If I Were A Boy
22 Boy for Lisa
Notas iniciais
Eu e as meninas praticamente renovamos o guarda-roupa. Aproveitei e fiz hidratação no cabelo, que tava pela hora da morte. E ficou magnífico! Me sinto a nova Queen B.
– O que você fez? Tá diferente. — Logan falou me analisando. Ele passou de carro no shopping pra me buscar.
– O que você acha diferente? — Ele continuou me olhando.
– Seus cachos diminuíram! Ah, Meg... — Logan fez cara de decepção.
– Não dá pra diminuir os cachos sem alisar, Log. E eu nunca faria isso. Só fiz uma hidratação.
– Graças a Deus. Eu amo seus cachos. — Sorri me achando a deusa.
– Hm... Eu vou sair com as meninas sábado. Mas domingo sou toda sua.
– Ah... Vão aonde?
– Não sei direito ainda. A Lisa que sabe.
– Então vocês vão pra uma festa?
– Não sei, Logan.
– Já que você vai me abandonar sábado pra sair só as meninas, acho que vou chamar os meninos pra fazer algo.
– Como você é dramático! "Me abandonar...". Eu vivo com você, meu amor. — Beijei a bochecha dele e ele sorriu.
– A Annie vai?
– Vai. Por quê?
– Porque a Lisa se controla quando tá com ela. Isso é bom, porque você vai seguir as duas. Vai que você fica bêbada e venha atrás de mim de madrugada.
– Trouxa. — Ele riu. — Minha mãe combinou um jantar com a sua mãe.
– Hein?
– Elas viraram amigas.
– Isso eu sei. Mas isso inclui nós dois? — Assenti.
– Minha mãe tá com umas ideias estranhas ultimamente. Acho que parte disso é culpa sua. — Ele me olhou indignado, rapidamente. Depois, voltou sua atenção pro trânsito.
– Mas o que eu tenho a ver com as ideias da sua mãe?
– Se você não fosse tão "amorzinho" com seus irmãos mais novos, ela não me pediria pra me aproximar dos meus.
– Acho que seria legal sair com os gêmeos. — Olhei esperançosa pra ele. Seria bem mais tranquilizador se eu tivesse o Logan do meu lado. — Mas acho que você tem que sair sozinha com eles.
– Mas qual vai ser a diferença se você for junto ou não?
– Não faz essa cara de emburrada. E tira esse bico do rosto.
– Puta que pariu, Logan! Como você é chato! — Ele riu baixo.
– E vai fazer toda a diferença. É um momento só de vocês. De vocês se conhecerem. O que eu vou fazer lá? Vou me sentir um intruso.
– Você nunca seria um intruso. E eu me dou muito bem com os seus irmãos.
– Eles estão crescendo ao meu redor, Meg. Não precisam me conhecer.
– Acha mesmo que eu deveria ir?
– Acho. — Fiz uma careta. Logan parou na frente da minha casa. Nos despedimos e eu entrei em casa. Minha mãe não estava, o que me deu um certo tipo de alivio por estar sozinha. Coloquei as roupas novas na lavanderia e guardei os sapatos. Depois, fiz o que mais gosto de fazer quando to sozinha. Me entupi de comida enquanto via American's Next Top Model.
(...)
Enquanto o telefone tocava eu pensei inúmeras vezes eu desligar e continuar com o meu dia. Quando levantei a mão pra apertar o gancho, ouço um:
– Alô? — Maldita...
– Oi. Aqui é a Megan.
– Quem?
– Megan. Filha do Simon. É a Leah, mulher dele?
– Sou. Por que ligou? Seu pai não tá. — Graças a Deus.
– Eu só... Porra. — Resmunguei o palavrão. — Eu queria ter a oportunidade de... Levar os gêmeos pra tomar sorvete algum dia.
– Tá querendo se aproximar?
– Eles são meus irmãos.
– E isso seria confiável?
– Acha que sou algum tipo de sociopata? Se fosse assim, eu iria atrás do meu pai, não das crianças. — Ela ficou em silêncio. — Alô?
– Amanhã, uma hora, depois do almoço. Só um sorvete. — Ela desligou na minha cara. Bufei. Por que eu ainda dou ouvidos a minha mãe? Fiquei no escritório esperando o próximo paciente chegar. O tédio começou a tomar conta de mim. Aí comecei a pensar nesse tal tempinho pro sorvete com os gêmeos. Como vou lidar e fazer duas crianças de sete anos me obedecerem e quererem ser legais comigo? Eu to é completamente fodida. Crianças de sete anos parecem que tem o capiroto no corpo. Não param quietas. E geralmente são umas pestes.
No dia seguinte, lá estava eu. Peguei os gêmeos na casa do meu pai e fomos pra sorveteria. Já fiquei sem saber o que responder já na primeira pergunta deles.
– Por que você nunca falou com a gente? — Os dois me olharam.
– Ah... Digamos que nunca tivemos uma oportunidade.
– Papai diz que você não fala com ele. — O outro resmungou.
– Vamos pensar no agora. — Entramos na sorveteria. — Vocês gostam de sorvete de que?
– Eu gosto de creme! — Mary falou empolgada.
– Não gosta de chocolate? — Perguntei e ela fez uma careta. — Mas que tipo de criança é você? — Mary deu um risinho e já foi entrando na fila pra se servir. Olhei pro Mathew. — Vai me dizer que não gosta de chocolate também?
