If I Die Young

1 Lay me down on a bed of roses


Notas iniciais
Fanfic também postada no SS ^^
Espero que gostem :D

Eu ainda sentia minha pele pulsar. Era doloroso.

As marcas dos dedos dele ainda eram bastante visíveis nos meus braços. E o pior é que ele não tinha nenhum motivo para fazer isso... Ele apenas me odiava.

- Sakura sua imprestável! Olha essa conta de luz vencida aqui! Vão cortar de novo! – meu Otou-san gritava raivoso da sua poltrona com uma garrafa de cachaça nas mãos. Bêbado como sempre.

- Otou-san eu não tenho dinheiro para pagar a luz, o senhor gasta tudo com essas bebidas e jogos. Meu dinheiro é para comida, é só o que dá para pagar. – eu disse meio receosa, mas me arrependi de imediato, pois ele se levantou daquela poltrona meio cambaleante com um olhar assustador.

- O que está insinuando garota? Quer apanhar de novo?

Tremi. Ele não estava brincando, ele nunca brincava.

- D-desculpe, vou tentar dar um jeito e arranjar outro emprego de meio período... – outro emprego? Eu já tenho dois e ainda tenho que ir para a escola, como vou fazer isso?

- Devia é largar logo essa escola estúpida, você sabe que não será nada na vida mesmo...

Engole o choro Sakura. Engole! Ele não pode ter o prazer de te ver chorar, já chega!

Peguei rapidamente meu surrado casaco de inverno e saí pela porta de casa apressada. Ele não falou nada, apenas sorriu. Ele deve saber que eu vou chorar.

Por incrível que pareça, conforme eu fui andando pelas ruas frias, a vontade foi se desvanecendo. Acho que eu já estava ficando acostumada com isso... Chegava até a ser triste.

Fui andando sem rumo algum, sem destino. Dessa vez fui para um lado que nunca havia ido antes, mas eu gostava de explorar.

Eu fui andando naquela noite escura, fria e solitária. Não tinha qualquer motivo para voltar para casa. Talvez algo ruim acontecesse se eu fosse mais longe dessa vez... Algo que me fizesse encontrar a Okaa-san, que permitisse que eu me desculpasse por ela ter morrido por minha causa e Otou-san ter ficado assim... Já faziam dez anos, não é?

Sem entender muito bem notei que eu já estava de frente a um pequeno parque para crianças.

Ele estava vazio, é claro. Tinha apenas eu e... um garoto sentado no balanço?!

Escondi-me atrás de um escorregador grande em forma de palhaço, e observei o garoto.

Jeans surrados, casaco azul e laranja e cabelos possivelmente loiros (ou era o que minha visão dizia daquela distância). Ele provavelmente era de alguma gangue porque estava com um cigarro de maconha na mão e um isqueiro.

Ótimo! Um garoto usando um pobre parquinho como lugar de fazer essas idiotices. E se houvesse alguma criança por ali?

Na dúvida, resolvi continuar observando-o.

O garoto pegou o isqueiro e tentou... uma... duas... três vezes e ainda não conseguiu acender o objeto. Ele era algum tipo de drogado retardado? Como não conseguia acender um mísero isqueiro?

Na quarta vez parecia que ele finalmente havia acendido o objeto. Ele pegou o cigarro e eu notei... Suas mãos tremiam com o ato. Ele parecia incerto se iaou não fumá-lo. Foi quando eu percebi que aquele deveria ser o primeiro cigarro que ele fumava na vida.

Sorri. Que tipo de idiota era aquele?

Saí de meu esconderijo e ele levou um susto quando me viu. Eu parei na sua frente com a expressão mais séria que consegui fazer e disse:

- Você não pode estragar sua vida fazendo isso!

- Estragar a minha vida?! – ele falou meio surpreso, tomei o cigarro da sua mão. Eu, na verdade, gostaria de esmaga-lo, mas vai que ele queria realmente usá-lo? Como eu pagaria a ele o dinheiro desse troço? Dizem que é caro.

- Sim. Você estava se preparando para provar seu primeiro cigarro de maconha e caminhando para uma vida nada saudável, você viraria um viciado sabia? Ia ficar dependente disso e só conseguiria se livrar se fosse para aqueles encontros de viciados... Isso não te assusta nem um pouco? – ok, acho que exagerei. Vai que o garoto é de gangue mesmo? Ele provavelmente vai me dar uma boa surra agora...

Gargalhada... Ele está... rindo?!

- D-do que está rindo?

Eu vi seus olhos lacrimejarem de tanto que ria, eu diria que chegava até a ser contagiante se eu não estivesse tão emburrada.

