If It Was Diferent...
7 A chegada dos Pevensie e as explicações à Trudy
Notas iniciais
Oh céus, Pedro está aqui! Eu o encarei com lágrimas nos olhos, ficando completamente feliz de ver seu rosto perfeito sem nenhum machucado da briga. Corri até ele e o abracei com força.
-Oh, meu Deus, você está bem! — eu disse pousando minha cabeça em seu ombro.
-Por Aslam! Não sabe o quanto estou feliz em te ver bem, a... True – ele pousou sua cabeça na minha.
Tenho que admitir que aquela roupa medieval lhe caiu muito bem. Aquela proximidade com ele deixou um sorriso enorme no meu rosto. Eu sentia seu cheiro doce com uma pitada de canela e aquilo me levava à loucura. E, depois de voltar à realidade, uma pergunta veio na minha mente: o que ele estava fazendo ali, em Nárnia?
-Trudy! — Caspian me repreendeu.
Olhei-o com raiva por ter estragado o meu momento.
-O que é?
-Não é pertinente a uma garota ficar se agarrando a um rei – estreitei os olhos. Não lembro de ter me atracado com um rei...
-Perdão?
Olhei para Pedro e ele perguntou, ao mesmo tempo que eu:
-O que você está fazendo em Nárnia?
-Primeiro as damas – ele falou.
-Não, obrigada. Isso é só uma tática machista para dizer que mulheres são tão importantes quanto os homens. A única coisa que eles fazem para dizer que isso é verdade.
-Ah, vamos lá, Trudie! — ouvi uma voz familiar... Edmundo! Olhei para o lado e vi os outros Pevensie me encarando boquiabertos.
-Por que diabos vocês estão todos aqui? — perguntei pondo as mãos na cintura. — Eu sou a princesa de Telmar e estou sendo perseguida; eis meu motivo para estar aqui! E vocês?
Caspian me olhou num misto de dúvida e repreensão.
-Não me amole, Casp! — falei antes que ele dissesse qualquer coisa.
-Você o conhece? — Susana perguntou indicando Caspian com a cabeça.
-É só o meu primo bobo que tem direito ao trono...
-Você conhece os reis e rainhas de Nárnia? — perguntou Caspian.
-É claro que s... espera aí, o quê? Não são reis e rainhas de Nárnia; são os Pevensie, meus amigos do MEU mundo!
-Eles são reis e rainhas, Trudy.
-Sim, é verdade, Alteza – o texugo passou a explicar. — Eis o Grande Rei Pedro, o Magnífico; a Rainha Susana, a Gentil; o Rei Edmundo, o Justo; e a Rainha Lucia, a Destemida.
Eu os encarei perplexa.
-Por que nunca me contaram isso? — perguntei.
-Diria que estamos loucos – Edmundo disse dando de ombros. — Até porque, não nos contou também.
Assenti.
-Tudo bem, tudo bem. Já entendi: olho por olho, e dente por dente. Sem problemas.
Encarei Pedro.
-Nunca mais faça aquilo de novo – pedi. — Por favor. Quase não consegui dormir essa noite porque fiquei pensando se você tinha se machucado muito.
-Perdeu o sono se preocupando comigo? — ele perguntou sorrindo.
Ouvi um assobio, que só podia ter vindo de Edmundo. Olhei-o em reprovação e vi Lucia lhe dando uma cotovelada nas costelas.
-Falaram alguma coisa antes de eu chegar? — perguntei tentando me desviar do assunto. Pedro ainda tinha um sorriso bobo no rosto. — Trate de tirar esse sorriso do rosto e me explicar, Pevensie.
Ele deu uma risada baixinha e disse:
-Nada de importante. Temos de sair logo daqui.
Assenti.
-Pois então vamos!
Me virei e saí andando. Senti uma mão agarrando meu braço. Olhei para ela e vi que era de Caspian.
-Não gosto dele te chamando de True.
-Ciúmes, Casp? — perguntei erguendo uma sobrancelha.
