Notas iniciais
Olá pessoal atualização rapidinha né? Agradeça ao home office Momento fofo bebê Hyoga

Camus abriu os olhos e a primeira coisa que viu foi a cabeleira loira e brilhante do melhor amigo, Afrodite estava com a cabeça apoiada nos braços cruzados, no espaço lateral da cama. Uma pálida luz atravessava as cortinas do quarto, Camus tentou mexer a cabeça, mas doeu como o inferno então ele fechou os olhos de novo lembrando porque estava no hospital.

— Dite. – ele chamou baixinho e o sueco abriu os olhos alarmado por uns segundos até se recompor e sorrir aliviado.

— Ah, que bom que acordou. Eu vou chamar a enfermeira, ela disse que o médico precisava que você acordasse para fazer o último check-in para que você fosse liberado. – Afrodite se levantou, esticando o corpo e mexendo no cabelo.

— Dite, onde está o Hyoga?

— Com o Aiolia. – Camus ia abrir a boca para protestar, mas o sueco não deixou ele continuar – Nem comece! Você sabe como ele e Aiolia se dão bem e eu precisei ficar com você a noite toda aqui, então Aiolia está cuidando do bebê. Ele precisa de algo familiar agora, ontem foi muito traumatizante. – Afrodite segurou a mão de Camus que estava estendida na cama e seus olhos turquesa pousaram no amigo com carinho – Camye, foi horrível ontem! Se tivesse acontecido alguma coisa com vocês dois? Hassen machucou você, mas não foi o suficiente! Shura e Ettore voltaram ao seu apartamento ontem para pegar as coisas do Hyoga e o apartamento estava arrombado, todo destruído. Esse homem é louco e está por aí, você não pode continuar sendo teimoso sobre ficar sozinho. Deixe-nos ajudá-lo, deixe Aiolia se aproximar de novo! Você o acusou de não estar lá para você, agora ele quer estar e você não deixa.

Camus lambeu os lábios secos, baixando os olhos para não encarar o amigo porque as palavras de Afrodite não eram mentira.

— Camye, nós o amamos. Não é por pena. E você nunca vai ser inadequado por estar com a gente. Só porque você teve uma vida diferente da nossa, não significa que não pode estar com a gente. – Afrodite se inclinou para dar um beijo na testa do amigo com carinho – Você é o irmão que eu nunca tive, minha mãe ama você! Todos estão se empenhando para encontrar o Hassen, Milo está movendo céus e terras…

— Milo? – Camus perguntou surpreso, ele lembrava de ter se despedido dele antes de chegar na cafeteria.

— Vou te contar tudo, primeiro preciso chamar o médico, para que você possa ser liberado. Está bem o suficiente para tomar um banho e trocar de roupa? Trouxe alguma coisa, está naquela bolsa – o sueco apontou para uma mala de viagem no canto – Eu não consegui decidir, então trouxe muitas opções, não me culpe! Vamos que o Aiolos já ligou e está esperando por nós.

Afrodite saiu e Camus se levantou devagar, com a cabeça pesada e ainda dolorosa, mas depois de algum tempo ele conseguiu ir até o banheiro e fazer sua higiene. Afrodite tinha trago tudo que precisava e o banho foi restaurador de muitas formas. Quando o sueco voltou com o médico, Camus estava sentado na cama parecendo mais ele mesmo, o que deixou o doutor animado e depois do check-in positivo, ele liberou Camus para casa com uma série de recomendações.

Eles saíram do hospital no carro de Afrodite, com um motorista e o sueco tinha um guarda costa também a tiracolo. Camus se sentiu perturbado com o novo arranjo, mas o sueco explicou que todos eles estavam tomando providências desse tipo depois do ataque que Camus sofreu, como medida de segurança. Então o empresário começou a contar à Camus tudo que aconteceu depois que o ruivo foi atacado até aquela manhã, a conversa o absorveu a tal ponto que Camus só se deu conta para onde estava indo quando eles atravessaram o portão do condomínio fechado em que Aiolos morava.

— Por que não fomos para a sua casa? – Camus olhou o amigo como se quisesse estrangular Afrodite.

