Notas iniciais
Olá pessoal Desculpe pelo longo tempo sem postar, andava sem tempo e sem animo pra digitar pelo cel, confesso. Aqui vai mais um capítulo dessa fanfic crack, porém depende ♥ Obrigado a todo mundo que comenta e curti nas redes

Depois de terminar a mudança para a casa de Afrodite, Camus foi procurar Aiolia no escritório de advocacia do leonino à conselho do sueco. Eles repassaram a conversa várias vezes para tentar ver se era alguma armadilha, mas não descobriram nada, então Afrodite sugeriu que ele fosse conversar com Aiolia. De qualquer forma, a própria Natassia tinha sugerido no telefonema que Camus fosse vê-la o mais breve possível com um advogado, então era melhor adiantar o assunto. Não que Camus estivesse confortável em ir procurar Aiolia sobre o assunto, mas Afrodite não deixou de lembrá-lo de que Aiolia fazia parte da turma e era de confiança.

Aiolia ficou surpreso quando sua secretária avisou que havia um ruivo deslumbrante à sua espera na recepção. O Argenkland mais novo não via Camus durante aquelas semanas de adaptação do francês à sua nova vida, embora não deixasse de acompanhar as atualizações dela através de Afrodite e Aiolos.

— Olá Camus, aconteceu alguma coisa? – ele indicou a cadeira à frente da sua mesa para que o ruivo sentasse. Olhando rapidamente, Aiolia podia dizer que o francês parecia melhor do que nunca e vê-lo acordado e andando era a melhor coisa. Nunca ia deixar de notar o quanto Camus era uma visão aos olhos! O cabelo vermelho longo de novo,mas aparentemente Camus havia adotado o raspado do lado para si, lhe dava um ar ainda mais exotico. As maçãs do rosto saliente, o rosto de traços delineados e aquela boca carnuda e vermelha.

— Eu vim contratar seus serviços de advogado, na verdade eu nem sei direito para quê, mas Afrodite disse que seria necessário e Natássia também insistiu. – Camus deu de ombros, passando os dedos longos pela franja para afastá-la dos olhos.

— Sei que você deve ouvir isso o tempo todo, mas porra você é uma visão e tanto! – Aiolia deixou escapar sem pensar muito, ainda estava hipnotizado pelo ruivo à sua frente.

— Aiolia, foco aqui, por favor. – Camus revirou os olhos.

— Sério, eu realmente nunca tinha dito isso, mas eu te acho a pessoa mais linda que eu já vi e olha que eu me vejo no espelho todo dia. – Aiolia se recostou na cadeira vendo o francês de novo revirar os olhos e encará-lo com um ar de enfado, o que trouxe um sorriso para os lábios do leonino – Ok, agora você pode me contar seu problema e eu vou te ajudar. Como pagamento, você aceita jantar comigo? Prometo, só um jantar onde você quiser.

— Pelos deuses Aiolia! Eu tenho dinheiro para pagar seus serviços.

— E onde está a diversão nisso? Que outra oportunidade eu vou ter com você? – Aiolia cruzou as mãos no colo e olhou para Camus com determinação – Eu estava inclusive tentando bolar uma desculpa para te ver e convidar, mas não pensei em algo convincente o bastante. Veja o que os deuses me trouxeram?! Você está aqui, precisando de uma consultoria. Podemos jantar, como advogado e cliente e não tem nada demais nisso.

— A sua sorte é que eu não conheço outro advogado, talvez conheça, mas ainda sim. – Camus suspirou olhando o Argenkland de viés.

— Ninguém será melhor do que eu para você, pode apostar. – Aiolia sorriu e Camus não sabia dizer exatamente, mas podia jurar que havia outro significado oculto nessa afirmação – Agora me conte sobre o seu problema.

Camus tentou o melhor que pode, no telefonema, Natássia não se estendeu muito, apenas disse que precisava vê-lo porque eles tinham que decidir o futuro do filho deles juntos e isso foi o suficiente para deixar seu cérebro em pane. Indicou que ele deveria consultar um advogado e ir com ele vê-la o mais rápido possível e era por isso que agora ele estava sentado em frente a Aiolia Argenkland.

