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Notas iniciais
O feitiço estava feito, Henry tinha voltado para o seu corpo, só restava encontrarem ele e pegar a maldição de volta. – Eu senti o cheiro dele. – Ganny disse e todos se apressaram.
Henry saiu da biblioteca e correu para os braços de suas mães. – Sou eu. Funcionou. – Regina e Emma o abraçaram de volta. O olhar das duas se encontrou por um segundo e o “nossa família está junta novamente” ficou implícito.
O garoto entregou o pergaminho da maldição para Emma. Ela encarou a prefeita e passou para ela. – É com você. – Disse com um claro tom aflito. No segundo que rainha tomou posse da maldição ela desmaiou. – Regina! Regina! – Emma se agachou ao lado dela e repetiu insistentemente.
– Emma... – A rainha disse ao despertar.
– Por Deus, para de me assustar assim. – Emma não se importou com o que os outro iriam pensar, ela simplesmente puxou Regina para os seus braços e a abraçou. Como se nunca mais quisesse soltá-la. O que era realmente seu desejo.
Regina quase sorriu com aquilo, mas agora ela já sabia o que precisava ser feito. Ela encarou a xerife com um olhar vazio e ficou de pé.
– O que aconteceu quando você tocou? – Snow quis saber.
– Eu vi o que precisava ser feito.
– Mãe, você vai ficar bem? – Henry deu voz as preocupações de Emma.
– O importante é que você vai. – Disse tocando gentilmente o rosto do garoto.
– Não, não vai! – A voz de Pan surgiu do nada.
***
– Não... Rumple. – Belle caiu ao chão em meio a lagrimas. Havia perdido o amor da sua vida. Regina não se permitiu olhar para ela, estava prestes a sofrer a mesma perda. “Pelo menos Emma vai ficar bem.” Se forçou a pensar.
A rainha andou ate a maldição e a pegou novamente. Ela respirou fundo processando tudo o que iria ter que fazer. Por um instante ela ficou imóvel, como se talvez com isso pudesse adiar o momento. – Regina, você esta bem? – Snow perguntou gentilmente.
– Estou. – Disse permanecendo em seu estado de choque.
– Regina não deixe ele morrer por nada. – As palavras de Neal foram o que a despertaram.
– Estamos aqui por um motivo. Pan? – Hook disse. Em outras circunstancias ela teria se irritado e gritado com o pirata.
– Esta morto. – Disse com a voz fria.
– E a maldição? Você pode Pará-la?
–Está aqui! A maldição está aqui! – Grumpy apareceu gritando. – Esta vindo por todos os lados, não temos escapatória.
– Não, ainda podemos pará-la, não é Regina? – David a encarou com expectativa.
POV Regina
– Sim. – Eu disse, porque eu podia parar a maldição de certo modo. Eu salvaria a todos, mas a maldição me atingiria de uma forma ou de outra, eu iria perder tudo que mais amava.
– Qual é o preço? – Emma me encarou aflita. E por Deus eu desejei ser poderosa o suficiente para nos tirar dali, para não ter que fazer o que eu iria fazer. – Gold disse que havia um preço.
– O preço sou eu que vou ter que pagar. – Eu disse contendo uma lagrima.
– O que você quer dizer?
Encarei Emma, teria que dizer as palavra mais difíceis que eu já disse em toda minha vida. – O que eu tenho que pagar é... – minha voz falhou miseravelmente e eu desviei meu olhar do dela. Ela tocou meu rosto gentilmente, me forçando a encará-la novamente. – Eu tenho que dar adeus ao que eu mais amo. – disse rápido como se isso amenizasse a dor.
– Henry... – Emma se afastou assustada. Henry andou ate ela.
– Eu nunca mais vou poder vê-lo de novo. Eu não tenho escolha, tenho que terminar o que comecei. A maldição que criou Storybrooke, ela não pertence a esse mundo. Nem nós. – Usei todas as minhas forças para explicar calmamente, mas minha mente estava um completo caos. – Vai ser como se nenhum de nós tivesse estado aqui. Todos voltarão para onde pertencem. – Eu não conseguia mais encara Emma, tudo se tornava infinitamente mais difícil quando eu encontrava aqueles grandes e tristes olhos verdes.
– Vocês vão voltar pra floresta encantada. – Ela concluiu.
– Todos nós, menos Henry. Ele fica aqui, porque ele nasceu aqui.
– Sozinho? – Emma disse não escondendo seu desespero.
– Não. Você o levará. – Eu me aproximei de Emma. – Você é a salvadora, você foi criada para quebrar a maldição, então você pode escapar.
– Mas eu não quero! – Ela disse apressada. – Eu quero ir com você. Vocês. – disse tropeçando nas palavras.
– Emma... – Eu forcei minha voz para parecer tranquila. – isso não é uma opção. Eu tenho que pagar um preço, ou não vai funcionar... eu tenho que perder vocês...
– Não...
– Sinto muito, Emma. É o melhor que posso fazer.
– Eu acabei de encontrar meus pais... – Emma se virou para Snow e eu me senti infinitamente culpada por ter a privado de crescer com uma mãe.