-Não – ele disse corando. — S-só não acho que é pertinente.
-Oh, não se preocupe: pode chamar Susana de Su também, sem problemas! — debochei dele, fazendo-o ficar como um pimentão.
-Do que está falando?
-Mulheres percebem tudo pelos olhares, Casp – eu disse tocando seu nariz com o indicador. — Principalmente quando são estrategistas como eu. Aliás, aquele olhar significativo que você deu a ela poderia ser percebido até mesmo pelo esquilo irritante que encontramos ontem à noite.
Ele disse uma palavra em voz baixa e eu corri até onde havia deixado a cesta da centaura, pegando-a com uma das mãos e indo até Susana. Eu a abracei com força, chorando.
-Senti tanto a sua falta quando voltei para cá... pensei que não os veria por mais alguns anos!
Ela sorriu e esfregou minhas costas.
-Ficamos preocupados quando não te achamos na estação de trem... principalmente o Pedro. Ele ficou maluco, no fundo achava que a culpa era dele.
Sorri.
-Ahn... Trudy, se importa de me contar como você parou em Nárnia?
Contei a ela a minha história e ela me contou a dela.
-Uau – falei ao terminar de ouvir. — Quer dizer, um armário! Deus do céu, como é possível?! E... então Aslam realmente existe! Isso explica aquelas coisas estranhas que vocês falavam, como “pela juba do leão”!
Ela riu.
-É, exatamente... mas... eu não sei, já estava me acostumando com a vida na Inglaterra.
-Susana, aproveite a magia! Como pode não ter sentido falta disso? — perguntei dando uma voltinha e olhando em volta. Avistei o rosto de Pedro lá atrás e sorri quando nossos olhos se encontraram.
-Eu senti, Trudy, senti muita falta disso – ela suspirou. — E é por isso que tenho medo de voltar: porque quando tudo acabar, não vou ter certeza de que voltarei. E não posso suportar uma vida dupla.
-Viva no presente, Su; o futuro a gente acerta depois!
Ela sorriu.
-Lucia deve estar se divertindo com todos esse animais, não é?
-Pode apostar que estou – a voz fininha e adorável de Lucia disse nas minhas costas.
Sorri e a abracei.
-Que saudades, Lu!
Ela sorriu.
Pedro e Caspian nos ultrapassaram, alguns narnianos com eles. Eles conversavam sobre tropas e essas coisas chatas.
-O que aconteceu quando saí? — perguntei dando uma olhada significativa ao Pedro.
-Edmundo foi tentar ajudar Pedro na briga – disse Susana balançando a cabeça em reprovação. — E os policiais apartaram. Pedro disse que a briga começou com um encontrão. Não quis pedir desculpas e eles começaram a bater nele. Quando fomos para a estação, Melanie estava chorando porque disse que você sumiu de vista, caiu no chão e puf! Desapareceu. Ficamos preocupados...
-Mas Pedro quase surtou – disse Lucia. — Ele ficava acusando todos, dizendo que devíamos ter te segurado. E ele ficou ainda mais revoltado por ter sido tão idiota. É claro que ele não admitiu isso, mas tenho certeza de que foi o que sentiu.
Balancei a cabeça em negativo enquanto ria. Edmundo passou à nossa frente logo depois que Lucia falou aquilo de Pedro. Ele nos olhou e disse:
-Parece que um certo garoto loiro está apaixonado...
-Não diga asneiras, garoto – eu disse dando um cascudo na sua cabeça. Ele riu.
Deixei Edmundo e Susana na frente conversando e fui para trás, junto com Lucia e o rato Ripchip. A luz ia ficando cada vez mais forte, até que as árvores acabaram e nossos olhos se fecharam com a claridade. A fortaleza era visível ao longe.
Eu e Lucia corremos e nos colocamos à frente; junto com Pedro, Caspian, Susana e Edmundo. Formamos uma linha de frente e passamos pelo arco na frente da fortaleza. O caminho por onde iríamos passar já estava ladeado pelos centauros esguios, cada um com sua espada erguida. Caspian segurou meu braço e eu o encarei. Ele gesticulou com a boca:
-Eles não nos querem.
