Idiotas vinculados
5 O primeiro treinamento com espadas
Eu estava pensando se foi uma boa conhecer o arsenal ou almoçar quando Kat levou Mari e Jessie para escolherem suas armas. O arsenal por fora era basicamente um galão, já por dentro... Era o lugar mais incrível que eu tinha visto até agora na minha vida — apesar de bem bagunçado.
Eu já tinha visitado museus algumas vezes mais nada se comparava ao arsenal abarrotado de armas até o teto, com fileiras e fileiras de lanças, as paredes eram cheias de armários com os mais variados tipos de espadas que até mesmo eu não conseguia identificar — o déficit de atenção não ajudava muito — e prateleiras com facas e adagas de diferentes tamanhos, no canto do lado esquerdo havia arcos e flechas e cada um parecia ter vindo de uma época diferente. Fiquei de queixo caído, percebi que Jessie parecia que ia explodir tanta animação a qualquer momento e até mesmo a Mari pareceu esboçar surpresa com o lugar.– Incrível né? — Falou uma voz masculina vinda da porta do arsenal.Demos um pulo em conjunto, Kat, Mari e eu, Jessie ainda concentrada nas armas.– Que susto James. – Respondeu Kat. – Oi, essas são Mari Cattane, Jessie Ferraro e Henry Clawd, acho e que já sabe por que estão aqui.– Desculpe. – Disse com um sorriso divertido. – Olá, sou James Horton, vice-líder do chalé de Afrodite. Cuido daqui nas horas vagas.Ele até que se parecia com um filho de Afrodite, parecendo ser bem vaidoso. Eu tinha visto as filhas de Afrodite no refeitório e na fogueira antes, elas eram bem bonitas e parecia te hipnotizar quando olhava em seus olhos.James era mais ou menos da altura de Kyle e aparentava ter mais ou menos a mesma idade que ele, tinha a pele clara, cabelo escuro com um sorriso gentil. Usava uma camiseta laranja do acampamento com gola V, calça skinning preta e um cinto com uma faca brilhante na bainha. Eu o havia visto no treino de arco e flecha, enquanto ele treinava esgrima.– O que um filho de Afrodite esta fazendo num arsenal? Afrodite não é tipo, amor e pombinhas brancas? – Perguntou Jessie, que parou de prestar tanta atenção nas armas.– Tecnicamente sim, deusa do amor e da beleza, mas nem todo semideus é tão influenciado pelo pai. Eu, por exemplo, gosto daqui. – Ele respondeu com toda calma e carinho do mundo, o que acho que Jessie ficou envergonhada pela pergunta besta, deixando seu rosto corar.– Bem, vamos ao ponto? — Disse Mari.– Ah, ok. Já lutaram antes? — Perguntou James.– Lutamos com um cão infernal ontem... – Disse Mari e percebi que ela quase disse o que aconteceu noite passada, ela me deu uma olhada de esgrelha e continuou. – Eu com uma faca e ela com uma lança que a Jessie achou... – Ela olhou para Jessie franzindo a testa. – E Henry com sua espada. – Ele olhou para min.– Espada? – ele ficou a procura de alguma coisa com muito interesse pendurada em minha cintura – Onde? – Tirei minha corrente que naquele momento estava dentro da minha camiseta e o mostrei. – como funciona?Puxei-a e logo instantaneamente ali estava minha espada. Sua corrente de prata se transformou em uma lâmina de bronze de dois gumes, enquanto o pingente de ferradura se transformou no punho de uma espada, encaixando assim na lâmina. A ferradura e o tridente cravados no punho com a pérola. James ficou boquiaberto e seus olhos brilhavam como se ele nunca tinha visto coisa parecida.– Waw! Ela... ela... É LINDA! – Disse ele tentando tocar na espada, mas eu não deixei, porque não achei seguro. Quando ele percebeu isso ficou mais serio e disse – e porque veio até aqui?– Há, também quis conhecer as armas daqui... – Vi algumas armaduras no canto e disse – E quem sabe ter uma armadura. – respondi sorrindo meio constrangido.– Atá, tudo bem então!Todos voltaram à atenção para as armas e armaduras de bronze celestial que parecia reluzir mesmo com a pouca iluminação que havia ali dentro.– Estou com fome! – censurou Kat. Todos riram.– Ah, é verdade, até que nos demos bem com o lance da mira. No arco-e-flecha, sabe? – Completou Jessie. – Menos o Henry que foi péssimo – informou ela sorrindo travessamente. Decidi ignorar ela.– Legal, já têm ideia do que pode lhes servir. Olhem a vontade e se precisarem de ajuda estou à disposição.E tinha muito pra olhar, percebi que Jessie a cada arma que ela segurava parecia analisar que vantagem que aquela arma poderia trazer pra ela em uma batalha.Encostei-me a uma prateleira me sentindo animado enquanto via James e Kat se aproximavam de Mari, que segurava uma faca pequena com punho e lâmina negros. Seu punho havia uma espécie de desenho de ossos. Senti algo gelado e um formigamento estranho só de olhar para a lâmina.– Nunca vi essa daí. — James disse com uma careta. – Foi um achado e talvez não tão bom assim.– Por quê? — Perguntou Mari, seus olhos brilhavam e ela segurava a faca como se fosse dela há anos.– É feita de Ferro Estígio. – Explicou James. – Normalmente as armas dos semideuses são de bronze celestial, com algumas exceções. Lâminas de ferro estígio são raras e geralmente usadas apenas por filhos de Hades, o deus dos mortos. Tem certeza que quer ficar com ela?– Tenho. – Mari respondeu séria. Não é que eu tivesse medo dela, apenas podia sentir que uma aura estranha a envolvia. Não me incomodava mais que sua atitude de se sentir superior, bom, só um pouquinho.
