If I Were A Boy
12 My boy
Notas iniciais
Até semana passada meus dias se resumiam assim: acordar tendo uma mensagem engraçadinha, e talvez até maliciosa, do idiota do Logan, eu chegava no trabalho, conversava com um pouco com o Connor, atendia pacientes, almoçava, atendia mais pacientes… Aí eu chegava em casa e não fazia absolutamente nada, a não ser tomar banho, comer e ficar de pijama. Ou, quando o Logan aparecia, víamos TV, saíamos pra comer alguma coisa ou talvez rolasse algo a mais.
Essa semana, se resumem em: acordar, ir pro trabalho, comer, botar pijama e dormir. Super empolgante.
– Eu diria que você está com cara de brava, doutora. — Connor falou enquanto eu pegava algumas fichas no armário que ficava na recepção.
– Oi?
– Sabe… Essa semana você nunca colocaria Beyoncé pro seu paciente dançar. — Hm…
– É. Talvez. — A porta da recepção foi aberta, fazendo com um jato de vento mega gelado congelar meu nariz.
– Oi. — Contive a vontade de revirar os olhos. Idiota. — Vim deixar os presentes. Os da única boa ação que o seu ex-namorado já fez na vida.
– Obrigada por me lembrar dele, Logan. E obrigada por fazer uma das únicas boas ações da sua vida, também. Mas eu ainda te acho um babaca.
– E eu ainda te acho dramática. Mas tudo pelas crianças.
– Sempre pelo bem das criancinhas. — Ele ficou olhando pra mim e eu pra ele. Filho da mãe! Ele sabia que eu amava quando ele usava preto! E vem com aquele casaco ma-ra-vi-lho-so que o deixa parecendo algum monumento perfeito da Inglaterra. E o frio tinha deixado suas bochechas e nariz vermelhos, assim como os lábios. Puta merda. Ele estava perfeito. E totalmente beijável. Se o Connor não estivesse aqui, eu poderia muito bem levá-lo pra minha sala. E não preciso falar o que aconteceria.
– Gostei do vestido. — Logan estava com a voz rouca. E eu estava quase tendo um troço.
– Eu devo sair? — Connor perguntou.
– Não. — Respondi.
– Óbvio! — Logan respondeu ao mesmo tempo que eu.
– Por que “óbvio”? A gente não tem nada pra falar.
– Você tá parecendo uma menina mimada. Para de drama, Megan. — Fiz cara de indignada, porque eu realmente estava.
– Não to fazendo drama. Só… – Percebi o Connor nos olhando atentamente, bastante interessado na vida pessoal da chefe. – Entra logo na minha sala. – Abri a porta e o Logan entrou, já se apossando do meu sofá que ficava na lateral. – Sinceramente, Logan, me senti… Sei lá… Traída de novo. – Ele abriu a boca pra retrucar, mas eu o interrompi. – Não venha falar que você não é meu namorado porque eu não sou burra e sei que não, mas você é meu amigo. – Encostei na mesa e suspirei. — Merda! Olha só, você é importante pra mim, entendeu, seu idiota? E ela sabe disso. Então, foi atrás de você. E eu não duvido nada que ela tenha te ligado no dia seguinte a boate, quando nós duas brigamos. E você, como um idiota ninfomaníaco, caiu na conversa dela.
– Ei! Tá. Ela me ligou, mas eu não deu atenção pra Tracy. E não sou um idiota ninfomaníaco! –Eu tive vontade de rir. Ele ficava muito fofo quando estava bravo, com esse bico na cara, parecendo uma criança quando não ganhava o que queria de Natal.
– Foi só encontrar aquela coisa numa boate, com um vestido mínimo, que beijou a dita cuja de novo.
– Eu tava, praticamente, bêbado. – Cruzei os braços. – Eu tinha bebido sim. Bosta! Meg, eu entendo sua raiva por eu ter ficado com ela de novo. Mas… É que foi só um beijo. Eu e ela nem conversamos.
– Eu não to com raiva. To magoada. Você é meu garoto, entende? – Falei do mesmo jeito que ele tinha me dito no dia da boate. Ele sorriu.