Mais tarde, naquele dia, Aiolia e Camus estavam no hotel chique em que Natássia estava hospedada. Depois da conversa com Camus, Aiolia ligou para a mulher e marcou um horário e depois dispensou Camus para tratar de uma pesquisa rápida, com a promessa de pegar o ruivo na casa de Afrodite para irem juntos ver a russa. Quando estavam no elevador indo para a cobertura do hotel, Aiolia já sabia que Natassia era na verdade Natássia Romanov, herdeira de uma fortuna antiga e bem sólida e que era presidente de uma das mais importantes multinacionais em eletrônicos do mundo. Quando ele contou isso à Camus, o francês engasgou, o que deixou Aiolia rindo até às lágrimas.

Foram introduzidos em uma saleta confortável e chique na cobertura do hotel, onde uma mulher aguardava-os sentada em uma poltrona como se ela estivesse em sua cadeira de presidente. Camus notou que mesmo que Natássia estivesse impecável como sempre, havia uma palidez e abatimento acentuados nela que a maquiagem não conseguiu esconder muito bem. Ela parecia terrivelmente magra, mas ambos os homens não pensaram muito sobre isso uma vez que magreza às vezes era a obsessão de algumas mulheres.

— Boa noite senhores. – cumprimentou a empresária de forma afável e em grego o que deixou Aiolia surpreso – Acredito que seja melhor adotar sua língua leão Argenkland, não quero deixar dúvidas sobre o que vamos falar hoje.

— Vejo que minha reputação me precede. – o sorriso presunçoso que moldou os lábios de Aiolia fez Camus e Natassia trocarem um meio sorriso – Lisonjeado que já tenha ouvido falar de mim.

— Posso ver que sim. – Natássia se virou para Camus e um sorriso acendeu sua expressão carregada – Mon cher, você está lindo como sempre. Ainda melhor do que a última vez que nos vimos, fico imensamente feliz que está a salvo e bem. O que seria do nosso filho?! Desculpe despejar isso em você dessa maneira, juro que se tivesse outra chance nunca lhe diria nada. Mas a vida não lhe deixa escolhas as vezes, eu que achava ter todos meus planos amarrados e certos, acabei por levar uma rasteira e agora não sei o que fazer se você me dizer não.

Como tudo em sua vida, Natassia foi logo ao ponto e despejou sobre Camus e Aiolia o último ano de sua vida. Como tinha planejado nos mínimos detalhes sobre ter um herdeiro de forma independente e como escolheu Camus para isso, sem o ruivo saber. Estava tudo bem, ela conseguira em sua última visita à Grécia se encontrar com Camus e colher o semem, mesmo que tenha providenciado uma camisinha defeituosa. Obteve mais sorte com a inseminação, que foi um sucesso e até o quarto mês de gravidez parecia que estava tudo bem. Até que então o câncer surgiu e ela foi forçada a escolher entre sua saúde e o bebê ao qual ela não hesitou em manter com a esperança de que depois poderia se curar.

Mas ela não pode. O bebê nasceu e agora ela estava irremediavelmente doente, seus dias estavam contados e enquanto ela murchava e enfraquecia o bebê estava vivo e forte. Depois que a notícia de que Camus tinha sido sequestrado no deserto e salvo havia se espalhado, Natassia pensou que não seria justo deixar o ruivo no escuro sobre o filho. Não quando a criança estava prestes a perder a mãe.

Era extraordinário, ela sabia e mesmo que Camus duvidasse ela estava disposta a fazer o teste de DNA para provar suas palavras e era ali que Aiolia entrava.

— Veja bem, eu tenho um conselho que me ajuda a administrar a empresa e outros ativos. A empresa acredito que em breve tenha que ir para as mãos desse conselho. Não veja isso como um demérito, mas não o vejo sendo um presidente de S/A, querido. – ela deu de ombros e rigidamente se ajeitou na poltrona, aparentemente a dor estava lhe atormentando e agora que Camus estava atento, ela não parecia bem – De modo que eu já arranjei isso, mas tenho um fundo para a criança e para você ma petit, eu não imaginava como você estaria, então tomei a liberdade de reservar alguma coisa para que você começasse uma vida nova. Você longe da prostituição e seguro para o bebê. Você ainda é jovem, pode estudar e fazer algo diferente. O dinheiro lhe deixará confortável.

