Ich Liebe Dich.

87 Cap.87: Angústia.


Notas iniciais
Sam e Charllottie estão acabadas, pessoas.

--- Lottie! –Minha mãe estava me abraçando. –Oh, Lottie. Pobre Lottie. Acho que você não tem mesmo sorte. –Minha mãe despejava suas lamúrias enquanto chorava.

Olhei ao meu redor, e vi que todos estavam ali. Angel estava com uma cara de preocupada. Ela tinha as sobrancelhas arqueadas, agora franzidas. Parecia muito preocupada. Frida estava ao meu pé, olhando-me com uma cara de raiva, que nunca conseguiria esconder, mesmo que quisesse. Norma me olhava com pena, assim como Chris. Sam, Joe e Bridget estavam preocupados. Jolie estava sem expressão. Parecia entorpecida. Teddy não estava lá. Nem... Peter.

Lembrei-me do acidente.

--- O que houve? –Perguntei, aturdida. –Não consigo me levantar... estou fraca e sinto dores. –Murmurei.

Frida ia falar, mas Angel colocou sua mão no ombro da garota, fazendo-a controlar seu ímpeto violento de falar. Angel estava séria e prudente. A menina se calou, antes de ter falado uma palavra.

--- Lottie... – Joe correu para perto de mim.

Ele pôs seus braços por trás do meu pescoço, me dando uma abraço meio afastado, para não me machucar. Ele estava com uma cara tão triste. A mais triste que eu já o vi fazer. Seu rosto estava enrugado e cansado.

--- Lottie... graças... a Deus. –Sam mal conseguia pronunciar as palavras, de tanto que chorava.

--- Foi... tão grave assim?! –Perguntei, provocando, mais uma vez a ira de Frida que contorceu seu rosto levemente.

--- Você tem sorte. –Chris disse, devagar. –Só sobraram hematomas. Suas roupas eram todas muito resistentes. Pete –Quando ele falou seu nome, Frida contorceu seu rosto mais uma vez. Parecia querer evitar um possível choro, que ficou sufocado, naquele momento. –Cuidou bem disto... –Ele não era autoritário como na maioria das vezes. Sua voz era débil e fraca, porém rouca.

--- Seu capacete a protegeu e você só rolou um pouco, pois Peter diminuiu a velocidade. –Norma disse, também em tom de murmúrio.

--- Vocês podem me deixar a sós com a Lottie? –Sam perguntou.

--- Claro. –Angel respondeu em tom severo e dirigiu o olhar para todos os outros, para que saíssem. Ela parecia a matriarca da família, neste momento. –Vamos. –Terminou.

--- Chamem para o que precisarem. –Minha mãe disse, saindo.

--- É isso mesmo. –Joe disse, em tom sério. Todos saíram, exceto por Sam.

--- O que... – Fui interrompida.

--- Lottie... Seu acidente te deixou assim. Você lembra, não lembra? –Perguntou-me ela, aflita.

--- Sim, eu lembro. –Eu disse, recordando-me das cenas horripilantes.

--- Sua mãe soube, e fizemos novamente uma exceção pra ela. –Sam disse, chorosa. Ela olhou pra cima, com uma cara de choro horrível. Mas o conteve. Era de dar pena. –Ela veio correndo pra cá. –Sam disse.

--- Oh meu Deus, desse jeito, ela vai ficar sabendo logo! –Eu disse, desfocando o que eu realmente queria perguntar, desde o começo, que era sobre Peter.

--- Gustav... – Ela começou, em voz baixa e grave. – Ele me disse tudo.

Também nunca havia visto Sam daquele jeito. Por isso eu havia deixado um pouco Peter de lado...

Parecia que tinham acontecido várias desgraças, uma atrás da outra. Seus olhos verdes, radiantes, estavam baixos e olheiras fundas estavam em seus olhos. Suas sobrancelhas estavam franzidas numa carcaça de tristeza aguda. Os cantos de sua boca, pareciam sempre se curvarem para baixo, numa cara de choro. Ela parecia reprimir os sentimentos tristes que lhe vinham à cabeça, toda vez que ia chorar.