– Jessie?Todos olharam para ela.– Eu... Hã... Não consegui achar nada. – Respondeu por fim. – Poderia usar qualquer uma é só que todas parecem... Erradas.– Tudo bem. — Respondeu Kat com receio. – Acho que o James pode te levar ao pessoal de Hefesto, eles podem te forjar uma. James?– Claro. – Ele sorriu pra ela. – É só me procurar. Mari toma uma bainha para a faca. – Ele disse a entregando o artefato de couro. — E... Kat?– Vocês precisam de armaduras ou não precisarão de monstros para serem mortos. — Kat disse enquanto mostrava três armaduras gregas completas de bronze celestial sobre uma mesa.– Uau! – Disse Jessie muito animada. – Eu realmente estou adorando este acampamento. – Todos riram.Depois que James nos mostrou como vestir as armaduras saímos do arsenal de volta para o refeitório caminhando um pouco mais devagar. Kyle tinha explicado um pouco sobre as atividades que íamos fazer. O acampamento tinha varias atividades obrigatórias e algumas disputas, como a corrida de bigas, o torneio de vôlei e a captura à bandeira.Eu já tinha certeza de que gostaria das aulas de esgrima, Canoagem e equitação com Pégaso. Além do mais, eu estava super animado em montar em um cavalo voador ou entrar num barco com mulheres-água, ou o termo correto seria Náiades? Rastreamento e ataque a monstros também me pareciam atividades bem legais.Brandon estava quase terminando de almoçar quando cheguei à mesa. Ele propôs que treinássemos mais tarde, junto de Jessie, Mari, Kat e Kyle.– A legal, vou poder usar minha espada?– Vai sim, mas tome cuidado para não matar ninguém. – E nos dois rimos.Me veio na cabeça de que eu nunca perguntei a Brandon nada relacionado ao nosso pai, então decidi arriscar.– Brandon... Você já viu o papai alguma vez? – Ele olhou para mim um tanto desanimado, como se o assunto não lhe interessasse.– Não, mas foi ele quem me ensinou a controlar a água. – disse ele em quanto comia sua macarronada.– Como? – perguntei interessado.– Na minha cabeça, na hora que eu mais precisei ele me mostrou o que fazer. – Informou ele apontando ligeiramente para cabeça. – Você sabe controlar a água não sabe?– Há eu explodi um bebedouro em um zoo uma vez – disse envergonhado – Mas nada que eu consiga controlar.– Eu posso te ajudar nos tempos livres! – falou ele se levantando.– Serio? Então tá então.O resto do dia passou normalmente. Tivemos vôlei depois do almoço e depois disso eu e Brandon tivemos que alimentar os Pégaso.Alimentar os Pégaso era divertido e de novo tive a impressão de ouvi-los falar, e eu não era ruim no vôlei, então consegui me divertir até as 17:00.Era nosso tempo livre e nos encontramos na arena para treinar, como combinado. Todos levaram as armas que tinham escolhido no arsenal. Eu tinha minha corrente-espada e Mari com sua nova adaga. Já a Jessie não tinha armas.Kyle conseguiu encontrar, entre as armas guardadas na arena, uma espada bem leve e um escudo para ela. Por um momento ela ficou olhando as espadas e o escudo como se aquilo não parecesse arma qualificada para ela, mas aceitou de bom grado. Kyle dividiu os grupos: Eu lutaria contra Brandon, Jessie contra Kyle e Mari contra Kat.Brandon e eu fomos para o centro da arena. Era estranho, porque ele era praticamente meu irmão mais velho e ele esta a mais tempo aqui no acampamento, tem mais experiência, mas decidir correr risco, fingindo estar muito feliz com isso.No centro da arena puxei a minha corrente e ela se transformou em espada, novamente me senti a vontade com a brisa muito fresca vinda da perola, ainda não sabia pra que ela servia, acho que era enfeite mesmo. Brandon desmanchou o sorriso no rosto e me olhou com uma cara muito estranha do tipo “Porque papai nunca me deu uma daquela?”. Mas ele deu de ombro e se preparou, fiz o mesmo.– Eu ataco e você defende ok?Assenti. Nem tive tempo de ver o ataque. Brandon foi tão rápido que se tivesse mirado na minha barriga eu não teria chance nenhuma. A lâmina passou direto pela pele do meu antebraço direito deixando um rastro vermelho que queimava.– AI! – Gritei.