If I Could Fly
4 Infinity
Notas iniciais
Eyes can’t shine
Unless there’s something burning bright behind
Since you went away, there’s nothing left in mine
No dia seguinte enquanto preparava o almoço, Johanna percebeu que faltava um ingrediente. Ela saiu com a pick-up e me instruiu a continuar a cozinhar. “Sem gracinhas, sem errar de novo.” Johanna estava cada dia menos simpática e aquilo me irritava um pouco. Para minha sorte, em menos de um mês uma de nós estaria fora da casa. Ou eu passaria no teste e ela se aposentaria logo, ou eu não passaria no teste e ela teria que procurar outra garota.
—Bom dia. – Uma voz rouca soou próxima de mim. O coração acelerou e a respiração ficou descompassada. “PROFISSIONALISMO”
—Bom dia, senhor Styles. – Virei-me rapidamente para olhá-lo. Ele estava só de calça de moletom. Minhas pernas fraquejaram. O cabelo preso num coque, a cara de sono, o peito desnudo, as tatuagens por todo o corpo. Definição: PERFEIÇÃO.
—Você não precisa me chamar de senhor. – Ele sentou numa banqueta junto à mesa. Eu voltei minha atenção para o fogão, não poderia estragar a comida.
—O senhor precisa de alguma coisa? Um copo de água talvez? – Deixei a colher de pau na pia e me direcionei para a geladeira.
—Seu nome é Amanda, né? – Me virei para olhá-lo.
—Sim, senhor. – Ele fez uma careta.
—Primeiro, se eu precisar de água eu pego, não se preocupe. – Ele soou gentil. – Segundo, não sei o que Johanna te falou, mas não sou senhor. Olha pra mim. – Ele abriu os braços e sorriu. Meu corpo negava os comandos de meu cérebro: “mexa-se e pare de babar por seu chefe!”.
—Desculpe. – Eu engoli em seco. Sentia minhas bochechas corando. Voltei ao fogão.
—Você não é meio nova? – Ele perguntou casualmente.
—Eu tenho bastante experiência em restaurantes e em hotéis renomados, senhor. Prometo que não irei falhar. – Falei de maneira robótica sem tirar os olhos das panelas.
—Eu tenho fé na sua competência Amy. – Ele parecia rir. “AMY? AI CÉUS.”
—Obrigada, senhor. Não irei desapontá-lo. – Meu corpo estava rígido, tenso.
—Já entendi que precisaremos de muito tempo até parar de me chamar de senhor. Quando estiver pronta, pode me chamar de Harry.
Ouvi o som da banqueta sendo arrastada e então um leve toque em meus ombros. Um choque percorreu meu corpo. Senti meu joelho dobrar de leve, precisei me controlar. Ele seguiu para a sala enquanto eu estava ofegante. “Se for possível, me chame quando o almoço estiver pronto, estarei na esteira.” A voz dele foi se afastando pela casa. Precisei me afastar do fogão por uns minutos. Sentei em uma banqueta e tentei clarear a mente. Por que o cara tinha que ser tão perfeito? Lindo, gostoso, a voz maravilhosa e ainda gentil.
Pouco tempo depois Johanna voltou e me dispensou novamente. Ela fazia de tudo para que eu não ficasse na casa. Eu já sabia quem era o dono, que diferença faria agora? Eu estava novamente sem nada pra fazer, chequei as redes sociais, assisti vídeos da One Direction... Ainda não tinha caído a ficha, eu estava ali, já tinha passado mais tempo ao lado dele do que a maioria das fãs... Impressionante. De repente meu celular vibrou ao chegar uma nova mensagem.
Número desconhecido: Está tudo certo para amanhã?
Número desconhecido: Os horários são os mesmos?
Com certeza alguém estava mandando para o número errado. Será que eu deveria responder? Ou talvez a pessoa já tivesse percebido o engano e não mandaria mais mensagens.
Número desconhecido: Se possível, me confirme até de noite.
Ok, eu precisava responder. Respirei fundo, eu geralmente era meio grossa por mensagens.
Eu: Número errado. ;)
Número desconhecido: Quem é?
Eu: Amy.
