If There is something
15 Capítulo 15
Notas iniciais
— É uma boa escolha Aiolos. Fiquei curioso sobre o terceiro pingente.
— É para o nosso filho. – Aiolos estava acariciando a plaquinha em ouro branco com o símbolo estilizado de libra, um sorriso enorme no rosto e Saga se perdeu na imagem.
O arqueólogo o procurou novamente para pedir um trio de cordões exclusivos, Aiolos havia lhe dado os desenhos para o design das placas e deixou a cargo de Saga sobre o material, apenas pedindo que a terceira fosse infantil. Ele devia ter adivinhado.
— Então vocês conseguiram adotar o garoto? – Saga perguntou, mas a óbvia felicidade de Aiolos dizia tudo.
— Foi uma burocracia da porra! – eles riram – Mas finalmente conseguimos! Ele é definitivamente nosso.
— Eu nunca o vi tão feliz Aiolos – e havia uma ponta de inveja no tom do dono da Gemini que ele não conseguiu refrear.
— Você lembra? – Aiolos se virou para Saga – Nós conversamos isso tantas vezes! Sobre casar, construir uma família e você falava sobre eu não poder continuar com as explorações, com minha busca pelo rio Estige se eu quisesse crianças – Aiolos balançou a cabeça lembrando das conversas que eles tinham – Eu fui em busca do rio dos mortos, essa busca me trouxe o amor da minha vida, uma família! Tudo que você disse que eu não poderia ter.
— Eu estava errado. – Saga segurou no queixo de Aiolos fazendo-o olhar para ele – Você merece tudo isso sim e mais ainda.
— Obrigado por trazer Shura à minha vida. – Aiolos segurou o rosto de Saga com as duas mãos e então lhe deu um beijo – Foi a melhor coisa que você poderia fazer por mim.
— Você sabe que eu te amei, não sabe? Que eu o amei profundamente, por favor diga que você sabe.
— Eu sei. – eles se abraçaram com carinho – Mesmo que agora estamos em caminhos separados Saga, eu desejo que você seja feliz assim como eu sou.
Saga foi para casa pensando naquele momento com Aiolos, em como ele sentiu o arqueólogo como o velho amigo de infância que ele sempre foi e não o amor da sua vida. Amou Aiolos e então se apaixonou por Shura, mas ele sabia no fundo a quem seu coração pertencia e o medo disso o impediu a vida toda de ser totalmente feliz. Estava doendo mais nele o fato de que Kanon não o procurou ao chegar a Atenas e isso já fazia semanas, do que quando viu Aiolos e Shura se casarem.
— Boa noite querido. – Helena o cumprimentou, ela parecia animada com algo – Eu liguei para você várias vezes, porque não me atendeu?
— Eu estava em uma reunião. – Saga deu um beijo delicado nela e entrou, deixando suas coisas com o mordomo.
— Há uma surpresa esperando por você! Eu não sabia o que fazer, seu pai ficou uma fera e tudo… – a mulher riu nervosa – Eu quase o beijei quando chegou, porque não me disse que ele era idêntico a você?!
Saga arqueou a sobrancelha para a esposa e então como um soco no estômago ele ligou as palavras dela. Deixando-a falando para trás, ele subiu a escada o mais rápido possível ganhando o corredor dos quartos. O coração batendo acelerado com a promessa de quem veria atrás daquela porta.
Parou um segundo para tomar um fôlego e testou a maçaneta, mas a porta estava aberta agora e não trancada como ele sempre encontrava ao chegar durante todos esses meses. Quando ela abriu ele pode ver próximo a cama o corpo bronzeado e forte, ainda mais que o seu agora e lhe tomou o fôlego, fazendo-o lamber os lábios ao ver que havia apenas uma parte da toalha cobrindo o sexo do irmão gêmeo, a outra parte ele esfregava vigorosamente nos cabelos negros.
Kanon riu de lado e deixou a toalha cair, Saga entrou no quarto e trancou a porta. Parecia que tinha corrido uma maratona.
— Olá irmãozinho. – a voz sedutora não havia mudado em nada, Kanon parecia ainda como sempre mesmo que com mais músculos – Sentiu a minha falta?
***
Helena estava folheando a revista há um tempo, mas sua curiosidade estava no andar de cima e na conversa que os gêmeos poderiam estar tendo. Seu sogro fora tão enfático sobre o quanto Kanon era imprestável, uma vergonha para a família… Tão diferente do homem que chegou na casa deles aquela tarde.