— Aqui é mais seguro. Hassen não pode entrar no condomínio, é de alta segurança. A minha casa fica muito exposta, apesar de querer que você voltasse para lá, o Aiolos me fez ver que é melhor você ficar com eles.

Afrodite saiu do carro primeiro ajudando Camus e os dois subiram os degraus da entrada da casa de Aiolos, o ruivo se sentiu desconfortável de estar ali depois de algum tempo sem ir lá. Como que ele ia viver ali e conviver com Aiolia depois do término horrível que tiveram? Camus podia ter se arrependido ao longo dos dias, mas Aiolia nunca mais o procurou, então ele achava que o leonino tinha desistido.

Foram recebidos pela governanta amável que Camus se lembrava, ela os trouxe para a sala de estar falando sobre como o senhor Argenkland estava em uma ligação importante no escritório, mas que já viria se reunir com eles. Afrodite perguntou sobre o quarto e ela pegou as coisas de Camus dizendo que estava tudo pronto, que ela mesma ia levar tudo para lá e que se o ruivo quisesse descansar, que ele podia.

— Eu vou ficar aqui embaixo primeiro, estou cansado de ficar deitado. – disse o ruivo indo para a chaise long da sala de estar, próximo a janela, Afrodite foi se sentar lá também pedindo a governanta que trouxesse algo para eles comerem.

Antes que ela saísse eles ouviram a correria na outra sala e o riso cristalino de Hyoga, Camus se ergueu, ansioso para chegar ao bebê que não via desde a noite passada. Queria se certificar com os próprios olhos que ele estava bem. Quando ele saiu pelas portas duplas, encontrou Hyoga deitado sobre uma manta no tapete felpudo da sala de vídeo, com Aiolia ao lado dele. O bebê ria porque Aiolia estava lhe fazendo cócegas. Camus parou na porta, uma parte emocionado por ver o filho, a outra por ver Aiolia depois de um mês evitando o advogado.

Era como voltar a respirar.

— Veja benzinho, papai está de volta! – Aiolia percebeu o movimento na porta e então se ergueu com o bebê nos braços que quando viu Camus começou a se agitar.

— Papa! Papa! Meu! – disse a criança agitando os bracinhos em direção a Camus que levou uma mão à boca, segurando um soluço por estar emocionado demais ao ouvir o filho chamá-lo.

Aiolia se aproximou dele e Camus estendeu as mãos para o garotinho que se jogou nos braços do pai, sentindo-se seguro o suficiente para não se importar se ele o pegaria. Ele era seu pai, os bebês apenas sabem onde estão seguros.

Mon petit amour. Dieu merci, tu vas bien! Dieu merci!(meu amorzinho. Graças a deus você está bem! Graças a deus!). — Camus apertou o filho junto a si, soluçando mais – Eu fiquei com tanto medo…

— Vai ficar tudo bem agora. – Aiolia hesitou, mas decidido ele levou a mão ao ombro do ruivo e apertou passando conforto e carinho – Eu nunca mais vou deixar aquele filho da puta de machucar, nem ele, nem ninguém você me ouve? Camus, eu estou falando sério aqui, é uma promessa! Ninguém mais vai te machucar.

Camus assentiu e então estendeu o braço para que Aiolia se juntasse ao abraço deles, queria que as duas, das poucas pessoas que amava na vida estivessem ali o segurando porque ele estava em pedaços e não sabia como juntá-los.

***

Mais tarde naquele mesmo dia, Camus e Aiolia estavam no quarto do advogado, depois de um longo cochilo de Camus. O bebê estava com Aiolos, que tinha saído para um passeio no condomínio com o garotinho e para dar um tempo aos dois para conversarem.

— Vou precisar cortar de novo. – Camus disse, quando Aiolia acariciou a nuca exposta, ele havia cortado o cabelo e mudado para um undercut por conta da lateral raspada o que foi meio prático agora que ele tinha um corte com cinco pontos lá, por causa do ataque – Eu tinha planos de deixar crescer de novo.

— Vai crescer de novo, eu gosto dele comprido também. – Aiolia deixou que os lábios pousassem em uma carícia na pele sensível da nuca do ruivo.

— Você estava certo. – Camus inclinou a cabeça para dar mais acesso à Aiolia – Sobre a terapia… Eu não vou, não depois do que aconteceu com Hassen. Não quando eu estou aterrorizado com a possibilidade de alguém machucar o meu filho ou algum de vocês.

