If I were in Westeros
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Notas iniciais
Meu pai, Lorde Morgan da casa desconhecida de Fênix soube da visita do Rei Robert ao Lorde Stark, em Winterfell. Por esse motivo estávamos nesta longa jornada até o norte. Dias cavalgando, enquanto eu tentava desvendar o motivo da viagem. Nós não éramos considerados parte do reino, poderia ser isso que levou meu pai a conversar pessoalmente com o Rei.
Ao chegarmos nos deparamos com a corte do Rei sendo recebida. Parece que os atalhos que usamos nos pouparam alguns dias de chegada.
– Vossa Graça! Eu sou Peter Morgan da casa Fênix. E essa é minha esposa, Norma da casa Tyrell. Desculpe a intromissão Lorde Stark, e por termos chegado assim de surpresa. Gostaria de tratar alguns assuntos com o Rei.
Após cumprimentos, e boas vindas recebidas dos Stark, Rei Robert olhou para os filhos de Eddard Stark e para nossa cavalaria.
– Esta é minha esposa, Catelyn. Esse é meu filho mais velho Robb. Esta é Sansa, Bran, Arya e Rickon. – Disse o Lorde do norte. Robb era muito bonito, com cabelos negros. Sansa no entanto tinha cabelos ruivos e olhos claros. De onde eu estava não conseguia enxergar os outros.
– Como eles cresceram Ed! Com certeza Sansa será uma ótima esposa para meu filho. – Então a garota ruiva corou. Eu sou uma garota também, porém não vejo nada de mais no príncipe Joffrey. Era Taissa que passava noites a fio dizendo quão sortuda seria a escolhida do príncipe. Ele era apenas um loiro aguado, uma criança, que provavelmente seria importante apenas pelo peso da sua futura coroa.
– Vocês tem lindos filhos, Lady Catelyn. – Ouvi Lady Norma dizer. – Deixe apresentar-lhes meus filhos. Ian, Christian e Taissa.
Após isso olhares caíram sobre mim. Seria porque ela deixou de me apresentar ou porque eu possuía uma espada colada ao meu corpo? Não importava. Toda vez que estava perto de outras pessoas Lady Norma fazia gosto de expressar sua antipatia por mim. Até quando estávamos só nós duas.
– Você também tem belíssimos filhos, Lady Morgan. – Ouvi Lady Stark dizer. Após isso convidou todos para entraram para o castelo. Exceto o Rei e o Lorde Stark, que foram para as criptas. Onde meu pai os acompanhou.
– Você sabe que ela faz de propósito. – Ouvi Chris dizer vindo atrás de mim. Ele era tão alto quanto Ian, porém 2 anos mais novo, e seus cabelos e seus olhos eram do tom castanho. Enquanto Ian era majestoso, de cabelos negros e olhos azuis. Já Taissa, que tinha a mesma idade que eu, possuía longos cabelos loiros e olhos castanhos. Os três eram diferentes em aparência.
– E você sabe que o dia que ela se referir a mim como sua filha aí eu acharei a situação estranha. – Seguimos lado a lado rindo, e entramos no castelo.
– Ouvia dizer que os Stark tinham 6 filhos. – Ele resmungou.
– E você esperava que fosse uma moça, certo? – Ri da cara apavorada que ele fez. Bem sabia que ele tinha muito gosto pelos Stark.
Após adentramos nossos aposentos, descobri que faria companhia a Lady Aria, e por fim decidi que a tornaria uma amiga minha.
Rei Robert era bem do jeito que nos descreveram. Um gordo bêbado que adorava putas. O jovem Baratheon, guerreiro e justiceiro, ficou no passado. Ouvimos murmúrios de que Benjen, da Patrulha da Noite estava aqui, e voltamos para fora. Sempre adoramos ouvir histórias sobre o perigo que os corvos enfrentam para salvar os 7 reinos.
Um jovem rapaz de cabelos negros e ondulados estava conversando com o patrulheiro. E era realmente muito lindo, possuía traços parecidos com Robb, porém era um pouco mais baixo.
– Myrella, o que você acharia se eu me torna-se um corvo? – Despertei de meus pensamentos, um pouco impuros digamos, com a voz de Christian.
– Acharia que então mulheres deveriam ser aceitas também. Porque é claro que eu não ficaria muito tempo longe de você. – E essa era a verdade. Meu pai era um Lorde e não tinha tempo para mim, Ian e Taissa sempre foram afastados de mim, por influência de Lady Norma. E me restava apenas Christian, meu ponto de equilíbrio, e minha melhor amiga, Luana. Porém esta era muito ocupada com seus afazeres.
– Creio que isso seria impossível. – Ele disse sorrindo.
– Creio que você deveria casar-se com uma morena linda, filha de um tal padeiro. E portanto nunca sair de Fênix. – O retruquei sorrindo. Luana era apaixonada por ele, e eu fazia muito gosto dos dois juntos. Mas Chris não queria causar esperanças á ela pois sabia que sua mãe se negaria a ceder uma união entre eles.
