Ich Liebe Dich.

66 Cap. 66: Meiguices... me corrompem.


Notas iniciais
Lindo. DEMAIS.

A festa não havia acabado, mas Peter e eu decidimos ir logo embora, antes de acabar. Frida se despediu de mim civilizadamente, juntamente com todos os outros. Admirei-me, mas depois concluí que Frida estava tentando se acostumar, pois ela amava Peter e não queria confusão. Afinal, ela tinha ma mente bem adulta.

No fim da festa, Peter tinha bebido muito vinho. Parece que ele preferiu ficar parado enquanto os outros dançavam. Talvez Norma tenha tentado tirá-lo para dançar, mas ele não quis. Preferiu ficar se embebedando. Mesmo assim me parecia meio sóbrio. Só senti um cheiro leve de vinho ao andar ao seu lado, meio que ajudando-o a erguer-se. Achei aquilo engraçado. Peter, o cara tão sóbrio, estranhamente feliz.

Ele me olhava de um modo penetrante e eu olhava mais para os seus lábios que me pareciam estranhamente bonitos. Ele estava de fato parecendo uma pintura renascentista naquela noite. Sua blusa estava entreaberta no peito, era branca, tão branca quanto a sua pele. Ele havia tirado a blusa vermelha e ficado com a blusa branca de baixo. Estava fazendo calor lá dentro do salão com o amontoado de gente e quando saímos a brisa leve soprava meus cabelos e os dele.

Quando saímos, ficamos andando pelos corredores de um lugar aberto. No meio tinha uma fonte, o que me lembrou a fonte da universidade.

--- Parece que o pessoal gosta muito de fontes por aqui. –Eu disse, devagar.

--- Charllottie, você deve estar cansada, vamos sentar. –Peter disse, olhando para os bancos que rodeavam a fonte. As construções naquele lugar eram renascentistas. Pareciam-me antigas.

--- Tudo bem, mas partiremos logo. –Eu disse, avisando-o –Só para eu descansar. –O peso dele estava um pouco sobre mim, mas ele segurava bem o resto.

Ele deitou sua cabeça tonta em minha perna quando eu sentei. Fechou os olhos por alguns segundos. Passei a mão em sua testa, ele estava um pouco gélido. Fiquei acariciando seus cabelos. De repente, ele abriu os olhos e fitou a lua, eu a olhei também, então. Estava amarela, cheia, linda. Os olhos dele estavam tão claros... E serenos... Foi como ver o amor. A visão materializada. Era como uma chuva calma. A brisa então tornou-se um pouco mais forte. Ele fechou seus lindos olhos novamente.

--- Sinta essa brisa... –Ele murmurou. –Estou quase morto. –Um sorriso magnífico surgiu em seu belo rosto. –Eu... –Ele não acabou a frase. Estava morto.

--- Shhh! –Um silvo baixo saiu sussurrante de meu lábios.

Ficamos ali por uma meia hora ainda. Ele não estava dormindo. Mas estava pensando de olhos fechados. Não quis interrompê-lo. Foi um dos momentos mais inexplicavelmente bonitos da minha vida.

--- Charllottie... –Peter murmurou. –Vamos. Precisamos dormir. –ele disse, ainda de olhos fechados.

--- Você é um zumbi agora? –Eu sorri, com a cabeça tombada para trás.

Ele sorriu e levantou-se, cambaleante. Ajudei-o a não cair.

--- Eu deveria ter provado o vinho. –Eu disse, rindo.

--- Deveria. –Ele sorriu.

x.x.x

Cambaleamos rindo e falando da festa até chegarmos ao quarto dele.

--- Isso não vai dar certo... -Peter murmurou, enquanto eu estava abraçada com ele para tentar evitar uma possível queda.

Mesmo achando que a queda fosse quase impossível, pois Peter era equilibrado fisicamente mesmo muito bêbado. Mentalmente é que não sabia. Ele parecia mais... solto. Verbalmente falando. Mesmo assim, não era mais solto, verbalmente do que Sam estando sóbria.

--- Como assim, isso não vai dar certo? -Perguntei, indignada. Eu já imaginava o que ele ia dizer.

--- Bom... você... eu... — Ele olhou para mim, como se eu fosse continuar em pensamento, porém, mesmo fazendo isto, deixei que ele se atrevesse a continuar. — nós podemos não nos comportar.

--- O quê? Eu? –Eu olhei para ele, calmamente sorrindo.

--- Bom... eu não quis — Interrompi-o.

--- Eu sei que não quis, querido. -Joguei o corpo dele sobre a cama. Ele ficou me olhando.

E eu olhando-o. De braços cruzados. Ele tinha um sorriso despretensioso no rosto e estava com o torso quase desnudo e branco inclinado devido à cabeceira da cama. Seu cabelo estava meio pra trás e alguns fios caindo sobre seu rosto. Ele estava de perfil, olhando a janela acima de sua cama. Fitava a lua. Ele olhou-me, de repente.

--- Você quer casar-se comigo? –Ele perguntou.

Seus olhos azuis não me fitavam mais com a mesma tonteira de antes, desnorteados, serenos... Era uma fúria séria que estava neles, apesar de ele ainda estar bem calmo aparentemente. Depois de ter falado, ele sorriu, simpaticamente.

--- Ah... –Eu baixei a cabeça e sorri sem jeito. –Aproximei-me da cama, então.