– Desiste? – Perguntou sorrindo.Bufei de raiva no chão. Me levantei e esperei o próximo ataque, ele se afastou e veio correndo direto a mim como se ele quisesse realmente me matar, ele fez o mesmo movimento só que de outro ângulo, mas eu já tinha em mente o objetivo dele, então defendi com a espada e ele se surpreendeu e se afastou, continuei olhando serio para ele e ele sorriu novamente.– Qual é a graça? – Ele não respondeu e atacou de novo.Conseguir me esquivar do golpe na barrida com um pulo para trás, ele se afastou de novo. Eu não entendia porque ele se afastava a cada ataque, será que eram pra pegar impulso ou analisar os meus movimentos? Analisar os meus movimentos não era, porque eu não tinha feito nenhum ainda então levei em consideração que ele estava pegando impulso, achei que isso não seria necessário.Ele correu de novo, mas agora ele foi muito rápido, ele veio com três golpes diretos no meu peito, consegui me defender dois, mas um passou de raspão bem em minha costela. Aquilo doeu muito, mas eu não me dei por vencido. Olhei para ele e percebi que ele estava começando a ficar ofegante de cansaço. Ele olhou para mim um pouco afastado.– Você não vai atacar? – perguntou ele, mas eu não respondi e segurei a espada mais forte. Ele revirou os olhos e correu em minha direção com um berro ele deu um salto com a espada erguida acima da cabeça e veio com um golpe direto em meu rosto.Bloqueei.Ele se afastou e vi fúria no rosto dele, quando eu vi aquilo comecei a rir e ele ficou mais bravo ainda, ele olhou para mim de disse:– Do que você esta rindo? – não respondi e continuei rindo, os outros que estavam assistindo, tinha expressões confusas. – Vamos responda, irmãozinho! Respirei fundo para parar de rir e disse:– Ah nada, vamos acabar logo com isso! — disse olhando fixamente nos olhos verdes dele.Percebendo que ele já estava com pouco cansado de fazer aquelas corridas desnecessárias, ataquei, até eu me surpreendi com minha velocidade. Dei um salto para atacar, não sei por que mais eu conseguir dar cinco golpes de uma vez sem muito esforço. Ele defendeu todas, mas eu não hesitei continuei atacando numa velocidade impressionante enquanto ele não tinha opção a não ser defender. Finalmente consegui acertar logo na barriga dele, a camiseta do acampamento rasgada começou a encharcar de sangue e parece que ele não deu a mínima para aquilo, me afastei um pouco preocupado olhando pra barriga dele. Ele aproveitou a oportunidade da minha preocupação para atacar, ele estava a centímetros de mim então ele quase me acertou no queixo enquanto eu desviava com um reflexo. Percebi que preocupação é a ultima coisa que deveria sentir um uma luta, então, decidi ignorar todo aquele sangramento e continuar atacando, as nossas forças eram praticamente iguais, mas eu sentia que eu tinha mais de um recurso para usar, mas eu não sabia qual era. De repente olhei para perola e então percebi que tinha algo se mexendo nela – é o mar! – disse para min mesmo.Eu não sabia o objetivo daquilo exatamente então decidir fazer alguma coisa enquanto Brandon atacava e eu defendia. Eu me afastei um pouco dele e então fiz um sinal com mão na pérola, para ver se acontecia algo, então eu senti a brisa do mar ficar mais forte e vi a água ser extraída direto para a minha mão, como se com o sinal de mão ela saberia o que fazer, enquanto aquele circulo de água formava em minha mão Brandon parou de correr até min e ficou prestando atenção confuso, vi os outros que assistia se levantar um pra tentar ver o que estava acontecendo. E então parou de sair agua da perola momento eu que eu falei – Pare! – na minha mente, então a bola d’água ficou flutuando em minha mão como se fosse uma mascote muito obediente, então olhei para Brandon e olhei de novo para a bola e Brandon riu.– Você vai tacar isso em min? – disse ele rindo – você se esqueceu, sou filho de Poseidon também, irmãozinho! – essa palavra começou a me irritar.Então conversei comigo mesmo em minha mente, se eu tacasse nele ele ia defender e tacar de novo em mim e eu vou tacar novamente nele e vai acabar virando um vôlei d’água.– Irmãozinho? – chamou – Você não disse que a gente tem que acabar logo com isso?O irmãozinho de novo, esse cara esta começando a me irritar.– É... vamos acabar logo com isso. – Taquei a bola, mesmo sabendo que ia inútil, mas não foi o que aconteceu.