E Saga parecia tão abalado por saber que o irmão voltou! Ele estava há meses triste, ela pensava condoída pela dor do marido.
Helena resolveu se levantar e ir lá em cima para saber se precisavam de algo, talvez Saga precisasse de apoio e tudo mais. Então decidida ela subiu as escadas para ir ter com o cunhado e o marido, o mordomo vendo a movimentação da sua senhora correu para ir atrás dela para qualquer eventualidade. Alcançou a jovem no momento em que ela torcia a maçaneta e dava uma batida tímida na porta.
— Querido, está tudo bem? – ela testou de novo a porta, mas estava trancada e o mordomo não conseguiu suprimir um suspiro – Amor?
Um baque alto na porta a assustou, fazendo-a se afastar um pouco e o mordomo a amparou, em seguida eles ouviram a voz abafada de Saga.
— T-tudo bem Helena, não me espere! Ah porra!
Helena olhou para o mordomo e ele balançou a cabeça, então tratou tirar a mulher dali porque sempre era bom evitar novos acidentes.
Dentro do quarto, Kanon estava contra a porta, um sorriso depravado em seus lábios enquanto tinha Saga de joelhos, a boca dele no seu pau chupando forte enquanto uma das mãos estava entre as suas pernas tocando-o fundo fazendo-o delirar. Ele tinha se preparado no chuveiro, ia ser rápido e forte como ele gostava.
***
— Afrodite, você precisa convencer a sua mãe de que uma festa para trezentas pessoas é muita coisa! Eu nem conheço trezentas pessoas. – Camus bufou, colocando o rosto no balcão e sentindo o frio do mármore.
— Ah você conhece sim, vamos começar a contar aqui? – Afrodite olhou para o ruivo, o desdém era gritante no rosto bonito.
— Eu vou fugir com o Aiolia para Lakka, nós vamos casar na praia só eu, ele e juiz! – o ruivo se ergueu irritado – Eu não quero saber! Foda-se.
— Ela está grávida! Você não pode negar o desejo de uma mulher grávida e os meus filhos? Você não pensa neles? Como vão nascer infelizes e desejosos por não terem o desejo satisfeito?
— Então faça você uma festa para trezentas pessoas! – Camus se ergueu, catando suas coisas de estudo – Eu estou tentando terminar meu curso de história, tenho um artigo para apresentar. Não preciso enlouquecer com uma festa de casamento!
Afrodite viu o ruivo sair com um suspiro de exasperação, estava muito difícil convencer o francês de que ele merecia sim um casamento dos sonhos e que todo mundo ia ficar feliz se assim fosse. Que Hyoga ficaria perfeito num terninho levando as alianças agora que ele sabia andar, todos os planos maravilhosos de Afrodite e Dominique estavam ameaçados apenas pela teimosia do francês difícil!
O sueco pegou o telefone e discou rápido tamborilando as unhas no balcão de mármore. O loiro sempre achou a cozinha de Aiolos meio rústica, mas maravilhosa, embora ele não conseguisse usar mais da metade dos itens de qualquer cozinha. Ele estava seguro que existiam sempre cozinheiras maravilhosas e delivery, Afrodite estava coberto nisso.
— Ele não quer, você tem que fazer alguma coisa. – falou assim que o outro atendeu – Não me interessa! Ele é seu irmão, você deve a ele a vida.
— Bom dia para você também Afrodite. – Aiolos disse do outro lado da linha, era domingo e ele queria saber porque Afrodite Strauss estava ligando tão cedo – Levando em consideração que o casamento é dele e do Aiolia e ambos decidiram que não haveria nada além de um jantar, porque você acha que eu conseguiria convencê-lo a uma festa?
— Skruva fast det här (Foda-se!) – o sueco xingou. Será que ninguém estava do lado dele?
— Melhor você desistir rosa, vamos tentar convencê-lo pelo menos a convidar algumas pessoas além de nós para o jantar, ok? – Aiolos murmurou e então desligou para evitar que o sueco o enchesse mais.
Na sua cama, Aiolos se aconchegou de novo dentro do abraço do seu espanhol e esperava que ele conseguisse dormir de novo.
— Ele não tem idéia não é? – murmurou Shura sem nem abrir os olhos.
— Ele não vai saber o que o atingiu esse sueco. – o grego sorriu e então virou-se para beijar seu marido, já que eles estavam acordados, podiam aproveitar para fazer mais do que apenas dormir.
Mais tarde naquele dia, Aiolos estava junto com o marido, o irmão e Mascherane provando ternos.
