland ao lado do seu “atropelador” – Correndo também para acertar a viagem?

— Ah sim e você deve ser Aiolos, me desculpe pelo encontrão é que estou correndo para acertar as coisas e viajar em paz. – Shura apesar de não ser culpado pelo incidente achou por bem desculpar-se, não queria causar uma má impressão e era sempre um cavalheiro. Até porque ser atropelado por um grego de um metro e oitenta (provavelmente, ele estava cogitando já que pareciam ter a mesma altura) com aqueles olhos verdes tão enigmáticos não era de fato ruim, nem que ele parecia uma parede de músculos maciços e desejáveis ao toque.

Aiolos esticou a mão para receber o aperto de desculpas do espanhol olhando-o detidamente e gostando do que via, o outro arqueólogo parecia-lhe um tanto selvagem, mas ao mesmo tempo comedido e sério. Eram os olhos rasgados com aquele brilho negro e quente, pensava Aiolos e se recriminou em seguida por isso. Parecia-lhe um pensamento estranho sobre alguém que ele acabara de conhecer.

Contudo depois de um pedido para tomar um café que se tornou três e horas de conversa, pareciam velhos amigos, Aiolia ali junto com os outros dois estava satisfeito mesmo que tivesse sido relegado para segundo plano. Não importava! Aiolos tinha encontrado alguém tão louco quanto ele na busca pelo rio dos mortos, agora estavam os dois fazendo planos e dividindo impressões sobre isso e muito mais. Era aquela cumplicidade que Aiolia buscava para o irmão, não a divergência que ele via que havia entre Saga e Aiolos.

“Eles combinam, mesmo sendo diferentes.” Concluiu o leonino tomando o resto do seu café e ainda observando a conversa dos dois. “Até sendo uma toupeira com relação à Saga, como aquele safado consegue enganar os dois?”

— Bem eu sinto deixá-los, mas ainda preciso ir ao banco terminar minhas transferências. – Shura se levantou e deixou algumas notas sobre a mesa ao que Aiolos recusou já que fora ele quem convidara, mas Shura insistiu – Viajamos em alguns dias e ainda tenho que mandar dinheiro para minha família em Barcelona.

—Você é casado Viegas?

— Ainda não Aiolos, eu tenho um namorado que anda me enrolando. – piscou para Aiolos que riu com o irmão – Esse é outro que eu preciso resolver. Tenho um pai e três irmãs mais novas, alguns sobrinhos que ajudo no que posso a criá-los.

— Que gesto nobre o seu.

— É minha família Aiolos, elas não têm marido e no que puder ajudar eu ajudo. O mais importante é a família não é assim?

— Sim Shura, a família! – Shura acenou mais uma antes de deixar os Argenkland.

— Um bom homem. – observou Aiolos depois de Shura ir embora – Não é a toa que você está fascinado por ele.

— Não estou fascinado por ele, só vejo que Shura tem muitas coisas em comum com você, por isso o admiro.

— Complexo de Édipo sabia? Não pode procurar nele o que espera de mim.

—Vá se foder Aiolos! – gargalharam, era uma piada infame entre os dois já que Aiolia nunca parecia se fixar com alguém. Saga lhes disse uma vez que Aiolia tinha um ciúme tão grande do irmão que talvez fosse apaixonado por Aiolos, isso acabou virando uma piada entre os irmãos.

— Eu devia estar furioso com você por ter acertado tudo pelas minhas costas! Nem sei como vou contar à Saga que não vamos mais precisar que ele vá.

— É só não contar, sabe como o ego dele fica murcho quando não é o centro da sua vida. – deixaram algumas notas na mesa e se levantaram para ir embora também – De qualquer modo você pode dizer que não sabia e que a culpa é minha, mas não fale nada e deixe o Saga ir porque eu tenho um palpite que essa viagem vai ser um divisor de águas na relação de vocês.

— Um palpite? O que está aprontando Aiolia. – Ah como Aiolos conhecia aquela expressão moleque de quem estava aprontando alguma.

— Nada, eu juro. – Aiolia não poderia estragar o momento poderia?

