Ich Liebe Dich.
96 Cap. 95: Decisão.
Notas iniciais
Joe me olhava. Suas sobrancelhas franzidas e uma expressão de repressão. Ele sabia que a minha mais provável resposta para isso seria ruim para ele.
--- Charllottie, não dê ouvidos a ele. Peter terá de acordar com você perto dele. -Frida chegou mais perto de mim, tomando o espaço de Joe.
--- Mas... voltei por causa do meu filho. Voltei porque era ruim para ele ficar por lá. Prometi que não voltaria, antes que ele ficasse grande o suficiente para entender tudo. -Eu disse, olhando para as minhas mãos que estavam sobre as minhas pernas enquanto eu estava sentada na cama do hospital. -Mas... -Um sorriso espontâneo estava estampado em meu rosto. -quero voltar. Realmente... –Além disso... Agora eu acho que nenhum lugar é seguro. Acho que estou condenada a perseguição de alguém para o resto de meus dias. E ele me pegaria aqui, ou na organização. E se é para eu escolher onde morrer, eu prefiro lá.
--- E... a sua mãe e eu, Bridget e a Sam? -Joe estava inconformado.
--- Eu... não sei. –Murmurei. –Joe, eu sou casada com o Peter agora... Eu tenho de fica ao lado dele. Minha mãe deve ter consciência disto.
--- Ora, Charllottie, seu filho não morrerá se morar conosco. -Frida estava começando a perder a sua calma inabalável. -Além disso, você não quer que ele fique na organização, porque acha que Peter não o quer lá. Mas nunca saberá, se não falar com ele. E... acha que não seria uma grande alegria para Peter ver que você está esperando um filho dele? E poder se sentir normal quanto a isso. Ter a sua família perto?
--- Desculpe, Joe. Por isso, e pela minha vontade de vê-lo, ela venceu. -Eu disse, sem hesitar. Olhava -o, pelos cantos dos olhos. Joe estava pensativo e ficou assim por alguns minutos.
--- Tudo bem. -Ele disse, em um tom baixo e soturno. -Chamarei a sua mãe... acho que... ela vai querer se despedir, mais uma vez. -Joe disse, fechando a porta atrás de si e saindo, sem batê-la.
--- Ele está bem? -Frida perguntou, sorrindo cruelmente.
--- Você não gosta dele... ele te conheceu na organização? Quero dizer... ele te conheceu quando você chegou lá? -Perguntei.
--- Ele... é só um idiota convencido. -Frida disse, rindo.
--- Conte-me. -Eu disse, e ela entendeu.
--- Não houve nada... eu... só lembro-me de Joe, quando o via, e ele estava jogando algo... sempre que o via, ele estava jogando algo. Mas eu não o via muito, pois ele não vivia no mesmo lugar que eu. Ele era da ala B. Onde as pessoas são profissionais em quase todos os estilos de luta, ou praticam algum esporte. Por isso eu o achava exibido. Ele era o melhor e Teddy o bajulava. Como eu era muito petulante, e ainda sou, odiava perder a atenção que Teddy o dava...
--- Interessante... -Eu disse.
--- Sabe como eu me dou com pessoas que acho idiotas... eu as ignoro, as odeio e as faço sofrer. -Ela sorriu de novo, sarcasticamente. Seu rosto se tornara sombrio, em qualquer momento quando seu cabelo caíra sobre um dos olhos, tapando-o. E seu rosto de menina malvada a fez parecer sádica e cruel.
--- Pare de ser sádica, por um momento. Eu gosto do Joe. Ele é gentil e acabou de me salvar de um maníaco na rua.
--- É, aprender essas lutas todas deve ter servido. -Frida gesticulava com a mão como se não fosse nada.
--- Você está bonita grávida. Sabe, passei a gostar mais de você, agora que vejo você e Peter como minhas marionetes de um romance. É muito bonito ver Peter ficando feliz ao te ver... vai ser o episódio mais lindo da minha diversão ver a cara dele, acordando de um coma, e vendo que ele está preso, drogado e tem um filho. -Ela riu. -Muita informação... –Aliás, falando em muita informação... Você precisa me contar direitinho o que está acontecendo sobre esse seu opressor, quando começou tudo... –Ela disse, me encarando.
Suspirei e comecei a contá-la desde o começo. E falei também de minhas teorias. Ela ficou apenas com uma cara de surpresa. Mas como ela era acostumada a coisas extraordinárias, ela não ficou boquiaberta como minha mãe ficaria.
--- Mas, podemos prender Gustav e fazê-lo dizer quem está por trás disto por meio de tortura! –Frida disse, pasma por eu não ter dito a ninguém.