Ele estendeu a mão para segurar a bola sorrindo, mas seu sorriso foi desmanchado no momento que a bola de água passou pelo braço dele e acertou direto no estomago bem a onde eu queria acertar, com o impacto da água ele voou a dois metros de distancia e caiu com um baque no chão, ofegante e sem ar ele segurou o estoma como se ele fosse vomitar a qual quer momento, me aproximei com a espada e encostei-a na garganta dele e eu disse com um sorriso surpreso, pois nem eu entendo o que tinha acontecido:– É... Acabamos com isso!– É assim que se fala irmãozinho. – disse ele sorrindo e ofegante e todo encharcado, o ajudei a se levantar. Saímos do meio da arena com olhares curiosos dos meus amigos em mim, Jessie ia dizer alguma coisa, mas Kyle já estava puxando-a para o meio da arena. Me sentei do lado me Mari que me olhou um tanto surpresa, decidi ignora-la e prestar atenção na luta de Kyle e Jessie, Kyle era muito rápido mas Jessie era muito esperta em questão de luta, enquanto assistíamos Brandon um tanto desanimado perguntou:– Você sabe o porquê eu não consegui parar aquela bola e porque eu fiquei todo encharcado também?– Não, não sei, talvez... Por ser a minha espada a água que sai da perola deve obedecer só a mim... Acho que é isso. – disse tentando encontrar uma resposta que seja convincente. – É você deve ter razão. – disse animado – Nossa você viu o golpe que a Jessie deu no Kyle?Olhei para a batalha e percebi que a Jessie estava com um corte no rosto, mas Kyle estava já cansado e preocupado com o desempenho dela. No final da partida entre os dois Jessie consegui nocauteá-lo e o derrubou e ele sorriu. Então eles caminharam ao nosso encontro e Mari e Kat foram às próximas.Durante a batalha de Kat e Mari expliquei a Jessie e Kyle o que aconteceu e eles ficaram super animados com isso, principalmente Kyle que não tirava os olhos da minha corrente no pescoço. Na batalha de Kat e Mari, o pouco que eu assisti foi muito divertido, elas pareciam ter dó uma da outra, e em vez de atacar ficavam rindo, como se aquilo fosse uma piada. Kyle já estava ficando irritado.– Uuuuh! Vai logo aí, eu quero ver sengue! – disse Kyle.Mari olhou para ele com um olha do tipo que vai tirar sangue dele, ele se calou.Então por um momento elas lutaram pra valer, Mari por ser baixa estava na vantagem com sua adaga, ela conseguiu fazer alguns arranhões nas pernas e braços de Kat e Kat com sua espada conseguiu arrancar alguns fios de cabelo de Mari. De repente elas pararam e Kat disse:– To com fome!– Eu também! – disse Mari.– Vamos parar? – Perguntou Kat fazendo um careta.– Aaah! Vamos, nos temos bastante tempo pra isso. – respondeu Mari.– É... – Concordou Kat e elas vieram ao encontro da gente.Kyle olhou fixamente com a cara amarrada para Kat, ele olhou para ele e disse:– Que foi? Eu to com fome. – respondeu ela enquanto Kyle revirava os olhos. Conversei com Jessie a caminho do jantar. Queria saber se ela tinha notado algo de estranho com o Sr. D ou Quíron a nosso respeito, ela apenas disse que Quíron pareceu bem interessado na Srta. Cattane na aula de arco e flecha. O resto da noite até que foi bem legal. Cantamos em volta da fogueira como na noite anterior e os campistas estava se recolhendo aos chalés quando vi uma garota olhando para nosso grupinho – Brandon, Kyle, Kat, Mari, Jessie e eu – com certa curiosidade. Reconheci a garota como sendo a mesma que se sentava a mesa dos diretores do acampamento. De repente ela se virou e saiu, podia jurar que vi uma fumaça verde ao redor dela. Cheguei mais para perto do Brandon,– Quem é ela? — Apontei com o queixo na direção da menina que saia apressada.– Seu nome é Bellatriz McSives. Portadora do oráculo de Delfos.– Isso quer dizer que ela recita profecias?– Às vezes. Quando algum grupo de semideuses tem que sair em missão fora do acampamento.Não sabia por que ela nos observava, mas estava me sentindo muito irritado com isso tudo.Dormi imediatamente assim que cheguei ao chalé 3, acho que tinha me cansado mais do que eu estava sentindo.
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