— Nós vamos fazer isso juntos, vamos conseguir. Eu preciso… – Aiolia mordeu o lábio e então apertou Camus junto a si – Vai ter uns momentos em que eu vou ficar louco de ciúme, por tudo que… Camus eu quase surtei quando vi que Milo estava lá no hospital também. Porque porra é o Milo! Você o amava antes da gente e ele… – Camus se virou em seus braços, ficando de frente para olhar o rosto de Aiolia – Você foi ao casamento dele assim que acordou!

— Aiolia, Milo é passado. Assim como todos esses caras com quem me envolvi, ser prostituto… Eu preciso ter certeza de que você consegue lidar com isso Aiolia, porque se você vai sempre deixar isso entre a gente… – Camus se calou quando Aiolia pegou seu rosto entre as mãos e depois juntou os lábios num beijo longo e apaixonado, Camus se abriu para ele deixando que a língua do leonino varresse sua boca e eles só se separaram quando precisaram respirar.

— Eu não vou deixar mais nada entre a gente Camus, nada! Nem Milo, nem o seu passado e nem o meu ciúme. Eu disse que íamos fazer isso juntos e nós vamos fazer, eu te amo.

— Eu amo você, Aiolia. Muito! Vai acabar comigo se você me deixar de novo, eu sei que fui culpado da gente se separar dessa vez, mas eu tenho medo que você me odeie. – Camus estava muito vulnerável, Aiolia percebeu isso, talvez o choque do que houve com Hassen tenha quebrado todas as barreiras auto suficientes do ruivo.

— Eu vou cuidar de você, do nosso bebê. – Aiolia beijou o ruivo de novo, descendo os lábios pela mandíbula e em seguida pelo pescoço alvo, a mão delicadamente segurando a lateral e ele ouviu um murmúrio dolorido de Camus – Eu senti a sua falta, pra caralho! Vamos só… Eu vou só… Quero fazer você relaxar, não vamos fazer muito esforço.

— Aiolia… Eu quero… – Camus segurou os fios castanhos entre os dedos, sentindo os dentes de Aiolia nos mamilos e depois a língua causando-lhe tremores deliciosos – Me foda.

Aiolia traçou um caminho de lábios e língua até a ereção do ruivo, tomando-a na boca mesmo que ele ainda não estivesse completamente duro. Ele não tinha planejado nada, mas fazia tanto tempo! E para Camus parecia o mesmo se o pedido ansioso dele junto aos gemidos torturados que estava soltando agora fosse alguma indicação. O grego se ergueu se esticando até a mesa de cabeceira para pegar o lubrificante e uma camisinha na gaveta, Camus levantou-se devagar e começou a tirar as roupas, fazendo uma careta quando uma pontada atingiu sua cabeça.

— Você tem certeza que está bem? – Aiolia também estava se livrando das roupas.

Camus assentiu e então levou as mãos até o rosto de Aiolia, beijando-o enquanto as mãos acariciavam o pau em riste, fazendo Aiolia gemer em meio ao beijo. Fazendo o ruivo deitar-se na cama ainda beijando-o, Aiolia ajudou Camus a deitar-se de bruços e apoiar a cabeça nos braços cruzados. Queria que o namorado tivesse o mais confortável possível e não se mexesse muito, ele estava machucado e precisava de cuidados extras, mas o leonino iria cuidar bem do seu ruivo porque ele merecia. Ambos mereciam aquele momento de se reconectar.

Aiolia deixou que os lábios escorregassem pelas costas de Camus, traçou com a língua uma trilha doce pela coluna fazendo o ruivo arquear-se. Os gemidos de Camus eram afrodisíacos, Aiolia estava tão duro e necessitado.

— Deite de lado, apoie a cabeça em um travesseiro e fique quietinho. – Aiolia se deitou de lado, atrás de Camus ajudando o ruivo a fazer o que ele pedira porque ele havia pensado melhor e aquela posição lhe pareceu a melhor para deixar Camus apoiado – Eu vou fazer amor com você, suave e lento até você gozar e você vai ficar quietinho – Aiolia disse ao ouvido do ruivo que estremeceu e sorriu ao ouvir as palavras, fazendo o corpo roçar em Aiolia, a bunda redonda e firme roçando a ereção do outro – Quieto ruivo ou vou ter que parar.