Assenti e fiquei parada ao lado dele, enquanto os Pevensies passavam pelo caminho de espadas. Isso foi um pouco frustrante, já que poucas horas atrás tudo isso era para nós dois, Caspian e eu. Eu me senti... inferior.
Fomos andando um pouco atrás, como que para demonstrar que eles eram os chefes. O que era bem estranho depois de passar anos ao lado deles como amigos.
Um pequeno centauro mantinha sua espada mais baixa, e o pai dele ergueu o objeto metálico antes que o mesmo se chocasse com a cabeça de Lucia. Eu ri discretamente com a imagem.
Entramos e pudemos ver todos trabalhando.
-Eles fazem tudo isso sozinhos? — Lucia me perguntou num sussurro.
-Às vezes eu os ajudo – respondi no mesmo tom. — Sem que Caspian saiba, é claro. Ele é um tolo, acha que eu sou fraca como outras mulheres.
-Eu não acho que você seja fraca...
Sorri.
-Obrigada, Lu.
Susana se adiantou à frente, olhando tudo à sua volta. Caspian olhou em volta e disse:
-Pode não ser o que estamos acostumados, mas é defensível.
Um curto silêncio se seguiu, ao que Susana chamou:
-Pedro. Talvez queira ver isso.
Olhei para Caspian, como se perguntasse se precisávamos nos fazer de inferiores agora também. Caspian olhava Susana com aquele olhar... e só voltou à realidade ao ver Pedro andando. Ele o seguiu, de forma que julguei que o convite se estendia a mim também.
Pedro agarrou uma tocha e nós passamos por um corredor escuro, com vários desenhos de duas garotas e dois garotos. Depois de termos percorrido o corredor todo, Pedro – que estava na frente – se virou e nos encarou.
-Somos nós – disse Susana.
Eles voltaram a olhar os desenhos rapidamente. Lucia encarou a mim e Caspian e perguntou:
-Que lugar é este?
-Vocês não sabem? — Caspian perguntou. Ao não receber resposta, ele agarrou outra tocha e seguiu à frente.
Eu podia perceber uma pequena rixa entre ele e Pedro... pelo menos por parte de Caspian. Ou ele estava fazendo aquilo para chamar a atenção de Susana mesmo. Olhei aqueles desenhos mais uma vez e segui Casp. Era a primeira vez que eu realmente havia entendido-os, já que Susana havia me contado sua história.
Eu agora sabia que lugar era aquele... mas já que Caspian queria fazer seu showzinho, eu não iria impedir. Ele e Pedro ia à frente, lado a lado. Susana e Lucia estavam no meio e eu e Edmundo atrás. Eu e ele também segurávamos tochas.
-Você é a primeira garota que eu já vi que não fica cheia de frescuras diante de trabalho braçal.
-Sou uma feminista, Ed... isso é meio normal.
Ele reprimiu uma risada e assentiu, admitindo.
-É verdade... gosto disso em você, você não se contenta com as poucas coisas que lhe oferecem.
Fiz uma reverência, agradecendo:
-Obrigada, majestade – disse em tom de deboche. — Isso deve ser grande coisa vindo do “rei Edmundo: o justo”!.
Ele riu.
Chegamos ao local, que agora estava iluminado. Caspian iluminou tudo ao colocar sua tocha na imensa pira, que espalhou o fogo de uma vez. Os 4 Pevensie ficaram encarando tudo por um tempo, maravilhados com a riqueza das figuras talhadas em madeira e do local de pedra. E então, seus olhares se focaram no belo leão ali esculpido: Aslam.
Susana e Edmundo se entreolharam e todos eles encararam a mesa de pedra em que Aslam, o grande leão, havia morrido e depois ressuscitado. Lucia andou até lá com o olhar focado, sendo logo seguida pelos irmãos. Ela tocou a beira da mesa de pedra com as mãos e voltou o olhar para os irmãos, dizendo:
-Ele deve saber o que está fazendo.
