Notas iniciais
Saindo o segundo capítulo e ainda na espera de comentários do primeiro. Preciso saber o que estão achando. Nos próximos capítulos teremos também o ponto de vista do João Miguel, então poderemos sentir todo o amor e toda a culpa que ele carrega.

O Eduardo já estava me esperando a um bom tempo. Ele é o melhor amigo do João Miguel e por isso é nosso padrinho e responsável por me levar ao altar. No caminho da igreja eu ficava cada vez mais nervosa. Então eu comecei a encher o saco do carinha lá de cima:

“Ai Deus, eu to muito chatinha hoje mais é que é meu casamento e quero pedir pra você fazer o João Miguel ficar bem paciente comigo por que eu to com muito medo, mais eu quero ficar bem pertinho dele. Assim, que nem os artistas das novelas quando ficam bem colados um no outro. Isso é bem nojento de se ver mais com o João Miguel eu não acho. Acho que é bom e só de pensar sinto um friozinho. É por isso que eu penso que o feitiço dele é forte. Por causa das coisas que eu sinto quando eu penso nele e quando estou com ele”.

― Malu, chegamos, está pronta? ― Eduardo se preparava para descer do carro e entrar comigo na igreja.

― Sim, estou. ― Na verdade eu estava nervosa, mas eu queria muito estar ali.

Todos os nossos amigos já estavam lá e quando me disseram que o João Miguel já estava me esperando me deu uma vontade louca de chorar. Eu sabia que ele não ia me enganar, mas... pensei que eu ia chegar primeiro porque... A verdade é que eu não podia acreditar que ele queria mesmo se casar comigo. Então desejei correr para encontrá-lo logo, mais lembrei que eu prometi que iria fazer tudo direito pro João Miguel se orgulhar de mim. Entraria na igreja bem bonita, caminhando como uma tartaruga ao lado do Eduardo. Do jeitinho que eu via na televisão. Mas quando os meus olhos encontraram os do João Miguel no altar, alguma coisa dentro de mim transbordou. Meu coração se agitou que parecia querer saltar para seus braços. E ficar lá todo o tempo, pro resto da vida. Eu queria correr para seu abraço, sentir seu cheiro. Naquele momento eu só queria pertencer a ele de todas as formas, meu corpo e minha alma. Então seu sorriso se espalhou pra mim como uma porta para o paraíso e eu não pode me controlar.

Disparei em sua direção como uma louca, arrastando o Eduardo pelo braço.

Nada como eu planejei. Outra vez o feitiço, tenho certeza!

Parei bem pertinho, ofegante. E o seu cheiro doce me envolveu. Eu podia sentir o calor que vinha de seu corpo alcançando o meu. É tão bom! Olhei no fundo de seus olhos e o fiz provar do próprio veneno. Lancei meu feitiço: “Eu te amo, medico de loucos. Sou louquinha por você!”

Nãããooo!!! Não era nada disso. Eu queria dizer: “Você me ama, João Miguel. Me ama demais!” E ele já me dominava com a magia dos seus olhos, o meu coração acelerado no peito e uma vontade enorme de estar sozinha com ele, longe de todos.

O padre limpou a garganta me arrancando daquele sonho perfeito. Mas por algum motivo que eu não sei dizer, eu me senti forte, pois o que quer que eu também tenha feito com ele, funcionou porque ele só olhou pra mim, o tempo todo.

Eu não ouvia muito o padre Anselmo, tenho que admitir que minha atenção só estava naquele homem ao meu lado. Eu só queria que o casamento terminasse logo pra abraçá-lo e dizer como estava feliz com ele. Como eu teria agüentado vê-lo casado com a Estefania? Eu o amo, amo, amo, amo. Amo a carinha dele. A boquinha, os olhinhos, tudo. Eu o quero só pra mim. Quero ir com ele pra onde quiser me levar. Eu que sempre fui tão livre, agora quero me prender a ele. Ser apenas dele. Só dele. A Malú do João Miguel. É isso aí.

A cerimônia tava perfeita mais o Padre Anselmo mereceu uma bronca porque quase estragou tudo. Imagina que no meio do casamento ele perguntou a todos os presentes se alguém tinha alguma coisa contra a união dos noivos. Meu coração ficou apavorado, com medo que a louca da Estefania estivesse lá. Porque ela sim, é contra o João Miguel ficar comigo. Se bem que ela iria ver como eu tava elegante e ver também que o João Miguel não estava com vergonha de mim, nem um pouquinho. Mas e se ela dissesse que não concordava e o padre cancelasse tudo? Por isso fiquei muito feliz quando dei uma olhadinha pra trás e vi todo mundo sentado e quietinho. Embora eu já tivesse um plano. Se alguém atrapalhasse, eu ia me fingir de louca. E já que o João Miguel gosta tanto de maluquinhos iria querer cuidar de mim e eu ficaria com ele do mesmo jeito.

Mas bem no finalzinho o padre disse: “Em nome de Deus eu vos declaro marido e mulher”. Essa parte foi bem emocionante. Senti um nó na garganta. Nunca tive ninguém só meu. Pois o João Miguel agora era. Todinho meu. Meuzinho da Silva. Todos aplaudiram e os meus olhos ficaram nadando em lagrimas. A Candinha correu pra me abraçar e eu adoro ela, mais perdi a chance de beijar o João Miguel. Todo mundo estava nos abraçando e eu quase gritei “Geeente, eu não beijei o noivo!”. Até o Eduardo já tinha vindo me cumprimentar e nada de beijo. Já estava pensando que a vida de casada não era assim tão boa quanto pensava, quando a Candelária gritou pelo tão esperado beijo. Ai, até que enfim! Mas eu fiquei vermelha como um pimentão com tanta gente olhando. E pra completar ela ainda ficou fazendo biquinho. Isso contagiou os convidados como um bocejo e eles começaram um coro: “Beija, beija, beija...” Então eu estava muito nervosa mais o João Miguel ficou todo animadinho e se aproximou. Aquele friozinho chegou novamente em vários pontos do meu corpo. Frio e quente. Quando sua boca encostou na minha, percebi que era onde eu queria estar desde o inicio. Nada de casamento, nada de festa ou convidados, só o que me interessava era ele. Senti muitas coisas estranhas ao mesmo tempo. Felicidade por estar com ele naquele momento; um pouco de medo de não faze-lo feliz como eu estava e pânico pela possibilidade de perdê-lo por isso.

Mas por enquanto ele só olhava pra mim. “Acho que estou me tornando uma bruxa”, pensei.

Notas finais
Gostaram? Comentem! Não gostaram? Comentem, também! Escrevo pra mim, pensando em vocês! Ou seja, escrevo pra nós. O que seria do escritor se não houvesse o leitor? O criador só existe a partir do interesse de alguém por sua criação. Desejo muito vê-los acompanhando minhas histórias.