– Emma, você precisa ir. – Snow disse a filha. – É a sua melhor chance, a melhor chance do Henry.
– Não, não... – Emma repetiu. Cabeça dura como sempre. Minha cabeça dura. – Eu sou a salvadora, eu deveria trazer o final feliz pra todo mundo, mudar as coisas.
– Finais felizes nem sempre são o que a gente espera. – Snow disse e ela não podia estar mais certa. — Olhe em volta, você mudou a vida de todo mundo aqui.
– Mas... nós somos uma família.
– E nós sempre vamos ser. – Snow continuou a tentar convencer a filha.
– Você e Henry vão ser uma família, como você sempre quis.
– Mas... nossa família não vai estar completa. – Emma insistiu, teimosa. Então eu soube que cabia a mim convencê-la.
– Emma... – Andei ate ela. – quando eu te conheci a única coisa que eu queria era que você desaparecesse da minha vida para eu poder ter meu filho. Mas agora... tudo que eu quero é que Henry seja feliz, que vocês sejam felizes. Não temos escolha... – não consegui me impedir de tocar o rosto dela. – você tem que ir.
– Ok. – Ela me disse entre lagrimas.
***
Eu vi Emma se despedir de cada uma das pessoas que estavam conosco. Depois ela foi ate Snow e David e os abraçou, junto com Henry. Eu sabia exatamente como eles estavam se sentindo, pois eu também perderia meu filho naquele dia.
Henry andou ate mim e disse que se sentia culpado, mas eu sabia que a culpa era minha, eu tinha começado tudo aquilo, mas mais uma vez eu não me arrependia. Pelo menos eu os tive por um tempo. Henry e Emma. – Não é sua culpa, eu lancei a maldição como uma vingança. E eu... eu sou uma vilã, você ouviu Mr. Gold, vilões não ganham finais felizes.
– Você não é uma vilã. É minha mãe. – Henry me abraçou e foi quando todas as minhas barreiras caíram, eu estava tentando pensar friamente para colocar aquilo tudo como certo, mas tudo parecia tão errado. Não era justo que eu tivesse que perdê-lo. Não era justo, mas era o certo. E eu feria o certo, pelo menos desta vez.
Emma se despediu de Neal e depois de Hook, eu poderia ter ciúmes nesse momento, mas isso tinha perdido toda a lógica, eles a perderiam, assim como eu. Talvez Emma fosse boa demais pra qualquer um de nós.
Ela se afastou do pirata e seguiu em direção ao carro, colocando uma pequena distancia dos outros. Eu a segui. – Emma, tem mais uma coisa que eu não contei pra você...
– O que agora? Eu não sei se posso suportar mais alguma coisa.
– Quando a maldição nos atingir, nada será deixado pra trás... Incluindo suas memórias. Esse últimos anos serão apagados da sua memória e voltaremos a ser apenas historias.
– Eu vou esquecer de tudo? De nós?
– Sim. – Minha voz era um sussurro fraco agora. – Eu sinto muito, eu queria ser forte o suficiente para nos manter juntos, mas eu não posso...
– Eu não quero esquecer... eu não posso esquecer... você não pode manter minhas memórias?
– Não, mas eu posso fazer outra coisa. Eu posso te dar novas memórias. Memórias onde você nunca deixou Henry. Esse é meu presente pra você. – Disse alcançando sua mão. – vai ser como se vocês sempre tivessem estado juntos.
– Mas... não vão ser reais. E você não vai estar nelas...
– Bom, seu passado pode não ser, mas seu futuro será. Você e Henry serão felizes juntos. E quanto a eu não estar na suas memórias, bom... talvez seja o melhor.
– Não. – Ela disse se aproximando mais de mim e tornado tudo mais difícil. – Eu não posso esquecer você... eu te amo... isso não é justo...
– Eu vou lembrar de você, Emma. E eu vou te amar para sempre. Por nos duas...
– Não, porque eu vou continuar te amando. Você pode ser apagada daqui. – Ela apontou para cabeça. – Mas aqui... – Levou minha mão e a colocou sobre seu coração. – sempre baterá por você.
Não era mais humanamente possível que eu controlasse minhas lagrimas, eu me joguei em seus braços em um abraço apertado. – Era você... sempre foi... – levei um segundo para entender suas palavras. Então quando eu finalmente compreendi, não me senti mais capaz de respirar, foi como se o mundo a nossa volta se apagasse. Ela se afastou um pouco para poder me encarar. – Você. – repetiu com um leve sorriso. – sinto muito por não ter percebido isso antes. – Ela recostou sua testa contra minha e fechou os olhos, eu também fechei os meus. Ela teia me escolhido. Poderíamos ter sido felizes.
– Eu nunca vou esquecer você, Emma. Nunca... mas agora você precisa ir.
– Tente voltar pra mim... – Ela sussurrou e então se afastou.
Eu abracei Henry mais uma vez e Snow fez o mesmo com Emma. Os dois entraram no carro e eu peguei o pergaminho da maldição para destruí-la. Fiz o que tinha que ser feito. No segundo em que o carro de Emma cruzou a linha, a fumaça roxa nos atingiu. Eu nunca mais os veria. Nunca mais veria meu filho e o amor da minha vida.
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