Camus se ajustou rapidamente, uma perna apoiada na cama a outra deitada e essa era uma das coisas que fazia Aiolia lembrar que entre os dois era Camus o mais experiente. Ele tentava não pensar muito nisso, mas naquele momento o pensamento não era tão nocivo como já foi, talvez o medo de perder o ruivo para sempre tenha enfim o feito vencer o ciúme do passado de Camus.

Usando o lubrificante, Aiolia começou a preparar Camus, introduzindo os dedos dentro de Camus com cuidado enquanto distribuía beijos e lambidas no pescoço e ombro do ruivo. A mão livre ele tinha colocado sob o ruivo e usava-a para mantê-lo no lugar, Camus mesmo tentando, não conseguia ficar parado deixando que os quadris se mexessem, a cabeça caiu um pouco para frente enquanto ele se masturbava e sentia os dedos de Aiolia indo e vindo dentro de si.

— Ah porra! – Camus apertou sua ereção e choramingou quando Aiolia encontrou sua próstata e o leonino colocou mais um dedo agora puxando o lubrificante com a outra mão e despejando mais e no próprio pau também, quando ele afastou os dedos dentro de Camus o ruivo xingou em francês e Aiolia gemeu alto. Era tão sexy quando Camus se perdia em francês.

Camus levou o braço para trás e trouxe Aiolia pelos cabelos mais pra perto, para eles se beijarem, o que fizeram mesmo que a posição não favorecesse muito. Eles eram apenas corpos com tesão e gemidos, Camus nem lembrava que estava machucado! Aiolia usando um dos braços, juntou as pernas de Camus e o fez ficar de lado e meio dobrado, para se posicionar na entrada do ruivo e segurando-o como estava ele começou a entrar.

Ambos gemeram com a invasão, a cabeça do pau de Aiolia ganhando os anéis de músculos da entrada apertada e preparado como estava, a única coisa que Camus estava sentindo era prazer. Ele apertou os dedos nos lençóis mordendo o lábio para não gemer alto e tentando não sair e pular em Aiolia para cavalga-lo com força, Aiolia continuava naquele ritmo lento e doce e apesar de também fazer Camus revirar os olhos de prazer, ele queria mais forte, mais rápido.

— Olia… Por favor, mais! – ele pediu entre gemidos, mas Aiolia continuou a segurar suas pernas juntas pelos joelhos, movendo o quadril devagar levando-se para dentro do corpo do ruivo e retirando no mesmo ritmo lento. Ah ele estava se torturando também.

— Você está sob repouso. – Aiolia disse encostando a testa na nuca de Camus, os quadris ganhando mais velocidade, mas ainda sim maneirando. A sua vontade era bater Camus na cama até que ele gozasse!

— Você vai me pagar por isso... Ah filho da puta! – Aiolia tinha ondulado os quadris e então acertou a prostata de Camus e o ruivo retesou e choramingou, pegando o próprio penis e começando a se masturbar mais rápido. Ele queria desesperadamente gozar!

— Quando você ficar bom, nós vamos sair e jantar – Aiolia soltou as pernas de Camus segurando os quadris estreitos do ruivo no lugar e começou a bombear mais forte, a respiração do grego entrecortada pela fala e o tesão – Depois eu vou te levar para aquele hotel, que tem a cobertura, nós vamos foder até nenhum dos dois não conseguir andar!

Camus soltou um grito rouco e se desfez na própria mão, os jatos de creme leitoso manchando os lençóis e o pescoço esticado enquanto ele se arqueava por conta do clímax. Aiolia sentiu o canal apertado em torno do seu pau e também gozou, com a imagem em sua cabeça dele e Camus naquela cobertura luxuosa e alta o suficiente para que ninguém ouvisse os gritos dele quando Camus o martelava na cama quando fosse a sua vez de ser o fundo! Camus era delicioso de todas as maneiras.