***

— Por Zeus Shura onde estava estou esperando você há horas?!

— Eu estava resolvendo alguns assuntos e não vi... – Shura fechou a porta do quarto com irritação – Ei! Quem faz as perguntas aqui sou eu, onde o SENHOR estava Saga Papadopoulos?! Há quatro dias estou tentando falar com você, depois de me deixar plantado naquele restaurante como um babaca! E sem nenhuma explicação ainda.

— Amor eu tive que viajar as pressas, problemas com a saúde frágil da minha mãe... Eu tive que... Shura olha pra mim! – Saga tentou trazer o espanhol furioso para junto de si que se desvencilhou de forma rude – Shura foi preciso ir para Creta, mamãe estava em mais uma de suas crises.

— De novo essa história, grego maldito? Você deve me achar alguma espécie de retardado só pode, na verdade eu sou sim! – Shura deu um meio riso irônico – Por isso eu aceito essa bagunça! Anda Saga me diz o que eu sou pra você de verdade, mas fala na minha cara de uma vez e eu paro de criar expectativas quanto ao futuro de nós dois. E então? Só uma trepada pra matar o tempo ou nós temos algo sério? Porque eu não conheço os seus pais e porque a gente não pode se assumir?

— Ah não até você?! – parecia que aquele seria o dia das cobranças.

— Até eu? E tem mais alguém a quem você deve satisfações senhor Papadopoulos?

Mancada. Saga respirou fundo e rearmou sua mente para consertar o próprio deslize, já tinham passado por aquilo antes então ele só precisava convencê-lo como sempre.

— Kan também acha que eu devia tomar uma decisão quanto a nós, mas para ele é muito fácil falar. Ele sempre foi o garoto rebelde da família e também não se importa muito se nossa mãe morresse do coração ao descobrir que ambos os filhos são gays, eu te disse amor que era complicado! Não posso sair assim falando de repente...

— Saga não é de repente, são quatro anos. ‘Tô começando a achar que você não me ama e tem vergonha de mim, por isso você tem tanto receio. – Shura se encostou a porta da varanda, seu olhar na bela vista da cidade e não no moreno de olhos verdes que o tirava do cerne – É só dizer Saga, por um fim em tudo porque não vai assumir um cara que seus pais não aprovariam. Vocês são ricos e influentes e hoje em dia ser gay é o menor dos problemas, isso eles podem relevar se você tiver alguém à altura para mostrar a eles.

— Não! Shura deixe de besteira. – Saga abraçou o amante pela cintura o apertando junto a si com força – Eu te amo! Nunca duvide disso, ninguém jamais vai tirar você de mim e eu só peço um pouco mais de paciência já expliquei milhares de vezes isso. Minha mãe doente, os problemas com Kanon! – virou Shura em seus braços para olhá-lo nos olhos – Espanhol teimoso eu te amo demais! Dê-me apenas um pouco mais de tempo.

— Não temos mais tempo Saga! Eu já tenho trinta e seis anos, não tenho mais idade pra ficar brincando de namorar escondido.

—Vem aqui.

Foram para o cômodo seguinte onde a king size imperava e no centro dela estava o estojo de veludo negro aberto mostrando a joia exclusiva da Gemine.

— Não vai me comprar com presentes sabe disso não sabe?

— Mas mesmo assim eu trouxe porque achei a sua cara e queria que soubesse o quanto é importante para mim, me escute para depois decidir o que fazer. – Saga se inclinou sobre a cama e pegou a caixa – Essa é uma joia exclusiva da coleção masculina da Gemine, ainda nem saiu no mercado e nem vai sair porque eu separei essa peça da coleção porque queria dar a pessoa que mais amo nesse mundo, o melhor e exclusividade. Ninguém no mundo vai ter essa joia – o grego abriu o cordão e colocou em volta do pescoço alvo pensando que Aiolos também teria uma, mas aquilo era um detalhe – só você.

Foram para o banheiro olhar no grande espelho de corpo inteiro, Shura tentava disfarçar como ficara tocado com a pequena declaração de amor de Saga. Ainda não estava convencido, mas acabava sempre cedendo porque o grego sempre o convencia. Era um tolo, admitia a si mesmo com pesar, um tolo apaixonado.