- N-nada... – ele continuava a tentar conter o riso – É só que... Eu estava me perguntando se eu deveria fazer isso a alguns instantes atrás e... Você chegou e tomou a decisão por mim...

- Ah!? D-desculpe então... Mas é que eu não podia ver alguém na minha frente entrar nesse mundo e não fazer nada...

Ele voltou a rir e eu já estava ficando incomodada com a situação. Quem aquele cara pensa que é?

- Você... – ele disse e parecia querer que eu dissesse o meu nome.

Normalmente não se diz o nome fácil assim, não é? Mas se bem que pelas dívidas do meu pai todas as gangues da cidade devem nos conhecer...

- Eu sou Haruno Sakura.

- Então... “Sakura-chan”?! – ele me perguntou meio incerto. De certo modo usar o meu segundo nome, mesmo que um sufixo, logo de cara era um insulto aqui no Japão. Mas já fazia muito tempo que alguém me chamava de uma forma tão íntima e carinhosa assim, por isso acabei corando e me deixando levar...

- Tanto faz... – disse fingindo indiferença, ele sorriu novamente.

- Sakura-chan muito obrigado pelo que fez por mim, eu estava verdadeiramente pensando em cometer essa burrada. – eu o olhei meio incrédula e ele apenas permaneceu com aquele sorriso nos lábios. Eu não conseguia imaginá-lo como um drogado ou mesmo uma má pessoa – A propósito meu nome é Uzumaki Naruto.

Uzumaki Naruto... Uzumaki-san? Parecia formal demais... Naruto-kun? Tinha algo irritante com o jeito que o nome soava...

Fiquei pensando em alguma forma de chamar o meu recém-conhecido e nem notei o que meus lábios sussurraram...

- Naruto...

Fiquei imediatamente vermelha por chamá-lo assim.Era uma nomeação realmente íntima e uma total falta de educação, mas para minha surpresa ele apenas riu ao invés de me repreender.

- “Naruto”... Gostei, faz muito tempo desde que alguém me chamou assim...

Fazia muito tempo?

- E a sua família? Eles não te chamam pelo nome?

De repente aquela expressão alegre se foi e ele apenas começou a fitar o chão sem dizer nada, depois ele me olhoucom um sorriso fraco.

- Eles não vão muito para casa... A gente quase não se vê.

Entendi... Naruto era um garoto solitário, assim como eu.

- E esse é o motivo de você tentar se divertir com essas drogas ilícitas? – eu contesto, mais porque eu queria tirar a dúvida do que por qualquer outra coisa.

Ele sorri sem graça com minha pergunta e depois, pela primeira vez, me fita com suas duas orbes azuis. Noto também que ele deve ter a minha idade, uns 17 anos.

- Um garoto me disse que era bom e que você se sente bem... Então resolvi experimentar. Bom, eu tentei né? – no final ele apenas abriu mais um de seus sorrisos e desviou o olhar para o chão novamente.

- Então ainda bem que eu cheguei. Você me deve uma Naruto!

- Acho que sim... – ele então tirou o olhar do chão e se levantou do balanço com uma expressão divertida – E você? O que está fazendo no meio da noite por aqui? Não me diga que você é...

Ele apenas arqueou as sobrancelhas de maneira esquisita e deixou subtendida a expressão“profissional da noite”. Corei violentamente e disse nervosa:

- N-nem pensar! Só estou dando uma volta aqui porque briguei com meu Otou-san... Isso é tudo. – Droga! Droga! Droga! Eu não pretendia falar nada sobre o meu Otou-san para esse esquisito, mas deixar ele pensando que sou uma prostituta não parecia ser certo... Não, na verdade eu não me sentia confortável sendo confundida com alguém assim.

- Ah... Sua família é complicada também... Entendo...

Foi só ele dizer isso que notei o horário no meu relógio de pulso arranhado. Já estava bastante tarde! E amanhã eu tinha escola, trabalho...

- Eu... Tenho que ir... – eu disse apressada e finalmente jogando o cigarro que ainda estava na minha mão no chão. O pisei violentamente sem dó nem piedade.

- Ah... – não sei dizer, mas ele parecia decepcionado – Foi um prazer conhece-la Sakura-chan. – tinha algo no modo como ele pronunciava meu nome que... era diferente...

- Também foi um prazer... Naruto. – falei seu nome em um quase sussurro quando me lembrei o quão íntimo ele soava.

Dei as costas e saí de lá em passos apressados, provavelmente aquela seria a primeira e última vez que eu falava com Uzumaki Naruto.

Notas finais
Comentários? Críticas?