--- Não há como escapar, Frida. Mesmo que o prendêssemos, você acha que ele iria falar? É a mãe dele que está em jogo. Pelo que vi, ele daria qualquer coisa por ela. Até mesmo a vida. E vi em seus olhos o ódio espetacular que ele nutria por quem a seqüestrou... Mesmo que tentássemos fazer com que a tal pessoa não soubesse que tínhamos Gustav em nossas mãos, não conseguiríamos, porque ele está dentro de onde Gustav estaria preso. Ele saberia, imediatamente. Ele poderia estar aqui. E isso só acabaria nele matando a mãe de Gustav, depois que nós matássemos Gustav de tanta tortura. Além do fato de que Sam o ama e eu, apesar de ruim como sou, jamais vou querer que Sam passe pelo que estou passando. Um amor morto é você morto. –Eu disse, com veemência. –Tem mais uma coisa... Gustav pode ser útil. Ele é o único que conhece bem os planos dessa pessoa. Ele é o que chegou mais perto. E ele está com ódio dessa pessoa. Ele é a maior ameaça a essa pessoa, solta. Se essa pessoa não o pega, é porque ele, como essa pessoa, que não pegamos, é um rato de esgoto. Ele é a única arma que eu tenho. Eu não posso lidar com isso. Eu não sou uma agente. E Gustav olhou em meus olhos... E disse, visceralmente, que ia cuidar dele. Ele disse que eu apenas esperasse. E que eu não fizesse alarde. Está entendendo? –Terminei meu discurso, finalmente.
--- É, ele é um de nós. Vai ficar difícil assim... –Frida disse, devagar.
--- É a maior fortaleza dele estar na organização. Ele usou Gustav para me espionar durante todo o tempo que eu estava na Escócia. Muito astuto. Na organização, ele mesmo me observava. –Disse eu.
--- Sim... Sim, me desculpe a emoção, Charllottie, mas eu preciso conhecer esse cara! É um safado de um rato... Ou barata que nos escapa... sempre.
--- Como ele me mandou aqueles bilhetes, ele soube que eu sabia que ele era da organização. Não sei como...
--- Ele pode ter colocado um objeto minúsculo daqueles que tem de montes na organização para gravar as suas conversas com as de Sam, por meio de Gustav. Já que você me disse, que Gustav disse que ele não queria se expor demais colocando algo assim em sua casa. Talvez Gustav colocasse em Sam toda vez que ela ia embora. Toda vez que ele não estava com ela...
--- Mas como? Na roupa dela? Se fosse, ela trocaria de roupa e ele não pegaria de volta para ouvir. –Perguntei, intrigada.
Frida sorriu levemente. A chuva ficou mais forte lá fora. Realmente era uma noite fria.
--- Não... Alguns dispositivos além de serem a prova d’ água podem ser friccionados sobre a pele. Ele pode ter colocado enquanto ela dormia. Mas dói um pouco. Mas é muito pouco. Acho que nem o bastante para que ela acordasse. E são tão pequenos... Mas mesmo assim ela poderia vê-los. Ele deve tê-lo colocado em um lugar onde ela não podia vê-lo. Talvez atrás do pescoço?
--- Nossa... –Pasmei –É, é o mais provável.
--- Ele não te contou nos mínimos detalhes. Talvez o rato tenha recomendado somente os detalhes mais sórdidos. Ele deve achar que o circo está se fechando para ele. Por isso quer você longe do caminho. Ou não... Ele não te pegou até agora... Pode estar planejando algo muito ruim... Se ele não te matasse, mas encontrasse com você, como ele diz nos bilhetes, que vai te encontrar... Ele decidirá viver a vida sobre os olhos da lei. Ele estará ciente de que se tornará procurado. Por nós, que o conheceremos imediatamente.
--- Concluindo... Ele é doente. E ele quer que eu o veja, e saiba de tudo que ele fez pela boca dele. Para que mais ele iria querer me encontrar, fora me matar? Só pode ser mais um passo dele, para o seu plano inicial. O seu único plano. Fazer-me amargar como se estivesse no inferno.
--- Tamanho é o ódio que ele sente... Até eu, que não sou das melhores pessoas, me arrepio com esse sentimento sublime. Não dá para entender... –Frida murmurou, se aquecendo com as mãos.
--- É... E o meu ódio por ele é recíproco até a última gota. –Eu disse, exaltando-me. –Até quando ele não tinha mexido com ninguém além de mim, eu estava bem. Meio indiferente, só tinha ódio por ele momentaneamente. Mas a partir do momento em que meu filho agora está envolvido na teia de ódio dele, eu estou com um ódio selvagem, visceral por ele. Rasgarei cada pedaço dele se ele tentar contra esta vida que eu carrego.
--- É isso ai. –Frida disse, séria.
Um silêncio se fez enquanto Frida fitou a janela escura do hospital a olhar a chuva lá fora. Já estava muito tarde, e eu dormiria no hospital.
--- Tudo bem, então, amanhã de manhã irei para casa arrumar as minhas coisas e amanhã mesmo partiremos. -Eu disse, acalmando-me com o silencio da sala e o barulho da chuva.
Frida me olhou, seu rosto inexpressivo não me dizia nada. Isso me preocupou, pois era quase impossível que ela não fizesse nenhuma expressão.
--- O que há?
--- Qual o nome? -Ela perguntou, quase a rir.
--- Ora, eu não sei... -Eu disse. -O pai não está aqui e não quero fazer nada sem que ele me conceda a permissão... -Eu falei, ironicamente.
--- Vamos, me diga logo. -Ela falou com uma cara séria, altamente fingida descaradamente.
--- Kurt. -Eu disse, sorrindo e olhando para minha barriga.
Foi a primeira vez em que eu olhei-a, como uma mulher grávida qualquer, sendo idiotas e iludindo a si próprias, como se o bebê as observasse enquanto elas falam com o além.
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