Sam carregava um lenço branco, o qual, provavelmente, servia de consolo às suas lágrimas. Ela só havia sorrido, um pouco, distorcendo sua cara de funeral, quando me viu abrir os olhos. Seu rosto era a perfeita expressão de angústia que nenhum artista jamais poderia reproduzir em uma pintura, por mais perfeita que ela fosse.

--- Eu... – Sam continuava, devagar e melancolicamente. – Não estou mais com ele. Não suportei aquilo tudo. – Ela disse, enxugando uma lágrima que corria por seu rosto. – Ele foi embora. Para sempre. E... disse que me amava. Ele... tentou se matar. Lottie... me... desculpe. Eu ainda o amo e... não quero vê-lo morto. Mas não quero continuar com ele. Ele tentará outra vez. Sei que tentará. Não quero que ele faça isso. Ainda espero perdoá-lo. Eu quero isso. –Ela franziu a sobrancelha e os cantos de sua boca se curvaram, mas ela continuou segurando o choro. Sam parecia estar querendo me poupar do seu sofrimento. Ela parecia não querer que eu carregasse uma fardo muito pesado. – Mas... talvez ele não esteja vivo até lá.– Ela enxugou outra lágrima que escorregou, sem que ela percebesse e ficou a fitar o chão, quase sem forças. –Eu havia acabado a conversa com ele e ele tentou pular de um precipício perto de onde estávamos. Eu o segurei e disse que se ele fosse, eu ia junto, acabando com a minha vida, porém sem perdoá-lo. Ele disse, então, que nada mais importava para ele se eu não estivesse com ele. E que, sua mãe também era o motivo disto. Disse, também que eu não teria muito tempo e, que, pelo amor que ele tem por mim, ia tentar sobreviver por quanto tempo conseguisse, a esperar pelo meu perdão. – Sam olhava o chão, absorta. Pareceu livrar-se de pelo menos um dos fardos que a estavam perturbando e dos quais ela estava tentando me livrar.

--- Sam... – Eu murmurei.

--- Você... me perdoaria, se eu conseguisse perdoá-lo enquanto ele ainda está vivo? –Sam perguntou, num tom fraco e intimidado.

--- Sam. – Eu disse, também devagar por sentir dores. – Cale a boca. – Eu disse, minha voz falhava, debilmente. – Você acha mesmo que eu sou tão ruim assim? — Sorri, fracamente. –Acha que eu a privaria de sua felicidade? –Franzi uma sobrancelha. – Então só... venha aqui e me abrace. – Eu consegui pronunciar.

Ela se dirigiu a mim e me abraçou, como Joe fez. Ela estava um pouco mais aliviada.

--- Sam... promete que vai me contar? – Perguntei, ainda fraquejando.

--- Não. – Ela disse. Talvez já soubesse o que eu ia perguntar.

--- Onde está ele? – Eu perguntei, ignorando a sua resposta anterior.

--- Não sei do que está falando. – Ela disse, desviando de minha pergunta. –Durma, -Ela disse, chorando sobre mim.

--- Lottie. É... – Ela desviou o olhar – é disso que você precisa... Dormir.

--- Ele... – Não consegui mais falar.

Olhei para Sam e fiquei estática. Todos os meus sentidos estavam entorpecidos. Meu cérebro não reagia, de forma alguma. Mesmo que eu tentasse, com todas as minhas forças. Sam estava chorando. Chorando muito.

Ela não conseguia segurar mais. Nem mesmo o seu lenço que talvez fosse o único a que ela ainda podia se entregar em prantos, estava adiantando agora. Ela franzia as sobrancelhas e chorava, afogando suas lágrimas no pequeno pedaço de pano branco. De repente, ela começou a gemer, a gritar de angústia.