— Me perdoa. – Saga murmurou contra a pele do pescoço do outro, as mãos acariciando a cintura estreita por baixo da blusa fina de linho vermelho que Shura usava e o corpo bem próximo – Eu te amo.

— Eu amo mais e por isso vai ser mais doloroso pra mim se você me deixar. Estou muito inseguro! – admitiu por fim se entregando as caricias do empresário.

— Você não tem que se sentir assim, eu estou aqui para sempre amor! – não sabia como nem até quando, mas daria um jeito! Agora com aquela viagem com Aiolos era muito arriscado deixar seu espanhol desconfiado e inseguro para trás. Tinha que dar um jeito de voltar antes, não se demorar naquele deserto – Vou precisar viajar por umas duas semanas, mas coisa rápida e depois passaremos um mês viajando juntos pela Oceania, América o que você quiser! Só nós dois e ninguém mais.

—Você vai viajar de novo? – Shura se afastou outra vez e Saga cerrou os dentes, ia começar tudo de novo! – Pensei que íamos ficar na Grécia por pelo menos três meses senhor das pedras!

— Mas aconteceram alguns imprevistos nas minas da África e agora preciso ir pessoalmente verificar, são apenas duas semanas no máximo Shura! Por favor, se fosse uma viagem realmente boa eu o levaria, mas sei que vai morrer de tédio e ficar louco para voltar. Melhor que...

—Tudo bem Saga, pode ir à sua viagem.

Shura deu de ombros e começou a tirar a joia do pescoço, desabotoando a camisa e tirando o resto das roupas para entrar no box – Essa cidade está um inferno não acha? Vem aqui cariño, vamos tomar banho juntos?

— Tudo bem? Quer dizer tudo bem em viajar? – Saga arqueou a sobrancelha, muito desconfiado daquela súbita passividade em outros tempos o espanhol estaria partindo pra cima dele.

— É o seu trabalho não é? Então faça o que tem de fazer e volte logo. – piscou Shura para o namorado e em seguida meteu a cabeça embaixo da ducha fria escondendo o risinho de mofa. Ia dar uma lição naquele grego filho da mãe! Quando Saga voltasse, ele que esperasse Shura voltar da expedição Estige.

***

O dia da viagem finalmente chegou e na casa dos Argenkland todos estavam em polvorosa. Aiolos ganhava de longe na empolgação.

—Vamos logo eu odeio chegar em cima da hora ao check-in! – Aiolos repuxava o pingente do cordão que agora não tirava para nada, era bobo e Saga e ele tiveram uma discussão também boba sobre isso, mas resolveu usar porque não queria que o Papadopoulos tivesse mais uma crise de ciúmes. Ele andava mais estressado que o normal, mas uma vida inteira e oito anos de namoro não poderiam se abalar por estresse certo? Logo estariam no Cairo para se divertirem e esquecer os problemas.

— Temos tempo de sobra Aiolos calma! – Aiolia entrava no banco de trás junto com Saga e o irmão, estava pegando algumas coisas que deixara para trás na correria – Eu não entendi porque o Kanon vai nessa viagem e ainda levando um acompanhante, não é um passeio de férias sabiam?

— Não reclame bichano, ele está custeando suas despesas pessoalmente e a do – Saga mordeu a língua ante o olhar de Aiolos, também haviam discutido sobre Saga sempre chamar o novo acompanhante do irmão gêmeo de “puto”, Aiolos reprovava efusivamente essa conduta – do “cara” dele, então os deixe em paz!

— Espero que Kan não seja seu álibi para sumir em menos de uma semana do Egito Saga, você sabe que a expedição pode durar meses.

— Aiolos nós já discutimos sobre isso, na verdade na ultima semana só o que fizemos foi discutir! Já não lhe disse que vou acompanhá-lo pelo tempo que for necessário? – Saga virou para a janela, apoiando o cotovelo na porta do carro tentando conter a sua irritação. Aquela semana tinha sido um inferno com Shura esquivo e Aiolos exigindo atenção e questionador, fruto da desconfiança ele conhecia bem o amigo de infância. Esperava que nessa viagem tudo se resolvesse o mais rápido possível para que ele pudesse voltar e resolver-se com Shura.

