Ich Liebe Dich.
77 Cap. 77: No outro dia depois desse.
--- Alguém bateu na porta enquanto nós estávamos dormindo, Charllottie. -Peter disse, sentando-se na cama.
--- Mesmo? Não ouvi. Como ouviu se estava dormindo? — Perguntei, curiosa.
--- Bom, eu estava dormindo em um sono leve. — Peter respondeu e levantou-se.
--- Acho que você estava apenas imaginando... –Eu disse, relaxada.
--- Talvez... –Ele disse, sorrindo.
De repente, ele estava estranho. Meio entorpecido. Acho que grandes emoções davam a ele nostalgia do tempo em que era infeliz.
--- Peter, você está bem? –Perguntei.
--- Estou. Só... não me acostumei ainda com tudo. Parece que sinto que temos pouco tempo para aproveitar.
--- Somos jovens e soberbos. O que poderia nos acontecer? — Eu ri da minha sarcástica mediocridade.
--- É, somos jovens e idiotas. Mas, Charllottie... –Ele franziu as sobrancelhas. Depois de alguns minutos, sorriu. Parecia também estar rindo dele mesmo –Acho que, ou você me passou seu pessimismo, ou quando nós temos algo precioso morremos de medo de perder tal coisa.
--- Segunda opção. Ainda sou pessimista. Mas também sou realista. Peter, isso seria surreal! -Quase gritei.
--- O que seria? –Ele perguntou, ainda meio confuso.
--- Seria surreal... –Aproximei-me dele –Se, depois de nos casarmos, acontecesse algo de ruim.
--- É, mas no nosso caso, você é quem está sendo otimista. –Ele pareceu estar satisfeito por provar que eu estava diferente, mas ainda havia rugas de preocupação em seu rosto –Ainda tem alguém por ai que a odeia a ponto de querer matá-la. –Sua expressão ficou pior. Era como se ele dissesse: “Droga, a realidade bate a minha porta!”
--- Bem, não acha que vai ser difícil de me matarem, estando eu, cercada pelas pessoas da organização? Sendo que, estando entre eles, a pessoa que quer fazê-lo, menores são as chances de ela fazer isso. A não ser que queira ser descoberta. –Levantei uma sobrancelha –Ou seja, mesmo que me mate... –Fui interrompida.
--- Está ai a parte que me toca. –Peter falou, triste.
--- Ah! Meu boneco cheio dos defeitos mais perfeitos para minha mente... –Você vai voltar a viver, caso eu morra. Porque, se você morresse, aposto que não ia querer me ver triste e sem vida.
--- Charllottie... Pare de falar isso. Eu não consigo mais. Não suportaria. Você sabe o quanto me liguei a você? Sabe o quanto eu não consigo mais pensar em mim sem você? –Ele estava aflito agora. –Eu não sou lá muito são. –Ele sorriu.
Ele estava na janela olhando o sol fraquinho lá fora e a neve. Abracei-o por trás.
Ele pegou meus braços e me puxou para frente. Abraçou-me e pousou a cabeça pesadamente em meu ombro. Ele estava mesmo com um fardo. Era um abraço forte e carente. Ele parecia estar se alimentando de meu realismo que, agora, parecia otimismo. De meu consolo abrangente. Pois eu também o abraçava. Fortemente, acalentando aquela sua tristeza.
--- Tudo bem, Peter. Vamos fazer um trato. –Ele ainda me abraçava, calado. Entendi, então, que para ele, aquilo poderia significar muito –Enquanto estivermos aqui, viveremos.
--- Sabe, não pense nisso. Quando eu pensava que ia morrer, fiquei angustiada e triste, por que era uma coisa certa em minha mente metade doentia, metade sã. Mas hoje, temos um fato incerto. Sabe, se não agirmos com a razão, e assim ficarmos loucos, vamos acabar sozinhos, pois nem mesmo nossos amigos, poderão nos ajudar. –Foi um conselho meio idiota e tosco, mas era a verdade.
--- Tudo... bem. -Ele disse, ainda meio melindroso.
--- Vamos a organização hoje? -Perguntei.
--- Vamos, tenho trabalho. –Ele disse, entrando em outro assunto que o fazia ter ódio.
Ele pegou seu casaco que estava suspenso perto da cama e vestiu-o. Olhou novamente para mim que tinha ido sentar-se na cama em minha preguiça abominantemente terrível.
--- Calminha, Peter. –Eu disse, vendo o seu rosto ficar enrugado de preocupação.
Levantei-me e vesti
--- Charllottie, me desculpe por não podermos passar muito tempo em lua de mel
Interrompi-o.
