Notas iniciais
Estou um pouco receosa de postar mais um capítulo sem saber a opinião de vocês. Se estão gostando ou não da história. Se tenho que melhorar ou se assim está bem. Mas enfim, aí está o 5º capítulo. Espero que acompanhem. Boa leitura!

POV João Miguel

Depois de receber os cumprimentos de todos fomos direto para Acapulco. Já era noite e eu a levei imediatamente para ver o mar. Não poderia ser diferente, aquele lugar parecia pertencer a ela. Ambos livres e perfeitos. Eu a conhecia bem e sabia que ela entraria na água com seu vestido de noiva. Ela era a Malú afinal.

Mas gostaria de poder guardá-lo para mostrar aos nossos futuros filhos, enquanto eu contaria como ela estava linda, vindo ao meu encontro no altar. Como uma feiticeira ela me olhava dentro dos meus olhos, se apossando também da minha alma. Estava perfeita com seu vestido branco, mesmo quando ao invés de caminhar suavemente ao meu encontro no altar, como fazem todas as noivas, ela tenha disparado, em uma corrida para mim, deixando seu acompanhante Eduardo para trás. Eu a amei ainda mais por isso. Ela não se importava com as formalidades. Apenas queria logo me encontrar.

Uma parte de mim era o homem mais feliz de todos e a outra sabia que teria que contar a verdade e perdê-la. Estava sendo covarde novamente, mas eu queria esse tempo com ela, queria me permitir amá-la de forma completa para libertá-la daquela dor e para dar a ela o melhor de mim. Meu amor. E também para ter uma lembrança dela cravada no meu coração quando ela não me aceitasse mais daquela forma. Ficamos ali, na praia por varias horas. Eu a beijava sem parar, meu coração inchado de felicidade, incapaz de aprisionar mais algum sentimento. No entanto, ele ainda estava faminto. Desejava ela ainda mais próxima. Eu não sabia o que fazer realmente, apenas me deixava envolver por sua magia e confiava que meu coração iria conquistá-la para mim. E ela se entregaria no seu tempo, isso não importava, eu iria esperar.

Mergulhei com ela em meus braços, sob as ondas e desejei que água lavasse toda a imoralidade do meu passado e fosse capaz de limpar minha consciência da culpa que me atormentava. Eu estava tão perto de alcançá-la e ao mesmo tempo tão distante de tê-la. E como o destino é cruel, a trouxe para mim, uma mulher feita, para me condenar ao seu desprezo.

A chuva veio no momento certo para esconder as lagrimas que não pude conter em meus olhos. Eu a amo, e não posso dizer o quanto, por isso não posso perdê-la. Eu a quero para mim, para sempre. Quero amá-la, ser feliz com ela.

Fizemos uma fogueira na areia ainda úmida da chuva rápida e recente e deitamos ali em lados opostos, unidos apenas pelas mãos. A eletricidade que vinha dela parecia estar envolvendo todo o meu corpo. Eu a sentia muito próxima de mim embora eu me mantivesse distante para não assustá-la ou constrangê-la. Eu queria descartar aquele fogo e aquecer seu corpo com o meu, enquanto minha mente queimava imaginando todo tipo de intimidade com ela. Por todos esses anos, nunca me permiti o direito de ter a felicidade por ter sido um monstro naquela noite. Então ela entrou na minha vida de forma tão inesperada e percebi que não posso evitar me sentir feliz ao seu lado. Ao mesmo tempo em que descubro que ela é meu futuro feliz e meu passado amargo. Tudo em uma só mulher. A única mulher a qual meu corpo suplica por seu toque... desesperadamente.