Aiolos calou-se, também cansara de discussões e já previra outra assim que Saga descobrisse que Shura Viega iria à expedição também, acabaria por achar que Aiolos inventara que precisaria de guia apenas para tê-lo por perto. A verdade é que intimamente o arqueólogo desconfiava das intenções de Aiolia e queria ver até onde o irmão mais jovem iria, sentia algo no ar e esperaria que se concretizasse. Saga achava que era ciúme e que Aiolos era controlador, porém não era nada disso. Aiolos era perspicaz e percebia que o namorado estava escondendo algo e que Aiolia desconfiava disso então apenas deixaria as coisas acontecerem.

— Kanon vai nos encontrar no aeroporto? – perguntou Aiolos.

— Sim, ele me disse que já estavam a caminho.

— Só o Kanon mesmo pra catar um puto de rua e dar casa, comida e roupa lavada! Tanto homem por aí porque ele foi escolher justo um prostituto, Saga?

— Sabe-se lá o que se passa naquela mente Aiolia! O pior de tudo é que ele desfila com ele por aí, se exibe e tudo mais, como se ele fosse um objeto precioso. Nossos pais querem cavar uma cova, papai ameaçou deserdar ele!

— Você já o viu Aiolos? Como ele é Saga?

— Não o vi ainda, curioso porque Kanon adora se exibir e não sei como ainda não veio jantar aqui em casa com ele.

— Eu não queria esse tipo de gente no nosso meio, que Kanon seja doente a esse ponto de andar com alguém vulgar assim que seja, embora... – Saga se voltou para os Argenkland – Devo admitir que ele me surpreendeu. O cara não lembra em nada um prostituto, talvez na cama não sei! – os três riram – Mas o fato é que o francês é culto e educado, tem uma presença marcante e modos gentis e um tanto arrogantes. Ninguém que sabe a verdade pode dizer que ele é um prostituto.

— Eu sabia que ele devia ter muitas qualidades, seu irmão é tão exigente quanto você Saga.

— Verdade, mas de fato o ruivo é de matar! Esplendido mesmo.

“Ruivo?” parecia que a mesma pergunta estava na mente de Aiolia quando ele e o irmão mais velho trocaram um olhar surpreso. Não tiveram tempo de conversar sobre isso porque chegaram ao aeroporto e encontraram Milo e Afrodite já esperando na fila do check-in.

—Você vai? – Aiolos abraçou o amigo sueco – Juro Afrodite que de todo mundo que eu pensei que ia nessa viagem você era a última pessoa que eu imaginei.

— E perder toda a diversão?! Essa viagem promete em tantos níveis Aiolos que eu não perderia essa por nada. – Afrodite gargalhou cheio de si trazendo os amigos para rirem com ele também.

— Eu também tenho que aproveitar minha ultima viagem de exploração, daqui a pouco vou casar e assumir o escritório da família. Adeus diversão! – Milo passou o braço sobre os ombros de Aiolia – Arrastar na lama alguns advogadinhos de meia tigela né, Aiolia?!

— Vai sonhando Milo!

— Essa viagem tá parecendo o cruzeiro das loucas, nem parece que é um estudo arqueológico sério! – Aiolos resmungou e novas gargalhadas ressoaram em volta – Olha Saga o Kanon chegou e... Puta que pariu!

O mais novo da família Papadopoulos, vinha pelo saguão do aeroporto desfilando sua beleza viril em um terno esporte bem cortado azul Royal, a camisa era um tom mais clara e óculos escuros escondiam as esmeraldas ainda mais sardônicas que as de Saga. Em uma mão segurava uma pequena valise e na outra a mão de um ruivo estonteante apesar de sério. O seu acompanhante usava óculos escuros também, com um pulôver vinho e jeans escuros justos ao corpo sob um sobretudo claro. Quatro pares de olhos em choque observaram Kanon se aproximar da turma.

