If I Were A Boy
14 Who don't fought for you?
Notas iniciais
– O que você tá fazendo aqui? — Cameron perguntou.
– Eu que te pergunto. — E eu fiquei lá parada, só observando. — O que veio fazer aqui?
– Vim buscar os presentes.
– Acho que não tinha necessidade de vir até a sala dela.
– Nem você. Estão muito amiguinhos.
– E o que você tem a ver com isso? — Eles já estavam bem perto um do outro. Decidi me enfiar no meio.
– Tá. Cameron, você já pode ir embora. E, Logan, pode dizer o que veio fazer aqui.
– Acho você muito metidinho, achando que conhece a Megan mais que eu. — Eles me ignoraram completamente! E eu já tava me sentindo um hambúrguer do Mc Donald's.
– Mas uma coisa está clara aqui. Ela não quer a sua presença. Você sabe disso, mas se faz de desentendido. Isso não é uma particularidade dela. Ninguém perdoaria o que você fez.
– E você tem muito respeito por todas as mulheres do mundo, descartando cada uma, como se fossem cartas em algum jogo de cassino.
– Escutem, eu to querendo trabalhar, sabiam? — Eu tentava empurrar os dois, mas estava impossível. Parecia que tinha virado uma coisa pessoal. E eu realmente acredito que tinha. Algo a ver com masculinidade, sei lá. Só sei que homens... Todos orgulhosos.
– Acho melhor você sair daqui, Cameron. Você não é bem vindo. E eu não estava brincando quando disse que nunca menti pra uma mulher. — Isso é uma coisa comprovada por mim. Ainda lembro o desespero do Logan falando que não queria nada sério. — Não sou que nem você.
– Ainda bem que não.
– Ainda bem mesmo. Megan não merece mais um filho da puta na vida dela. — Isso até que era verdade. Olhei de relance pro Logan e vi o punho fechado do Cameron ir de encontro com o rosto dele. Ei! Ele é bonito demais pra ficar com o olho roxo!
E aí o Logan revidou e começou a coisa toda. E a coitada aqui no meio, tentando separar os dois. Quando vi que seria impossível, saí de lá, com medo de levar outro tapa nos braços. Mas, mesmo assim, eu tentava fazer eles pararem. Não sei quanto tempo durou a coisa toda. E cadê o Connor pra me ajudar? Só sei que aquilo começou a me deixar puta de vida.
– Será que dá pra vocês pararem?! — Gritei e parece que nenhum deles me ouviu. — EI! — Berrei mais alto ainda. Eles, finalmente, se soltaram e olharam pra mim. — Juro por Deus que não sei quem eu mato primeiro! Vocês são crianças por um acaso?!
– Ele é. — Responderam em uníssono.
– Pelo menos vocês não destruíram meu consultório. O que eu falaria se meu paciente chegasse e encontrasse vocês dois como animais? Só saiam daqui.
– Meg... — Logan tentou falar comigo. Mas, por mais que eu tenha adorado vê-lo puto da vida com o Cameron e arrebentando a cara dele, sei que isso foi errado e totalmente infantil.
– Agora! — Cameron deu um sorriso convencido pra ele e saiu primeiro. — Porra, Logan... Isso podia dar problema pra mim. — Falei calma. Ele ainda tava com uma cara de decepcionado.
– To sabendo... Mas ele me bateu primeiro! — Deixei uma risada baixa escapar. — Eu tinha que revidar. É a lei da vida. — Sentei no divã. — Pensei que podíamos almoçar juntos. Não imaginei que ele estaria aqui. E... Depois de ver você daquele jeito ontem, eu não podia deixar ele falar o que queria e aparecer quando quisesse na sua vida. — Olhei pra ele.
– Obrigada, eu acho. — Ele riu baixo, que nem eu tinha feito, e sentou do meu lado.
– Você tá bem?
– To...
– Eu me importo com você, Meg. De verdade. É frustrante pra mim que você goste dele e não de outra pessoa.
– Logan, nem eu posso fazer algo a respeito. — Ele não falou nada, mas continuou ali do meu lado. — Obrigada. Por... Você sabe... Ter me defendido.
– Amigos fazem isso, certo? — Ele falou sério. Cadê o Logan das piadinhas?
– Certo... — Ele se levantou, deu um beijo na minha testa e saiu.
– O que eu perdi? — Connor perguntou com dois copos de café na mão. Deu um deles pra mim.
