Notas iniciais
BOA LEITURA!

Hoje são 30 de outubro, um dia normal e tranqüilo, pelo menos até o momento em que Inoue nos convida para acampar à noite para comemorar o... O... Perfeito! Esqueci o nome! Ah sim! Halloween! Neste momento pensei: nunca ouvi falar em uma data comemorativa como esta. Eu conheço o natal, o reveillon, o aniversário, mas halloween? Enfim, resolvi aceitar o convite, quem sabe na hora eu conheceria. O acampamento foi marcado para às 23h em um bosque que fica aos arredores de Karakura.

Eram 18h e já estávamos saindo da escola.

- Não faltem! Eu quero ver vocês por lá! – exclamou Inoue acenando para mim e para Ichigo.

- Pode deixar! – respondi.

O silêncio estava mortal e aquela bendita palavra não me saía da cabeça: halloween. Seria uma espécie de data em que... Em que... Nossa! Eu não tinha nem idéia do que seria isso! A curiosidade falou mais alto. Não resisti.

- Ichigo, o que seria o halloween? – fui logo direta.

- O quê?! – assusta-se.

- Isso mesmo que você ouviu. O que é o halloween?!

Infelizmente aconteceu o que eu menos queria: ele esbaldou-se nas risadas. Pela primeira vez na história eu vejo Kurosaki Ichigo rir alto por exatamente um minuto! O que tem de mais em perguntar sobre uma simples data comemorativa?!

- Qual é a graça? – perguntei dando um soco certeiro na cara dele.

- Você aceitou o convite da Inoue sem saber do que se tratava?! – diz ele ainda rindo e massageando o local do golpe. – Como é possível uma pessoa não saber o que é halloween? Francamente!

- Você vai responder ou não? – disse cerrando os punhos.

- Tá! Eu respondo! O halloween é uma época do ano em que falamos e festejamos sobre coisas “assustadoras” – faz as aspas com os dedos. – como vampiros, fantasmas, monstros, etc. É basicamente isso.

- Vampiros e fantasmas não são assustadores.

- Só nos dias de hoje em que a figura do vampiro é banalizada e, além disso, você é shinigami, Rukia. Você trabalha com fantasmas!

- Mas voltando ao halloween, eu achei isso bem interessante. – coloquei a mão direita no queixo.

- Então, podemos continuar a andar? Já está anoitecendo e eu preciso arrumar as minhas coisas para o acampamento.

- Ah, sim! Vamos! – respondi.

--X—

Aquele bosque não estava tão lotado, afinal, a Inoue havia convidado somente Ishida, Sado, Tatsuki, Chizuru, Mizuiro, Keigo, Ichigo e eu. Ali havia algumas barracas ao redor de uma fogueira. A noite estava fria e iluminada pela bela luz do luar.

- Yo ho! Kurosaki-kun! Kuchiki-san! – cumprimenta Inoue com seu típico sorriso extravagante.

- Boa noite Inoue. – responde Ichigo.

- Então, isto é um acampamento de halloween? – pergunto analisando o ambiente.

- É sim! Eu convidei todos vocês aqui para falarmos de coisas assustadoras à noite toda em pleno bosque. Legal né? – diz ela.

Assim que terminamos de conversar baboseiras com a Inoue, Ichigo e eu montamos nossas barracas e nos juntamos ao grupo.

- Ichigoooo!!! – Keigo chega até Ichigo. – Hoje é halloween! Você deve ter muitas histórias interessantes para nos contar!

- Eu não me interesso por essas baboseiras. – responde Ichigo acertando uma cotovelada certeira em Keigo.

- Você pode não se interessar, mas eu tenho uma história bem aterrorizante. – diz Ishida mirando uma lanterna no seu rosto.

- Nossa! Parece ser bem interessante! – comentei.

- Mas ele nem começou, Rukia! E, além disso, essas histórias de halloween não têm nada de assustadoras. – diz Ichigo com uma feição de indiferença.

Tatsuki irrita-se e dá um soco muito bem merecido em Ichigo.

- Cala a boca! Por que você acha que estamos aqui? Você é irritante mesmo!

- E sobre o que é essa sua história Ishida-kun? – pergunta Inoue.

- É a história do: — liga a lanterna. – Cara de doce!

- Oh! – todos exclamam, com exceção de Ichigo.

- Começou. – diz Ichigo com cara de estresse.

- Xii! Pode começar Ishida. – diz Tatsuki.

- Bem, — ajeita os óculos. – há muito tempo, um pai de família que morava na floresta que para entreter seus filhos, fez uma máscara de doces.

- Waa! Falando em doces, eu trouxe muitas guloseimas! – exclama Inoue.

- Xii!

- Continuando... Para entreter seus filhos, ele fez uma máscara de doces. Maas!! A máscara derreteu-se e nunca mais saiu de seu rosto!

- O que tem de assustador nisso? – comenta Ichigo.

- Cala a boca Kurosaki! – todos nós perdemos a paciência.

- Foi então que com a nova aparência, todos da vila riam e zoavam da cara dele! Então ele se cansou e...

O silêncio predominou sobre o lugar. Desde quando pedimos silêncio, Ichigo havia pegado no sono a ponto de acabar repousando sua cabeça na minha perna (abusado!). Ishida levanta-se, vai até Ichigo e...

- WAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!! – grita o quincy

Ichigo dá só um salto e o maldito dá com a cabeça no meu queixo!

- Você é retardado Ishida?! – exclama o morango.

- ELE COMEÇOUA MULTILAR, FATIAR E ENTALHAR TODA A POPULAÇÃO DAQUELE PEQUENO VILAREJO! E DEPOIS DESTA ONDA DE HOMICÍDIOS, nunca mais foi visto. – diz ele histericamente andando ao redor da fogueira. – Isso é tudo. – ajeita os óculos e volta ao seu lugar na maior calma.