— Bom dia pessoal! Saga você não disse que era uma excursão da quarta série. – Kanon ria ao estender a mão e cumprimentar os outros, Camus limitou-se a um aceno de cabeça – Ah gente esse aqui é o Camus meu namorado.

— Eu sabia que não podia perder essa viagem. – Afrodite se adiantou cumprimentando Camus também – Bem vindo à turma Camus.

“Namorado”, a palavra ecoava na mente dos quatro amigos, mas era em Milo que encontrava os ecos desesperados da culpa e do ciúme. Ciúme que a custo conseguia ocultar embora soubesse que não devesse senti-lo e que nada tinha de cobrar, que no fundo esperava nunca mais colocar s olhos em Camus.

Então era Kanon o benfeitor que o prostituto citara em sua última noite juntos, será que sabia que o empresário era amigo de Milo? Sabia sim porque já tiveram a oportunidade de se conhecer, naquele mesmo dia em que Milo viu Camus pela primeira vez. “Ele é um puto Milo, está claro que ele jogando com os dois e escolheu aquele que era mais vantajoso ou estupido!” pensava Milo com os olhos no ruivo que permanecia indiferente ali, eles estavam na fila do check-in esperando sua vez. “Kanon era louco por assumir um garoto de programa daquela maneira, ele não!” ainda pensava o advogado.

— Ei cadê o Ettore e o Shura, Milo? – quis saber Aiolia, mas teve o cuidado falar mais baixo para ter certeza que o cunhado não ouvisse. Saga estava mais afastado de todos falando no telefone em africâner, entretido com o trabalho.

— Eles tiveram que passar na universidade antes, mas já estão... Olhem eles ali! – Milo indicou para os outros.

— Shura!

Primeiro foi o nome, depois a constatação de que era a voz doce e grave do seu Aiolos que chamava o espanhol naquela empolgação que fez Saga virar-se e finalmente dar atenção aos amigos.

A pequena multidão do aeroporto se espalhou assim que ele se virou para olhar na direção em que todos olhavam e Saga podia ver Shura e Ettore se aproximando, podia-se notar a olhos nus a empolgação que tomava o arqueólogo espanhol. O olhar quente e excitado que Shura derramava sobre os outros, até para Aiolos e principalmente ele. Saga sentiu como se uma fenda se abrisse no chão, em seguida a taquicardia.

Como?! Por quê?!

Em meio a irrealidade ele viu Shura e Aiolos se cumprimentarem em um abraço caloroso e os outros fizeram o mesmo com espanhol e Ettore, apenas Camus se limitou a um cumprimento com a cabeça. Kanon tentava em vão segurar a vontade de gargalhar e o olhar para Saga era nítido, quase como se ele falasse: “Eu te avisei”.

— Saga esse aqui é o Shura Viegas, outro pesquisador que topou fazer uma colaboração com a gente na expedição. – Aiolos puxou o namorado para junto de si e de Shura que aos poucos perdia o sorriso caloroso e olhava para o presidente da Gemine com um tanto de confusão nos olhos negros – Shura esse é o namorado enrolado que tinha comentado com você.

— Seu namorado? – ecoou Shura e o clima tenso logo se instalou em volta, Ettore e Milo inclusive já se aproximavam do capricorniano a espera do que estava por vir. Os únicos que pareciam animados ali eram Afrodite e Aiolia – Saga... Seu namorado?

— É! – Aiolos não estava entendendo nada, seu olhar foi do moreno petrificado ao seu lado para o espanhol que começava a arfar que usava uma camisa social de linho branco com alguns botões abertos na gola, antes de notar os pelos escuros do peito Aiolos notou que havia um belo cordão de couro trabalhado que terminava em uma linda esmeralda polida...

Rapidamente vasculhou nas próprias roupas seu cordão puxando-o do seu esconderijo para se certificar que não estava tendo uma miragem.

— SEU FILHO DA PUTA!

Aiolia correu para segurar Milo, porque teve um palpite que não precisaria pedir para Ettore se conter e deixar Shura extravasar a raiva.

