Mary, 14 anos, Manhattan — não vou falar meu endereço, você pode muito bem ser um monstro e ir atacar a minha família -, prazer. Sou uma semideusa. Definição: filha de um deus ou uma deusa da mitologia, pode ser grega ou romana. No meu caso, sou filha de uma deusa, pois tenho um pai mortal. Sim, deuses são reais e saem por aí parindo filhos com meros mortais. E aqui estou eu.

[Barulho de algo explodindo]

Desculpe, aprendi da pior maneira que não posso falar mal de um desses deuses se não quiser que algo exploda, que eu morra, ou que outras coisas aconteçam comigo ou com o ambiente a minha volta. Nada explodiu. Onde eu estou? Ah... Sobrevivo correndo por aí, escondendo-me de monstros e muitas vezes lutando com os mesmos. Não tenho muitos recursos, pois fugi de casa ontem, levando comigo uma faca, um martelo e meu melhor amigo, Christian, que sofre das mesmas coisas que eu. Não ria, não é engraçado quando as únicas coisas que podem ajudar na sua sobrevivência são para passar manteiga e martelar pregos, e um amigo que não parece muito ameaçador. Olha, eu aprendi por conta própria que monstros podem ser muito cruéis. Não monstros, como no Monstros S.A, mas sim monstros reais, como Fúrias, Cães Infernais, Quimeras... Sim, isso tudo é muito real, infelizmente.

Eu comecei vendo coisas estranhas acontecerem: adolescentes carregando armas, pessoas fofinhas e meigas se transformando em monstros, vozes muito reais em meus sonhos... Muitas das vezes chamava meu pai, quando via uma menina empunhar uma lança ou um menino um martelo medieval. Ele dizia coisas como:

- Mary, aquele garoto está com um algodão doce na mão, e onde viu espada ali menina? – perguntava meu pai, com uma expressão de leve dúvida, talvez achando que eu fosse louca.

Não aguentei, teve episódios que eu cheguei perto desses adolescentes e perguntei:

- Ei você! – corri até o menino- Porque está com um... um martelo medieval nas mãos? – Perguntei, olhando apreensiva para a arma. O garoto me olhou intrigado.

- Corra, corra – disse ele sacudindo meu ombro direito com a mão livre — Gaia, ela, ela está próxima, cuidado, não coma terra — o final eu não entendi direito, porque o menino saiu correndo aos pulos.

Ok, voltando ao rumo da conversa: como eu descobri ser uma semideusa? Ah, pesquisei. Sim. Estava vendo coisas estranhas, coisas que meu pai não via, estava ficando doida? Não, porquê se eu tivesse o Christian também estaria, afinal, ele via tudo o que eu via. Corri até a biblioteca mais próxima e comecei a pesquisar. Tenho guardado comigo, todas as páginas de um livro sobre monstros mitológicos que eu roubei da biblioteca. Sim, sou uma vândala, mas me ajudou muito até aqui. Para provar que não estava ficando mais doida ainda, estou gravando essas notas de voz para você, pessoa que está ouvindo isso. Espero que quando você encontra-la, eu esteja sã e salva no único lugar seguro para semideuses.

Me sinto idiota falando com o ar, mas, Mary, morta de cansaço, Manhattan, câmbio, desliga.

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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.