— Você já parou para pensar que podia ser um casando com o outro, Masch? – Aiolia comentou olhando-se no espelho de corpo inteiro, para a calça cinza e o colete bem ajustado. Roupas sob medida definitivamente eram a sua coisa – Eu posso me gabar que no dia em que bati em você, no nosso segundo encontro para falar sobre a viagem, você estava interessado.
— Claro que estava interessado bichano. – Ettore também se avaliou, a sua escolha era cinza grafite e o fazia parecer um mafioso quente. Seu “Bello” morreria ao vê-lo vestido no altar – Estou sempre interessado nos garotos ricos e sedentos por um pau.
— Você é uma vagabunda Masch! – Shura disse e os três começaram a rir, o que o italiano retrucou apenas dando de ombros. Eles se conheciam há pouco tempo, era verdade, mas a camaradagem e amizade que tinham era muito forte. Shura e Mascherane foram integrados no grupo de amigos como se fizessem parte deles a vida toda.
— Mas graças a deus que o Afrodite nos salvou um do outro, porque eu já teria matado você. É um grude ciumento demais para lidar. Fora o ego. – Ettore ajeitou a gravata e então escolheu outra por não ter gostado da primeira.
— Ah tá, falou a pessoa que se apaixonou e decidiu casar com Afrodite Strauss. – Aiolia mexia nas mangas e Aiolos se levantou ajudando-o a abotoar as mangas da camisa social.
— Aquelas abotoaduras ficariam ótimas não acha? – Aiolos comentou olhando os punhos da camisa do irmão, que acenou com a cabeça concordando – Falando em Afrodite, como está tudo?
— Dominique está em Lakka, ela está lá há uma semana recebendo os preparativos, minha família chegou ontem e Manigold meu irmão disse que ela e minha mãe são melhores amigas. O que é surpreendente porque eu achei que elas iam se matar assim que começassem a discutir sobre a festa, mas talvez minha mãe só está calada porque Dominique está pagando tudo – Mascherane deu de ombros, dando outra volta no espelho vendo a si mesmo – Foi dificil convencê-la a me deixar pagar meu próprio terno e as alianças, então só deixei que ela enlouquecesse com o resto. Todo dia me pergunto como ela me deixou casar com o filho dela, a essa altura ela sabe que aquela besteira sobre salvar o Afrodite é mentira.
— Porque ele ama você, por incrível que pareça – Aiolia apontou para ele – e eu estou falando sério, eu conheço a rosa desde que tínhamos fraldas, eu nunca vi ele apaixonado assim e olha que ele já destroçou corações suficientes. Dominique sabe que ela não tem nenhum argumento que o faria deixá-lo para casar com alguém que ela considerasse melhor, então ela só está aceitando-o.
— Dominique pode parecer melhor do que os pais de Saga ou de Milo – Aiolos voltou para se sentar ao lado de Shura – Mas ela também tem seus melindres, eu acho incrível o modo como ela acolheu Camus em seu coração porque eu nunca esperei por isso.
— Ela o ama como a um filho e depois de tudo que o ruivo passou, ter isso é muito bom mesmo que seja só agora. – Ettore disse se virando para o melhor amigo e seu marido – Shura sabe o quanto é difícil não ter o apoio da família, eu nunca tive isso porque apesar de minha família ser uma tradicional família italiana, minha nona e mama me amam de todo o coração. Elas criaram oito crianças com todo amor e mesmo entre as dificuldades nós não temos queixas de falta de apoio. Minhas irmãs são loucas o suficiente para terem seus casamentos e seus filhos, Mani é casado com Violet e ela é uma mulher trans, mas eu nunca ouvi um julgamento dos lábios da minha nona e da minha mama! Família é importante, é bom que o ruivo tenha uma mesmo aos vinte e sete.
— Sim Masch, eu sei hoje o quanto estava incompleto e o quanto eu perderia se deixasse as besteiras de Saga me alcançarem. – Aiolos se inclinou para Shura que o abraçou com carinho – Eu nunca fui tão feliz quanto estou agora, tendo a minha família, vendo meu irmãozinho feliz com alguém e amando.
— Será muito bonito unir vocês, depois de todos esses meses horríveis, será uma celebração de alívio e felicidade. – Shura estava feliz também pelo melhor amigo e pelo cunhado, ambos mereciam a felicidade que ele compartilhava com Aiolos – Afrodite ficará louco quando descobrir que você planejou tudo isso com Dominique, Ettore.
