Notas iniciais
Oies ♥ Espero que gostem ♥

Chegando ao hospital, Atena é cercada por médicos e enfermeiros, que a levam para uma sala de procedimento padrão.

Aparelhos são ouvidos e Atena sente concentrações fortes com intervalos de 5 segundos. Aquilo era um milagre da vida, mas a dor era imensa.

–Ah! — Solta um grito alto.

–Senhorita Torremolinos, precisamos que faça força, se não as crianças não vão sair! — Um enfermeiro afirma e Atena tenta fazer força, mas aquilo parecia estar sendo em vão.

A dor que sentia era por todo o seu corpo e quando empurra uma última vez, consegue sentir a cabecinha de um dos trigêmeos saindo para fora de sua intimidade.

–Parabéns, está quase chegando o primeiro, Atena! — A médica Joanne, que era a responsável por sua ultrassom e também pelo parto diz alegre para a loira deitada na maca.

Mais uma contração e Atena faz força mais uma vez, conseguindo ouvir o choro do primeiro bebê logo em seguida. Uma lágrima desce pelos olhos da bela mulher e ela deixa-se levar pela felicidade.

–É um menino! Qual vai ser o nome? — A médica pergunta e Atena pensa um pouco.

–Preciso ver eles, certo? — Atena grita ainda sentindo as contrações — Não posso por um nome sem os observar antes.

A médica, entendendo o pedido da loira, manda o enfermeiro levar o primeiro menininho para o procedimento padrão de recém nascidos.

Os momentos seguintes foram muito mais fáceis, Atena já estava mais preparada, ela sentia que estava, ela sabia que estava indo bem e queria muito que seus filhos nascessem em segurança.

Primeiro sai o menino e, por último mas não menos importante, a menininha, a caçula da família.

–Parabéns, Amiga! Você conseguiu! — Maria diz entrando correndo na sala. Ela sabia o quanto a felicidade era grande para a mamãe a sua frente.

–Obrigada — Atena suspira, deixando-se relaxar após os longos momentos que havia vivido — Eu posso vê-los? — Ela pergunta olhando para a médica.

–Pode ver os dois meninos primeiro, a menina esta recebendo os procedimentos, ainda. — Responde trazendo para perto de Atena dois berços e, dentro deles, era possível se ver dois lindos menininhos.

Com água nos olhos, Atena pega o primeiro menininho, com olhos escuros como os de Romero e cabelos num profundo castanho escuro, ele sorria para ela, ainda de olhinhos fechados.

–Você é o Nicolas... Meu pai chamava Nicolas, mesmo tendo morrido cedo, logo depois da minha mãe, fomos muito felizes — Passa a mão pelo rosto da criança — Você é muito lindo, sabia? — Sussura sorrindo para o bebê.

Olhando profundamente para os olhos do bebê, ela o devolve ao berço, cedendo o lugar em seus braços para o de cabelos cor de caramelo como os dela e os olhos escuros como os de Romero.

–Você tem uma carinha de... De Miguel, sim vai ser Miguel. Romero comentou comigo uma vez que mesmo odiando um cara chamado Miguel, amava o nome e adoraria que seu filho se chamasse assim — Ela beija a testa do menino.

Um curto período de tempo depois, a enfermeira entra com outro berço, desta vez, a criança estava vestida de rosa, era sua linda bebezinha, linda e maravilhosa.

Dando Miguel para Maria segurar, Atena pega a linda bebezinha no colo. Observa cada detalhe de seu rosto, era a cara da mãe. Tinha cabelos em um caramelo quase loiro e seus olhos eram castanhos claros, assim como os da mãe.

–Você é linda, minha princesinha — Acaricia o rosto da menina mais uma vez antes de olhar para as outras mulheres que observavam a cena de perto — Mia.

–Sério que vai por o nome de Mia? Eu amo esse nome — A enfermeira anuncia.

–É bonito mesmo, todos são lindos Atena — A médica parabeniza a loira, deixando-a sozinha junto com a melhor amiga.

Um silêncio acolhedor toma conta do quarto e os bebês são retirados para mais alguns exames.

Atena é avisada que, por estar acamada, sua correspondência, a qual o correio dizia ser urgente, havia sido entrege no hospital.