— Oh querida, não p… – Camus começou a dizer, mas foi interrompido por Aiolia.

— De quanto estamos falando, senhora Romanov? – enquanto Camus estava perturbado com as coisas que Natássia falava, Aiolia estava fazendo cálculos e planos, procurando possíveis armadilhas. Era bizarro, para dizer o mínimo, mas as pessoas milionárias às vezes eram loucas – Meu cliente precisará de garantias. Ele não esperava ter essa responsabilidade jogada a ele dessa maneira, não depois de ter sobrevivido a uma das provas de vida mais duras que alguém pode passar. E ainda há o fato de que você o enganou e lhe tirou a decisão de ser pai, não é algo pequeno.

— Eu entendo, mas juro que se não fosse a doença ele jamais saberia! – Natassia teve a decência de parecer embaraçada.

— É ainda muito pior, ele nunca conheceria o filho que a senhora roubou dele! – Aiolia lançou a mulher um olhar cortante – Você abusou dele, da sua vulnerabilidade por ser uma pessoa vivendo em condições precárias para realizar seus desejos infames. Que vergonha senhora Romanov.

— Aiolia, por favor. – Camus pediu baixinho e Aiolia refreou-se, mas a indignação crescia nele como uma tsunami. Será que não houve alguém que se aproximou de Camus que não abusou dele de alguma forma?

O silêncio que se instalou na sala era pesado e cheio de constrangimento, Natássia estava lívida não só pela doença, mas pela reprimenda do advogado da qual não podia se livrar. Pelo que pode apurar também, sabia que Aiolia tinha estado na viagem ao deserto onde Camus havia sido resgatado junto com outros estrangeiros, mas ela não sabia que o advogado de renome na Grécia tinha estreitado laços tão fortes com o prostituto. Agora sabia porque Aiolia era chamado de leão no meio jurídico, estava sentindo na pele que ele iria abocanhá-la e mastigar seus ossos por conta das suas decisões estúpidas.

— Você quer vê-lo? – ela rompeu o silêncio, Camus a olhou desconfiado, mas havia curiosidade nos olhos castanhos avermelhados – Eu o trouxe, vamos ficar na Grécia até… Bem até o fim, mesmo que você não decida ficar com ele, tenho um amigo querido aqui que aceitou tutelar Hyoga até ele completar a maioridade. – a francesa fez um gesto para um dos seguranças que estava com ela na sala e então ele saiu – Minha esperança era que ele nascesse com a sua aparência, seus olhos lindos e esse vermelho perfeito. Mas os genes Romanov são teimosos e dessa forma o garoto nasceu uma cópia minha, uma pena. Eu sempre desejei que ele tivesse esse fogo em seus cabelos.

Camus ficou olhando a porta para onde o homem tinha ido e ficou a expectativa, enquanto Aiolia e Natássia falavam sobre aspectos práticos do acordo que ela queria, afinal fora para isso que levou o advogado certo? Camus não sabia bem como se sentir com tudo aquilo, sua mente estava atordoada ainda, eram muitas mudanças! Ele tinha sobrevivido à uma epopéia no deserto, agora ele tinha uma família com Afrodite e Ettore já que a sua estava morta. Agora um filho!

O segurança retornou acompanhado de uma jovem babá que trazia nos braços um bebê com lindos olhos azuis, como duas jóias. Natassia não havia mentindo sobre a criança ser uma pequena cópia sua, mas Camus não achava isso ruim, pois a russa era belíssima e era bom que a criança tivesse ganhado seus traços. Em russo, a mulher pediu que a babá desse o bebê à Camus que o pegou meio sem jeito a princípio até que o acomodou de algum modo sobre o colo e o bebê pousou seus olhos brilhantes nele com curiosidade. Ele não deveria ter mais do que cinco meses, o ruivo pensou ainda olhando o garotinho.

— Camus, ele é lindo. Olá, garotão! – Aiolia tinha se aproximado e acariciou a bochecha do bebê que deu um sorriso, fazendo ambos os homens sorrirem.