– Ciumenta.
– Eu? Se olha no espelho, menino! – Ele riu.
– Meg, relaxa. Tem Logan pra todo mundo.
– Cala a boca.
– Você sabe que tem um horário mais reservado comigo do que com qualquer outra.
– Odeio você.
– Mentirosa. E desfaz esse bico. Eu sei que você não tá mais brava. – Ele se levantou e veio até mim. Continuei com cara de brava e com os braços cruzados. Mas ele fez questão de descruzar meus braços e colocou as mãos na minha cintura, beijando minha bochecha em seguida.
– Você é muito chato. – Ele me deu um selinho. – Toda vez que eu ficar brava você vai vim me beijar?
– Pra amenizar o clima. Sem contar que você adora meu beijo. – Empurrei o Logan. E ele achava graça ainda! – Desculpa. Mesmo. – Finalmente ele tá falando sério.
– Você pode beijar até… Sei lá… Qualquer pessoa. Mas ela não.
– Tá, Meg. Já entendi. Não vou mais ficar com ela. Mas… Tem uma coisa também.
– Jesus! O que tem agora? – Já estava imaginando qual a merda que ele aprontou.
– Não sou muito fã das suas saídas com o Scoot.
– De novo isso? Eu tenho motivos pra ficar puta porque você beijou a Tracy.
– Eu sei. Mas você meio que me abandona toda vez que sai com ele. – Involuntariamente, minhas bochechas coraram e eu tentava esconder o sorriso que surgia no meu rosto.
– Depois a ciumenta sou eu. – Ele revirou os olhos. – E eu nunca tinha notado como você é carente, Logan.
– Não sou carente.
– E eu te dou toda a atenção do mundo. Foram só algumas horas. Relaxa, coração. – Fui até ele e lhe dei um beijo na bochecha. Escutei batidas na porta. – Entra.
– Seu próximo paciente chegou. – Connor me avisou e depois fechou a porta de novo.
– Que horas você vai sair hoje?
– Meu ultimo paciente está marcado pras cinco. Então, seis horas to saindo.
– Passo pra te buscar. Se tiver compromisso, saiba que eu sou mais importante. – Revirei os olhos de novo. Ele me deu um selinho. – Até mais tarde.
– Tchau, Logan.
(…)
Eu ainda nem tinha fechado o escritório e o Logan já estava no meu pé.
– Já que você tá aqui, me ajuda a guardar essas fichas. — Ele pegou o monte e trouxe até mim. — Pra onde vamos depois?
– Pra casa de um amigo. É tipo uma despedida, ou sei lá o que. Não sei pra que isso. Ele só vai ficar um mês fora.
– Muita coisa pode acontecer em um mês. Pra que lugar ele vai?
– Austrália. Lembra daquela primeira festa que te levei? — Assenti. — É ele que vai. Ele que te chamou.
– Jura? — Perguntei surpresa.
– Aham. Ele disse que gostou de você e que sabia que estávamos… próximos. — “Próximos”… Isso me assustou um pouco. Não quero ficar “próxima” de ninguém. Ainda mais porque minha amizade com o Logan está mais do que ótima. E… Se o amigo dele sabe, ou acha isso, é porque o Logan fala de mim pra ele. Devo dizer que isso aumentou meu ego.
Passamos rapidamente em casa pra eu tomar um banho rápido e me vestir. Depois, fomos direto pra casa do amigo dele. Estava tipo aquele dia. Tinha muita bebida, uma rodinha jogando baralho e a música estava muito alta.
– Price! Achei que não vinha. — O amigo dele disse e me olhou sorrindo. — Você é a Megan, certo?
– Sou. — Respondi sorrindo também. Logan já estava fumando. Eu odiava quando ele fazia isso porque o gosto é horrível, mas ele ficava perfeito desse jeito. Isso eu não podia negar.
– Aproveitem a festa. E obrigado por virem. — Logan fez um toque com ele, pegou na minha mão e foi me arrastando pra dentro da casa. Eu peguei uma bebida no meio do caminho. To me sentindo na época da faculdade indo pra uma festa justo em uma quarta-feira.
