Ich Liebe Dich.
47 Cap.47: A volta.
Todos estavam do lado de fora a olhar a minha conversa nada agradável, para gente civilizada, com Peter. Era de tarde no dia seguinte ao que eu e Peter discutimos. Arrumei minhas malas imediatamente depois daquele dia fatídico.
Com duas malas pesadíssimas tentei sair para entrar no carro sem que nenhum dos fofoqueiros me vissem. Mas foi inútil. Todos eles já sabiam, não fazia ideia de como, pois a presença de Sam não estava ali. Ela era a única que contava tudo... Achei que Peter não havia dito nada. Presumi que Angel havia dito a eles. Talvez eles quase a mataram para que ela dissesse. Bom, eu estava falando com ela regularmente agora e ela era realmente boa em prever acontecimentos e ler expressões. Talvez tenha sido uma psicóloga numa vida passada.
Saí pela porta da frente já que vi por uma das janelas do meu quarto alto que todos estavam lá fora e eu não podia evitar aquelas presenças extremamente negativas para minha sanidade mental.
Decidi pegar um vestido preto para fazer um drama. Talvez eles não levassem a minha partida tão a sério se eu tentasse brincar de viúva. O que eu menos queria naquele momento eram os olhares de festa deles pela minha saída repentina. Coloquei um batom preto e a maquiagem nos olhos também era bastante escura. O vestido tinha véus pretos sob o peito. Era apertado na cintura e no quadril. Usava uns sapatos de couro preto que Angel havia me dado. Aliás, a ideia do vestido preto tinha sido dela. Confesso que primeiramente achei estranho, mas eu era estranha. Adorei poder ter voltado um pouco às origens. Meu cabelo comprido caia por sob os ombros enquanto minha tristeza realmente se mostrava aparente em meu rosto. Não queria fazer aquilo. Não sabia, exatamente, porque estava fazendo.
Quando botei o primeiro pé para fora, avistei Frida de vestidinho comportado e de sorrisinho no rosto. Aquela maldita fedelha, realmente não gostava de mim. O bom disso, era que me motivava a fazê-la implorar por minha presença. Sorri para ela. Se tinha algo que eu adorava em minha personalidade era a facilidade com que eu moldava as minhas expressões.
--- Seja boazinha, Frida. Coma seus legumes. -Ri um pouco.
Ainda bem que eu tinha descoberto onde era que o seu calo ficava. Não... Eu não era infantil o bastante para tratá-la daquele jeito. Ela é que tinha um espírito crescidinho demais para me enfrentar.
--- Sem você por perto? Mamãe... você já deveria me conhecer. -Para o meu azar, ela também sabia onde meu calo se instalava.
--- Então... é realmente isso que você quer, não é Peter... -Eu fingi ignorá-la e olhei para Peter. Eu realmente estava triste em ficar novamente longe dele.
--- Não, Charllottie. É isso que você quer. -Peter estava triste, porém sereno. Ele parecia estar certo de que não estava cometendo erro algum. Eu realmente odiava fazer aquilo com ele, porém não conseguia enxergar o real significado das palavras que ele me dissera a algumas horas atrás como sendo positivos. Em minha cabeça, ele me mandara embora.
--- Peter... não torne as coisa mais difíceis. –Eu disse pegando uma mala.
--- Estarei aqui até a minha morte a esperar por você. -Peter baixou a cabeça.
--- Eu nunca voltarei. A menos que meu cérebro subentenda tudo o que você quer enfiar nele. -Eu disse secamente.
--- Você é uma das pessoas mais inteligentes que conheço, Charllottie. O seu problema... é que só percebe o que quer. E olhe que eu não conheço poucas pessoas inteligentes.
Peter estava diferente. Talvez ele tivesse percebido que não era nada do que ele realmente amava.
--- Ah, você já está indo, não é mesmo? Lottie? -Jolie estava de braços cruzados atrás de Frida.
--- Não está vendo? Ou será que é cega? -Falei, seriamente.
--- Calma, coisinha. -Jolie ficou brava. -Não sabia que você era tão agressiva...
--- Estou, perfeitamente calma. -Retruquei.
--- Adeus, Peter. -Entrei no carro de Angel.
--- Faça uma viagem perfeita, querida. -Norma sorriu sarcasticamente.
Fechei a porta do carro antes que ela terminasse, mas presumi o resto. Christopher acenou. Ele me parecia ser o único que era sincero. Achei que ele não tinha nada contra mim...
Quando abri as portas do carro e chegamos no aeroporto, fiquei mais angustiada ainda. Coloquei a mão no peito apertando-o. Eu realmente não sabia por que ficava tão aflita longe de Peter. “Droga”. Pensei, angustiada.
--- Você quer voltar? Ainda há tempo! –Angel estava radiante. Ela realmente parecia torcer por Peter.
--- Não, Angel. Obrigada por se preocupar. Vamos logo. –Fitei o baixo e franzi as sobrancelhas.
--- Vamos, então. –Ela não tinha expressão.
Entrei no avião e fiquei a escutar músicas. Escutei Nirvana um pouco. Adorava escutar as músicas mais tristes de Kurt Cobain quando estava com raiva ou angustiada. Escutei em replay “Death To Birth” umas dez vezes. Então, o avião partiu.
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