— Oh, graças aos céus! Ele é muito difícil de ir com alguém, eu estava apavorada que ele fosse rejeitá-lo, Camus. Mas veja, ele gosta até do seu namorado. – Natássia sorriu e então tossiu fraquinho, a babá indo imediatamente para perto dela, mas a russa ergueu a mão impedindo-a de continuar seu caminho. Isso a distraiu, então ela não percebeu o rubor que cobriu o rosto de Camus e o sorriso enorme que Aiolia mostrou ao ouvi-la confundi-los como namorados. – Você pode vir vê-lo todo dia, eu posso deixar que Priya vá com você passear ou mesmo para a sua casa, é bom que ele se acostume com você e sua rotina. Ele não é muito sociável, tão pequeno e já muito antissocial!

— Oh, descobrimos alguma característica paterna por aí? – Aiolia mexeu no bebê, mais uma vez, e então se ergueu e olhou para a russa – Okay, me deixe ver esse acordo senhora Romanov e vamos conversar com seus advogados sobre a mudança da certidão e o que exatamente Camus vai ganhar com isso.

***

— Você sabia que o meu maior sonho é ser pai? Sério, acho que todos nós temos aquele plano dourado de família e aconchego. Eu não duvido que Afrodite está planejando algo a curto prazo para ele e Ettore. Quem poderia imaginar?! Se você for perguntar entre nós, o mais provável de ficar com alguém como Ettore Mascherane seria eu. Confesso que até cheguei a fazer algum movimento, mas bem… A rosa venenosa o pegou. – Aiolia e Camus riram juntos a menção do apelido infame de Afrodite, o francês já tinha ouvido essa história e também como até agora o sueco não sabia como tinha caído nos braços do italiano, mas o fato era que ele se encontrava agora irremediavelmente apaixonado. Afrodite sempre disse que ele nunca ia se apegar a alguém, mas lá estava ele prestes a se casar com o amor inesperado da sua vida – Isso só reforça a minha linha de pensamento de que apesar do que dizem por aí, eu sou mais dispensado do que dispenso.

— Não deixe isso abalar seu ego enorme, você é bissexual então tem mais de uma opção. – Camus fez graça e tomou seu vinho. Sim, ele acabou aceitando o convite de Aiolia para jantar.

— Ultimamente só venho pensando em uma opção, mas isso é uma conversa para outra hora. – Aiolia também tomou seu vinho – E então Camus, como está se sentindo? Você tem um filho!

— É muita loucura, não é? Que ela tenha feito tudo isso e no fim… – Camus suspirou pensando na mulher que deixaram no hotel – O pior de tudo é que ela nem é muito apegada a ele, o bebê não passou de parte de algo que ela estava planejando. Como ela seria como mãe? Será que ele seria amado como merecia? E eu? Meu deus, eu não sei direito cuidar de mim, passei boa parte da minha vida apenas sobrevivendo e alguma parte ruim do que passei como prostituto foi por causa das minhas escolhas loucas. Como eu vou ser exemplo para alguém?

— Você é um sobrevivente Camus, que exemplo melhor esse garoto terá? Você foi alguém que fez o seu melhor com o que lhe foi dado, alguém que valoriza a vida e suas pequenas coisas justamente porque sabe o quão difícil já foi sem elas. – Aiolia estendeu a mão sobre a mesa para pegar a mão de Camus – Você é tão forte! A maioria das pessoas que passaram pelo que você passou e agora eu não estou falando só daquele deserto, não são tão equilibradas como você é. Veja os gêmeos por exemplo, veja Milo…

— Ele… Esqueça, não precisa responder. – Camus tomou o vinho em um só gole com os olhos de Aiolia atentos a ele, por isso o ruivo não encontrou o olhar esmeraldino do outro.

— Kanon desapareceu, eu soube que houve uma briga feia entre os gêmeos após o enterro da mãe deles e depois disso Kan saiu de casa. O Kan é uma pessoa totalmente desequilibrada, mas agora a gente tem uma ideia melhor do que aconteceu com ele e eu não julgo sabe. Acho que dos dois, o Saga continua sendo um hipócrita por negar sua própria natureza. Ele vai casar com uma prima pelo que estão dizendo nos jornais.