Quando percebemos, Tyrion Lannister e Benjen Stark se aproximaram, junto do garoto de cabelos ondulados.
– Boa noite, Lorde Christian. Eu sou Tyrion da casa Lannister. E essa bela moça seria? – Ouvi o anão dos leões cumprimentando.
– Eu sou Myrella Dobreva, de Bravos, da casa Morgan.
Eu não tinha sobrenome de bastarda pois bem sabia quem um dia foi minha mãe. Uma moça digna que trabalhava em um dos ateliês de Bravos. Foi dela que herdei meus longos cabelos negros, com ondulações nas pontas. Ela era apaixonada pelo ferreiro mais bem sucedido da cidade. Entretanto, ela já havia sindo desonrada por Peter Morgan em uma das passagens dele pela cidade. Mas isso não foi um empecilho para ela, pois até meus 7 anos de idade fui criada como sua filha, e mesmo apesar das dificuldades éramos felizes. Infelizmente, minha mãe adoeceu gravemente, e até então só me restou ir a terra de Fênix e desejar a mim mesma boa sorte.
– Você é a bastarda de Peter Morgan? – Ouvi ele questionar com curiosidade.
– Dizem que sim, Lorde Tyrion. – Odiava tocar nesse assunto. Odiava lembrar-me que nunca mais veria minha mãe. Odiava o fato de ser tratada como um cachorro por Lady Norma. Apenas queria voltar para Bravos. Mas como me manteria lá?
– Lorde Benjen, eu gostaria de saber como me tornar um corvo. – Ouvi Christian proferir essas palavras como um jato, cortando o silêncio e o frio. Eu o encarei com a garganta seca.
– Bom, Jon Snow está partindo para lá amanhã comigo, se essa for sua vontade pode juntar-se a nós. – Nos cumprimentaram e entraram para o castelo. E eu e meu irmão ficamos do lado de fora, ele pensativo e eu apavorada.
– Você não está falando sério, está?! Você não pode ir. – Eu protestei, mesmo sabendo que ele era teimoso.
– Myrella, sempre serei a segunda opção dessa família. Ian é o herdeiro, assim como o filho dele também será. Só os Deuses sabem o que acontecerá comigo se nosso pai vir a falecer. Eu não posso simplesmente ficar sentado esperando ser pisoteado por essa mulher que chamo de mãe. Cada ano que passa ela está pior! – Ele disse não querendo demonstrar fraqueza.
– Talvez isso seja culpa minha. Por ter aparecido e estragado sua adolescência por se aproximar de mim! – Lutei contra lágrimas mas elas teimaram em cair. Tudo que ele disse me fez refletir, o que eu faria depois que meu pai morresse? Meu melhor amigo estava largando o barco com antecedência. Eu não iria casar para fugir, pois minha paixão é a luta, é a espada. Nunca me casaria por algo que não fosse amor, e até então nunca o senti. O que seria de mim sem meu irmão mais velho, quando eu estivesse nas mãos de Lady Norma?
– A culpa não é sua. Mas somos muito parecidos, não somos? Não quero perder meus valores, mesmo que casar com alguém para salvar Fênix fosse ideal. Eu jamais poderia tomar Luana, mesmo a amando, você sabe. – E então ele me abraçou, e assim ficamos até Lady Arya aparecer e nos chamar para o almoço. Eu estava sem apetite algum para falar a verdade, mas entrei mesmo assim.
Sentei ao lado de Taissa, enquanto Christian sentou- se ao lado de Ian.
O Rei se fartava de vinho e comida enquanto uma puta estava em seu colo. A cara de Lady Cersei demonstrava o desgosto que ela tinha por ele. Enquanto isso, na mesa ao lado, Sansa ficava quase babando vendo Joffrey. Os Stark conversavam animadamente com o Rei como bons velhos amigos fazem.
– Enfim vocês dois chegaram. Tenho ótimas notícias. Finalmente nos tornaremos uma casa, a vista do rei, não do reino, é claro. Mas isso é muito bom! Além de termos formado uma aliança com os Stark. – Ouvi atentamente o que meu pai dizia.
– Que tipo de aliança, querido? – Ouvi Norma perguntar o que todos queriam saber.
– Robb Stark casará com uma Morgan. Pois Lady Sansa casará com um Lannister, e infelizmente devemos achar outra noiva para Ian. – Estranhei o fato dele não pronunciar o nome de Taissa e vi seu olhar cair sobre mim. Senti um arrepio na espinha.
– Isso é ótimo! Taissa e eu conversávamos de como Robb Stark é charmoso. – Vi Norma e Taissa vibrarem com a conversa.
– Ele escolherá uma das duas, provavelmente amanhã saberemos quem foi a escolhida. – Ouvi meu pai resmungar. A cara que as duas fizeram para mim foi impagável, como se eu tivesse culpa que a barganha tinha me incluído.