Ao perceber que a correspondência era do Brasil e acarta tinha milhões de selos para ser entregue na suíça, ela abre e vê a letra de Romero. Logo em seguida, a Amiga, com a desculpa de estar indo ver os bebês, deixa Atena sozinha.

Lágrimas escorriam dos olhos das loiras atcada frase que se passava naquela carta. Ele admitindo ser um idiota, ele dizendo que a amava, parecia um sonho...

Alguns minutos depois Maria retorna e os bebês vem para o quarto para ficar junto da mãe.

–Amiga... — Atena sussurra para não acordar os bebês.

–Sim — Maria responde de prontidão.

–Quantos meses um bebê tem que ter para viajar de avião? Sabe, em público — Pergunta se debruçando sobre a cama para chegar mais perto da amiga.

Maria solta uma risada baixa.

–Atena, se for por causa da carta do Romero, saiba que em vôos com muita gente seus bebês vão acabar incomodando... Podemos usar o jatinho do meu pai — Oferece e a loira solta um sorriso.

–Vai voltar comigo? Eu to falando em ficar lá permanentemente.

–A, entenda. Somos amigas. Eu vim com com você, morei com você e eu só saio daqui com você. Somos como parceiras de crime, tente pensar assim — Maria segura a mão da amiga e elas se abraçam.

Após três dias do nascimento dos bebês, Atena estava liberada para ficar em um quarto mais "liberal", ela não teria restrições, diferentemente do outro quarto, que era inteiramente projetado para assegurar a saúde dela.

Durante os dias em que os trigêmeos ficaram no hospital, Atena e Maria tiveram muito tempo para montar uma vida. Atena ganhava muito bem da facção criminosa, o Pai, como muitos o chamavam, havia dado diversas promoções para a loira durante a estadia na Suíça. Logo ela tinha dinheiro para comprar uma casa, manter os bebês e pagar as contas.

Maria, como era uma ótima amiga e tentava sempre ser excepcional no quesito "Ajudar a cuidar dos bebês", resolveu passar um tempo com Atena na nova casa. Ela ajudaria como babá das crianças e dividiria as tarefas domésticas, para que ambas tivessem vantagem no trabalho.

Duas semanas depois, as crianças, Atena e Maria embarcaram em uma viagem da Suíça até o Brasil, todos estavam muito animados com a vida nova.

Chegando no Brasil, foram direto para as novas acomodações: uma casa moderna, porém mantendo um estilo mais antigo, com janelas bem posicionadas, numa cor meio creme e com detalhes em madeira. O jardim era enorme e tinha até uma piscina. A casa era grande e tinha pelo menos dois andares.

Contava com 5 quartos, um para Atena, um para cada um dos bebês e um de hóspedes que seria onde Maria ficaria até que todos estivessem estabelecidos. A cozinha era junto da sala de jantar e ambas eram enormes. A sala de TV tinha um videogame e um sofá sem "L", assim como o do apartamento em que moraram anteriormente. Banheiros se espalhavam pela casa e um escritório tinha todos os matériais de trabalho necessários para o emprego.

–Amiga... Nós estamos no Brasil! — Atena grita e começa a dar pulinhos, logo depois de por os bebês para dormir no andar de cima.

–Eu sei! Isso é um máximo! Essa casa é demais, Amiga! Nunca pensei, nunca pensei — Diz animada imitando o bordão de Atena.

Durante as horas seguintes, Atena e Maria conversam sobre a vida nova e sobre as vantagens que os bebês teriam. Mas o galão d'água acaba e Atena pede para Maria olhar as crianças enquanto ela ia comprar mais.

Enquanto isso no outro lado da cidade, Romero tentava raciocinar o motivo de Atena não ter respondido a carta. Talvez ela tivesse extraviado ou, talvez, ele fosse só um idiota mesmo.

Naquele dia Tóia estava em casa, era sua folga na boate da dona Adisabeba e Romero estava aguentando a irritante e melosa voz da favelada há horas.

–Romero, o que vai querer jantar? — Chatóia pergunta da cozinha.

Romero precisava sair de casa, então pensa em todos os ingredientes que ela precisaria para fazer uma lasanha.

–Quero uma lasanha! — Diz animado e sorrindo, aquilo sempre convencia Tóia.

–Não tem queijo amor, você pode ir comprar? — Era tudo que ele queria.