— Ele vai, foi uma boa coisa deixar o Camus no escuro também porque aí ele não está desconfiando de nada. Será muita surpresa para o ruivo também e eu quero ver a reação dele a tudo! Afrodite e ele têm brigado constantemente sobre isso e o ruivo tem sido categórico sobre não querer festa nenhuma.
— Ele vai matar você Aiolia. – Shura e Aiolos começaram a rir, Mascherane apenas cruzou os braços e olhou Aiolia com uma cara cínica o que não abalou a confiança do argenkland mais novo. Ele sabia que no final daria tudo certo.
***
Camus desceu do carro e depois de tirar Hyoga da cadeirinha, ele pegou a pequena mala e esperou Afrodite fazer o mesmo. Ele não estava de bom humor porque tinha muita coisa para estudar, tinha o planejamento da Ong para fazer, mas Afrodite e Dominique o intimaram para o fim de semana em Lakka, na casa de verão que os Strauss tinham lá. Ele não sabia porque deveria ter uma pausa, não sabia porque tinha de estressar ainda mais sua rotina do que ela já estava, Afrodite sabia que ele não podia ter mudanças drásticas na rotina por causa da ansiedade.
Mas o sueco disse que ele não podia recusar o desejo de uma mulher grávida. Deus! Ainda bem que só faltavam mais uns meses e aquela desculpa seria velha, os gêmeos estariam ali para tirar o foco de Afrodite de Camus!
— Camie, ajeita essa cara! É só um fim de semana, o Hyoga vai adorar a praia. – Afrodite estava radiante porque sua mãe estava feliz e por consequência seus filhos também. E um fim de semana em Lakka era ótimo, desde que ele evitasse ter câncer de pele no sol – Oh, Aiolos?!
O Argenkland estava na porta assim que o motorista os despejou e tinha um sorriso gigante no rosto, o sueco e o francês ficaram parados na entrada olhando para o amigo que não deixou que os observou por um momento e então Shura chegou também e se adiantou pegando Hyoga do colo de Camus.
— Olá, papá! – Hyoga esticou os bracinhos e abraçou o espanhol e depois foi para Aiolos que o beijou também – Oto papá!
É, ninguém tinha tentado convencer Hyoga de que ele só tinha dois pais e não quatro como ele acreditava e estava tudo bem.
— Vamos nos arrumar, garotão!? – Shura piscou para os dois na porta e saiu com o menino nos braços, Aiolos puxou Camus e Afrodite com ele, entregando as bolsas de ambos ao mordomo ao lado e sem nenhuma explicação os levou pelos corredores dos quartos.
— Por que não se refrescam rapidamente? – ele disse animado – Vocês estão na suíte do Afrodite por enquanto e podem usar o banheiro juntos, não há nada que ninguém tenha visto um do outro certo? Athos e Moira estarão esperando vocês para arrumar o cabelo e maquiagem.
— Athos está aqui? – Afrodite franziu o cenho e se envolveu na ideia de que seu maquiador e cabeleireira favoritos estavam ali. Camus parecia estar tendo os mesmos pensamentos porque eles se olharam e as perguntas em suas expressões eram as mesmas.
Aiolos não deu nada, só os levando até a suíte de Afrodite e então quando ele abriu as portas, Afrodite viu primeiro a sua dupla de beleza e acenou para eles animado, mesmo que estranhando que estivessem ali e então Camus soltou um palavrão ao lado dele.
— Puta merda! Você só pode estar brincando comigo.
Afrodite olhou para o amigo e ia repreendê-lo pelo palavrão, ainda era difícil fazer Camus abandonar a boca suja, mas eles estavam trabalhando nisso por causa do Hyoga. Mas o ruivo nem estava mais perto dele e quando Afrodite seguiu o amigo com o olhar, ele o encontrou perto da cama onde havia um carrinho como esses de hotel com dois cabides pendurados.
Em um deles estava um terno branco e era esse que Camus estava mexendo, olhando para o modelo caro e lindo, o colete prata dentro era perfeito também. Afrodite chegou ao segundo, vendo seu nome na etiqueta e o fez arfar, levando a mão à boca aberta em um “o” perfeito.
— Dominique disse que você adoraria, ela falou com a maison pessoalmente para encomendar à algumas semanas. – Aiolos estava ao lado deles segurando o ombro de Afrodite e quando o sueco o olhou havia uma expressão de carinho no rosto do grego – Ela foi pessoalmente falar com Siriano para fazer o seu. Usar seus contatos da moda como ela sabe bem.
