Ich Liebe Dich.
94 Cap. 94: Faz um tempo.
Notas iniciais
Seis meses. Este era o tempo em que eu havia sobrevivido enquanto podia. Olheiras eram bem comuns ao meu rosto. Sam nem me falava mais que eu precisava dormir. Ela já estava acostumada com a ideia de que eu não dormiria mais direito. Ah... como eu queria sentir o toque de Peter outra vez. Ele era o mundo, que estava distante de mim, enquanto eu vivia num espaço aleatório. Sem destino, sem função, sem linguagem cognitiva, ou até mesmo sem essência.
--- Lottie, está me ouvindo? –Sam chamava a minha atenção com as sobrancelhas franzidas em uma expressão de dúvida.
--- Sim. –Eu falei. Estava extremamente monossilábica em todos esses tempos.
--- Olha, eu vou embora. –Sam disse, suspirando. –Sinto que não há mais nada a fazer. Por mim... bom, você já sabe a minha opinião. Sinto que não há mais nada a fazer nem em relação a você. E sabe o quanto eu sou otimista... –Ela ficou calada por uns segundos. –Lottie... eu... já falei tudo o que podia falar para você, já briguei com você, já te dei um tapa, juro que, você está me deixando cansada e sem esperança.
--- Obrigada. –Eu disse, num som quase inaudível.
--- Por favor, Lottie, não desista de viver.
--- Não posso desistir do que não estou fazendo.
--- E o seu filho? –Ela perguntou, em tom grave.
Sam sabia que esse tinha sido a minha felicidade e tortura desde os primórdios. Ela sabia, que eu não queria pensar naquilo.
--- O que tem ele? –Perguntei, em tom ainda baixo e com nós em minha garganta.
--- Idiota! –Ela gritou.
--- Sam, eu não disse que iria tê-lo? Eu não disse que ia esperar até ele nascer? E não disse que ia ficar aqui, a cuidar dele, até que o tempo de sofrimento me tomasse a vida? Até definhar? Farei isso por ele. –Eu disse, em tom grave e definitivo. Planejava calar-lhe a boca, mas ela ainda falou.
--- E você quer que ele fique com essa mãe que só está com ele por obrigação? Por não querer machucá-lo? Você acha que ele será feliz, se ver você sempre triste, doente e débil? Se não tem condições de fazê-lo feliz, abandone-o! Dê para a adoção! –Ela gritava, com força.
Não falei, fiquei em silêncio mortiço. Era verdade. Era tudo verdade. Era meu filho. Provavelmente uma linda criança. Que podia me fazer feliz. Mas, eu não tinha tanta certeza. O instinto maternal talvez não fosse suficiente, para superar a perda de Peter. Aquele homem havia me feito para um mundo onde ele existia. Onde ele era demais para se perder. O Peter tinha ficado fincado em meu coração. Ele foi tomando-o, a cada sorriso, intenção, toque... E eu não conseguia mais não sentir uma falta cortante dele. Como se um pedaço de mim fosse arrancado, brutalmente.
--- É tudo verdade. –Eu disse.
--- Não me faça te dar outro tapa! –Sam estava brava. –Você fala assim, na maior tranqüilidade?
Virei-me, da janela e levantei-me da cama. Um ódio profundo me ocorreu. Minhas veias pareciam encher-se de sangue enquanto meu coração seco pulsava, fazendo seu trabalho hediondo de distribuir vida e mais vida por aquele corpo. Aquele corpo.
--- Sam, se está sendo difícil para você, que está de fora ver isto, como acha que me sinto? Como acha que reajo? Acha mesmo que a sua amiguinha aqui é uma maquininha que pode funcionar como quer? Acha que sou um robô, que controla os sentimentos? Que me deixa em paz? Quer me deixar em paz com toda a minha angustia e tristeza, e parar de reclamar dos meus defeitos humanos? Deixe-me em paz! Saia daqui! –Eu gritei, com fúria.