Sem questionar, ele faz que sim com a cabeça, pega seu casaco e sai porta a fora, indo no supermercado do outro lado da cidade. Precisava espairecer um pouco, mas também queria a lasanha, então teria que comprar o queijo.

Chega no supermercado e estaciona o carro na primeira vaga que encontra, entra e anda em todos os corredores, demorando o máximo possível para chegar a sessão de frios. Olhando para o celular, vaga desatento e calmo pelos corredores.

Andando distraída pelos corredores do supermercado, Atena compra também suspiros, balas e alguns salgadinhos para ela e a Amiga comemorarem a mudança significativa na vida. Pega e o celular e disca o número de Gibson, que recentemente havia sido descoberto como "O pai" da facção.

–Eae Gibson! — Brinca com o chefão. Eles eram bons amigos. Gibson havia sido um dos amigos do pai de Atena e por isso a conhecia desde bebezinha.

–Fala Atena! Em que posso ajudá-la hoje? — Diz curioso do outro lado da linha.

–Eu gostaria de trabalhar menos ativamente nas missões da facção! Sabe... Nasceram os bebês e agora eu to bem ocupada — Diz sem jeito no telefone.

–Que ótimo! Quero conhecê-los depois! Soube que temos a Mia, o Nicolas e o Miguel, certo?

–Nossa, Gibson! Tá bem informado, ein? — Brinca.

Segundos depois um corpo bate contra o de Atena, fazendo com que a mesma bagunçasse o cabelo acidentalmente e quase caísse no chão.

–Ei! Não olha por onde anda, não? — Exclama a loira ignorando o telefonema.

Naquele momento os olhares se encontram e nem ela nem Romero sabiam como reagir.

–Gibson — Ela leva o telefone à orelha novamente — Depois conversamos... Preciso desligar agora — E desliga o telefone sem nem esperar resposta.

Mais alguns segundos se passam enquanto os dois olham fixamente um no olho do outro, aquele momento era especial, era mágico e tanto Romero quanto Atena haviam sonhado com aquilo nos últimos dias.

–Atena...

–Romero...

Falam ao mesmo tempo.

–Por onde você andou esse tempo todo? — Ele pergunta com os olhos marejados.

–Sei que você deve ter mais perguntar para mim do que eu tenho para você, mas o supermercado não é o lugar ideal para isso... — Diz também quase chorando.

–Olha, eu só quero conversar... Eu sinto tanto a sua falta, Atena. Você não sabe como eu sinto sua falta — Diz abraçando-a.

Ela, também entrando em prantos, deixa-se levar pela emoção e abraça Romero da forma mais forte que consegue, eles queriam que aquele momento fosse para sempre.

–Eu... Eu sinto muito... Eu precisava... — Ela tenta falar mas ele a impede.

–Ei, não precisa falar nada — Ele gruda a testa na sua e os dois deixam escapar um sorriso sincero.

Como algo que acontece naturalmente pelas forças do além, as bocas se encontram e a emoção toma conta do momento. Aquele beijo era um dança, uma dança especial, a qualquer ele só poderia dançar com ela, um momento que ela só poderia ter com ele e ali, juntos no meio de um supermercado, todos que acompanharam aquela história, souberam que o amor dos dois era eterno.

São interrompidos pela falta de ar e pelo telefone da loira que tocava incansavelmente.

–Preciso atender... — Ela sussurra ainda com a testa colada na dele.

–Faça o que tiver que fazer — Romero afirma sorridente.

Puxa o telefone do bolso e levá-o até a orelha.

–Maria, fala — Pede preocupada.

–Não me interessa o que esteja fazendo, só traga a porcaria da água rápido, eles acordaram e parece fome... Isso é um desejo que eu não posso saciar — Diz do outro lado da linha.

–Acordaram? Aí meu Deus! To indo, ok? Aguenta aí — Diz otimista para a amiga do outro lado da linha e desliga.

–Quem acordou? — Romero pergunta confuso.

–Ninguém... Piada interno — Mente, não queria que ele descobrisse por meio do telefonema da amiga.

–Se precisar chegar muito rápido posso te dar uma carona — Oferece preocupado.

–Aceito! — Responde — Só preciso pegar a água a pagar mais algumas coisas.

