Notas iniciais
Hola! Hoje trago o penúltimo capítulo da nossa fic. É! A história era sobre a lua de mel dos pombinhos então... Mas é agora que a verdade vem à tona. Vamos saber como? Espero que gostem. Boa leitura!

POV Malu

Perdi a conta de quantas vezes acordei naquela noite com seu corpo buscando o meu.

Seu beijo pedindo mais que meus lábios. E sua pele roçando a minha, sem nenhum tecido entre nós. Minha boca libertando seu nome numa melodia delirante e desconhecida, enquanto seu corpo mergulhava no meu, levando-me a loucura.

Já não distinguia a realidade de sonho. Hora lúcida, me perdia em seu corpo, hora adormecida, eu o procurava, e acordava com ele sorrindo para mim, agradecido por minha busca inconsciente. De qualquer forma tudo era ele.

É surpreendente como a intimidade entre duas pessoas pode ser tão extrema de acordo com os sentimentos. Se é forçada é como estar no inferno, a degradação se um ser humano. Mas se é doada é o que mais se aproxima do céu. A mais completa definição de felicidade.

Meu coração, antes ferido, havia secado as lágrimas naquela noite.

Quanto mais eu conhecia dele, mais o amava. Havia esquecido da minha vida anterior, quando não o tinha ao meu lado.

― Quero fazer um pedido. ― Disse enquanto me espalhava em seu peito.

― O que quiser. Sou seu gênio da lâmpada. ― Ele brincava enquanto prendia uma mecha do meu cabelo entre seus dedos. ― Tem direito a três pedidos.

― Nunca me abandone. ― Falei séria, descartando sua brincadeira. Era a segunda vez que eu pedia isso a ele depois do nosso casamento.

― Eu não poderia. Seria como deixar de respirar. ― Respondeu com seus olhos concentrados nos meus. ― Mas tenho medo que você, em algum momento, deixe de me amar.

Seu medo não tinha nenhuma razão de existir, isso era algo que não estava em questão.

― Eu vou amar você cada segundo de minha vida. Quero abusar de você todos os dias pra que nunca se esqueça que você é somente meu e de mais ninguém.

― Abusar? ― Ele perguntou enrugando a testa, provavelmente achando estranho me ver usar essa palavra assim de maneira tão natural. Ou talvez aprovando a ideia que a palavra sugeria, já que terminou a frase com um sorriso do lado esquerdo do rosto.

― Sim, Abusar! ― Eu enfatizei e cerrei os olhos enquanto falava. ― E se um dia você ousar olhar para outra mulher, seu corpo se recusará a isso como se você fosse um velhinho de cento e dez anos. E ela vai debochar de você e você vai voltar correndo para os meus braços. Só vai fazer amor comigo!

Ele sorriu de minha declaração absurda.

― Esse é o segundo desejo? ― A expressão do seu rosto parecia dizer: “Está me rogando uma praga?” ― Pois saiba que eu nunca vou me cansar de você! E aconselho que durma durante os dias porque as suas noites serão para sempre minhas.

― Quer dizer que vou abusar de você durante os dias e você vai se apossar de mim durante as noites? ― Isso parecia música para meus ouvidos.

― Seremos implacáveis!! ― Ele sussurrou perto de minha boca, deixando seu hálito aguçar meus sentidos. Mas não me beijou... Me senti vazia.

― Ah é? E quando iremos dormir? ― Eu disse deixando escapar um bocejo e seus lábios se abriram novamente, num sorriso de vencedor.

― Bem, eu realmente não me importo que você abuse de mim quando eu acidentalmente tirar um cochilo. ― Ele prendeu os lábios entre os dentes, com um olhar de cafajeste.

― Então, seja bonzinho e comece a dormir imediatamente. ― Soltei.

― Desejo número três. Seu pedido é uma ordem! ― E dessa vez ele respondeu me puxando para cima de si, com os olhos fechados. Deixando-me no comando total de seu corpo. Meu sono desapareceu.

♥ ♥

POV João Miguel

Eu nunca teria o bastante dela. Como um viciado, eu desejava doses cada vez maiores. Mas depois de todas essas horas, seus olhos estavam sonolentos e eu precisava deixá-la descansar. Embora eu tivesse outros planos.

― Me diga que sempre vai querer estar comigo desse jeito. ― Eu falava com ela ainda sobre mim. Suas pupilas dilatadas e as bochechas coradas com nossa intimidade, a deixavam ainda mais atraente.

Ela sorriu, constrangida.

― Malú quero que se sinta à vontade comigo. ― Eu disse segurando seu queixo em minhas mãos. ― Há poucos minutos você não estava tímida.

― Não acha que me comportei de maneira inadequada? ― Ela achava que tinha sido ousada e isso era ruim?