Número desconhecido: Uh, sorry. xx
Eu: Sem problemas, espero que consiga sua resposta até de noite. xx
Saí da casinha ainda com o celular em mãos e sentei no gramado no meio das flores. Era sempre frio, mas agradável. Afinal, não saí do Brasil pra sentir calor. Tirei algumas fotos das flores, mandaria no próximo e-mail para minha mãe. A mulher era louca por flores.
Número desconhecido: Consegui. :)
Eu: yay :)
Porque o número desconhecido ainda estava mandando mensagens?
Número desconhecido: Você é de onde?
Eu: Pelo jeito vamos continuar conversando não é? Antes que eu te responda qualquer coisa, preciso de seu nome.
Número desconhecido: Estou meio entediado e espero que não te incomode.
Número desconhecido: Pode me chamar de Boo
Eu: Não me incomoda, estou entediada também.
Eu: Boo? WTF
Boo: é um apelido, apenas aceite.
Eu ri olhando para a tela do celular, que diabos de apelido era Boo? De qualquer modo seria bom ter alguém para conversar, minhas amigas estavam todas ocupadas trabalhando. E desde o momento em que parti de NY, estava me sentido sozinha. Não posso contar a ninguém onde estou, não posso contar a ninguém que conheci freaking fucking Harry Styles.
Boo: Então, fala de onde?
Amy: Parece que estamos num chat de paquera, haha
Amy: Estou em algum lugar de Londres, pouco tempo atrás estava em NY
Boo: Irado! Gosta de viajar?
Boo: Você está me paquerando?
Amy: Você fala de onde? Gosto de viajar, mas só vim para Londres para trabalhar.
Amy: Se estou te paquerando? Foi você quem me enviou mensagem primeiro.
Ouvi Johanna gritar me chamando. Corri para deixar meu celular no quarto e segui para a cozinha de onde Johanna gritava. Ela me pediu que avisasse Harry enquanto ela arrumava a mesa na sala de jantar. Harry não estava na sala de ginástica, nem eu nenhum outro lugar do piso. Subi diretamente até seu quarto. A porta estava aberta. Bati duas vezes na porta e evitei olhar para dentro. Ele ainda não tinha colocado uma camiseta. Estava deitado na cama com o notebook aberto e o celular em mãos.
—Senhor Styles, o almoço está servido.
—Obrigado, Amanda. – Ele levantou-se da cama. Era possível de ver todos os músculos dele enquanto ele se mexia. Engoli em seco.
—Desculpe incomodar em seu quarto. – Falei com a voz fraca. – Não o encontrei lá em baixo.
—Sem problemas. – Ele abriu um largo sorriso e passou por mim. – Eu fiquei com preguiça.
Eu sorri involuntariamente. Ele seguia na minha frente descendo as escadas devagar. Até suas costas eram perfeitas. “PARE DE BABAR AMANDA!”
—De onde você é Amanda? – Harry perguntou — Claramente não é Europeia e nem americana. Não conheço seu sotaque.
—Sou americana sim, sul americana. – respondi talvez seca demais. — Sou brasileira senhor Styles.
—Joga bonito! – Ele gritou e estendeu os braços para cima, então me encarou. Os olhos verdes intensos que me deixavam sem ar.
—Isso. – Abri um pequeno sorriso, tentando me concentrar para não rolar pelas escadas.
—Você está bem longe de casa. Qual seu objetivo? Claramente não é trabalhar limpando casas o resto da vida. – Ele voltou a olhar para frente
—Eu só queria sair do país, segui as oportunidades que a vida me deu. Segui para onde me dessem o melhor salário. Quero juntar dinheiro para estabelecer moradia em algum lugar. – Respondi casualmente e chegamos ao primeiro andar.
—Muito corajoso de sua parte ficar quicando pra lá e pra cá. Deve se sentir sozinha.
—Você nem imagina. Sem família nem amigos, mas é um aprendizado. Fazer novos amigos em cada lugar que eu estiver. – Tentei soar otimista.
—Não se preocupe, quando eu voltar em turnê eu juro que te mando mensagens quando eu puder. – Ele falou tranquilo e eu congelei no lugar. Johanna estava ao lado da mesa de jantar, a mesa estava posta para uma pessoa apenas.
Fale com o autor