De mãos dadas os dois seguem supermercado à dentro. Pagam e depois entram no carro de Romero, onde resolvem botar a conversa em dia.

–O que fez nesses últimos meses? — Ele pergunta sem tirar os olhos da estrada.

–Hã... Cuidei de questões administrativas da facção — Responde com poucas palavras.

–Onde eu entro? Nem te perguntei onde está morando — Brinca desviando o olhar do trânsito e parando os olhos em Atena.

–Siga até o fim dessa rua, vire a direita, depois a esquerda e entre na primeira que aparecer. Primeira casa, perto de um pinheiro — Passa o endereço e ele ri com a velocidade da informação.

–Você não mora tão longe do supermercado — Romero tenta puxar assunto.

–Não. Eu também não me incomodaria de ir andando, mas tive um imprevisto e realmente tenho que me apressar — Omite a informação principal.

–Estamos entrando na rua, falta só eu encontrar o pinheiro e... — Faz uma pausa enquanto estaciona — Uau! Que casa ENORME! — Fala surpreso.

Ela ri em resposta.

–Eu voltei por causa da sua carta. Mas acho que devemos dar um tempo até o próximo encontro — Fala de uma única vez. Ele penetra seus olhos nos dela — Para eu... Para eu processar isso tudo.

–Também acho.. mas eu esperei tempo demais para perceber meu amor por você, não quero te fazer passar por tudo isso de novo — Afirma segurando o queixo da loira em suas mãos.

Com cuidado, trocam mais um beijo, mas dessa vez menos urgente. Era um beijo mais afetuoso, algo do qual ela sentia falta.

–Foi bom te ver, Romero... Mas agora realmente preciso entrar — esquiva-se das mãos do moreno e sai do carro.

–Quer ajuda com tudo isso? — Pergunta educado.

–Não precisa... — Sai do carro dando uma última olhada no rosto do amado, ela também não queria esperar muito.

Bate na porta três vezes e Maria abre com pressa, puxando Atena para dentro com uma força que ninguém sabia que ela tinha.

Porém, dentro do carro, Romero vê que Atena havia esquecido uma das sacolas, então volta correndo até a porta para entregá-la.

A campainha toca uma, duas, três vezes, até que uma moça loira de olhos azuis atende sorridente. Ela parecia mais normal do que ao telefone.

–Oi! Você deve ser o Romero, estou certa? — Maria finge-se de mal informada.

–Oi! Sou eu sim, você quem seria?...

–Maria! Maria Luiza para ser mais exata, mas pode chamar de Maria ou Malu. Atena chama de Maria, se quer uma dica — Maria responde educada.

–Maria! Então, a Atena esqueceu isso no carro, por isso voltei para cá — Diz envergonhado.

–Nossa! Obrigada mesmo! Atena e seus esquecimentos... — Maria brinca arrancando uma risada leve de Romero.

Para Romero, Atena e Maria se conheciam há muito tempo, do tempo em que ela ainda seria a Francineide da Silva, elas eram bem amigas e dava para notar isso na forma como Maria falava de Atena.

–Quer entrar? — Sem opção, Maria o chama para entrar, mesmo sabendo que levaria uma bronca enorme de Atena.

–Ah, Claro. Por que não? — Diz. Ele queria mesmo demorar o maior tempo que fosse, não queria voltar pro apartamento em que morava com Tóia.

Por dentro a casa era ainda mais bonita do que por fora. A sala tinha um sofá vermelho vinho e um tapete que só se encontrava nas casas de pessoas ricas e influentes do mundo da moda. A TV era gigante e os quadros da parede eram modernos.

–Sua casa é linda — Romero elogia.

–Obrigada. Tena que procurou e mobiliou antes de nos mudarmos de volta para o brasil! — Tenta parecer normal diante da situação, mas Romero estava percebendo o incomodo de Maria.

–ATENA! O ROMERO ESTA AQUI, ELE TROUXE UMA DAS SACOLAS QUE VOCÊ ESQUECEU NO CARRO — Ao pé da escada, Maria grita tão alto que faz um dos bebês que já dormia acordar.

No andar de cima Atena congela ao receber tamanha informação. Com o bebê chorando, ela ausente e Romero na casa, não sobrava outra opção além de contar ali, no quarto de brinquedos, para Romero que eles tinham filhos.

Notas finais
Espero que tenham gostado