– Obrigada. — Respirei fundo. — Acho que eles meio que brigaram por mim.
– Quem não brigaria por você, né, doutora?
– Hein?
– Bom, eu não sou burro. Um é seu ex-namorado e o outro é mais que um amigo, dá pra notar. Mas, fora isso, você é muito bonita, doutora. Algum dia isso ia acontecer.
– Muito obrigada, Connor. Acho que já podemos voltar a "vida normal".
– Claro. — Ele achava tudo muito divertido. Claro. Eu também acharia se não fosse a minha vida.
(...)
O céu estava limpo. Eu tinha passado no trabalho do Logan. Passamos num drive e eu resolvi vir até a colina com ele. Fugir um pouco de tudo. Naquele canto da cidade dificilmente se via uma luz que não fosse a natural das estrelas. Logan estava deitado do meu lado e olhava pro céu, assim como eu.
– Como você viveu tanto tempo namorando a mesma pessoa? — Ele perguntou. Eu achei graça porque passar muito tempo com alguém, por mais que tenha brigas, era um enigma pra ele.
– Amor. Você não quer ficar longe da pessoa.
– Tem pessoas que eu quero pra sempre comigo. Mas claramente não é amor.
– Como você sabe?
– É meu melhor amigo. — Ele enfatizou o “o” de “amigo”, me fazendo dar risada. — Nunca tive um caso homossexual nem pretendo, Meg.
– Também se encaixa nesse caso. Claro que não é amor entre homem e mulher. Mas ainda assim amor. — Logan ficou quieto. Olhei pra ele de canto de olho. Podia ver que seu cérebro pensava sobre o assunto.
– Tenho medo de nunca me apaixonar.
– Eu viveria tranquilamente com uma casa cheia de gatos. O animal. Quero dizer, o animal menor. Com patas. Não o de pernas.
– Mas você já se apaixonou, Meg. Já namorou. Você sabe o que é isso.
– Não queira uma coisa dessas pra você.
– Você não tá entendendo o que eu to falando.
– To sim.
– Não tá, não. Eu tenho quase 30 anos e nunca me apaixonei. E se isso nunca acontecer?
– Uma hora vai acontecer, Logan. É inevitável.
– Sinceramente, não acho que isso irá acontecer.
– Logan, é amor, não ganhar na loteria. Todo mundo se apaixona um dia. E, vai por mim, melhor demorar do que amar alguém que não dá a mínima pra você. — Sim, eu ainda estava meio depressiva. Mas também surpresa porque o foco da conversa com esse assunto não sou eu e sim o Logan.
– É… — Ficamos em silêncio. Fechei os olhos. Estava quase cochilando quando sinto ele tocar minha mão. Abro os olhos de novo. Ele encaixa os dedos dele nos meus. Preferi achar normal. Somos amigos. Ele não quer nada sério. Aí ele começa a fazer carinho na minha mão. Tudo bem que somos amigos coloridos, mas isso, definitivamente, é estranho.
Me aproximei um pouco mais dele, fingindo ser algo casual. Ele fez o mesmo e beijou minha testa.
– Você é a melhor amiga do mundo, Meg. — Oi? Porra… Ele estragou o momento romântico que eu tinha criado na minha cabeça. Eu jurava que ele ia me beijar. Tudo bem que eu não sinto nada por ele, com exceção de atração física, mas depois de ontem lá em casa e de toda a cena no meu consultório mais cedo, eu comecei a pensar coisas que não deveria. Eu me toquei só agora que isso não vai acontecer. Ele sentir algo a mais por mim. Porra... To falando do Logan. Como eu pude pensar uma coisa dessas?
Mas… Sorri.
– Você também é o melhor amigo do mundo. — Ele passou um braço pelos meus ombros e eu deitei minha cabeça no seu. Não demorou muito pra ele cair no sono. E eu fiquei lá, olhando pra ele.
Sei que acabei de sair de um relacionamento e que ainda amo o Cameron. Ficamos muito tempo juntos pra isso acabar de uma hora pra outra. Mas eu poderia muito bem começar alguma coisa mais séria com o Logan e acabar com aquilo de "só acontecer quando não temos mais nada pra fazer ou estamos loucos por sexo".
Só que talvez ele ainda pense em mim como uma amiga. Alguém que ele pode contar. E tudo aquilo entre ontem e hoje não passe de uma demonstração de amizade. Não duvidaria que isso acontecesse e fosse tudo da minha imaginação fértil.
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