Ich Liebe Dich.
48 Cap.48: Casa, comida, mãe.
--- Mamãe! -Abracei-a fortemente depois a larguei e fui direto para a cozinha.
Isso não foi estranho para ela, porque ela sabia que minha fome ou necessidades fisiológicas sempre falavam mais alto. Era meu instinto calculista.
--- Hum... você está... meio diferente. –Minha mãe adorava perceber minha infelicidade o que não me agradava muito.
--- Só estou mais apegada a você. Não costumam dizer que quanto mais longe, mais saudade se tem? -Perguntei enquanto abria a porta da geladeira e peguei um pote de sorvete.
--- Não... acho que não. -Minha mãe sabia que eu não conhecia muitas piadas.
--- Ah, sei lá então... -Comecei a comer o sorvete.
--- Porque veio embora? -Minha mãe levantou uma sobrancelha. –E porque está tão impulsiva? Está meio que tentando disfarçar algo. –Ela semi-cerrou o olhar.
--- Então... você não queria me ver? Está bem, vou voltar para a Alemanha ou morar com a Sam -Eu disse, fazendo chantagem emocional e pegando meu casaco verde morto e minhas botas.
--- Primeiro de tudo que eu sempre ligava para você quase todas as horas do dia. Segundo, que você nunca conseguiria viver com a Sam. Ela tem aquele calor humano que você, realmente, não gosta. -Minha mãe sorriu. –E... terceiro... que eu sei que algo está errado. Você não poderia voltar de repente sem nada ter acontecido. –Ela ficou meio séria demais –Charllottie, seja o que for, não vou te julgar.
--- Sam é minha amiga, mãe como pode falar isso? –Brinquei, e tentei mudar de assunto e desconversar.
--- Ah! E quarto, você sabe que assuntos polêmicos desviariam o assunto. Sabe que não sou boa em ficar distraída. Conte-me logo, querida. O que houve? -Minha mãe colocou a mão na cintura e parou de beber o seu refrigerante.
Oh, meu Deus, eu tinha que pensar rápido. Mais rápido do que a cabeça mirabolante de minha querida mãe. Isso era quase impossível. Eu exigiria um oscar de alguém por fazer aquilo.
--- Mãe... eu só... voltei. Não fiz nada demais lá para voltar. Você acha o quê? Que eu nunca mais ia voltar? -Olhei-a interpretando o personagem.
--- Não sei... diga você... você estava lá há um bom tempo. Não acho que iria voltar de repente sem avisar.
Minha mãe estava querendo mesmo arrancar a verdade. Mas neste momento é que ela não a teria mesmo. Eu nunca iria contar. Se Peter teve de ficar para sempre no inferno para contar para mim e para Sam, imagine o que ele não teria de fazer para que eu pudesse contar tudo para ela. Mentir era fácil para mim. Aprendi isso, porque, até para os bons, uma boa mentira serve muito.
--- Está bem... mãe. Peter e eu... sabe... Peter disse o que sentia para mim e eu achei melhor não dar esperanças a ele enquanto eu estivesse a gostar de outro homem. Eu... sinto que o que não acabaram-se os meus sentimentos por Joe. Então... eu vim embora. Satisfeita? -Suspirei e minha expressão ficou pesada.
--- Ah... filha, não se preocupe... ele vai entender. É mesmo impossível conviver normalmente com quem nos ama ao machucá-los toda vez que os vemos. -Ela pegou em meu rosto e segurou uma mecha de meus cabelos e bebeu outro gole de refrigerante.
--- É... é duro. -Franzi as sobrancelha, sentindo o cheiro da minha mentira arder nas minhas narinas.
--- Sam está vindo para cá depois da universidade... ela está com saudades. -Minha mãe soltou um beijo e saiu com a sua jaqueta de couro para sua nova moto.
Fui na porta para ver aquela cena muito inusitada e estranha. Ela estava bem mais animada do que quando eu havia viajado. A moto era vermelha e tinha uns adesivos das suas bandas preferidas. Sempre achei que ela devia gostar do Angus Young, guitarrista do AC/DC, porque ele era escocês e que isso passaria logo, como quase todos os ídolos dela, porém havia me enganado daquela vez. Havia um adesivo médio de Angus sob a superfície vermelha da moto. E eu também não havia notado, mas atrás da jaqueta havia o nome da banda. Ela realmente se divertiu enquanto eu estava fora. Uma mãe peculiar eu tinha.