***

— Nós perdemos o voo, mas ainda tem um que sai daqui a seis horas. Se quiser posso reservar esse.

— Mantenha os planos, nós ainda vamos viajar. – Aiolos ergueu os olhos cansados e um tanto magoados para o irmão mais novo, estava com uma garrafa de água nas mãos e apenas o abatimento era visível nele – Deixarei para conversar com você quando estivermos no Cairo senhor Aiolia Argenkland.

— Viu Dite? Ele ainda está com raiva de mim! – Aiolia vociferou – De mim!

—Não era necessário esse circo todo para...

— Ah era preciso sim porque você é um idiota e o Saga muito esperto, não é a toa que ele te enganou por quatro anos Aiolos! – Afrodite bateu com o cigarro na lixeira do aeroporto – Sabia? Quatro anos sendo trouxa, a gente tinha que elaborar bem como você ia descobrir isso certo?

— Eu odeio vocês dois! – Aiolos passou a mão nos cabelos e se ergueu – Vou falar com o senhor Viegas... Mantenha os planos, Kanon ainda quer ir? Bem ele já tinha reservado tudo, talvez não queira perder a viagem. Mas o Saga ele que fique na Grécia! Vou falar com o espanhol e convencê-lo a ir, precisamos dele.

— Irmão... – Aiolia segurou o pulso do mais velho e tinha pesar nos olhos esmeraldinos – Shura não sabia de nada, eu acredito nele.

Aiolos suspirou e saiu em direção à sala da segurança do aeroporto, depois da confusão Shura tinha sido levado para lá e Milo estava com ele para explicar tudo ou pelo menos tentar. O arqueólogo grego pode ver pela visão periférica Saga alguns bancos mais distantes, ele estava sendo cuidado por Kanon e Camus. O espanhol fizera um excelente trabalho, ninguém fora páreo para a fúria hispânica. Aiolos não era adepto da violência, mas sentia-se parcialmente vingado pela surra que Shura deu em Saga. Estava com vontade de gritar e matar aquele maldito por tê-lo enganado todo aquele tempo, por ter iludido outro homem com promessas que dizia a ele, Aiolos. Sentia-se ferido e revoltado, mas deveria racional agora e não permitir que Saga estragasse seus planos e a sua vida. Não mais! Agora era fazer Shura entender isso também.

Na sala de segurança encontrou Milo e Ettore tentando consolar um furioso capricorniano que xingava na sua língua mãe sem se importar se alguém lhe entendia ou não. Ao ver Aiolos entrar na sala, Milo e Ettore levantaram alarmados.

— Deixe-nos a sós, por favor. – pediu Aiolos e Milo assentiu puxando Ettore dali, Shura permaneceu de cabeça baixa olhando os punhos enfaixados que precisaram de curativos também, mas estavam melhores que o rosto de Saga.

O grego se aproximou ocupando a cadeira que antes era ocupada por Ettore, viu Shura esfregar as ataduras nos olhos molhados e no nariz vermelho.

— Me desculpe, eu estraguei a viagem.

—Vamos remarcar o voo, tem um que sai em seis horas então podemos esperar aqui ou ir para a minha casa e voltar depois. As malas já foram despachadas e chegaram ao Cairo antes de nós, mas não se preocupe que há pessoal meu lá para recebê-las, nosso equipamento está seguro. Ainda quer ir Shura? Sei que está sendo difícil, mas acredito que não devemos...

— Eu não sabia! Por deus, eu imaginava que eram apenas os pais dele e toda a vergonha de assumir um relacionamento com outro cara e ainda f... – Shura mordeu os lábios refreando o palavrão – Como eu viajo muito e ele também nunca me passou pela cabeça que ele poderia ter outro namorado!

— A mim também, mas eu devia saber por que conheço Saga desde a infância e nós estamos juntos por tantos anos.

— Quanto tempo?

— Você não precisa fazer isso.

— Quanto tempo?

— Sete anos.

Um lamento doloroso ecoou pela pequena sala e Shura bateu a cabeça na parede atrás de si se sentindo cada vez mais estúpido. Como pode se enganar tanto?!

