If It Was Diferent...
1 A princesa Trudy e a fuga de Caspian X
Notas iniciais
Senti um par de braços me sacudindo. Abri meus olhos com raiva por ser acordada e visualizei o velho baixinho com longos cabelos e barba grisalhos. Apavorei-me. De onde eu vim, coisas como essas não seriam exatamente um problema... mas não aqui em Nárnia.
-O que diabos você está fazendo aqui? — perguntei enrolando-me ainda mais nos lençóis reais. — Eu sou uma mulher e você é um homem, esqueceu? Você não pode entrar aqui.
-Não posso mandar alguém te chamar aqui, alteza. A situação é crítica.
Sentei-me na cama e me apoiei em meus cotovelos.
-Está na hora? — perguntei.
-Não ouviu os fogos, alteza?
Balancei a cabeça negativamente. O tutor do meu primo Caspian – o qual eu sempre me esquecia o nome – estava começando a me irritar.
-Acha mesmo que eu os ouviria dormindo?
-Temos de ir, alteza. Eles logo irão matá-lo!
Levantei-me e apanhei minha calça de cavalgadas. Qualquer um que visse isso iria repreender-me, e por esse motivo eu sempre deixava a calça por baixo do vestido. Coloquei-a embaixo da camisola mesmo e calcei um par de botas que havia roubado do carregamento feito para Casp.
-Vamos, tutor – chamei-o.
Saímos correndo pelo castelo. O herdeiro de Miraz havia enfim nascido, e não restavam dúvidas de que ele mataria Caspian nesse instante. Quando víamos algum dos soldados, nos escondíamos atrás de alguma pilastra e saíamos correndo.
Depois de atravessar metade do enorme castelo cobertos por enormes mantos pretos, paramos em frente à porta de Casp. O tutor a abriu e nós entramos lentamente. Eu não sabia exatamente o que fizer, de forma que fechei a porta calmamente e fiquei encarando-os.
Caspian dormia um sono gostoso em seu leito. O tutor se aproximou e abriu as cortinas. Antes que Casp pudesse dizer qualquer coisa, o tutor pressionou-lhe os lábios. Caspian abriu os olhos com pânico, mas relaxou ao ver que era apenas o velhinho.
-Mais cinco minutos – sussurrou grogue. Rolei os olhos; por que os homens tinham de ser tão acomodados?
-Nada de estrelas hoje, meu príncipe – o tutor disse no mesmo tom de sussurro. Se eu soubesse o que dizer, falaria alguma coisa também. Não gosto de contribuir com o machismo. — Venha, devemos nos apressar.
Caspian levantou-se da mesma maneira que eu. O tutor-professor agarrou-lhe o braço e puxou-o para fora da cama. Era desgastante ver um sono sendo desperdiçado.
-Professor, o que está acontecendo? — Caspian perguntou inocentemente. Ok, até eu sabia o que estava acontecendo!
-Sua tia deu à luz... — o professor começou a explicar-lhe. — um filho.
O rosto de Caspian assombrou-se de imediato.
-Vamos, Casp – falei empurrando-o para a passagem que o professor havia aberto por trás do guarda-roupa. — Não quer morrer tão jovem, não é?
Ele me empurrou à sua frente, me fazendo entrar primeiro. Olhou para a porta do quarto e, ao ouvir os passos dos soldados de Miraz, entrou no armário também. Deixou uma pequena fresta do armário aberta e passou a observar tudo. Prendi a respiração para não fazer nenhum ruído.
Os passos dos soldados se aproximavam cada vez mais, de maneira lenta e silenciosa. Eu não conseguia enxergar nada, já que o pequeno espaço aberto estava sendo ocupado pelo corpo de Casp. De repente, ouvimos o som das flechas atingindo a cama vazia de Caspian: eles descobriram.
Descemos correndo pela passagem do armário enquanto ofegávamos da maneira mais silenciosa possível.
-Vamos logo – eu sussurrava para os dois que estava à minha frente. — Querem mesmo presenciar um assassinato?
Eles pareceram concordar, pois apressaram ainda mais o passo. Chegamos à base do esconderijo. Caspian pegava as parte essenciais de sua armadura. Peguei um par de botas e atirei-o para ele, de forma que ele agarrou-o no ar e calçou rapidamente, colocando a armadura logo em seguida. Agora ele estava escolhendo a espada que estivesse mais afiada por ali. Peguei um pequeno punhal e prendi-o no pequeno coldre na minha calça.
Olhei para todos os capacetes e descobri que estávamos na verdade no alojamento dos equipamento dos soldados.
-Acho melhor sairmos logo daqui – sussurrei. — Esconder-se num depósito de soldados não é a melhor forma de escapar deles.
