If I Were A Boy
7 I'm more than him, Meg
Notas iniciais
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Logan foi embora logo depois que acordou. E não, ele não saiu à francesa. Me acordou, disse que tinha que ir embora e que tinha feito café da manhã.
Eu estava entediada. Decidi sair. Fui até um barzinho que tinha perto do consultório. Lá era divertido. E a música ao vivo era agradável.
– Meg?
– Scoot! — Ele sorriu. — Há quanto tempo que a gente não se via? Três anos?
– Por aí... — Era ele quem sempre dava as melhores festas na época de colégio. — Voltei pra cidade faz umas três semanas. Encontrei o Cameron semana passada. Perguntei de você, mas ele tava meio estranho.
– A gente não tá mais junto.
– Ah... Que vergonha. — Ri.
– Relaxa, Scoot.
– E como você tá? — Ele tava uma gracinha naquela jaqueta preta.
– To bem. Você parece estar ótimo.
– E to. Tá sozinha? Digo, aqui. Acho que você tá solteira agora que não tá com ele, né? — Ele pareceu ter ficado sem graça.
– Sim, Scoot, to sozinha nos dois sentidos. — Ele pegou meu copo.
– Então, vem sentar lá na minha mesa. To com alguns amigos. Eles são babacas, mas até que são legais. — E lá fomos nós. — Gente, essa é a Megan. Megan, esses são os idiotas.
– Oi. — Sorri um pouco tímida e me sentei.
– Já perceberam que o Scoot sempre conhece as mais gatas? — Um dos amigos dele falou e eu fiquei envergonhada.
– Ela não é pro seu bico, não. — Scoot respondeu e se aproximou do meu ouvido. — Te avisei que eles eram babacas. Nenhum deles serve pra você. Só querem… Você sabe. — Ri.
– To ligada, Scoot. Relaxa o coração. — Peguei o copo dele e dei um gole.
– O que ele fez pra você? — Arqueei uma sobrancelha. — O Cameron.
– É meio vergonhoso pra mim.
– Com quem foi?
– A vaca da Tracy.
– Tracy Adams? Aquela que passou pela cama de quase todos os meninos na escola, que por acaso era sua melhor amiga? — Dei um sorrisinho.
– Essa mesma.
– Sempre te falei que ele não prestava, lembra? — Fiz que sim com a cabeça.
– Bom… Eu to em outra já. Quer dizer, a gente tá ficando, mas não é nada sério. Ele é legal, pelo menos. E bonito.
– E te deixou sozinha hoje?
– É que nem eu disse, não temos nada sério. Ele sai com outras pessoas e, se eu quiser, também. A gente só fica quando tem vontade.
– Hm… — Ele tava sério.
– E você? Já achou alguém por aqui? — Tentei quebrar o gelo. Eu to começando a odiar falar sobre isso.
– Ainda não. Acho que encontrei, mas não tenho tanta certeza. — Ele não pode estar falando sério,né?!
– Por Deus! Esse cara me persegue! — Soltei assim que vi o Logan entrando no barzinho. Ele deu um sorriso convencido assim que me viu, mas olhou pro Scoot e parou de andar na minha direção, se contentando em só acenar.
– Quem é ele?
– Logan. O cara que eu falei. Que to saindo.
– Ele é apresentável. — Cruzei os braços.
– Tá com ciúmes, Scoot? De novo? — Ele endireitou a postura.
– Eu? Quando tive ciúmes de você, Megan?
– Ah, sei lá... Sempre. — Falei irônica. Não. Eu e o Scoot nunca ficamos. Mas isso porque eu namorava o Cameron. Se dependesse dele, já tínhamos nos pegado várias e várias vezes.
– Eu sempre gostei de você. Você sabe disso.
– Na adolescência, você quer dizer.
– Sim. Isso não quer dizer que eu não te ache incrível agora. — Ele deu um gole na cerveja e piscou pra mim.
– Obrigada. Eu acho. — Ele riu baixo. — Sempre te achei bonitinho. E legal também.
– Isso quer dizer que agora tenho liberdade pra te beijar? — Gargalhei.
– Vamos com calma, bonitão. — Ele riu baico. Scoot tirou a franja da frente do meu rosto e fez carinho na minha bochecha.
Se a gente ficar, a única consequência desagradável vai ser o Cameron falando o quão injusto é eu ter ficado com um amigo dele. Ele me traiu com a minha melhor amiga. Então não tem moral nem pra falar de uma mosca. Eu to solteira, Scoot tá solteiro. E ele é bonitinho sim. É uma gracinha. Mas... Espero que ele esteja ciente de que é só uma ficada.
Me inclinei um pouco pra frente e dei um selinho nele. Claro que o selinho virou um beijo. Comprovei o que toda menina que saía com ele no ensino médio falava. Ele beija bem.
(…)
– Não liga pra bagunça. Ainda não tive tempo pra arrumar o apartamento. — Scoot disse assim que entramos.