— O Saga nunca vai admitir que é gay, porque isso seria seguido de admitir que ama o irmão e não da maneira mais fraterna, você sabe. – Camus entortou os lábios e Aiolia apenas riu e concordou – É mais comum do que você imagina. Esconder-se no armário e apenas abrir de vez em quando entre quatro paredes.

— Como Milo. – Aiolia não ia deixar de falar de Milo apenas porque Camus queria esquecer, ele ainda achava que a história do ex-prostituto e o outro advogado não tinha acabado – Eu estava saindo com Marin, aquela melhor amiga da Shina, mas eu descobri que elas são muito melhores amigas e então resolvi pular fora. É confuso para mim ser o amante da amante e o Milo apesar de ser um idiota, ainda é meu amigo.

— Shina tem uma amante? – Camus piscou, surpresa moldou sua expressão.

— Aparentemente há um acordo entre elas, o que eu sei é que Milo parece muito infeliz, mas ele se afastou de todos nós. Aiolos está tentando reatar o laço de amizade, mas é difícil porque Milo só faz o que a família dele quer e os pais dele querem nós em uma fogueira da santa inquisição! Esse bando de gays subvertendo seu pobre filho, por deus!

Isso fez Camus rir, o que aliviou o clima da conversa e mesmo que Camus sentisse algo ainda por Milo, ele não podia deixar de pensar que era apenas retribuição pelas escolhas do escorpiano. O garçom surgiu para recolher os pratos e Aiolia pediu a sobremesa e mais uma garrafa de vinho, estendendo uma nota de euro com um papel para o homem e Camus arqueou a sobrancelha e o leonino apenas deu de ombros oferecendo uma piscadela. Aiolia ia oferecer a explicação do seu ato com o garçom quando sua atenção foi capturada por um casal que acabava de entrar no restaurante.

— Merda. – a exclamação em seu tom fez com que Camus olhasse também na direção em que ele estava olhando, isso acabou sendo pior e a expressão do ruivo ao ver Milo e Shina seguindo na direção da mesa deles, não era nada boa. – É a nossa deixa, bem na hora.

Aiolia se ergueu e então estendeu a mão ao ruivo que desviou o olhar do ex para encontrar o olhar determinado do leonino, uma melodia familiar começou a soar e Camus abriu a boca e choque.

— Você subornou o garçom para tocar roxy music? – Aiolia abriu um sorriso cheio de dentes e ajudou o ruivo a se levantar, o levando para uma área aberta do restaurante onde outros casais estavam dançando – Como sabe que minha música favorita deles é If there is something?

— Eu tenho meus momentos. E me diz qual seria com esse solo de guitarra? – eles foram para o centro e Aiolia enlaçou Camus pela cintura, trazendo os braços dele sobre seus ombros – Eu tinha planejado isso mais como uma forma de você nos meus braços um pouco hoje e não uma rota de fuga para não ver Milo e a cobra que ele é casado, mas o resultado é que importa. – para demonstrar seu ponto, Aiolia olhou fundo nos olhos castanhos avermelhados e deixou a mão espalmada na base da coluna de Camus, juntando mais os corpos e deu início a dança.

Camus deixou-se levar e sentir o peso do corpo forte do outro pressionado junto a si, de alguma forma ele sentia falta de pele, carinho. Mesmo o carinho lascivo que recebia dos clientes, era tudo que ele conhecia! Inclinou a cabeça no ombro de Aiolia e deixou que a melodia o levasse, já não lembrando que Milo estava ali com sua mulher ou o que levou Aiolia a jantar com ele naquela noite. Aiolia estava sendo uma distração e tanto, iria aproveitar o interesse do leonino pelo tempo que durasse.

De sua mesa, Milo não conseguia tirar os olhos do melhor amigo e se Camus. A forma como Aiolia embalava o outro e como Camus parecia derretido contra o toque do mais jovem, isso fazia o coração de Milo doer porque sabia que era isso que Camus precisava. De alguém que o assumisse, que o amasse por inteiro e não tivesse vergonha do que eram.

— Aiolia podia conseguir qualquer um que quisesse sem gastar nenhum centavo, o que ele faz com esse ruivo? – Shina comentou depois que o garçom foi embora com os pedidos de aperitivos deles.