--- Tudo bem. –Ela disse –Lottie, eu te entendo, mas quero que saiba que estarei aqui sempre. E eu estou apenas querendo que você não faça algo com o seu filho... Porque, sinceramente, eu acho que você está perdida. –Ela disse, me olhando com pena e saindo, devagar.
--- Ah! –Eu suspirei.
Peguei minha bolsa e sai logo atrás dela. Fui ficar por ai a andar. Era o que eu mais fazia agora. Era tudo o que eu fazia, além de me lamentar e ficar sentada a olhar o ar primaveril do qual eu não podia desfrutar.
Olhei para a minha barriga e ela estava bem grande. Na verdade, meu filho estava perto de nascer. Eu ainda nem tinha um nome... eu ainda tinha esperanças quase mortiças de que Peter voltaria, e queria que ele escolhesse o nome. Já fazia sete meses que meu filho estava aqui. Ele bem podia nascer de sete meses... sorri ao pensar que esta era uma hipótese que viraria a cabeça de poucas mães normais. A noite estava fria e eu usava um xale e um vestido... roupa de grávida. Eu me olhava no espelho sempre, achando que eu parecia um pequeno sapo grávido. Minhas pernas eram delicadamente finas e meus peitos estavam gigantes. Eles já eram colossais, mas agora, estavam muito maiores. Era um garoto. E ele se mexia muito.Talvez fosse um jogador de futebol. Ele me chutava tanto, que eu ficava com raiva às vezes. Não sabia se agradecia, ou se praguejava em relação a essa criança, que me obrigava a viver quando eu não queria, mas me trazia restos de felicidade enquanto eu pensava em morrer.
--- Ei, moça! –Alguém atrás de mim quase cochichava. Andei mais rápido.
Escutando passos apressados, eu já estava quase a correr. Com certeza era um ladrão.
--- Que droga! –Murmurei, enquanto me apressava.
O ladrão me alcançou, facilmente. Quando eu não era uma grávida pesada, eu corria mais.
--- Me solte! Desgraçado! Eu te dou o que quiser. –Disse, descompensada.
--- É? Então eu quero você!
Fiz uma cara de nojo para o ladrão de cara escura. Estávamos no escuro e eu não conseguia ver bem.
“Que sujo”, pensei.
Eu estava grávida... o que eu uma pessoa destas podia ter na sua mente? Não importava, havia crimes piores por ai, então pensei que eu deveria pensar no que havia na minha mente. Apesar de tentar raciocinar, ele era muito rápido. Ele me abraçou, e começara a beijar meu pescoço. Fiquei paralisada, por pensar que poderia perder meu filho se me exaltasse. O ladrão tirara meu xale e o jogara longe, estupidamente.
--- Ah! –Eu gritei, por fim, agora me exaltando.
O “ladrão” puxou meus cabelos negros firmemente me fazendo quase gritar de dor, se sua mão não estivesse em minha boca.
--- Se não ficar quietinha, enquanto eu faço o que vim fazer, eu te mato. E terei duas almas a mais em meu currículo no inferno. –Ele sussurrou em meu ouvido.
--- Não... –Eu murmurei, agonizando.
Ele rasgou a parte de cima do meu vestido espatifando todos os botões, subitamente. Eu estava encostada na parede, sôfrega e chorosa. As lágrimas caiam, enquanto ele beijava meu pescoço e me apertava contra ele e a parede, nervosamente, a fim de terminar logo o seu trabalho. Passava a mão pelo meu pescoço e cabelos e ia tirar meu sutiã, rapidamente. Segurei e ele me lembrou: “Eu te matarei!” então minhas mãos caíram e minhas forças se esvaíram. Ele tirou a alça do sutiã e fechei meus olhos, entregando tudo a qualquer pessoa que passasse.
De repente, deram um chute no homem que estava a me estuprar e eu ele se desgrudou de mim, subitamente, quase me puxando, de tão súbita que foi a sua abordagem. Eu, ao me livrar de seus braços, sentei no chão, de súbito, sem reação. Ele caiu, olhando para o rosto da pessoa, atônito. Tudo estava rodando e as lágrimas ainda caíam, sem cessar. Uma tontura me veio e eu apaguei.
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