Caíram na cama, ambos exaustos e satisfeitos pelo orgasmo e Aiolia reservou alguns minutos de fôlego até que se ergueu e nu mesmo foi ao banheiro pegar uma toalha quente para limpar o ruivo. Quando ele voltou, Camus tinha usado os lenços umedecidos que encontrou na gaveta e estava tomando dois comprimidos a seco.

— Eu disse que era uma má ideia. – Aiolia mesmo assim passou a toalha úmida no ruivo que agora estava deitado no lado dele da cama, que não estava sujo de semen. Ele pegou um pouco de água para o ruivo beber também – Você consegue levantar e tomar um banho? Quer que eu chame o médico?

— Não idiota, é só dor de cabeça, o médico disse que ainda vai persistir! – Camus disse irritado, se ajeitando na cama – Eu vou dormir e depois vai melhorar, já tomei os remédios. Você vai ficar?

— Não, descanse. – Aiolia ajeitou os lençóis em volta de Camus – Depois que você acordar nós trocamos os lençóis, eu vou descer e cuidar do Hyoga.

— Eu te amo. – Camus murmurou de olhos fechados já, Aiolia ainda tocou nos cabelos vermelhos dele e depois foi tomar banho para descer. Ele estava se sentindo finalmente aliviado por ver que seu ruivo estava são e salvo e agora nos seus braços.

***

Shura chegou em casa e encontrou o marido no tapete da sala cercado pelos brinquedos e o sobrinho, eles estavam animados batendo palmas para uma música infantil que o grego havia encontrado no Youtube, ele pensou.

— É uma imagem muito bonita. – disse Shura ao entrar, Aiolos sorriu e ergueu o rosto para receber o beijo do marido e Hyoga balbuciou animado ao ver Shura também. A criança parecia cada vez mais acostumada a eles e Shura ficava feliz que assim fosse, ele já considerava Hyoga seu sobrinho – Doce.

— Estou treinando. – Aiolos se levantou e Shura saiu do cômodo em direção a sala de jantar e consequentemente a cozinha, o grego depois de olhar o bebê e ver que ele estava entretido com o vídeo, foi atrás de Shura – Eu inclusive queria te falar uma coisa, mas com a confusão toda do Camus eu não tive tempo de explicar e agora eu consegui a visita para amanhã. – Aiolos se encostou no batente da porta observando Shura ir a geladeira pegar água – Lembra da amiga que eu disse que queria que Camus visse? A psicóloga? – Shura assentiu tomando sua água e Aiolos continuou – Ela também trabalha em um abrigo e pediu ajuda com um caso que ela tem lá, o garotinho é muito pequeno e foi resgatado em uma operação de tráfico de pessoas. Pandora não sabe ao certo de onde ele é, o palpite é países asiáticos, mas ela não tem experiência com a língua para dizer. Eu disse a ela que você é fantástico com línguas.

— Disse é? – Shura não ia deixar essa passar assim e apesar de revirar os olhos, Aiolos estava sorrindo.

— Você poderia ir e ajudar? Vou levar o Camus para falar com ela amanhã, aproveitamos e vemos isso?

— Pode ser à tarde? Não tenho aulas amanhã à tarde, minhas turmas nesse horário estão de recesso. – Shura pensou um pouco e depois assentiu – Isso mesmo. Mas é você que vai levar o Camus? O Aiolia não vai?

— Não porque ele vai para o grupo de apoio, para lidar com a raiva/ciúme. – Aiolos deu de ombros e depois foi abraçar o marido dando um beijo nele – Vamos levar o Hyoga para o Afrodite.

— Você está falando de amanhã? – Aiolia veio para a cozinha pela porta do corredor dos quartos, ele acenou para Shura e pegou a garrafa de água dele, olhando rapidamente em volta – Olos, cadê o Hyoga?

— Eu o deixei – Aiolos se virou para olhar a sala de vídeo, mas o tapete estava vazio de onde ele estava olhando o que não queria dizer nada ele só precisava chegar lá e foi o que ele fez indo para a sala para olhar melhor e o lindo tapete felpudo estava com os brinquedos, galinha pintadinha (porque ela era muito boa babá para crianças lhe disseram) e nada de bebê – aqui.

Um segundo depois Shura e Aiolia estavam olhando sobre seus ombros para também descobrir que não havia nenhum bebê à vista.

