Ich Liebe Dich.
98 Cap. 98: Elementar...
“É bom tê-la por perto. Sabe, adoro deixar você louca. Não, não gosto de ser previsível. Sua vida tem mudado bruscamente a cada minuto, não é mesmo? Não gosto de acontecimentos monótonos e sem criatividade. Sou um artista! Você já deve ter desconfiado... acho que você nem imagina o motivo pelo qual eu te encho de importância em minha vida... mas para quê coisa melhor do que sabê-lo? Sim, resolvi acabar logo com a sua curiosidade! Nem estou sendo previsível... estou sendo direto...
Cordialmente, EU.”
Faltava apenas um mês. Um mês para que eu desse a luz ao meu filho.
Aquilo me assustara, por que agora não era somente eu... Éramos eu e meu filho que estávamos a mercê destes planos infortúnios de um psicopata fissurado em mulheres normais e sem graça alguma.
--- O que farei quanto a isso, Frida? -Perguntei, andando de um lado para outro.
--- Onde estava este bilhete? -Frida tinha o cenho franzido e uma expressão de concentração.
Sentada em minha cama, a garota de olhos verdes esfumaçados de fúria pensativa mantinha os dedos unidos, cada um com seu correspondente, as pernas cruzadas, e metade do cabelo num corte assimétrico caindo no rosto.
--- Em Penny, novamente.
--- Ele não quer que você saiba quem ele é, ou que se prepare para seu ataque artisticamente planejado antes que ele aconteça. Se você fosse uma idiota, ele bem que poderia ser um pouco descuidado e deixar mais pistas e mesmo assim você não iria descobrir... mas, como ele viu o perigo iminente por causa da sua sagacidade, dificultou, colocando essa mensagem no mesmo lugar em que colocou antes. Pois lá, é o lugar onde qualquer pessoa da organização pode colocar qualquer bilhete... isso sig -Interrompi-a.
--- Isso significa, que ele não é qualquer pessoa da organização, por que se fosse, não se preocuparia em deixar isso tão explícito. Se ele se preocupa em me fazer pensar que ele é desconhecido, é por que não é desconhecido. De outra forma, para quê ele iria fazê-lo? Por mais que ele queira me encontrar e contar tudo para mim, ele não pode deixar que eu o surpreenda, ao em vez de ele fazer isso. -Eu estava ridícula, provavelmente. Uma mulher grávida fazendo deduções...
--- Hum... você deveria trabalhar para nós. –Frida sorriu.
--- Então, me é próximo... -Eu disse, mordendo o lábio inferior. Tinha impaciência e chateação. –Cretino...
--- Hey, please, honey... -Frida enfatizou o americano, sendo sarcástica. -não desconfie de mim!
Fiquei calada.
--- Calma. -Fiquei mais perturbada ainda. Frida me desconcentrava.
--- Charllottie, conte nos dedos! -Ela riu e fez um gesto de revólver na mão. -Bang, bang! –Elimine os bons! Ah! Esqueci... Não tem nenhum! –Ela gargalhou, espontaneamente.
--- Não posso. -Eu disse, lentamente e ainda concentrada em morder meu lábio inferior.
--- Ah, não seja boazinha! Ou será que seria má? -Ela estava brincando, seriamente.
Era incrível a quantidade de gestos e caras que Frida fazia. Mudavam em um segundo. Ela fazia piadas úteis com a realidade. Parecia querer fazer metáforas...
--- Não, jamais seria boazinha... -Não sorri, o que tornou essa afirmação negra e obscura. -Estou sendo razoável. Como posso saber? Que critério usaria eu para rotular os que me são próximos? Norma, por que ela é ruiva? Ou, pode ser Jolie, porque usa vestidos coloridos... -Eu ergui uma sobrancelha para Frida, mostrando que havia ganhado o jogo, mas que ainda estava tentando dar continuidade ao raciocínio. — Quais quer que sejam os meus argumentos, serão baseados no que eu pude observar deles. Nada mais do que eles demonstram ser. O que pode não condizer com o que são. –Encostei-me na janela, olhando a lua pálida e nevoenta no céu. –Mas... Pensando bem... Ele pode ser alguém mais distante que eu conheço... Eu conheço muita gente na organização... Só que são mais distantes. –Resolvi tentar não achar que alguma das amizades mais fortes que eu construíra com aquelas pessoas tinha algo a ver com meu sofrimento.
A noite fazia muito frio e eu senti um arrepio a me atravessar o corpo...
--- Mas e tudo que você deduziu até agora... Não foi com base na observação? –Frida disse.
--- Sim, foi. Mas foi porque não havia mais nada ao que me agarrar... Eu tinha certeza de que algo não estava se encaixando na realidade... E não havia nada mais que eu poderia deduzir... –Disse –Além disto... Vemos agora que eu deduzi certo, não? –Disse, agora sorridente.
Frida ficou de pé. Bateu palmas.
--- Nossa! –Ela exclamou, sorrindo. -Não sei por que mesmo que eu não gostava de você... sou mesmo uma preconceituosa...
--- É. -Respondi, com meu pote de orgulho cheio, mas ainda pensando em meus problemas.
--- Acho que você só precisa ficar calma. –Frida disse.
--- Não posso. Acabei de descobrir que não há solução. –Disse , atônita.
--- Não há? -Frida pareceu estar em dúvida e ao mesmo tempo afirmar algo.
--- Não. Não há nada a fazer, senão esperar o meu destino e andar com guarda-costas vampiros com poderes especiais. –Sorri, sem vontade.
Estava fazendo como qualquer humano normal. Rindo de meus problemas para não condená-los piores do que eles eram de fato.
--- Mas porque não? –Frida perguntou.
--- Não tenho super-poderes de visão do futuro, ainda –Disse, estranhamente.
--- Mas você pode se prevenir. –Ela disse.
--- Nem posso... Aqui na organização ele estará sempre na minha cola. Se é alguém que eu conheço. Sou nova aqui e não tem como eu saber das coisas para me prevenir antes que ele me encontre... –Disse.
--- Charllottie, então, a única coisa que pode fazer é ficar junto a mim, direto. –Ela disse.
--- Ah! Fridinha...
Frida tinha pavor a “Fridinha”. Fez uma careta.
--- Faria isso por mim? –Perguntei, séria.
--- Ah! Fridinha, faria isso por mim?! –Frida falou, me imitando –Morra. –Ela continuou, rindo.
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