– É óbvio que será eu, pai! Eu sou uma Morgan legítima. – Taissa disse mesmo com os olhares de apreensão lançados para ela.
– Bom, então eu também devo dar uma notícia. – Christian cortou o clima, bem a tempo, como de costume. – Eu partirei amanhã para a Muralha.
Seus pais se olharam com olhos arregalados não acreditando no que ouviram. As ladys não eram permitidas a beber vinho, mas eu sempre fui contra as regras, e tomei uma garrafa para mim a escondendo em baixo do braço. Pedi com licença, mesmo ninguém prestando muita atenção. Ouvia quase gritos de meu pai e meios irmãos dizendo como Christian ficara louco, enquanto Taissa já planejava seu casamento junto a sua mãe, que nem se importou com a notícia do filho. O jeito como ela o tratava era repugnante.
Caminhei até um pequeno lago que tinha uma linda árvore fazendo sombra. Jon Snow estava treinando com sua espada. Chegando perto da árvore me joguei no chão, bebendo o vinho do gargalo.
– Posso ajudá-la? – Ele disse ao notar minha presença ali. Eu apenas queria ficar sozinha em um canto bêbada, mas rumar em qualquer lugar desconhecido seria perigoso. Meus dons com a espada seriam afetados, e tudo mais.
– Não. – E continuei bebendo.
– Então.. Seu irmão vai para a muralha?
– É o que parece. Ele vai me largar as cobras.
– Como?
Sorri. Ali estava eu, que sempre fora tão fechada, contando sobre minha vida a um estranho. – Christian é o mais perto que tenho de família desde que cheguei em Fênix. Meu pai também é um cara legal, mas você sabe como é ser um avulso em uma família. Como se estivesse no lugar errado o tempo todo.
– É. Ser um bastardo é.. chato. – Ele sentou ao meu lado e tomou a garrafa de minha mão. Sem perceber lágrimas já estavam rolando novamente. — Mas com certeza você ficará aqui em Winterfell. – Ele disse enquanto bebia o vinho e eu enxugava minhas lágrimas.
– Como?
– A escolha de Robb. Ele é um cara legal, você deu sorte.
– É meio impossível ele não escolher Taissa, você viu como ela é toda.. Majestosa? Não sei, eu nunca saberia ser feminina daquele jeito. E ela é linda também. Apesar de ser um porre de chata. – Dei risada e Snow me acompanhou.
– Ela é uma boa opção, mas eu ouvi ele dizendo que você é a favorita.
– Você poderia ser piadista, Snow.
– Mas eu estou falando sério, Dobreva.
Comecei a chorar novamente. Tudo que me faltava era casar-me com alguém que eu mal conhecia, apenas por alianças. Eu não sabia ser assim. Sem contar que seria fuzilada por aquelas duas eternamente.
– Ei, porque você está chorando? – Jon puxou meu queixo.
– Eu.. Sei lá. Robb parece ser legal, e é muito bonito. Mas eu não sou assim. Eu prometi a minha mãe que me casaria por amor, e nada além disso. Ela sempre me ensinou que eu devia fazer minhas escolhas. Por isso eu sei lutar, porque ela não me criou para ser uma empombada. Porque nunca a deram o benefício da escolha. – Apoiei minha cabeça no ombro de Snow.
– Eu entendo você. Mas não se preocupe antes do tempo. Você disse que sabe lutar? Achei que a espada era um enfeite..
– Você está me desafiando? – Levantei meus olhos até encontrar os olhos dele. Os tons eram parecidos, mas o olhar dele transmitia calma.
– Estou.
– Contando o fato de que bebi, acho que mesmo assim consigo massacrar você.
Em um pulo estávamos os dois de pé com as espadas empunhadas. Tirei meu sobre tudo e mostrei o que vestia por baixo. Roupas roubadas de Christian, todas pretas, pois essa era minha cor favorita.
– Você se veste como uma corva. – Ele disse rindo.
– Eu acho que deveria ser uma, você não concorda?
O silêncio se fez e começamos a lutar. Ele realmente golpeava muito bem, muito melhor do que eu. Quando percebi estava encurralada, com as costas na árvore, sem minha espada, enquanto Jon Snow mantinha sua espada na minha garganta.
– Acho que te venci. – Ele disse rindo. Minha respiração estava ofegante, de uma forma estranha. A proximidade dos nossos corpos estava me fazendo mal, e ele continuava ali olhando cada traço do meu rosto. Por fim ele largou a espada, mas continuou ali, me encurralando com os braços.
Quando fui tentar dizer alguma coisa ouvimos gritos e saímos correndo até o centro de Winterfell. Bran estava caído no chão.
Eu tentava encontrar uma razão pela queda de Bran, pois Lady Stark dizia com todas as letras que ele era um ótimo escalador. Acabei caindo no sono mal porcamente com tantos pensamentos na cabeça. Logo que acordei lembrei-me que meu pai avisou que eu teria um encontro com Robb Stark. Ótimo.
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