— Aiolos, cadê o meu filho?! – Aiolia passou pelo irmão e começou a procurar pela sala, o coração já batendo mais rápido – Eu pedi meia hora Aiolos, meia hora só para conversar com o Camus e você perde o meu filho!

— Meu Deus! Eu estava de olho nele até agora, eu só fui um minutinho falar com o Shura. – então os três começaram a procurar pela sala, não é possível que o garotinho tivesse ido muito longe. Ele só tinha dez meses! Ele era um bebê e engatinhava, não era um velociraptor.

— E você ainda quer adotar uma criança! Você não vai passar da avaliação tutelar Aiolos – Aiolia continuava a resmungar pela casa.

Enquanto os Argenkland resmungavam entre os cômodos, Shura cruzou os braços e ficou pensando onde um bebê de dez meses iria se meter. Ele foi para a varanda, estava trancada então o bebê não deveria ter saído, Hyoga poderia ter seguido Aiolos para a cozinha sem que o grego percebesse, com aquele chão de madeira o engatinhar do garotinho nem seria percebido e Aiolos era distraído assim. Shura resolveu dar mais uma olhadinha na sala de TV.

Foi quando uma tosse lhe chamou a atenção. Shura olhou para a lareira apagada, ela era grande e um pouco funda, antiga como toda a estrutura da casa porque Aiolos construiu a casa como as antigas grandes vilas gregas. O espanhol teve que se abaixar e então ele conseguiu ver dois olhos azuis de céu em uma cara cinza de fuligem e a boca também parecia assim porque agora o bebê levava as mãos sujas até ela.

— Papa! – disse o menininho e sorriu. Shura balançou a cabeça rindo, era ainda cedo para tentar fazer Hyoga entender que aquele monte de homens à sua volta não eram todos seus pais, embora todos o amassem como se fossem.

— Vem aqui, você pode se machucar aí. – Shura engatinhou um pouco para dentro da lareira e depois de algum esforço desajeitado ele conseguiu tirar o bebê de lá. Shura se colocava ereto com o bebê no colo quando o marido voltou à sala de TV.

— PELOS DEUSES ONDE VOCÊ ESTAVA?! – Aiolos levou a mão ao coração primeiro e só então se aproximou do marido e do sobrinho – O Aiolia vai me matar, por deus onde ele estava?

— Na lareira. – Shura disse baixinho, entregando o bebê para Aiolos.

— Se ela estivesse acesa? Ele está imundo… – Aiolos olhou para o garotinho com pesar – Eu sou um péssimo pai!

— Papa! – Hyoga começou a bater palmas animado – Papa, meu, papa!

— Ainda bem que não, vai por mim. – Shura gargalhou olhando a cara de desolação de Aiolos e então Aiolia veio correndo quando ouviu Hyoga falar e os dois gregos começaram a reclamar um com o outro sobre o bebê.

— Se você deixasse um minuto de atacar Shura, meu filho estaria limpo agora Aiolos! – Aiolia estava subindo as escadas reclamando – Não passa um minuto no mesmo cômodo sem enfiar a língua na garganta dele!

— Eu duvido que você não estava fazendo a mesma coisa no quarto Aiolia! Que ingratidão! – Aiolos choramingou.

— Mas você me prometeu que estava cuidando do Hyoga, foi você que me disse que eu deveria conversar com o Camus agora.

— Conversar! Mas eu duvido que você manteve suas mãos para você mesmo seu moleque pervertido, se fosse assim, não estava de banho tomado. – Aiolos jogou irônico – Pelo amor de deus, foi sem querer! E ele está bem. E eu te criei muito bem, você sobreviveu não foi? Eu posso muito bem ter a guarda de uma criança.

— Sobrevivi? Intacto? – Aiolia falou do alto da escada e então olhou para o irmão – Aiolos se o Hyoga tiver alguma intoxicação por causa dessa fuligem da lareira, eu vou te matar.

— Deus!! Porquê?? – Aiolos puxou os cabelos, perdendo a paciência.

Shura só se sentou e aproveitou o show porque eles iam passar a noite toda naquilo. Já conviviam muito tempo juntos para saber que aquele drama todo iria longe! Irmãos e ainda gregos? Era um drama certo.