Senti meu coração se apertar. Metade de todos os presentes ali pensava que havíamos sido abandonados por Aslam. A maioria adulta, mas aí surge uma garota de 9 anos com toda essa confiança. O meu pensamento de que Lucia era muito sábia para a idade se intensificou ainda mais na minha cabeça.
-Acho que agora depende de nós – Pedro disse.
Eles olharam para o grande leão esculpido e eu me aproximei de Pedro.
-Como pode dizer isso? — perguntei. Ele me encarou com confusão. — Como pode pensar que foi abandonado pelo ser que te salvou da morte, Pedro? Lucia tem 9 anos e é mais sábia que todos nós!
Os Pevensie me encararam com a mesma confusão de Pedro, mas Lucia parecia se sentir agradecida. Caspian me lançou o olhar de repreensão.
-Ouçam-me: eu só soube que Aslam era verdadeiro hoje, depois de ouvir a história de vocês. E eu nem mesmo vivi aquilo! Vocês viveram e não acreditam! É de vital importância que tenhamos alguém superior no nosso coração para nos guiar.
Pedro balançou a cabeça em negativo.
-Eu estou guiando agora. Aslam não está aqui.
-Não é porque você não consegue vê-lo que ele não está aqui – falei, sentindo uma nuvem de coragem me cobrir. — E um comandante como você precisa ser orientado por alguém sábio, Pedro. Reis precisam ser humildes. E você era humilde em Londres.
Me virei para sair andando, recebendo pela primeira vez um olhar de aprovação vindo de Caspian. Sorri em meio às lágrimas que teimavam em escorrer do meu rosto e ouvi o murmúrio dele:
-Belo discurso, Trudy.
Saí andando e senti um braço apertando o meu.
-Pode pelo menos me escutar? — Pedro perguntou.
Ao ver que eu estava chorando, sua careta de raiva se desfez.
-True, por favor, não chore! — ele secou minhas lágrimas com o polegar. — Eu não quis te magoar, eu juro! — ele me abraçou e acariciou meus cabelos. Recostei minha cabeça em seu ombro e respirei fundo ao sentir seu cheiro. — Ouça, eu tenho de ser forte, True; forte e autoritário. Tenho que guiar todo esse povo. E eu não quero dar falsas expectativas à Lucia.
-Tudo bem – falei apertando mais contra mim. — Me desculpe... mas me prometa uma coisa: não se esqueça de quem realmente é. E não se esqueça de mim, por favor. Não se dirija a mim como uma súdita, e sim como a amiga que eu era há um dia atrás.
Ele olhou fundo em meus olhos e sorriu:
-Eu prometo. E também prometo que não vou brigar a não ser que seja necessário.
Sorri.
-Obrigada.
Ele beijou minhas mãos, fazendo-me corar. Eu me virei e saí andando, tentando conter a enorme felicidade dentro do meu peito e tentando não sair pulando por aí.
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N/A: ESCLARECENDO OS FATOS! Os Pevensie chegaram a Nárnia do mesmo jeito do filme, só que não apareceu aqui porque a fic é na perspectiva da Trudy. Quanto ao capítulo anterior, a “luta” entre Caspian e Pedro está no filme no tempo “54:02”.
A capa lá de cima foi feita por mim e essa aqui foi feita pela leitora/prima camilamerizi , valeu Mila Linda *0* A capa nas dimensões originais está aqui: http://2.bp.blogspot.com/_jyaVpsZesSg/THGun6zD3cI/AAAAAAAAAoI/GOJG0nieKS4/s1600/ficbella.jpg
PRÓXIMO CAPÍTULO
Nome do capítulo: A troca de caráter e a invasão ao castelo de Miraz
Spoiler: Pedro está cada vez mais irritante com seu caráter de rei arrogante. Todos tem que invadir o castelo de Miraz para matá-lo, mas nem tudo vai como o planejado...
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