If I Were A Boy
10 Happy Thanksgiving! I
Notas iniciais
– Mãe! — Falei enquanto a abraçava. Eu a busquei no aeroporto.
– Oi, meu amor! To tão ansiosa! Nem lembrava mais o que é um dia de Ação de Graças. — Fomos andando até o carro. Ela parecia realmente animada.
– Vai ser divertido. A família do Logan vai estar com a gente.
– Já vão apresentar as famílias? Uau.
– Não é isso. É só... Ele não queria que eu ficasse sozinha, eu também queria que ele tivesse companhia. Foi só.
– Sei... — Revirei os olhos. Assim que chegamos em casa, ela se apossou da minha cama. E, como uma pessoa legal, foi fazer a janta. Eu liguei o "modo vegetal" no meu corpo e fiquei deitada no sofá. Acordaria mais cedo no dia seguinte pra fazer a tal sobremesa. Falando nisso...
– Você gosta de que sobremesa? — Perguntei pro Logan no telefone.
– Ah... Qualquer uma que envolva chocolate.
– Pavê é meio coisa de ano novo.
– Mas pode fazer. Sem problemas.
– Claro que não tem problema. É doce. — Falei rindo.
– Ah... Mas meu padrasto é diabético.
– Que ótimo. — Falei na ironia.
– Faz um salgado também?
– Ou eu compro algo diet. É mais fácil. — Levantei, peguei minha carteira e dei uma passada no mercado. Com ele me enchendo o saco no telefone ainda.
(...)
– Olá! — Minha mãe falou animada quando o Logan abriu a porta. Ele sorriu.
– Bem vindas ao meu lar. Minha mãe já está aí. E... Meus avós junto com os meus primos. — Ele falou fazendo uma careta.
– Qual o problema com eles? — Perguntei.
– Com o meu avô, nenhum. Minha avó que é chata. E meus primos vão cantar você. Não podem ver um rabo de saia.
– Então, é de família? — Ele revirou os olhos e finalmente abriu passagem pra gente. Assim que entrei, todos os olhares da sala se voltaram pra mim e pra minha mãe. Dei um sorriso tímido. Logan passou na minha frente.
– Minha mãe, meu padrasto, meus irmãos, primos e meus avós. Família, essa é a Meg e a mãe dela. — Minha mãe já foi cumprimentar todo mundo. Eu me contentei com um aceno. — Não vai me dizer que tá com vergonha? — Ele perguntou no meu ouvido.
– Talvez. — Dei as sacolas com as sobremesas pra ele e tirei o sobretudo. Estava quente lá dentro. Logo após isso, sinto puxarem a barra do meu vestido. Olho pra baixo.
– Você é namorada do Log? — Uma criatura pequena e de olhos curiosos me perguntou. Me abaixei.
– Ahn... Não. Só amigos, anjinho. — A irmã dele estava atrás do pequeno, me olhando envergonhada. Depois, grudou na perna do Logan, que a pegou no colo. Aos poucos fui conversando com todo mundo. Quando ele me contou dos primos, pensei que eles tinham mais ou menos a nossa idade. Mas um parecia ter 16 e o outro não passava de 20.
– Logan vive com uma mulher. É impossível que vocês não tenham nem se beijado. — O mais novo me disse.
– Isso não é da sua conta, pirralho. — Ele expulsou do menino do sofá e sentou do meu lado. — Minha mãe disse que adorou você.
– Fico feliz com isso. Bom, você sabe que minha mãe te ama.
– Ela me acha gostoso. — Convencido. A mãe dele nos chamou pra comer e lá fomos nós.
– Foi realmente ele quem fez tudo ou tem dedo da senhora nisso? — Perguntei pra ela.
– Eu fiz o peru só. Logan é horrível fazendo.
– Ei! — Ele protestou.
– Não menti, querido. Mas o resto foi ele sim. — Olhei surpresa pra ele.
– Eu disse que faria o almoço. — Todos nos sentamos a mesa e começamos a dar graças. Nada de interessante. Só foi bonitinho a mãe do Logan agradecendo por ele e pelos irmãos. Aí chegou na vez da minha mãe e eu torci pra ela não falar alguma merda.
– Eu quero dar graças primeiramente a Megan. E... Agradecer a reprodução humana. — Não pode ser... Ela deu graças ao sexo!
– Bom, eu quero agradecer por cada um de vocês e... Graças a reprodução humana também. — Logan ergueu a taça de vinho e deu um sorrisinho. Gente, esse povo é tudo tarado. Só faltam agradecer por um orgasmo.
– Primeiro, quero dar graças pela minha mãe estar aqui depois de tanto tempo. — Falei e ela sorriu. — E... Obrigada a todos os outros. Em especial o Logan por ter convidado a gente. — Ele deu um sorriso convencido e beijou minha bochecha.
– Chegou a minha vez, né? — O primo mais novo perguntou. — Eu daria graças a reprodução humana também, mas a vovó me mataria. Então, vou dar graças ao Logan por ter me apresentado a Candice. — Ele falou sorrindo como se lembrasse de algo. — E por ter trazido a Megan aqui hoje, também. Em resumo, graças a população feminina da cidade. — Revirei os olhos.