— Ele não é mais um prostituto, se você bem o sabe.

— Isso nunca pode ser tirado dele Milo, vocês estão enganados se pensando que cachorros velhos conhecem novos truques.

— Esse princípio pode ser aplicado a você, veja como é tão feia e amarga por dentro e isso nunca vai mudar. – Milo despejou com desdém. Enfim tirando os olhos do casal na pista de dança e olhando para a mulher que casou, aquela que escolheu para ser mãe dos seus filhos – Guarde um pouco do seu veneno, sim? Se você quer continuar com essa farsa de jantar a dois.

— Meu pobre marido, tendo problemas com sua covardia. – Shina deu um meio sorriso – Você realmente precisa relaxar.

Milo bufou e tomou seu ouzo de uma vez, sinalizando para o garçom trazer mais. Nenhum álcool seria suficiente para sobreviver àquele casamento, mas ele havia cavado a própria cova, então o que esperava?

***

— Você ainda tem muitos lugares no seu lado da festa, tem certeza que já chamou todo mundo que queria? – Aiolos estava olhando a lista de convidados e viu que a maior parte deles eram seus convidados, também viu que não havia ninguém da família de Shura entre os convidados dele.

— Todo mundo que importa está aí, eu deixei reservado dois lugares para Ikki e Shaka, de qualquer forma. Seria surpreendente se viessem. – Shura deu de ombros ainda continuando a fazer seu experimento nas panelas, tinha um cheiro delicioso no ar, então Aiolos estava com muita expectativa.

— E a sua família, Shura?

Ah, ali estava! Os ombros rígidos e aquela pose de “não vamos tocar no assunto!”. Shura não se virou ainda, mas Aiolos podia ver a mandíbula quadrada e rígida que ele agora apresentava, a família do espanhol era a única que conseguia esse tipo de reação.

Aiolos saiu do seu lugar no balcão e abraçou o noivo por trás, deixando um beijo carinhoso entre as omoplatas do espanhol, numa tentativa de apaziguar o golpe. Mas ele já tinha passado isso com Saga, então não ia passar por aquilo de novo. Entre eles não poderiam haver segredos e mentiras.

— Amor, porque não dá um voto de confiança? Eu sei que você manda dinheiro a eles todos os meses e fala com uma de suas irmãs. Se o problema for trazer todos, nós podemos dispor de alguma coisa do fundo conjunto e…

— Elas não viriam Aiolos, Francesca poderia tentar, mas ela não teria para onde ir depois e não vai arriscar suas crianças. – o tom do espanhol era tão amargo, Aiolos passou os braços em volta dele e o segurou firme junto a si – Meus pais me odeiam Aiolos, eu ainda era adolescente quando meu pai me expulsou de casa por ser gay. Eu não tenho muito em Barcelona para voltar lá, não há necessidade de mexer nisso.

— Mas nós vamos nos casar, será que nem isso…

— Aiolos está se escutando?! Meus pais jamais aceitariam nosso casamento, eu imagino como meu pai trataria você e eu jamais te colocaria nessa situação. – Shura se virou dentro do abraço de Aiolos, levando as mãos ao rosto do outro e fixando seus olhos tristes nele – Esqueça isso, pense nas pessoas queridas que estarão lá para nos apoiar.

— Eu queria tanto que fosse diferente! Só queria que você fosse feliz, amor.

— Você me faz feliz Aiolos, nunca se esqueça disso e quando nos casarmos, você será minha única família e os filhos que tivermos. – Shura deixou os lábios moldarem os carnudos e macios do sagitariano – Será tudo que importa cariño.

— Você e Aiolia são as pessoas mais importantes do mundo para mim, não vou deixar que nada machuque vocês, nada ouviu bem? E eu estou falando aqui, nós vamos até Barcelona e você vai rever suas irmãs e se seus pais não quiserem ver você, eles estão perdendo! Não existe homem melhor no mundo, eles não sabem o quanto estão perdendo por não terem você na vida deles. – Aiolos aprofundou o beijo depois disso e eles ficaram assim presos neles mesmo como sempre.