-Está absolutamente certa, princesa Trudy – disse o professor.
Caspian assentiu, ainda parecendo um tanto desorientado. Estalei os dedos na frente dele e ele pareceu despertar. Recolocamos nossos mantos e saímos correndo pelas sombras, rumo ao estábulo.
Como ele era ao lado dali, chegamos logo. Casp escolheu seu cavalo, colocou-lhe a cela e montou nele.
-Precisamos de uma distração, professor – Caspian lembrou-lhe com os nervos em frangalhos.
Rolei os olhos.
-Distração saindo com a princesa Trudy – falei saindo dali correndo.
Corri para uma das inúmeras escadas do castelo e subi alguns degraus. Ao ouvir os passos dos soldados se aproximando, arranquei o manto que vestia, joguei-o para trás e pulei da escada, caindo no chão.
-Aii! — gritei. Alguns dos soldados se aproximaram. — Me ajudem, por favor!
Peguei o punhal no coldre discretamente e fiz um corte em toda a minha panturrilha. Devolvi o punhal para o coldre e puxei a barra do meu vestido, deixando o corte exposto.
-Podem me ajudar com isso? — perguntei inocente.
Bom, a simples exposição de um par de pés femininos deixava os homens doidos. Isso era bem útil nesse momento de distração.
-Oh, Alteza, podemos lhe levar para as curandeiras...
-Sim, façam isso por favor – pedi sorrindo.
Eles me “ajudaram” a levantar e foram me conduzindo para um lugar qualquer dentro do enorme castelo. Eu fingia mancar enquanto andava pelas ruelas estreitas do castelo.
-Fechem a ponte! — ouvi uma voz gritar.
Oh, céus! Caspian, seja discreto, Caspian, seja discreto...
Os fogos atingiram o céu. Eu já estava na cidade rodeada por muros com os grandes homens me segurando. Segundo eles, haviam muitas curandeiras ali. Ouvíamos dezenas de vozes gritando que “a rainha Prunaprismia abençoou o lorde Miraz com um filho!”.
Eu simplesmente torcia internamente para que Casp utilizasse uma rota de fuga aleatória ou qualquer outra coisa que o mantivesse discreto.
-Peguem-no! — gritavam vozes masculinas.
Um cavalo irrompeu pela multidão, mostrando um Caspian ofegante e pior: sem o manto! Os homens que me ajudavam viraram-se para sair.
-Não podem deixar uma princesa sozinha! — gritei para eles.
Eles pareceram ponderar a decisão. Nesse meio tempo, dezenas de cavalos passaram correndo atrás de Caspian X, que estava fugindo da morte. Agarrei meu punhal e cravei-o num dos 6 homens que me cercavam.
Peguei o punhal reserva que eu sempre mantinha no coldre e fiquei com os dois em mãos. Dois soldados se aproximaram de mim, um vindo da direita e outro vindo da esquerda. Ambos tinha suas espadas em punho, apontadas para mim. Abaixei-me na hora em que iriam me tocar com as lâminas afiadas, de forma que eles se perfuraram. Faltavam 3. Saltei sobre as costas de um e cravei o punhal ali. Outros dois vieram na minha direção. O primeiro ia me tocar com a espada, mas eu me desviei no instante, fazendo com que a lâmina cortasse um pedaço mínimo do meu cabelo.
-Nunca – dei-lhe um soco na cara. — Mexa – um chute em sua intimidade. — com – uma cabeçada. — O cabelo – um chute no nariz. — De uma mulher.
Cravei-lhe o punhal no peito e corri para cima do outro, que recuava para contar ao meu tio, Lorde Miraz, sobre o que eu havia feito. Enfiei o punhal em suas costas e ele caiu duro no chão. Era questão de tempo para me procurarem. Olhei para a ponte e corri para lá.
Mas a ponte já estava fechando. Corri ainda mais rápido, segurando-me na borda da ponte para não cair. Ela deu um sacudida violenta. Meu corpo foi jogado para fora, mas minhas mãos continuavam agarradas nas bordas da ponte. Ela estava quase fechando completamente, quando suas engrenagens travaram e ela sacudiu novamente. Dessa vez, minhas mãos não resistiram.
Soltei-me da ponte e senti meu corpo quebrando o ar à medida que caía em direção ao mar. Essa seria a morte da princesa briguenta Trudy Willians. Fechei meus olhos para não ver o que aconteceria. Meu corpo estava ficando cada vez mais gelado.
Mas, de repente, tudo ficou mais quente. Eu não estava mais caindo. Eu ouvia o som de passos se aproximando. Abri meus olhos e avistei um pouco ao longe, Susana e Pedro Pevensie.
Notas finais
beeijos:*
bellafurtado
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