If I Were A Boy
2 Lunch
Notas iniciais
Acordei com uma puta dor de cabeça. Eu sabia muito bem que acordaria de ressaca assim que comecei a beber. Lembro muito bem do que aconteceu ontem a noite e minha cabeça dói ainda mais quando lembro que apaguei dentro do meu carro com um estranho no volante. Ok. Estou em casa e continuo com a roupa de ontem. Percorri a casa inteira e estava tudo bem. Depois de tomar banho e me arrumar, fui até a cozinha.
"555-967-345 — Dr. Bruman.
Ele é um psicólogo, amigo do meu pai. Acho que você vai precisar.
Logan (o que te trouxe pra casa ontem, se não lembrar)"
– Ele tá de brincadeira comigo?! — Pestanejei. Esse cara... Ele é um idiota! Quem disse que eu preciso de um psicólogo? Querido, eu sou a psicóloga!
Amassei o papel e joguei no lixo. Peguei meu celular, a chave do carro e saí de casa. Fui até uma lanchonete no centro da cidade e pedi um café pra viagem.
Me apoiei no balcão enquanto esperava o carinha me trazer o pedido. O lugar estava cheio e as pessoas pareciam fazer questão de falar o mais alto possível só pra minha dor de cabeça aumentar.
– Um chocolate quente, por favor? — Ouvi alguém dizer do meu lado. Mas olha só! É o carinha de ontem.
– Oi. — Falei e dei um sorriso de canto. Ele forçou um sorriso.
– Espero que você siga meu conselho.
– Aquele que você deixou escrito na porta da minha geladeira? Amassei e liguei no lixo.
– Obrigado pela consideração.
– Eu sou a psicóloga. Acho que sei me cuidar. — Ele olhou pra mim surpreso. — E… Obrigada por ontem. Eu acho.
– Aquele babaca foi te importunar de novo?
– Hm… Não. Pelo menos não ainda. Mas e aí? Tudo bem? — O cara me olhou como se eu fosse estranha.
– Tudo.. Vai na casa de alguém hoje? — Estranhei a pergunta.
– Acho que não e… — Aí me liguei que o babaca tava tirando uma com a minha cara. — Idiota. — Resmunguei e ele riu. — Não se esqueça de que foi você que chegou em mim, garotão.
– Não achava que você fosse assim.
– Sei que vou me arrepender, mas… Assim como?
– Louca. — Ele disse e tomou um gole. Revirei os olhos.
– Eu tava bêbada. Culpa do imprestável do Cameron. — Tomei meu café.
– E como tá a ressaca? — Ele perguntou.
– Péssima. — Murmurei.
– Tá afim daquele drink de ontem? — Olhei pro Logan. Ele realmente tá tirando uma com a minha cara.
– Tá chamando a louca pra sair? — Perguntei irônica.
– To. Depois não vou te ver mesmo. — Revirei os olhos.
– Então, você faz o tipo cafa? — Ele riu.
– Talvez. Isso vai ter que descobrir sozinha. — Ri também.
– Você não vale nada.
– Valho mais que seu querido ex-namorado.
– Não me lembra dessa praga, por favor.
– Hm... Hoje é domingo. Que tal um almoço?
– Você não tem família, não? — Ele deu de ombros.
– Tá afim ou não? — Nossa colega. Depois a grossa sou eu.
– Você paga. — Ele sorriu e saímos da lanchonete.
(...)
– Fast food? Tá de sacanagem? — Perguntei assim que ele parou o carro na frente da lanchonete. Saí do carro.
– Você é muito reclamona. — Ele fez uma careta, parando do meu lado.
– Depois você não vai me ver mesmo. Sei que você só quer me pegar. — Logan pegou na minha cintura e me prensou no carro. — Achei que a pegação iria ser depois do almoço. — Ele riu baixo e se afastou.
– Você que sabe. — Logan abaixou os braços que estavam a minha volta. Puxei um deles de volta.
– Não. Volta aqui. — Peguei em sua nuca e o beijei. Ele foi parando os beijos aos poucos. Eu me sentia estranha beijando outra pessoa depois de tanto tempo. Não sei se o beijo do Logan era muito bom ou se o Cameron beijava, digamos que, diferente. Talvez um misto dos dois. Mas era muito bom o beijo dele. — Ainda rola o almoço?
– Rola. Não mais do que isso. — Ri.
– Beleza, então. — Entramos na lanchonete. Peguei uma mesa enquanto ele fazia os pedidos. Não demorou muito e lá veio ele.
– Uma pergunta... Deixei claro que não quero relacionamento, certo?
– Mais que claro. Acha que vou fazer o que? Ir atrás de você?
– Não ficaria surpreso se você ficasse bêbada. — Rolei os olhos.
– Não quero relacionamento. Acho que vou ficar solteira pra sempre. É uma boa. Não ter que se preocupar se tá sendo chifrada ou não... Não vou ser obrigada a dizer não quando um cara gato e gostoso quiser me beijar... Fora as crises! — Rolei os olhos. — Não acha chato ter DR?
– Insuportável. Por que acha que eu não namoro? — Mexi o nariz. — Enfim... Gosta de fazer o que?
– Ler, ver filmes... Sinceramente, to tentando me descobrir ainda.
– Há quanto tempo vocês namoravam? Parece que foi por muito tempo.
– Desde o último ano do colégio. Perdi festas da faculdade por causa desse idiota!
– Dá pra aproveitar ainda.
– Espero. E você? Gosta de fazer o que?
– Ir à festas, jogar... Também leio as vezes.
– Joga vídeo game?
– Poker. Jogos de adulto. Sabe como é. — Ri. Fiquei olhando pra ele através do copo. Ele era muito gato! E por algum milagre chegou em mim quando eu estava acabada. Talvez ele estivesse alto dos goros também. — Por que tá se escondendo atrás do copo? — Logan perguntou rindo.
– Tava pensando em umas coisas.
– Hm... Gosta de ler o que?
– Um pouco de tudo.
– Eu leio mais terror.
– Prefiro aventura.
– É uma boa. Mas é um gênero mais pra adolescente. Prefiro os filmes.
– Desses livros? — Ele fez que sim com a cabeça. — Deixa eu adivinhar... Acha as atrizes gostosas? — Logan gargalhou. Certeza que ele tava pensando em alguma Emma Watson da vida.
– Talvez. — Neguei com a cabeça. Safado! — Mas eu realmente gosto das histórias.
– Sei... Trabalha com o que?
– Numa agência de viagens.
– Se eu fosse fechar uma viagem pra Ibiza então teria de falar com você.
– Provavelmente. Ou eu poderia ir junto. Adoraria te ver de biquíni.
– Eu e mais 500. — Ele deu uma risadinha. Terminamos o lanche e saímos da lanchonete.
– Agora é a hora que eu te beijo? — Ele tentou fazer uma voz sedutora. Devo dizer que funcionou.
– A gente já se beijou.
– Sabe como é, né... — Ri e passou meus braços pelo pescoço dele.
– Você não vale um dólar!
– Você já me disse isso duas vezes. E valho mais que muito cara por aí. — Fiz cara de pensativa.
– Talvez. E eu vou continuar dizendo. Você não vale mesmo. — Ele me beijou de novo. Ficamos assim durante um tempo a mais. Não durou mais do que isso mesmo, obviamente. Na verdade, nem era pra ter tido o almoço. Era só o que eu costumo chamar de "relacionamento de balada". Nome autoexplicativo. Sei que não vai ter uma segunda vez. Uma pena, porque o beijo dele é maravilhoso!
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