– Ô mãe, avisa pra tia que esse menino tá com falta de surra. — Logan resmungou e ela riu.
– Ele só tem uns 16 anos. Deve estar com os hormônios a flor da pele. — Argumentei e ele soltou um muxoxo.
Ele foi o último. Logan levantou pra pegar a comida que estava do outro lado da mesa, e depois estendeu o braço na minha frente pra pegar o prato. Olhou pra mim e deu um sorriso malicioso por conta da proximidade. Dei um tapa no seu braço. A mãe dele abriu um sorriso de canto.
– Meg, ele estuda no Century School. — Minha mãe falou do primo mais novo do Logan. Eu fiz o ensino médio lá.
– Tá em que ano? — Perguntei.
– Penúltimo. Onde você faz faculdade? — Ele perguntou como quem não quer nada.
– Ela já terminou. E é bem mais velha que vocês dois. — Logan falou.
– Formada em que? — A mãe dele perguntou.
– Sou psicóloga. Faz uns três anos. — Ela sorriu.
– Acho que seu ex-marido devia fazer uma terapia com ela, Jessica. — A avó do Logan falou pra mãe dele. Aquele clima tenso se instalou na mesa. Acho que a separação dos pais dele não foi nada agradável.
– Como vocês se conheceram? Você não faz o tipo das amiguinhas do Logan. — Jessica me perguntou ignorando a velha e eu dei uma risadinha, enquanto ele revirava os olhos.
– Num barzinho.
– Ele chegou em você. — O primo de uns 20 anos concluiu. Afirmei e ele riu. — Novidade...
– Mas somos só amigos. — Já avisei de uma vez.
– Acho que tá frio pra usar esse vestido, menina. — A avó disse pra mim.
– Aqui dentro não tá frio, vó. — Logan respondeu. Continuamos comendo e conversando. A vó dele reclamava de algumas coisas, mas ninguém dava muita atenção. No fim do almoço, os espertinhos começaram a sair da mesa. E eu e o Logan, dois idiotas, ficamos lá sem perceber que deixaram pra nós dois arrumarmos tudo. E, claro, a avó dele não se mexeu, mas a gente não ia colocar a velha pra trabalhar.
– A senhora quer alguma coisa? — Perguntei. — Mais sobremesa?
– Não... Acho que não. — Ela começou a levantar e peguei no seu braço, pra ajudá-la a ir pra sala. Quando ela se sentou, entreguei a coberta que estava com ela quando cheguei e arrumei em volta das suas pernas.
– Precisa de mais alguma coisa?
– Não. Obrigada, querida. — Pela primeira vez, ela sorriu, me deixando envergonhada. Sorri também e voltei pra mesa. Comecei a tirar a mesa, mas ele me puxou, me fazendo sentar do seu lado. Logan passou um braço pelos meus ombros e eu encostei minha cabeça no ombro dele.
– Eu realmente não sabia que meus avós viriam. — Logan disse pra mim. Os irmãos dele brincavam, os primos conversavam com o padrasto, minha mãe e a dele conversavam de um lado e os avós do outro. Ou tentavam. A vó dele só reclamava. Mas até que ela não era tão ruim.
– Tudo bem.
– Não. Minha vó é muito chata.
– "Acho que tá frio pra usar esse vestido, menina". — Imitei a velha falando e ele deu risada. — Mas ela foi um doce comigo agora a pouco.
– Pelo menos isso. Minha mãe e a sua parecem ter se dado bem.
– Espero que a minha não fale de sexo. Sua mãe se assustaria.
– Talvez. — Ele começou a rir.
– Tá rindo de que?
– A reação da minha mãe quando contei que vocês viriam foi engraçado demais. — Franzi a testa. — "Não acreditou que você finalmente sossegou e tá namorando!" — Ele afinou a voz pra falar e depois deu risada de novo. — Aí eu falei que você não era minha namorada.
– E ela?
– Falou que eu não tinha jeito. Mas que evoluí já que tenho uma amiga agora.
– Eu sou a causa de um milagre!
– Menos, mozão. Vamos com calma. — Não falei nada. — Nos largaram sozinhos.
– A gente vai ter que arrumar a mesa e a cozinha?
– Podíamos dar uma escapada. — Ele passou a mão pela minha coxa desnuda por debaixo da mesa e foi subindo a mão.
– Sua casa tá cheia de gente. Não vai rolar.
– Eles nem vão notar que a gente sumiu. — Ele aproveitou que ninguém olhava pra mesa e mordeu, do jeito mais discreto possível, minha orelha.
– Menino, para. Lógico que vão notar. — Ele foi subindo cada vez mais a mão e começou a me dar ataque de riso por nervoso. — Logan, para de graça.
– Uma rapidinha? Menos de 20 minutos? — Olhei pra ele.
– Levanta logo antes que notem nosso sumiço. — Ele sorriu e fomos mais pra dentro da casa.
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