— Pelo amor do panteão, vão procurar um quarto! – Aiolia entrou na cozinha interrompendo o momento, o irmão mais velho se soltou do noivo e ficou vendo o mais jovem andar até a geladeira e pegar algumas coisas para um sanduíche.

— O jantar vai sair em breve Aiolia, você não quer esperar um pouco? – Shura ofereceu voltando para as suas panelas.

— Eu vou jantar na casa do Afrodite, vou ver o Camus e o Hyoga. Você acredita que Dominique me tirou do caso do Hyoga e chamou seus próprios advogados para cuidar de tudo? Sério, ela vai fazer disso um escarcéu sem necessidade.

— Afrodite me disse que ela ficou furiosa quando descobriu, no dia seguinte ela já estava aqui com os advogados. Se forem os mesmos do divorcio, a russa maluca está em apuros. – Aiolos começou a tirar os pratos das prateleiras – E o Camus em tudo isso, como se sente?

— Um pouco pressionado. Você sabe como a mãe do Afrodite é às vezes, por isso estou indo lá, vou tirar um pouco ele das vistas dela. – Aiolia tinha terminado de fazer o sanduíche, Aiolos tinha colocado um pouco de suco para que ele tomasse também. Shura achava bonito o cuidado que ambos tinham um com o outro, era o mesmo cuidado que agora estendiam a ele e a Camus.

— Camus, hein? – Shura desligou o fogo e virou-se para o cunhado – Você está investindo bastante. O garoto passou por muita coisa, seria bom ter algum amparo agora.

— Shura, este ruivo vai ser o pai dos meus filhos! Eu vou me casar com ele. – Aiolia disse cheio de si com um sorriso enorme – Preparem-se para reservar espaço para nós nessa casa enorme, Hyoga é só o primeiro.

— Graças! Já não era tempo de você sossegar? – Aiolos sorriu e deu uma chave de braço no irmão, de brincadeira – Camus merece ser feliz e você também. Já que está tão adiantado assim, posso colocar ele como seu par na festa de casamento? Pensei que ele ia ficar na mesa de Afrodite.

— Não, ele vai entrar comigo, quero mostrar pra todo mundo esse ruivo lindo que eu tenho. – Aiolia terminou o sanduíche e tomou o suco rapidamente – Preciso ir me trocar, vejo vocês depois!

— Quem poderia imaginar que tudo que Aiolia precisava era de uma viagem ao deserto para achar o amor verdadeiro? – Shura riu da sua própria pieguice e Aiolos o acompanhou – Fomos achar o rio dos mortos e acabamos achando o sentido da vida, veja como estamos! Até Ettore vai casar, como que aquele carcamano vida fácil caiu de amores pelo Afrodite?! Logo ele que odiava os garotos ricos?!

— É isso Shura, nunca diga nunca.

Bem longe dali, o ancião dos Rijás tinha um sorriso amenos nos lábios. Sua visão não existia, mas ele podia sentir o vento no rosto e ao longe o barulho da água do rio corrente próxima. O sol estava alto e o calor não o incomodava. Ele tinha feito as sete passagens, já tinha sofrido o pior.

— Mestre, não está na hora de voltar? – um jovenzinho que o acompanhava torceu as rédeas do cavalo entre as mãos olhando o rio turbulento à sua frente. Os descendentes sabiam o poder do rio, por isso o temiam.

— A criança do rio está encontrando seu caminho pelo mundo, muitas coisas boas ele fará! Há muita felicidade em sua nova chance também. – disse Asmita com o rosto voltado para o rio, estavam com ele também Ikki e Shaka.

— Devemos checar se eles estão cumprido sua palavra? – Ikki perguntou ao ancião.

— Vão. É bom lembrar aos homens ímpios suas promessas, mas acredito que todos eles estão inebriados de felicidade para não cumprirem sua promessa. – Asmita se voltou para o grupo, que ainda tinha Mu e Shaka – Sei que eles entenderam que não só o ruivo teve uma nova vida depois que saiu daqui.

Shaka e Ikki assentiram, subindo à sela dos cavalos e partindo dali. O ancião aceitou a ajuda do jovenzinho que o acompanhava e subiu em seu cavalo levando o resto do grupo em direção oposta à que Ikki e Shaka foram.