― Não sei. Que tal se a gente começar de novo pra eu ter certeza? ― Respondi para ela.

Ela sorriu e eu continuei:

― Vai... não seja malvada. Eu estou na dúvida! Vamos repetir tudo!

― Tudo? ― Sua expressão era divertida.

― Hum-hum!

― Você é um tarado, sabia? ― Ela me atacou com um sorriso.

― Sou? Pois a culpa é toda sua. Me seduziu e agora está me rejeitando?!!

― Eu tô rejeitando você depois de tudo que fizemos? ― Agora seu rosto estava surpreso.

― E o que foi que nós fizemos? ― Perguntei fingindo me surpreender também.

― Eu não preciso dizer, João Miguel!!

― Por que não? ― Eu tentava persuadi-la com uma voz mansa, mas ela apenas revirou os olhos para mim.

― Ok! Então me diga ao menos se você gostou. ― Falei com um tom mais sério.

― Por que acha que lhe roguei uma praga? ― Perguntou depositando um selinho em meus lábios.

― Por que é egoísta? E... possessiva? ― Eu falava e a beijava.

― Quer mesmo saber? Então que tal isso: Eu gostei. Gostei demais. ― Seu rosto corou imediatamente, mas ela o cobriu com suas mãos.

― Verdade? E que tal isso: Eu sempre vou querer mais! ― Disse em voz baixa, puxando suas mãos e olhando nos seus olhos. Senti novamente a eletricidade entre nós. É algo inevitável.

― Pois vai ter que merecer! ― Ela afirmou, quebrando nosso contato visual.

― E o que eu preciso fazer?

― Hum... Quero que cante novamente aquela música que você cantou na praia pra gente dançar!

― Nããão!!!!

― Quer ou não quer mais???

― Siiiiiim!!!

E ela já se aconchegava em meus braços para dormir... Enquanto eu desafinava para ela, ninando-a:

“¿Qué será de ti?

Necesito saber hoy de tu vida

Alguién que me cuente sobre tus dias

Anocheció y necesito saber

... ¿Qué será de ti?

Cambiaste sin saber toda mi vida

Motivo de una paz que ya se olvida

No sé si gusto más de mí o más de ti...”

A letra me levava á beira do abismo. Fazia-me sentir falta dela mesmo segurando-a junto ao meu corpo. Mostrava-me como poderia ter sido meu futuro caso ela não tivesse me aceitado. Fiquei quieto, sentindo seu calor e sussurrando aquela melodia que me causava dor.

“... Ven, que esa sed de amarte

Me hace bien

Yo quiero amanecer contigo amor

Te necesito para estar feliz...

Ven, que el tiempo corre

Y nos separa

La vida nos esta dejando atrás,

Yo necesito saber

¿Qué será de ti?"

Estive um bom tempo imaginando como seria minha vida se eu a perdesse. Eu não saberia calcular o tamanho do meu sofrimento. E agradeci mais uma vez por Deus tê-la entregue a mim novamente. Confiado em mim para amá-la. E no embalo da letra eu adormeci com ela em meu abraço. O que mais um homem apaixonado poderia querer?

Naquela noite ela me visitou em meus sonhos. Havia me aceitado tão prontamente que eu tinha quase certeza do seu perdão. Eu viveria ao seu lado sem medo, sem angustia. Sem nenhuma tristeza. Teríamos uma vida inteira para nos amarmos e eu iria mimá-la em todos os momentos. Viveria para fazê-la sorrir.

O sol já começava a despertar quando acordei com a Malú gritando em agonia. O suor banhando seu rosto e sua voz com um tom de desespero. Foi quando percebi que ela estava novamente no meio de um pesadelo. O mesmo que a perseguia sempre. Nem a consumação do nosso amor conseguiu fazê-la esquecer o que viveu no seu passado. Eu a apertei contra meu corpo chamando seu nome para despertasse daquela aflição que fazia seu peito sangrar. Eu estava ali para protegê-la e para amá-la. Sempre. Ela não precisava sentir medo. Não mais.

Mas quando ela despertou e me olhou, havia pânico em seu olhar. Mesmo minha presença não conseguia acalmá-la.

― Malú, meu amor, eu estou aqui. Foi só um sonho.― Então eu a vi se afastar dos meus braços.

E foi quando ela falou, que descobri o que havia acontecido.

Notas finais
Aqui está o link da música citada no capítulo: http://letras.mus.br/thalia/1586063/traducao.html. Na voz da Thalia. Escolhi a versão em espanhol pela origem dos personagens. Mas ela é originalmente do Rei Roberto Carlos: “Como vai você?”. Acho que todo mundo conhece. Bjus.