Era um meio terno, mas onde deveria estar as calças havia uma longa saia de veludo com uma calda. O modelo lembrava o vestido de veludo negro que Billy Porter usou no Oscar*, mas o seu era branco, a camisa social dentro era azul celeste como seus olhos e a gravata borboleta branca tambem.
— Meu deus Afrodite, é tão você! – Camus riu, nervoso também segurando seu terno mais formal, embora fosse mais acinturado e justo marcando as formas do seu corpo perfeitamente. A camisa social dentro era vermelha como seus cabelos e a gravata gelo completavam tudo – Eu não…
— Eles fizeram tudo isso, não é? Vocês na verdade! – a voz de Afrodite estava embargada de emoção enquanto ele passava a mão pela trama macia do veludo do seu vestido – Oh meu deus! Vou derreter em uma poça aqui!
— Não seja idiota, você precisa se vestir! Vocês – Aiolos apontou para os dois – Meu irmão e Mascherane estão esperando no altar, não demorem demais!
Camus largou o terno e abraçou a si mesmo, respirando com dificuldade quando a realização de tudo bateu nele. Era a ansiedade que estava cobrando o seu preço por ele ser tomado de repente por emoções demais, mas Aiolos já tinha previsto e estava preparado.
Ele sentou Camus na cama, segurando suas mãos e falando com ele para ajudá-lo a respirar, ao seu lado Athos o maquiador já lhe estendia um remédio e água, era um calmante muito leve que Camus tinha para aqueles momentos. Depois que o grego o ajudou a trabalhar seu caminho para receber ar em seus pulmões outra vez, Camus tomou o remédio. Aiolos dispensou Afrodite para ir ao banheiro e Moira foi ajudá-lo enquanto Athos ficava ali com ele ajudando Camus a se controlar.
— Acalme-se querido, não é nada ruim. Você só vai casar, esse dia vai ser o dia mais lindo da sua vida porque você merece. – Aiolos sentou-se na cama abraçando Camus com carinho e o ruivo o apertou forte apoiando-se na inabalável força do sagitariano. Aiolos sempre foi um alicerce para ele, por isso estava ali naquele momento.
— Obrigado. – a voz entrecortada do francês se fez ouvir – Obrigado Aiolos por me dar tudo, por me dar o melhor homem que eu conheci. – Aiolos tinha lágrimas nos olhos ao ouvir a emoção na voz de Camus, no olhar dele – Obrigado.
— Eu sei que você vai cuidar bem do meu irmão. – ambos tinham lágrimas nos olhos e se abraçaram novamente.
***
Aiolos olhava da beira da praia para a festa, ele havia tirado aqueles momentos sozinho para agradecer pelos últimos momentos da sua vida, por ter sobrevivido ao deserto, à descoberta do rio dos mortos. Era o momento de celebrar e agradecer por todas as coisas boas em sua vida e nesse momento seu olhar pousou no marido com o filho deles, havia uma roda de crianças em volta de Shura e ele ria enquanto animava os pequenos ao seu redor. Foi difícil, mas Aiolos também tinha conseguido trazer Carmem e seus filhos para a Grécia para o casamento e estava feliz ao ver Shura e os sobrinhos.
Pelo menos uma parte da família de Shura se reconectou, eles não podiam ter tudo certo?
Continuou olhando de onde estava, vendo Afrodite conversando com os amigos de Dominique e a parte boa da família Savalas, além de alguns outros membros da alta sociedade de Atenas que Aiolos reconheceu, contudo não tinha intimidade. Afrodite era a borboleta social entre o grupo e era interessante a mistura dos Strauss e Savalas, com os italianos Mascherane e Ettore não estava brincando quando disse que eram muitos.
— Apreciando o sucesso da ideia, certo? – Aiolos viu Aiolia e Camus vindo na sua direção, segurando Hyoga um em cada braço enquanto a criança brincava e sorria com os pés na areia – Hyoga estava muito excitado sobre a praia, tivemos que trazê-lo – explicou Aiolia sorrindo para o irmão.
— Vocês queriam fugir da comoção, admitam. – disse o arqueólogo sorrindo para ambos, ele conhecia bem os dois e sabia que apesar de estarem emocionados com a festa, eles queriam um momento sozinhos. Camus era naturalmente retraído e depois de anos fingindo ser sociável para os clientes, agora que ele não precisava disso, o ruivo preferia muitas vezes o silêncio e evitava festas. Aiolia sempre foi arredio, não estava em lugares onde ele não queria estar e o pequeno grupo de amigos deles era o suficiente para ele. Apesar de ser advogado, o leonino não gostava muito de atenção.