--- Peter eu não ligo para isso, teremos todos os meus dias fatídicos de existência não tão útil e seus dias de existência útil para a organização para nos lamentarmos um pelo outro por estarmos ficando velhos e entediados... –Brinquei, tentando deixá-lo menos soturno.
--- Tudo bem. –Ele disse, suspirando.
Peter sabia que aquilo acabara por me deixar irritada e tudo o que ele menos queria, era provar que eu tinha, realmente , um motivo para ter receio em me casar com ele. O que ele menos desejava, naquele momento, era que tivéssemos uma discussão feia logo após termos nos casado.
--- Vou com você. –Eu disse, pegando minha bolsa incômoda e velha.
--- Tudo bem. –Ele disse, de novo, irritando meus ouvidos com aquela mesmice.
Respirei fundo e tomei seu braço frágil e meio largado. Recostei minha cabeça em seu peito.
--- Eu amo você. –Eu disse, calmamente e nós saímos para a organização.
Infelizmente, meus “Eu te amo” ainda eram meio sem emoção se comparados aos murmúrios sufocados e fortes de Peter ao declarar seu amor por mim.
x.x.x
Chegando o lugar que já fora bastante inóspito para mim e para Peter também, embora ele tenha tido que viver nele por um bom tempo, nós o tratamos como se fosse um lugar qualquer. Além disso, ele não nos trazia apenas lembranças ruins. Penny era uma boa sombra quando eu estava cansada de ficar sendo mal tratada pelas palavras indóceis de Frida. E Christopher havia feito Peter rir muito naquele inverno quando ficava me olhando o tempo todo e dizendo que Peter era um idiota para ter todo aquele peito.
Peter e eu não vimos Norma nem Chris. Também não vimos Jolie. Só nos restava Frida.
Ela vinha com um vestido prateado com suas saias que o deixava no mínimo espetacular por sua pomposidade e arrogância. Seu rosto estava pacífico e calmo. O que indicava, sem dúvida, que ela não nos atacaria com mais uma enxurrada daquelas palavras ofensivas corrosivas que eram costumeiras em seu vocabulário.
--- Charllottie... –Ela falou, com mesmo rosto pacífico e sem um tom pesado.
Parecia uma princesinha educada. Parecia-me, que, depois daquele dia todos haviam mesmo mudado sua concepção embaçada de minha aparência. Ela suspirou para despejar todas aquelas palavras que viriam depois daquele pequenos gesto simples.
--- Quero que saiba que minha infelicidade hoje é inevitável e profunda, por sua causa. Mas, apesar deste infortúnio todo que tem me causado, não a odeio. Não a odeio porque você me faz ter o único pedaço de esperança de felicidade que posso alcançar. Ver que Peter, uma das únicas pessoas em quem ainda confio, feliz. Porém, sinto imenso prazer em alertá-la, de que, se tirar, este único pesado e inóspito pedaço de opção de felicidade que tenho, terei de dedicar o resto de meus pequenos minutos e segundos a fazer de sua vida o inferno mais formidável o possível. –Depois de despejar suas palavras sinceras e que vinham de suas vísceras mais profundas e amarguradas, ela sorriu, enigmaticamente honesta e se aproximou de mim, cuidadosamente. Certamente, ela sabia que teria algo a escutar.
--- Sua presença de espírito ardilosa realmente me impressiona muito, Frida. Respeito cada pedaço de insatisfação que você sente nestes seus tempos sobrevividos, porém não deixarei de alertá-la, também, de que Peter está feliz. Ele decidiu que sua felicidade dependia da minha, então, enquanto eu estiver feliz, ele estará. Assim, não precisará, de maneira alguma, preocupar-se com fazer com que o ódio e a infelicidade brotem de meu ser. –Sorri para ela. Amarelo.
Sinceramente, eu estava com raiva, mas nunca deixaria transparecer. O que havia com ela? Porque era a única que não me aceitara ainda? Era aquele, o momento, em que eu percebia que deveria desistir de Frida. Se ela não me aceitasse naquele momento, não me aceitaria mais.
Frida saiu, dando as costas para mim, sem falar com Peter. Acho que ela preferia não saber o que ele pensava naquele momento, ou em momento algum em que ele estivesse comigo. Ela só queria vê-lo em algum tempo, sozinho, para ser quem ela era com ele novamente, sem mim por perto para lembrá-la de que a coisas haviam mudado de maneira drástica.
--- Me desculpe, Peter. –Eu disse, apreensiva –Eu fingi que não me importo, mas me importo. E... não sei se vou conseguir ficar bem com ela assim. É tão ruim... Me... desculpe. –Eu fiz uma expressão repressiva para que ele não me acompanhasse. Sai, em busca de ar fresco.
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