--- Não volte muito tarde, einh, mamãe. -Avisei de deboche.
--- Volto quando quiser, querida. –Ela acelerou e sorriu para mim deixando fumaça.
--- Usted y vajilla, madre.* -Murmurei e sorri.
Entrei novamente em casa me perguntando se eu iria ver Peter novamente.
Será mesmo que eu nunca teria coragem de voltar? Fiquei a pensar também porque que quando não estava com ele, ficava pensando sem parar. Isso devia ser um vício do meu tédio. Talvez nunca mais o visse. Achei que não teria coragem para voltar depois de tudo o que eu disse a ele. Eu me arrependia. Mais cedo do que achava que fosse me arrepender. Mas não me arrependia por completo, afinal, ele deveria ter me contado antes. Sem que eu precisasse perguntá-lo sobre isso. Eu tinha direito de saber como ele havia salvado a minha vida mesmo que fosse depois de ele salvá-la. Pois, se eu soubesse que ele estava dando a sua vida um tanto feliz pela minha vida inútil, não teria aceitado.
No meio de meus pensamentos, fui interrompida por um barulho brusco na porta e uma pressão em cima de mim.
--- Lottie!!! -Sam pulou em cima de mim derramando quase todo o sorvete que estava em suas mãos em nós duas em cima do sofá.
--- Sam! -gritei tirando-a de cima de mim -Vou te matar!
--- Eca! Me sujei toda! –Ela gemeu.
--- Oh, não me diga! -Revirei os olhos indo até a o quarto tirar minha blusa suja.
--- Me empresta uma blusa! -Sam continuou sentada no sofá a assistir Tom e Jerry.
--- Toma! -Joguei a blusa preta com bolinhas brancas para Sam. –Depois sentei-me no sofá junto dela.
Sam tirou a blusa e colocou a limpa.
--- E ai, Lottie, pronta para me contar porque você e Peter se desentenderam? -Sam não tirou os olhos da televisão.
--- Sim, você não perde tempo, mesmo... -Murmurei -Ele omitiu coisas que eu achei que ele não deveria ter omitido até agora.
--- Não seja calma, vá com sede ao pote, Lottie. -Sam disse, agora me fitando com urgência. Seus olhos verdes pareciam olhos de gato. Famintos.
--- O quê? -Nunca entendia quando ela falava por meio de metáforas, pois ela era péssima nisso.
--- Quecoisas? -Ela revirou os olhos e continuou a fitar o desenho.
--- Para poder me contar sobre todo aquele mundo gigante, ele teve que garantir sua permanência até a morte naquele lugar. -Continuei a olhar o desenho fingindo despreocupação com tudo aquilo.
--- O quê? -Sam olhou para mim pasma.
--- É uma droga não é mesmo? –Olhei para meus pés que estavam em cima do sofá. Eu estava distraída.
--- Oh, meu Deus! -Sam estava perplexa.
--- Está bem, Sam. Pode voltar ao normal. -Olhei para ela com desdém.
--- Você poderia ter resolvido esta situação, Lottie... Não acredito que veio embora só por isso. –Sam falou, preocupada.
--- Não... Sam, se ele não havia me contado até aquele momento, ele nunca mais iria me contar. Só contou porque eu insisti. -Estava com as pernas abraçadas pelos braços e continuei a olhar meus pés tristemente.
--- Ora, Lottie, se está arrependida, concerte tudo... você não precisa ficar ai triste pelos cantos.
--- Não posso, Sam... eu disse que não iria voltar a menos que entendesse o lado dele e ainda não entendo bem. -Olhei para ela.
--- Mas, quando perceber que ele é o cara mais interessante que pode aparecer para uma garota, você voltará. -Sam olhou para o desenho novamente. Parecia muito fácil na visão dela. Porque ela era uma doida temperamental e cheia de calor humano, como dizia minha mãe.
--- Eu sei. Mas acontece que eu não estou totalmente errada. Ele poderia ter me contado. Odeio quando me escondem as coisas. Quando sou a última a saber. -Olhei para os meus pés novamente.
--- Não se preocupe, ele também vai entender que você é uma garota legal debaixo de todo este orgulho, ódio e pretensão. -Sam riu.
--- Há há. Não gostei da sua piada, Sam. -Retruquei -Tire o ódio e podemos até conversar. -Sorri. –Na verdade, as outras críticas são elogios.
--- Está bem, sem ódio. -Sam sorriu.
Fale com o autor