— Como eu não vi?! Sete anos é quase um casamento, como eu não desconfiei que na verdade ele já tinha alguém sério e eu era só o amante, a trepada ocasional pra fugir da rotina. – Shura riu sarcástico e um segundo mais tarde percebeu o desconforto de Aiolos com a sua indireta – Desculpe.

— Tudo bem, não pense que estou muito diferente de você. – Aiolos suspirou achando humilhante estar ali tentando consolar o amante do namorado – Esse tempo todo eu desconfiava que Saga pudesse ser infiel, ele não é um ermitão! Mas desleal? Como ele podia me dizer que me amava e que eu era único quando fazia as mesmas promessas a você?

— Eu devia saber que quando se cozinha alguém por quatro anos a alguma coisa muito errada!

“Quatro anos!” Aiolos teve de virar e respirar fundo para não afundar o punho no rosto bonito do espanhol, era racional o suficiente para saber que não era culpa de Shura no fim de tudo.

— Shura queria que você pensasse sobre a expedição. Se ficar difícil conviver comigo e toda essa situação eu entenderei, mas ainda sim queria que pensasse no bem maior! Estamos prestes a fazer a maior descoberta arqueológica do mundo, Saga é menor do que isso.

— Ah mais agora nós vamos! Agora eu quero ir e achar aquele rio porque eu vou afogar Saga nele! – Shura se ergueu – Será mais do que uma parceria Aiolos, vai ser uma aliança. Juntos nós vamos confirmar nossa tese e provar a todos que estávamos certos e juntos também nós vamos nos vingar desse filho da puta, ainda não achei um modo de fazer isso, mas eu vou descobrir. Você está comigo Aiolos?

Shura estendeu a mão para Aiolos que fitou os olhos escuros do espanhol vendo um brilho sombrio ali, mas ainda sim era quente e enigmático. Não duvidava que aquele homem escavasse o inferno para dar o troco à Saga, Shura tinha sede de vingança e estava muito ferido assim como Aiolos. Porém diferente do arqueólogo grego, só a surra e o tempo não seriam suficientes para aplacar sua dor.

***

— Agora acho que não vão confundir vocês por um tempo pelo menos. – Afrodite abanou a mão na frente do rosto machucado de Saga – O espanhol fez um excelente trabalho, sabia que não tinha simpatizado com ele de graça.

— Você armou tudo com Aiolia! E ainda tem a cara de pau de tripudiar de mim assim Afrodite. – Saga falou debaixo da bolsa de gelo que Camus segurava em seu rosto – Como descobriram?!

— Aiolia, tudo foi ele eu só estava dando apoio moral. – Afrodite abriu as mãos em um gesto de desdém – Descobrimos por acaso o seu quarto reservado em nome de Aspros Papadopoulos no Windsor, inclusive foi Kanon que vimos subir para o quarto algumas vezes ou era você? É muito confuso porque você tem um irmão gêmeo e tem primos que também são gêmeos, é algo de família certo? – Saga revirou os olhos e Afrodite soltou um risinho de mofa – Então Milo me disse que tinha um amigo espanhol que estava passando uma temporada com ele e que namorava alguém hospedado no Windsor, Aiolia sugeriu verificar só para ter o que fazer e veja no que deu!

— Por que não me disse Afrodite?! Olha o que aconteceu? E se o Aiolos ou o Shura se matassem, se eles me matassem?!

— Eu ajudaria a esconder o corpo. Ia passar a vida inteira enrolando as duas toupeiras, admita que você nunca fosse contar?

— Eu ia contar... – Saga gemeu quando torceu os lábios e sentiu repuxar, Camus apertou a compressa gelada sobre o rosto do empresário – Ei docinho cuidado! Mãozinha pesada a sua hein?

— Então se vira sozinho! – Camus fez questão de apertar a bolsa de gelo no rosto de Saga agora com vontade antes de se levantar e deixar o sueco e o grego para trás.

— Saga definitivamente não tem nem como te defender.