Deitei-me com ele. Recostei a cabeça em seu peito com a blusa de dentro entreaberta. Coloquei uma de minhas mãos lá e fechei os olhos. Não queria dormir, somente ficar ali, sentindo o cheiro dele que era suave e que agora se misturava com cheiro de álcool doce do vinho. O que, não me tiraria dali até que eu ficasse satisfeita.

--- Amanhã conversamos sobre isso. — Eu disse, não levando-o a sério.

--- Você... -Ele começou a acariciar a minha cabeça. Fazendo movimentos circulares. -Vai ficar aqui só até que eu durma? –Mudou de assunto sem nem parecer lembrar do outro. Resolvi considerar que ele estava bêbado.

--- Vou ficar o quanto você quiser. -Eu disse.

--- Então não vai sair tão cedo. -Ele falou. Olhei para ele de cima e ele estava sorrindo.

--- Tudo bem. -Eu disse, sorrindo.

--- Você se derreteu. -Ele disse.

--- Não. Saio daqui quando quiser. -Eu disse.

--- Tudo bem, não vou falar mais nada. Estou gostando muito de te ter aqui. Pena que amanhã vou estar bêbado ainda. Talvez nem me lembre de nada do que falei. Ou do que fiz. –Ele riu.

--- Não vai acontecer nada. E... tomara que não lembre mesmo. Você falou cada sandice... -Eu disse, balançando a cabeça e sorrindo.

--- Talvez seja para você. -Ele disse, meio lentamente. Acho que estava muito sonolento e cansado.

--- Durma meu amor. -Olhei para cima novamente e ele dormia. Pegou no sono como uma criança. Acho que já estava em sono profundo até.

--- Eu amo você.

x.x.x.

Acordei. Ainda meio tonta, levantei. Peter estava dormindo como antes ainda. Ele realmente se mexia muito pouco enquanto dormia. Fiquei sentada na cama, olhando o quarto. Não estava nada bagunçado. Como sempre. Também, na organização havia várias maneiras de se limpar um quatro sem se mexer muito e esbanjando indolência.

--- Onde... pensa que vai? -Peter perguntou, com uma de suas mãos nos olhos, talvez pela claridade ter encomodado-o. E a outra mão a segurar meu braço.

--- Ora... vou embora. -Eu disse, sorrindo.

--- E... quanto a minha proposta? -Ele perguntou, semicerrando os olhos.

--- Ah... você disse que não lembraria de nada do dia anterior. Pensei que pudesse passar despercebida. -Eu soltei-me de sua mão.

--- Eu lembro, porque eu queria realmente falar. Não foi uma bobagem. -Peter falou, lentamente. Olhei para ele, achando meio estranho tudo aquilo.
--- Ah... queria? -Franzi uma sobrancelha e sentei novamente na cama, ao lado dele. Que ainda estava deitado.

--- Sim. –Ele voltou a sorrir meio sem jeito. -E... então? O que você diz?

--- Eu... -Ajeitei meu cabelo atrás da orelha. -não sei. Não sei o que pensar. Sabe... nunca pensei em me casar. Talvez seja algo sério para ser tão de repente.

--- Você acha que não levo a sério? -Perguntou-me

--- Não. Não é com você. É comigo. É que... liberdade para mim, faz falta.

--- Tudo bem, Charllottie. Eu espero. Espero até que você decida que quer ficar comigo até que um de nós morra. -Ele sorriu, sinceramente.

Parecia que ele, de alguma forma, sabia que eu ia dizer um belo SIM, algum dia. Que podia não ser hoje, podia não ser amanhã. Nem daqui a dois ou três meses. Mas podia ser daqui até o dia dele morrer. Ele queria que isso acontecesse e não ia desistir de me ter definitivamente nem que demorasse o tempo que lhe restasse a viver.

--- Que encantador você é, Peter. Sinto muita admiração por você. E quero muito ficar perto de você, sinto cada vez mais vontade de ficar com você a cada momento. Mas... preciso pensar em uma coisa tão séria. -Eu disse.

--- Entendo perfeitamente. -Ele falou, sinceramente.

Ele era tão translúcido, que nem precisava desconfiar dele. Confiava nele mais do que em qualquer pessoa. Acho que isso acontecia, porque ele tinha amor suficiente para nunca desconfiar de mim. Nunca desconfiar que eu não falaria a verdade a ele. Nunca desconfiar que eu iria demorar-me a flertar e deixá-lo esperando até que me cansasse e fosse em busca de outro.

--- Amanhã, Peter. Eu prometo que decido. -Eu disse, levantando-me e indo até a porta.

--- Nem precisa ser tão rápido se quiser. -Ele disse.

--- Tudo... bem. -Eu sorri.

--- Amo você. -Ele mandou um beijo.

Eu já ia saindo, quando ele falou.
--- Ah! E amanhã haverá um jantar oficial. –Ele piscou o olho. -Sempre depois da festa de boas vindas do Teddy, acontece o jantar de boas-vindas. –Ele revirou os olhos. -Sabe quando temos muito dinheiro e procuramos com o quê gastar? -Ele sorriu.

--- Hum. –Assenti — Estarei lá.

Fui até a porta, olhei para ele, deitado na cama. Ainda com sua blusa meio aberta e seu peito delineado a mostra. O que contrastava com seu rosto belamente puro.

Notas finais
COISALINDA. ♥ ♥ ♥ ♥ ♥