Notas iniciais
OLÁ, OLÁ, OLÁ Devo dizer a vocês que nunca escrevi tão rápido antes. to muito emocionada. Nesse capítulo um pouco de texting, acho que fará parte dos próximos capítulos também. Enfim, boa leitura!

Eyes can’t shine

Unless there’s something burning bright behind

Since you went away, there’s nothing left in mine

No dia seguinte enquanto preparava o almoço, Johanna percebeu que faltava um ingrediente. Ela saiu com a pick-up e me instruiu a continuar a cozinhar. “Sem gracinhas, sem errar de novo.” Johanna estava cada dia menos simpática e aquilo me irritava um pouco. Para minha sorte, em menos de um mês uma de nós estaria fora da casa. Ou eu passaria no teste e ela se aposentaria logo, ou eu não passaria no teste e ela teria que procurar outra garota.

—Bom dia. – Uma voz rouca soou próxima de mim. O coração acelerou e a respiração ficou descompassada. “PROFISSIONALISMO”

—Bom dia, senhor Styles. – Virei-me rapidamente para olhá-lo. Ele estava só de calça de moletom. Minhas pernas fraquejaram. O cabelo preso num coque, a cara de sono, o peito desnudo, as tatuagens por todo o corpo. Definição: PERFEIÇÃO.

—Você não precisa me chamar de senhor. – Ele sentou numa banqueta junto à mesa. Eu voltei minha atenção para o fogão, não poderia estragar a comida.

—O senhor precisa de alguma coisa? Um copo de água talvez? – Deixei a colher de pau na pia e me direcionei para a geladeira.

—Seu nome é Amanda, né? – Me virei para olhá-lo.

—Sim, senhor. – Ele fez uma careta.

—Primeiro, se eu precisar de água eu pego, não se preocupe. – Ele soou gentil. – Segundo, não sei o que Johanna te falou, mas não sou senhor. Olha pra mim. – Ele abriu os braços e sorriu. Meu corpo negava os comandos de meu cérebro: “mexa-se e pare de babar por seu chefe!”.

—Desculpe. – Eu engoli em seco. Sentia minhas bochechas corando. Voltei ao fogão.

—Você não é meio nova? – Ele perguntou casualmente.

—Eu tenho bastante experiência em restaurantes e em hotéis renomados, senhor. Prometo que não irei falhar. – Falei de maneira robótica sem tirar os olhos das panelas.

—Eu tenho fé na sua competência Amy. – Ele parecia rir. “AMY? AI CÉUS.”

—Obrigada, senhor. Não irei desapontá-lo. – Meu corpo estava rígido, tenso.

—Já entendi que precisaremos de muito tempo até parar de me chamar de senhor. Quando estiver pronta, pode me chamar de Harry.

Ouvi o som da banqueta sendo arrastada e então um leve toque em meus ombros. Um choque percorreu meu corpo. Senti meu joelho dobrar de leve, precisei me controlar. Ele seguiu para a sala enquanto eu estava ofegante. “Se for possível, me chame quando o almoço estiver pronto, estarei na esteira.” A voz dele foi se afastando pela casa. Precisei me afastar do fogão por uns minutos. Sentei em uma banqueta e tentei clarear a mente. Por que o cara tinha que ser tão perfeito? Lindo, gostoso, a voz maravilhosa e ainda gentil.

Pouco tempo depois Johanna voltou e me dispensou novamente. Ela fazia de tudo para que eu não ficasse na casa. Eu já sabia quem era o dono, que diferença faria agora? Eu estava novamente sem nada pra fazer, chequei as redes sociais, assisti vídeos da One Direction... Ainda não tinha caído a ficha, eu estava ali, já tinha passado mais tempo ao lado dele do que a maioria das fãs... Impressionante. De repente meu celular vibrou ao chegar uma nova mensagem.

Número desconhecido: Está tudo certo para amanhã?

Número desconhecido: Os horários são os mesmos?

Com certeza alguém estava mandando para o número errado. Será que eu deveria responder? Ou talvez a pessoa já tivesse percebido o engano e não mandaria mais mensagens.

Número desconhecido: Se possível, me confirme até de noite.

Ok, eu precisava responder. Respirei fundo, eu geralmente era meio grossa por mensagens.

Eu: Número errado. ;)

Número desconhecido: Quem é?