POV Malú

Quando vi o mar me senti livre. E pensei que essa era a intenção do João Miguel. Ele não queria me acorrentar, queria me libertar. Às vezes eu não entendia direito o que ele fazia, como nunca entendi sua reação quando contei a ele sobre o meu quase estupro. Ele insistiu tanto pra saber meu segredo no seu consultório de psicanálise e quando eu finalmente tive coragem de contar, ele entrou em choque! Nem teve coragem de olhar nos meus olhos e mandou o Eduardo me levar pra casa porque que ele não conseguiria fazê-lo. Depois disso fiquei pensando que ele me desprezaria. Que ia pensar que eu era marcada e suja. Por isso esperei em seu quarto para esclarecer as coisas naquela noite. E saí de lá ainda mais confusa com suas palavras, porque dessa vez, foi ele que me chocou: “Malú eu não te desprezo. Eu te amo. Tô apaixonado por Você!”. Comigo foi sempre assim: eu esperava uma coisa e acontecia outra. Quem poderia imaginar que eu estaria aqui, hoje, casada com o João Miguel? Hein?

A praia estava deserta e iluminada apenas pelas estrelas. Parecia nos esperar. Então eu pensei: “Eu estou com meu emendador, estou protegida!” E a felicidade estava tomando conta de mim devagar, como as ondas que vinham nos encontrar na areia.

― Espero que não se importe de ficar sozinha comigo. ― Ele estava cuidadoso, eu podia sentir.

― Ainda não quero ficar sozinha com você!

― Não? ― Minha resposta deixou seus olhos tristes.

― Não! Quero ficar aqui, com você e com as estrelas. ― Ele sorriu parecendo aliviado. O que ele achou que eu ia dizer?

― Então estamos seguros. Elas sabem guardar segredos. ― E ele me abraçou. Mas eu ainda estava com medo. Não dele. De mim.

― Podemos entrar no mar? ― Eu lutava contra mim mesma.

― Podemos o que você quiser meu amor! E só o que você quiser.

Fiquei pensando no que ele me disse. E tudo que queria era ter ele comigo, a vida inteira.

― O que eu quiser?

― Sim, o que você quiser.

― Então... Quero que fique comigo pro resto da vida e nunca me abandone. Mas também quero que saiba que deve partir se eu não conseguir fazer você feliz. Que eu só estarei feliz, se você estiver. Do contrario, também sou uma pessoa triste.

― E como está se sentindo agora? ― Ele perguntou segurando meu queixo em suas mãos.

― Como se todos esses anos eu estivesse sozinha porque estava esperando esse momento. Esperando você. Sinto como se eu fosse somente metade de mim até que te encontrei e não estou mais só.

― Nunca vou te abandonar! ― Ele sussurrou para mim.

― É? Então tem mais uma coisa que eu ainda queria. ― Eu falei pensando na frase que acabei de ouvir.

― O quê?

― Que o tempo parasse. Agora!

E outra vez ele me beijou. Daquele jeito, novo e louco. Tantas coisas que eu ainda não conhecia dele...

A chuva veio depressa naquela noite. Mas eu estava aquecida em seus braços. Ele agarrou minha cintura e começou a dançar comigo, cantando uma música bem engraçada que eu não conheço a letra, mas que fala de amor. Eu nunca vou esquecer! Ela estava perfeita em sua voz.

Era como uma canção de ninar.

Todo o tempo ele me tocava com tanta doçura...tanto cuidado... Mas nunca seria capaz de imaginar como eu estava me sentindo ao seu lado.

Ficamos ali vendo as ondas e mergulhando entre elas. Quando a chuva parou e ele acendeu uma fogueira para nos aquecer, fiquei deitada na areia segurando sua mão e olhando o fogo crescer, exatamente como o meu amor crescia dentro do meu peito. Ele fez tudo direitinho. Cada vez que me olhava, era como um sopro naquela pequena chama que se ascendia e que hoje me incendiava de uma maneira que ele ainda não havia percebido.

Eu sabia que estava muito perto o momento que eu temia. Ou que eu queria? Só tinha uma maneira de descobrir e foi a que ele me propôs:

― Já está tarde! Vamos pra casa?

Notas finais
O que acharam? Comentem!