– Eu sou uma criança normal. Obrigado. — Ri baixo. Peguei uma bandejinha e uma casca de cesta. Comecei a montar o sorvete. Quando terminei, Mathew olhava pra minha bandeja.
– O que foi? — Perguntei.
– Pra onde vai tudo isso?
– Gosto de comer bem, garoto. — Colocar as bandejas pra pesar e depois sentamos. — Então, me digam sobre vocês. Estudam onde?
– No inferno. — Mary resmungou. Ri. — Tá. Naquela escola perto da casa do papai. Você estuda?
– Não. Terminei já.
– Trabalha com o que? — Mathew me perguntou com a boca suja de sorvete.
– Sou psicóloga.
– Quero conhecer seu consultório! — Mary pediu.
– Tá. Um dia eu te levo. — Continuamos nos conhecendo. Eles eram legais. E pareceram gostar de mim. Eles eram bastante bonzinhos, o que foi um alivio. E fiquei feliz pelo fato de que meu pai tratava muito bem os dois. — E a Leah? — Os dois fizeram uma careta.
– Ela quer ser a mamãe. — Mary falou com um bico no rosto.
– Até que ela é boazinha, na maioria das vezes. — Torci o nariz. Pelo jeito que nos falamos no telefone eu já tinha percebido duas coisas. Ela não gostava de mim e era superprotetora com os gêmeos.
– Ela parece gostar de vocês. — Eles não falaram nada. — Vamos, se não a Leah me liga atrás de vocês. Fora que eu ainda tenho que trabalhar.
– Você me ajuda a vestir minhas bonecas?
– Vamos marcar um dia. Agora todo mundo tem que lavar as mãos. — Deixei as bandejinhas em cima do balcão e fomos até o banheiro, saindo de lá logo depois. Deixei os gêmeos em casa e voltei pro consultório.
(...)
– To precisando de um boy. — Lisa falou jogada em um colchão que coloquei na sala. Era noite de sexta. Ela, Annie e Penelope vieram em casa pra algo tipo festa do pijama. Só sei que me sinto no colegial de novo.
– Só ir em uma balada. Arruma um boy em um segundo. – Falei tirando os olhos do meu sorvete e olhando pra ela.
– Ah, mas boy de verdade não se encontra em balada. Boy de uma noite, sim. – Penelope comentou.
– Lisa não quer um boy de várias noites. – Annie comentou.
– Gente, eu to aqui. Muito obrigada por falarem da minha vida amorosa. Eu só quero alguém pra transar.
– Now?! – Perguntei assustada. Nunca sabia como agir com a Lisa. Eu me sentia uma menininha ingênua de 15 anos perto dela.
– Não. Não necessariamente agora. Tem um cara gostoso que me queira, Meg? Algum amigo? Quer uma vingança pro seu ex? Já vi fotos dele. Seria uma delicia uma vingança ali. – Ri.
– Não. Obrigada. Mas acho que posso ter um boy pra você. – Ela me olhou esperando por mais detalhes. – E você come como uma porca. Ou seja, daria certo. Ele tem um restaurante.
– Vocês acham que eu engordei? – Lisa perguntou olhando seu reflexo na janela.
– Não foi isso que eu quis dizer. – Disse já me defendendo e me preparando pra uma sessão de terapia, caso ela levasse isso mais a sério. – Ele não é lindo. Apesar de que é muito difícil achar caras bonitos depois de se pegar com o Logan. – Murmurei pensativa. O que era uma verdade. O cara parecia esculpido por anjos. E meu ego aumentava cada vez que ele me beijava.
– Mostra foto. – Alguém falou e a Annie me entregou meu notebook. As três se reuniram a minha volta enquanto eu procurava fotos do Scoot.
– Não garanto que ele vá querer sair com você. – Falei.
– Jesus... Eu to mesmo uma baleia. Megan, era mais fácil você ter falado “você tá gorda, Lisa”. – Revirei os olhos.
– Para de frescura. Você tá gostosa. Eu to falando que ele queria algo sério comigo. Mas comecei a namorar o Logan. Então, to passando o Scoot pra você. — Virei o notebook pra ela, que analisava a foto parecendo que era um produto que ela iria comprar pela internet. — Ele é um amor. Não quebre o coração dele, Lisa. Agora entra no seu Facebook e o adiciona. Fala que você o viu na minha lista de amigos e se interessou. Ou o cara vai achar que eu to querendo me livrar dele.
– O que não é totalmente mentira. – Penelope falou rindo. E ela tava certa. O Scoot saindo com a Lisa, ele voltaria a falar normalmente comigo. E acho que o Logan pararia de ficar emburradinho toda vez que eu falava dele, apesar de sermos só amigos. Tudo bem que tivemos um rolo, mas enquanto isso acontecia eu beijava o Logan do mesmo jeito.
– Depois que ele me adicionar, como eu devo agir? Meiguinha, atirada, estilo Megan...?
– Estilo Megan, não. Pelo amor de Deus. Ele vai lembrar de mim e voltar a querer ter algo comigo.
– Vou no meiguinha. Atirada é feio. Mas vou jogar verde, ver qual é a dele. – As meninas falaram que ela devia fazer isso. E eu concordo. Seria divertido ver Lisa + Scoot. Bem melhor que Megan + Scoot, sem dúvidas. Qualquer coisa supera isso. Mas, pra mim, nada supera Megan + Logan.
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