Assim que ele terminou a tal história, todos ficaram inexpressivos, menos Inoue.

- Isto é mesmo uma história de terror? – pergunta Mizuiro.

- Bravo! Bravo! Eu adorei! – aplaude Inoue.

- Obrigado Inoue-san.

Confesso que também gostei da narrativa e fiquei com um pouco de medo, apesar de ser ingenuidade minha.

- Vamos comer?! Estou morrendo de fome. – diz Inoue com seu típico entusiasmo.

Neste momento ela tira de dentro de uma cesta uma grande variedade de “guloseimas”. Fazendo todos, inclusive eu, ficarem com nojo e horror.

- Eu trouxe um sanduíche de goiabada com queijo, um bolo de beterraba com cenoura, um pudim de maracujá com azeitona e sushi com creme de morango e pasta de feijão.

- Ahm, Orihime. Eu não estou com muita fome. – diz Tatsuki.

- Vocês não vão fazer mais nada? Eu já vou dormir. – diz Mizuiro.

- Eu também. – diz Keigo.

Assim que Keigo e Mizuiro saem dali, os outros também se acomodam em suas barracas.

- Bom, eu também já vou indo. – diz Ichigo levantando-se.

- Não senhor! Você ficar aqui me fazendo companhia. – exclamei puxando-o de volta para o chão.

- E quem é você para me dar ordens?

- Por favor!

- Não me diga que...

Fiquei na cor de um pimentão e pela segunda vez, ele ri da minha cara e tão alto a ponto de soar um grande eco entre as árvores.

- Você ficou com medo daquela historinha?! – diz ainda rindo.

- Seu idiota!

- Eu não acredito que uma shinigami caçadora de hollows profissional, ficou com medo de uma historinha de criança como essa!

- Cala a boca! Se você quiser ir eu não te impeço mais! – levantei-me e cruzei os braços.

Sim, minha paciência tem limites. Eu não queria ficar o resto da noite ouvindo a risada histérica dele. Grr... Como ele tem o estranho poder de me irritar!

- Ei calma! Você é muito estressada sabia?!

- Você deveria levar as pessoas mais a sério sabia?!

- E você deveria aprender a levar certas coisas na brincadeira!

- Como o povo te suporta hein?

- E como o Byakuya ainda não te devolveu pro orfanato?

- Seu cavalão irritante!

- Sua pintura de rodapé!

Aquilo já foi o fim da picada. Calei-me e virei as costas.

- O que foi? Desistiu? – ele cruza os braços.

- Não, só não nasci para aturar cretinos como você.

- Sua... Grr, eu também cansei.

Não dando ouvidos a ele, fui até a barraca e acomodei-me.

--X—

2h da manhã e nada do sono dar sinal de vida, afinal, o medo tomava conta de mim. Tudo bem que aquilo não passava de uma história infantil e sem graça, mas de alguma forma, eu fiquei com medo! Podem rir!

Neste momento eu comecei a ouvir alguma coisa. Eram passos e... Está se aproximando. Nossa! Uma sombra!

- WAAAAAAA!!!!!!!!! O Cara de doce!!!!!!! – gritei encolhendo-me no meio do lençol e fechando os olhos.

- Rukia! Rukia! Abre aqui!

- Ichigo?!

Rapidamente eu abro a tenda e me agarro no pescoço de Ichigo. Ele passa a me abraçar.

- Rukia, se acalme!

- Eu juro que eu vi o Cara de doce!

- Não tem ninguém aqui!

Fiquei ali abraçada com Ichigo sem perceber que todos estavam acordados e assustados com o meu escândalo.

- É a primeira vez que você escuta uma história de terror Kuchiki-san? – pergunta Inoue.

- Pelo menos conseguir assustar alguém. – diz Ishida ajeitando os óculos.

- Mas o que você viu? – pergunta Tatsuki.

- Eu ouvi passos e vi a sombra de uma pessoa. – disse soltando-me de Ichigo.

- Vai ver seu medo falou mais alto, até porque eu não ouvi e nem vi nada. – diz Mizuiro.

- Ah, foi só isso? Então vou voltar a dormir. – diz Chizuro.

Enfim, em questão de segundos, todos voltaram para as barracas, ficando ali só eu e Ichigo.

- E então? Vai rir de mim? – perguntei.

- Hum... Não. Já foi o bastante por hoje e, além disso, eu estou morrendo de sono.

- Sei... – ajoelhei-me na frente da fogueira que ainda estava acesa. – Me desculpe o incômodo.

- Quer que eu fique com você aqui fora?

- Sério? – abro um pequeno sorriso.

- Claro! Afinal, eu quero te proteger se o Cara de doce vier de novo.

- Tsc... Mas é um idiota mesmo. – arredei-me e bati no chão. – Senta aqui.

- Valeu – diz o morango sentando-se.

Aproximei-me dele e pousei minha cabeça em seu ombro e fechei os olhos.

- Boa noite. – diz ele apoiando a cabeça dele sobre a minha.

- Boa noite.

***FIM***

Notas finais
Aos IchiRukis de plantão, esta fic tem traços de IchiRuki, mas não é de romance! Eu quis mostrar (pela 1ª vez) o lado amizade deles, mas não sei se funcionou.
Outra coisa, a história do Cara de doce NÃO PERTENCE a mim, mas sim ao seriado Sunny entre estrelas, do episódio: A Lenda do Cara de Doce. Esse episódio é épico, me inspirei nele pra fazer esta fic. Mas enfim, espero que tenham gostado! Reviews?
Até a próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!