Eu: Amy.

Número desconhecido: Uh, sorry. xx

Eu: Sem problemas, espero que consiga sua resposta até de noite. xx

Saí da casinha ainda com o celular em mãos e sentei no gramado no meio das flores. Era sempre frio, mas agradável. Afinal, não saí do Brasil pra sentir calor. Tirei algumas fotos das flores, mandaria no próximo e-mail para minha mãe. A mulher era louca por flores.

Número desconhecido: Consegui. :)

Eu: yay :)

Porque o número desconhecido ainda estava mandando mensagens?

Número desconhecido: Você é de onde?

Eu: Pelo jeito vamos continuar conversando não é? Antes que eu te responda qualquer coisa, preciso de seu nome.

Número desconhecido: Estou meio entediado e espero que não te incomode.

Número desconhecido: Pode me chamar de Boo

Eu: Não me incomoda, estou entediada também.

Eu: Boo? WTF

Boo: é um apelido, apenas aceite.

Eu ri olhando para a tela do celular, que diabos de apelido era Boo? De qualquer modo seria bom ter alguém para conversar, minhas amigas estavam todas ocupadas trabalhando. E desde o momento em que parti de NY, estava me sentido sozinha. Não posso contar a ninguém onde estou, não posso contar a ninguém que conheci freaking fucking Harry Styles.

Boo: Então, fala de onde?

Amy: Parece que estamos num chat de paquera, haha

Amy: Estou em algum lugar de Londres, pouco tempo atrás estava em NY

Boo: Irado! Gosta de viajar?

Boo: Você está me paquerando?

Amy: Você fala de onde? Gosto de viajar, mas só vim para Londres para trabalhar.

Amy: Se estou te paquerando? Foi você quem me enviou mensagem primeiro.

Ouvi Johanna gritar me chamando. Corri para deixar meu celular no quarto e segui para a cozinha de onde Johanna gritava. Ela me pediu que avisasse Harry enquanto ela arrumava a mesa na sala de jantar. Harry não estava na sala de ginástica, nem eu nenhum outro lugar do piso. Subi diretamente até seu quarto. A porta estava aberta. Bati duas vezes na porta e evitei olhar para dentro. Ele ainda não tinha colocado uma camiseta. Estava deitado na cama com o notebook aberto e o celular em mãos.

—Senhor Styles, o almoço está servido.

—Obrigado, Amanda. – Ele levantou-se da cama. Era possível de ver todos os músculos dele enquanto ele se mexia. Engoli em seco.

—Desculpe incomodar em seu quarto. – Falei com a voz fraca. – Não o encontrei lá em baixo.

—Sem problemas. – Ele abriu um largo sorriso e passou por mim. – Eu fiquei com preguiça.

Eu sorri involuntariamente. Ele seguia na minha frente descendo as escadas devagar. Até suas costas eram perfeitas. “PARE DE BABAR AMANDA!”

—De onde você é Amanda? – Harry perguntou — Claramente não é Europeia e nem americana. Não conheço seu sotaque.

—Sou americana sim, sul americana. – respondi talvez seca demais. — Sou brasileira senhor Styles.

—Joga bonito! – Ele gritou e estendeu os braços para cima, então me encarou. Os olhos verdes intensos que me deixavam sem ar.

—Isso. – Abri um pequeno sorriso, tentando me concentrar para não rolar pelas escadas.

—Você está bem longe de casa. Qual seu objetivo? Claramente não é trabalhar limpando casas o resto da vida. – Ele voltou a olhar para frente

—Eu só queria sair do país, segui as oportunidades que a vida me deu. Segui para onde me dessem o melhor salário. Quero juntar dinheiro para estabelecer moradia em algum lugar. – Respondi casualmente e chegamos ao primeiro andar.

—Muito corajoso de sua parte ficar quicando pra lá e pra cá. Deve se sentir sozinha.

—Você nem imagina. Sem família nem amigos, mas é um aprendizado. Fazer novos amigos em cada lugar que eu estiver. – Tentei soar otimista.

—Não se preocupe, quando eu voltar em turnê eu juro que te mando mensagens quando eu puder. – Ele falou tranquilo e eu congelei no lugar. Johanna estava ao lado da mesa de jantar, a mesa estava posta para uma pessoa apenas.