Eu e o Logan começamos a dançar. E não. Dessa vez não fiquei no dois passinhos pra lá, dois pra cá. Me soltei um pouco mais. Não muito, ou eu iria parecer uma galinha viva assando no forno. Ele me puxou pela cintura e grudou os lábios na minha orelha, logo depois me perguntando:
– Será possível que eu vou ter que pedir pra colocar Beyoncé pra você se soltar?
– Nem pense. — Logan sorriu e ficou me olhando. — Sério. Não faz isso. Sabia que é difícil dançar Queen B?
– Lógico que é difícil. Mas te peguei dançando outro dia. Cheguei na sua casa e te vi pela janela. — Ah, que ótimo! — Devo dizer que aquilo foi bem sexy.
– Cala a boca. — Logan riu e me beijou. Será possível que sempre tem um idiota pra falar “nossa, fulano, tá pegando hein!”? Nos separamos. Logan ignorou a criatura completamente bêbada. Nos sentamos no sofá, do lado dos caras que jogavam.
– Vai jogar, Price? — Um dos caras perguntou, depois que tirou um cigarrinho suspeito da boca.
– Acho que sim. Espera. Vocês tão apostando dinheiro? — Logan perguntou esticando o pescoço.
– Claro. — Logan olhou pra mim.
– O que? Eu não tenho nada a ver com isso, garotão.
– Quer jogar? — Olhei pro cara. — Tá. Você não sabe jogar. Já entendi.
– Ela vai jogar comigo. — Logan respondeu. — A gente racha o dinheiro. — Ele falou no meu ouvido. Peguei o tanto de cartas que precisava.
– Podemos mudar um pouco. Quem perder, toma um shot. Além de perder grana, claro. — O mesmo cara disse e o Logan ficou na defensiva.
– Não. — Todo mundo fez uma cara de ponto de interrogação olhando pra ele. — Vocês querem embebedar a Megan. Então, não. Quem vai começar? — Começamos a jogar. Logan ia me ensinando, falando no meu ouvido o que eu devia fazer, enquanto eu manuseava as cartas. Até que era divertido. Chegou uma hora em que eu já estava sabendo como jogava aquilo e o Logan não precisava falar tudo o que eu tinha que fazer.
– Joga essa, né? — Perguntei.
– Não! A gente vai perder dinheiro. — Mas ué… Aí depois me liguei que eu ia fazer burrada. — Quer que eu jogue?
– Quero. — Entreguei pra ele. Fui pegar uma bebida e voltei. Sentei e encostei a cabeça no ombro dele. Olhei no relógio. Já era 01h30. Eu acordava cinco horas depois. — Log, eu tenho que ir pra casa.
– Já tá acabando, Meg. Só um pouquinho. — Uns 10 minutos depois, saímos com cento e cinquenta a mais no bolso, cada um. Me senti um pouco rica.
Quando chegamos em casa, eu já ia saindo do carro quando ele trancou a porta de novo.
– Logan?!
– Não tá brava comigo ainda? Mesmo?
– Se eu tivesse, não teria saído com você. — Me inclinei e dei um selinho nele. — Relaxa o core.
– Então, eu vou acampar na sua casa. — Ele pegou a mochila na parte de trás do carro e saiu. Entramos em casa e ele entrou no banheiro antes que eu.
– Intimidade é uma merda, né, Logan?! — Berrei pra ele enquanto pegava meu pijama e ia pro banheiro.
– Su casa es mi casa.
– O cacete. Chega mais pra lá. — Falei entrando no box. Ele me olhou tipo “que porra você tá fazendo?”. — Mi casa es mi casa. Mi banheiro es mi banheiro. E eu acordo daqui a menos de 5 horas. — O cafajeste já botou a mão na minha cintura. — E sem gracinhas.
– Meu Deus! Como você é chata!
– Te amo também. — Dei um selinho nele e terminei rapidamente meu banho. Ele, claro, saiu antes que eu e já tinha se esparramado pela minha cama, já dormindo. Deitei também e, com o sono que eu estava, não demorei pra apagar.
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