– Tudo bem.
– Então… O quer fazer? — Sentei no sofá.
– A casa é sua. — Ele deu de ombros. — Tá, eu to com fome. — E lá fomos nós pra cozinha. Eu não era retardada e sabia muito bem a intenção dele em me levar pra casa dele. Mas sei também que ele é afim de mim desde… Sei lá desde quando. Mas sei que faz tempo. E pensei que depois de tanto tempo ele já tivesse desencanado. Eu me sentiria muito filha da puta iludindo o menino. Aliás, já to me sentindo. — Então… Se formou na faculdade?
– Hm… Desisti. Sou chef de cozinha de um restaurante. E você não sabe cozinhar. Pelo amor de Deus, Megan. — Ele falou riu e pegou a vasilha da minha mão.
– Olha, eu tento, tá?
– É... Pode até tentar, mas... Fica horrível misturar esses dois ingredientes. — Fiz bico.
– Acho que, se não fosse os produtos industrializados, eu morreria de fome. — Ele riu.
– Acho que sim. — Sentei no balcão enquanto ele preparava algo pra gente. Quase três horas da manhã e eu botando o menino pra cozinhar.
Bom... Comemos, conversamos, rimos, bebemos mais um pouco, nos beijamos... Mas eu tinha que ir pra casa. Scoot não falou nada, mas ele ficou meio decepcionado por não ter rolado nada. Alô, amigo, eu to me sentindo livre demais pra entrar em algum tipo de relacionamento agora.
Assim que cheguei em casa, tomei banho e fui direto pra cama. Estava quase pegando no sono quando tocam a campainha. Resolvi ignorar e fechei os olhos de novo. Mas a pessoa insistiu mais uma vez.
– Porra... – Levantei e fui até a porta. – Quem é?
– Meg? – Revirei os olhos e abri, tendo a visão da Tracy na minha frente.
– O que você tá fazendo aqui?
– Vim pedir desculpas mais uma vez. Você não me atende pelo telefone. Poxa, Meg, eu sinto tanta sua falta.
– Devia ter pensado isso enquanto gemia o nome do meu namorado! – Fui fechar a porta, mas ela segurou.
– Mas você já tá em outra. – Revirei os olhos. – Eu vi suas fotos com o Logan no Facebook. – Agora a coisa ficou mais interessante.
– Conhece o Logan da onde?
– Ao contrário de você, eu saía, Megan.
– Nem pra encontrar alguém pra dormir nessas suas festas.
– Olha, eu vim aqui pra me desculpar com você.
– Vai embora e não me enche mais o saco, Tracy. – Empurrei a indivídua pra ela liberar a porta e eu poder fechar. E assim fiz. Passei a chave e voltei pro quarto. Ela continuou tocando a campainha. Juro que vai baixar o espírito da barraqueira em mim se ela resolver continuar com isso.
“Tá com o seu amigo ainda?”
Logan mandou a mensagem. Revirei os olhos mais uma vez. Pensei em perguntar se ele não estava com alguma amiguinha também. Mas resolvi ignorar isso e ligar pra ele.
– Conhece a Tracy da onde? – Perguntei quando ele atendeu.
– Oi pra você também. E quem é Tracy?
– Eu sei que vocês se conhecem.
– Tracy Adams? Quem não conhece? – Ele perguntou rindo. – Por que a pergunta?
– Ela me disse que viu nossa foto juntos. Mas de onde vocês se conhecem?
– Acho que de uma festa. Ela sempre aparecia. Conhecíamos umas pessoas em comum... E de onde você a conhece?
– Adivinha.
– Ah... Era sua melhor amiga. Falando em amigos... Quem era hoje no barzinho? – Ele perguntou como quem não quer nada.
– Scoot. Ele fez o ensino médio comigo.
– Sou mais eu, Meg. – Ri.
– Ele é legal.
– Eu sou legal e bonito. Sem contar que tenho um bônus na minha cueca. – Dessa vez gargalhei.
– Cala a boca, Logan. Ele beija bem, pelo menos.
– Continuo preferindo eu. Eu sei que você me prefere também.
– Me sinto sufocada.
– Por quê?
– Seu ego tá pegando o espaço da cidade inteira. – Podia imaginá-lo revirando os olhos. – Que porra! Ela ainda tá tocando minha campainha!
– Tracy?
– É!
– Daqui a pouco ela desiste.
– Não pegou ninguém hoje?
– Preferi ficar sozinho. Meus amigos também não saíram com ninguém. E seu amigo? Achei que estavam juntos ainda.
– Vim pra casa. Acho que ela desistiu. E eu vou dormir, Logan. Acordo cedo amanhã.
– Tudo bem. Talvez eu te encha o saco de noite.
– Tá. – Nos despedimos e eu desliguei. Abri um sorriso. “Sou mais eu, Meg”.
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