— Afrodite, você também não é um exemplo de candura e moralidade! Você nem consegue ficar com alguém por duas semanas, por que teria moral para falar de mim... Eu não consigo viver sem os dois! Tava dando certo até agora, vocês não tem que se meter! No fundo o Aiolos sabia, o Shura ele... – Saga geme de novo quando Afrodite pegou a bolsa de gelo para bater nele.

— Seu escroto você merece ficar sem nenhum dos dois! Tomara que eles fiquem juntos, se casem e você morra só e infeliz. – disparou o sueco indo embora também. Saga bufou indignado, realmente achando que não devia ter saído da cama aquele dia.

Milo viu Camus sair de perto de Saga e Afrodite indo para o corredor de lojas no aeroporto, observou o francês parar em uma revistaria e folhear ao léu algumas publicações. Resolveu então se aproximar ao ver que estavam sozinhos e longe dos demais. Parou atrás de Camus que lia uma revista, a pele branca da nuca exposta por conta dos cabelos do ruivo estar em um coque alto agora lhe chamou a atenção, Milo lembrou que aquele era um ponto sensível do corpo alheio.

— O que está lendo?

— Algo sobre a economia francesa. – Camus colocou a revista no lugar e continuou andando a frente das prateleiras, foliando uma coisa ou outra. Milo o seguiu um tanto incomodado com a aparente indiferença do outro.

— Então o Kanon é seu namorado?

— Eu não imaginava que eram tão amigos, pensei que fosse só aquela noite com o Afrodite.

— Ele é mais amigo do Dite que meu, somos próximos por causa do sueco e de Aiolos... Eu não sabia que ele era seu cliente tão assíduo!

— Meu melhor cliente. Ele me chamava sempre e deixava extras. Até que ele achou por bem não querer mais dividir, então veio com a proposta e eu aceitei. – Camus deu de ombros – Melhor do que ser um puto de rua.

— Mas você falou que um cara ia te bancar e ele te apresentou como namorado.

— Só para evitar perguntas, mas não se engane. – Camus revirou os olhos.

— Porque você está indo para o Egito? Pensei que odiasse o calor. – Milo se aproximou mais, estavam dentro da pequena revistaria agora encobertos por uma estante.

— Faz parte do pacote, acompanhá-lo em viagens e tudo que ele quiser. Já disse que melhor que fazer programa.

— Então era só te oferecer um apartamento e grana que você poderia ser exclusivo? – Milo se posicionou atrás do francês o imprensando entre ele e a estante.

— Mais ou menos. – sussurrou Camus sentindo os lábios de Milo na pele sensível da sua nuca – Apenas os corajosos Milo.

Milo já começava a massagear o corpo de Camus sob as roupas dele quando ouviu a ultima frase, imediatamente virou o francês para si forçando-o a olhá-lo depois de soltar aquela afronta. A expressão do ruivo era petulante, Milo não o intimidava e agora que não precisava ficar a mercê dele por dinheiro, Camus não se deixaria diminuir.

— Está me chamando de covarde?

— Você é?

— Não sou idiota francês, pare de me provocar.

— Pare de achar que eu ainda preciso me sujeitar a você. – Camus se desvencilhou de Milo com brusquidão, saindo de perto do advogado em direção ao corredor com o coração acelerado. Henri lhe disse tanto “não se apaixone”!

— Camus! Onde estava, estou procurando você há algum tempo para almoçar. Todo mundo resolveu ficar pelo aeroporto mesmo – Kanon puxou o ruivo para junto de si e o beijou sem se importar com nada, o empresário não ligava para aparências – e eu descobri um restaurante ótimo com um lounge para a gente descansar.

— Estou faminto! Não acredito que vamos passar o dia nesse aeroporto. – Camus deu um suspiro – Essa viagem está me saindo mais problemática do que pensei, você disse que o único problema seria o calor.

— Não vamos ter mais problemas, vamos almoçar! Quero passar em uma loja também, eu vi uma coisa que é a sua cara Camus. Você fica incrível de bordô e azul, já viu os anéis de safira da nova coleção a Gemine? Vou comprar um pra você.

Kanon saiu puxando Camus pela cintura e Milo ficou olhando os dois se afastarem com os sentimentos embaralhados.