Era surpreendente como aqueles dois eram um para o outro, pensou Aiolos quando os viu ficar ao lado dele olhando para o mar azul à sua frente.
— A água estranhamente me acalma. – disse Camus olhando o horizonte – Quando eu estava fugindo naquele deserto escaldante e vi o rio escuro e turbulento à minha frente, meu único pensamento foi que se eu conseguisse chegar na outra margem eu mudaria toda a minha vida. Depois do que vocês me contaram sobre o rio, eu fico me perguntando se ele não ouviu minhas preces, porque minha vida mudou completamente.
— Quando Ikki nos levou e contou a verdade, lembro de ter ficado emocionado e pensar comigo “graças a deus, graças a deus eu não estava errado, eu não estava louco!” – Aiolos entregou sua parte também – Olhei para o rio e para as pessoas em volta e pensei “essas pessoas me são caras, por favor me ajude a protegê-las e voltar em segurança! Eles são a minha família!". Hoje eu penso que ele me ouviu também.
Os três permaneceram olhando o mar e então uma melodia chegou até eles, fazendo Aiolia e Camus se olhar e sorrir um para o outro.
— Acho que é a nossa música ruivo, precisamos dançar. – Aiolia ergueu a mão para Camus que tomou a mão dele na sua enquanto ergueu Hyoga para colocá-lo na sua cintura, sem se importar com os pézinhos sujos de areia do garotinho.
If there is something that I might find l
Look around corners
Try to find peace of mind I say
Where would you go if you were me
Try to keep a straight course not easy
O advogado enlaçou Camus pela cintura, segurando-o perto mesmo com o bebê que riu deliciado e chegou os bracinhos também para abraçá-lo e quando os acordes da guitarra chegaram até eles, os três estavam abraçados e dançando na areia com apenas Aiolos como expectador ou pelo menos Aiolos achava que sim até ver um movimento ao longe, no fim da praia à sua esquerda.
Do quintal arrumado para o casamento, Afrodite se distraiu olhando para a praia e vendo Aiolia e Camus dançarem com Hyoga entre eles, a cena o fez emudecer e mesmo com todo mundo falando ao seu redor ele se perdeu na beleza de ver seu irmão. Irmão, Camus sempre seria isso para ele e não havia dúvidas disso, ele estava feliz que eles tenham partilhado aquele momento importante juntos. Depois do momento horrivel que eles tiveram quase dois anos atrás, onde Camus o salvou da pior tortura possivel, ele estava feliz que agora a lembrança maior que eles tinham juntos era o casamento deles.
Ettore apertou a sua mão e eles trocaram um olhar onde o italiano confirmava que ele também estava tocado pela cena. Porém o casal viu que Aiolos, o outro na praia perto de Aiolia e Camus estava perturbado e não olhava para o casal dançando e sim para além. Afrodite e Ettore pediram licença e andaram também até a praia, Ettore ajudando o sueco a levantar o vestido.
— Querido, isso é veludo!Você tem certeza que vai arrastá-lo na areia? – Dominique se queixou olhando o filho ir em direção a praia.
— Deixe-o! É o casamento dele Dominique – Kardia segurou a mão da cunhada e começou a rir, depois alguém os chamou na roda de amigos e eles esqueceram os noivos.
— Onde vocês vão? – Shura quis saber e depois de falar com a irmã um momento, pegou o filho no colo e seguiu Afrodite e Ettore.
Quando chegaram perto dos outros Aiolia e Camus ainda estavam dançando e Afrodite parou ao lado de Aiolos que parecia assombrado e ao mesmo tempo emocionado, havia lágrimas em seus olhos verdes. Todos seguiram a direção do olhar dele e ficaram mudos de espanto.
Ao longe, segurando um cajado com suas vestes brancas e os detalhes em ouro que resplandeciam no sol do fim da tarde, havia um homem. Assim como as vestes, os longos cabelos trigueiros eram levados pela brisa do mar e o rosto plácido estava na direção deles. Mesmo com as pálpebras cerradas, os seis na praia sabiam que ele os via e mesmo ao longe dava para distinguir o sorriso manso nos lábios dele.
O homem ergueu a mão e sussurrou algumas palavras, que ecoaram na mente dos seis homens presentes na areia e aqueceram seus corações e mentes.
“Nunca se esqueçam de acreditar. Se há algo para encontrar, estejam lá”
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