Ida sem volta

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Boa leitura!

Lembranças.

É bom conservar algumas. Algumas. Mas lembranças são lembranças. Não há um modo de selecionar quais ficam.

Criar lembranças. É um assunto delicado para mim. Meu passado, meus sentimentos. Sou criticada por não saber expressar meus sentimentos, mas alguém realmente sabe? “Sim” – você pode afirmar... Meus últimos 12 relacionamentos não resultaram nisso. Para expressar, é necessário que sentir. Eu não sinto, oque, para minha carreira de atriz, não é muito satisfatório. Nada satisfatório.

Nesta terça-feira fui à psicóloga. Não que eu aprove, pois me sinto doente quando vou a médicos. Tivemos um diálogo brando, mas não o achei proveitoso. Liguei para minha mãe depois da seção.

— Ela me disse que preciso criar boas lembranças. Conhecer novos lugares. — disse para minha genitora, que sabia mais do que ninguém que as lembranças de um sujeito podem ser devastadoras.

- E você vai para onde, Melissa? Você está falida! – ri com aquilo. Sempre adorei o senso de realidade desta mulher, pois ela converte muitas dessas situações para o bom humor.

- Eu não vou a lugar algum. Preciso encontrar um emprego. Isto não é hora para férias! – disse ressaltando a ultima frase. Sem rodeios, ela respondeu com uma risada abafada.

- E quando é? – eu podia ver o sorriso fino.

- No natal. – disse brincando.

- Vou passar o endereço da sua avó Cristina por e-mail. – ela disse rapidamente, parecia estar ocupada.

- Não mãe! – repreendi. Se eu precisava criar boas lembranças, com certeza a chácara da vovó Tina não era uma boa opção.

- Ah, e você quer ir para Noruega agora? – disse com ironia. Não respondi. – Você vai e ponto final.

- Eu já tenho 24 anos, não precisa cuidar da minha vida! – ela calou-se... Não por muito tempo.

- Escuta garota. Você não sabe cuidar da sua vida, não agora. Deixa alguém pegar as rédeas e te ajudar, Majestade. – minha mãe é aquelas senhoras de 40 anos que é muito escrota e nada delicada. Talvez eu tenha ficado assim também. – Agora eu preciso desligar, estou com tarefas para realizar e você está me atrapalhando. Vou passar o telefone da vovó também, para combinar o dia de ida e oque mais for necessário. Te amo, até mais. – foi tudo isso que ouvi, depois o tradicional toque de telefone avisou que a ligação estava terminada.

- Ok... – falei – agora sozinha. Eu cedi, pois talvez a psicóloga tenha razão.

Mais tarde liguei para minha avó – materna – e ela pareceu uma pessoa muito afável. Comprei a passagem de ida, mas por algum motivo, minha mente me proibiu de comprar a de volta.

Eu sairia às 16h15min de sexta-feira, da próxima semana.

As quase duas semanas passaram de maneira agonizante, e nesse período enviei currículos para companhias de teatro para todo o sudeste. Eu iria a qualquer lugar para seguir meu sonho.

Sempre soube que meu futuro está baseado na encenação, então porque não fazer disso um trabalho?

Como disse... Lembranças.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.